SOBRE

manuel alegre

O que marca a política é a ambiguidade, a coexistência de mais do que um entendimento ou de que uma interpretação face a um determinado símbolo ou face a uma certa mensagem, para utilizarmos uma qualificação cibernética. A existência de mais do que um significado para uma simples palavra ou para uma expressão. Os discursos políticos, tal como a linguagem poética ou literária, são normalmente ambíguos, visando convencer ou atrair um mais largo espetro de auditores. Assim, as expressões ambíguas se dão menos informação, acabam por ser mais atrativas e eventualmente mais convincentes. Merleau-Ponty considera que se devem ultrapassar as antinomias filosóficas tradicionais: do interior/exterior; da verdade/erro; do eu/outro; da liberdade/necessidade; do sujeito/objeto; através de uma ambiguidade que, contudo, não é considerada como uma imperfeição. Assim, pode rejeitar-se tanto o dogmatismo de um idealismo subjetivista, como as certezas dogmáticas de um realismo objetivista. A política da ambiguidade responderia assim a uma valência do mundo humano.

Pierre Bourdieu (na imagem) considera que a luta política é um combate por ideias e ideais e, ao mesmo tempo, um combate por poderes e, quer se queira quer não, por privilégios.

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