Soares, Mário Alberto Nobre (n. 1924)

soaresPresidente da República de 1985 a 1997.  O primeiro civil a ser eleito para o cargo por sufrágio direto e universal. Primeiro-Ministro em 1976-1978 e 1983-1985. Licenciado em ciências histórico-filosóficas por Lisboa em 1951. Licenciado em direito por Lisboa em 1957. Filho do antigo ministro da I República João Lopes Soares. Começa a vida política como militante do PCP que abandona no começo dos anos cinquenta. Pertence ao MUNAF desde 1945.

Membro da comissão central do MUD e fundador e dirigente do MUD Juvenil. Secretário da comissão central da candidatura de Norton de Matos em 1949. Um dos fundadores da Resistência Republicana e Socialista, em 1953-1954, e, depois da Acção Socialista Portuguesa, em 1964. Membro da candidatura de Humberto Delgado em 1958. Preso em outubro de 1960, volta ao cárcere em 13 de dezembro de 1967, acusado de denunciar a um jornalista estrangeiro o escândalo dos Ballets Rose. Deportado para a ilha de  S. Tomé em 19 de março de 1968.

Autorizado a regressar a Lisboa, em novembro desse ano, já com Marcello Caetano. Candidato pela CEUD em outubro de 1969. Volta para o exílio em 1970, mas é autorizado a vir a Lisboa ao funeral do pai, em agosto de 1970, pouco depois da morte de Salazar. Participa no Congresso da Internacional Socialista em 26 de junho de 1972, ano em que edita em Paris Le Portugal Bailloné. Funda o Partido Socialista nos arredores de Bona em 19 de abril de 1973. Doze vezes preso pela PIDE foi também defensor de vários oposicionistas no Tribunal Plenário.

Depois de 1974, é ministro, primeiro-ministro e Presidente da República Portuguesa. Ministro dos estrangeiros dos três primeiros governos provisórios e ministro sem pasta no IV. Primeiro ministro dos I e II governos constitucionais desde abril de 1976 a dezembro de 1978 e no IX governo constitucional de junho de 1983 a outubro de 1985. Logos nos primeiros dias do 25 de Abril, defende a existência de três grande correntes: o partido socialista, um partido do centro e o partido comunista.

Considera, contra a posição de Spínola, em 3 de maio de 1974, que devemos negociar o mais depressa possível com os movimentos de libertação e que a solução está na independência pura e simples. Como chefe do governo, coube-lhe a responsabilidade do pedido de adesão à CEE (1977) e a assinatura do tratado de adesão (1985). Como presidente da república, desde 1986,  chega a declarar-se federalista, por ocasião do debate sobre Maastricht. Eleito deputado ao Parlamento Europeu em 1999.

Assume-se como um dos pais-fundadores da nova democracia portuguesa, misturando o estilo romântico do militante anti-fascista com o pragmatismo do diplomata, habituado às grandes reuniões internacionais. Quando assume a chefia do governo, declara colocar o socialismo na gaveta.

Depois de Eanes o dispensar, com a queda do II Governo Constitucional, proclama, como Manuel Teixeira Gomes que se sente como um pássaro fora da gaiola. Acompanha como presidente da República a gestão do cavaquismo, estabelecendo uma espécie de coabitação no período inicial da integração portuguesa na CEE.

  • As Ideias Políticas e Sociais de Teófilo Braga. Lisboa, 1950.
  • «A Justificação Jurídica da Restauração e a Teoria da Origem
  •  Popular do Poder Político». Separata do Jornal do Foro, Lisboa, 1954.
  • Escritos Políticos. Lisboa, edição do autor, 1969.
  • Le Portugal Bailoné. Paris, Éditions Calmann-Lévy, 1972 (trad. port. Portugal Amordaçado. Depoimento sobre os Anos do Fascismo, Lisboa, Livraria Arcádia, 1974).
  • Escritos do Exílio, 1975.
  • Intervenções, 10 vols., Lisboa, Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1987-1997.
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