Outra área de interesse indiscutível está na relação entre a política e as ciências da vida, abrangendo toda a área da biopolítica, isto é, das relações entre as ciência da vida e a ciência política, o que inclui as pesquisas na etologia, na neurofisiologia e na psicologia social, bem como nos domínios da chamada engenharia genética.

Se é imprescindível o estudo dos pioneiros da etologia e da sociobiologia, na linha dos estudos de Edward Osborne Wilson [1975 e 1978], Eibl-Eibesfeld [1975] e Barash [1977], importa reconhecer que hoje não bastam os esquemas de Lorenz, Wilson e Ardrey, dado que, principalmente a partir da publicação, por Roger Masters, de The Nature of Politics, em 1989, houve uma espécie de reconciliação entre a democracia e as ciências naturais. Afinal, os paralelismos entre a biologia, a etologia e a política parecem não dar apenas razão a Maquiavel, a Hobbes e aos elitistas contemporâneos. Também Masters considera que o behaviorismo está morto e que se torna possível uma aliança metodológica entre as ciências ditas naturais e as ciências ditas humanas, actualizando-se o esforço de Ludwig von Bertalanffy.

O novo naturalismo da biopolítica também permite que se transcenda o dualismo factos/valores e que se justifique a própria democracia com as novas descobertas da biologia; e o pré-romantismo de Rousseau também pode ter razão, ao contrário daquilo que continuam a proclamar algumas caricaturas etologistas.

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