1800 – 1851 | 1852 – 1910 | 1911 – 1926 | 1927 – 1973 | 1974 – 1999
Dia 23 de fevereiro – Apresentada na Câmara dos Deputados uma proposta de reforma da Carta.
Março
Dia 4 – Remodelação no Governo de Saldanha. Seabra e Garrett no governo. Fontes efetivo na Fazenda. António Luís de Seabra, ministro dos negócios eclesiásticos e justiça, substitui Rodrigo da Fonseca, que ocupava a pasta interinamente. Fontes cede a marinha a António Luís Jervis da Atouguia, assumindo a fazenda como ministro efetivo. Este passa a pasta dos estrangeiros a Almeida Garrett.
Dia 30 – As Cortes são adiadas por 51 dias, até 20 de maio de 1852.
Dia 20 de maio – Reabrem as Cortes. Entra em discussão a proposta de reforma da Carta.
Dia 4 de junho – Concluída na Câmara dos Deputados a discussão da reforma da Carta.. A discussão na Câmara dos Pares apenas termina no dia 1 de julho.
Julho
Dia 5 – D. Maria II sanciona o Acto Adicional. Com esta reforma, surge uma espécie de armistício constitucional, integrando-se no corpo da Carta algumas das principais reivindicações dos setembristas. Dá-se também a abolição da pena de morte para crimes políticos.
Dia 24 – Dissolução da Câmara dos Deputados, com o governo a entrar de novo em ditadura.
Agosto
Dia 15 – Reforma da pauta aduaneira.
Dia 17 – Garrett e Seabra saem do governo. Em 17 e 19 de agosto de 1852: Atouguia reassume os estrangeiros, substituindo Garrett (dia 17). Rodrigo da Fonseca volta à justiça, substituindo Seabra (dia 19).
Dia 30 – Criação do primeiro ministério português da economia. Fontes assume a titularidade do novo ministério das obras públicas, comércio e indústria (interrompeu este exercício de 8 de novembro de 1855 a 3 de janeiro de 1856, quando foi substituído por Rodrigo da Fonseca). Até 6 de junho de 1856.
Setembro
Dia 1 – Criada a Companhia Geral do Comércio, Agricultura e Manufaturas.
Dia 3 – Frederico Guilherme da Silva Pereira assume a pasta dos negócios eclesiásticos e justiça (até 6 de junho de 1856).
Dia 11 – Reforma das Alfândegas de Lisboa. Aprovada a pauta livre-cambista em 27 de dezembro.
Dia 30 – Instituído o imposto predial.
Outubro
Dia 11 – Questão dos vinhos do Douro. Criada uma Comissão Reguladora da Agricultura e Comércio dos Vinhos do Douro, tendo como objectivo disciplinar o comércio dos vinhos do Douro.
Dia 13 – Vantagens para os ingleses na exportação dos vinhos do Douro. Estabelecido um imposto de 500 reis por pipa para os vinhos entrados no Porto e Vila Nova de Gaia. Os críticos consideram que assim foram criadas vantagens para os ingleses na exportação do vinho do Porto.
Dia 30 – Novo decreto eleitoral: Um novo decreto eleitoral de 30 de setembro de 1852 fixa o número de deputados em 156, com 48 círculos, situação que vai manter-se durante sete anos.
Novembro
– Estabelecido o Segundo Império em França.
Dia 16 de novembro – Novo regulamento dos celeiros comuns, montepios agrícolas e Montes da Piedade.
Dezembro
Dia 12 – Eleições. Vitória das listas governamentais, onde se incluem os ordeiros. Oposição de um grupo então dito conservador ligado ao cabralismo. A maior parte dos deputados são empregados do Estado e militares. Consultar as eleições de 12 de dezembro de 1852.
Dia 16 – Decreto sobre exposições anuais de gados.
Dia 20 – Reforma do ensino agrícola. Criação do Instituto Geral de Agricultura.
Dia 22 – Introduzido o sistema métrico decimal de pesos e medidas, criando-se uma Comissão Central de Pesos e Medidas, cujos vogais são nomeados em 28 de fevereiro de 1853. A partir de 14 de janeiro de 1853 já todas as repartições do MOPCI passam a adotar o sistema unificado de pesos e medidas.
Dia 27 – Aprovada pauta livre-cambista. Entra em vigor no dia 1 de janeiro de 1853.
Dia 30 – Estabelecido o novo ensino industrial.
Dia 31- Serviços de correios e postas passam para o MOPCI.
Ainda em 1852…
– Continua governo de Saldanha
– Surge em Coimbra a revista O Instituto
– Criação do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas
– Silva Porto inicia viagens de exploração no interior de África
– Viagem de Benguela à contracosta
– Primeira greve operária em Portugal (dos tipógrafos)
– Começa o serviço de malapostas entre o Porto e Lisboa
Dia 2 de janeiro – Discurso da Coroa. Assume-se em oposição o deputado Basílio Alberto de Sousa Pinto. Critica os actos ditatoriais do governo que não tem maioria clara na Câmara dos Pares.
Dia 23 de março – Medidas de fomento florestal. Distribuição gratuita de sementes de pinheiros. Fomento da cultura da amoreira. Responsabilização das câmaras municipais pelos projectos de povoamento florestal. Em 26 de Novembro será nomeada uma comissão para a redação de um Código Florestal, integrando Rodrigo Morais Soares.
Maio
– Conflito entre Lisboa e o Vaticano por causa do Padroado
– Conflito com o Papa em Maio de 1853. Considera-se que um breve pontifical afecta o nosso Padroado no Oriente.
– Em Maio de 1853, D. Pedro V, acompanhado pelo visconde de Carreira parte para uma viagem à Europa. Recebe Napoleão III em Bolonha em maio de 1854.
Dia 12 de agosto – As cortes são adiadas por 125 dias até 15 de Dezembro de 1853.
Outubro
– Surge o primeiro caso de colera morbus em Valença
Dia 15 de novembro
– Morte de D. Maria II. Tinha, então 34 anos. D. Fernando jurado regente no dia 19 de Novembro.
Ainda em 1853…
– Continua governo de Saldanha. Regência de D. Fernando.
– Utilização dos selos postais portugueses
– Primeiros trabalhos para o assentamento das linhas de caminhos de ferro
– Oliveira Marreca apresenta na Academia das Ciências um projecto sobre estatística
– Surge O Portuguez
– Surge o Jornal do Commercio
– Garrett publica Folhas Caídas
– Surge o quarto volume da História de Portugal de Alexandre Herculano que é eleito presidente da Câmara de Belém pela oposição.
Dia 21 de janeiro
– Criada a comissão central para a exposição de Paris, presidida pelo marquês de Ficalho. Participam, entre outros, Tavares Proença, José Jorge Loureiro, Aires de Sá Nogueira e José Ferreira Pinto Basto.
Fevereiro
– Criadas comissões distritais para o estudo da cultura do arroz e os seus efeitos na saúde pública.
Dia 2 de março – Regulamento das exposições anuais de gado.
Maio
– Instalam-se em Portugal os primeiros focos de cólera.
Dia 8 de julho – Realiza-se em Portugal a primeira experiência de caminho de ferro entre Sacavém e Vila Franca de Xira.
Agosto
Dia 7 – Autorizada a importação de milho estrangeiro.
Dia 29 – Redação do jornal O Portuguez convoca uma reunião daquilo que designa por partido progressista
Setembro
Dia 6 – Novo regulamento dos celeiros comuns.
Dia 17 – Alexandre Herculano recusa fazer parte da comissão central do chamado partido progressista
Dezembro
Dia 8 – O papa Pio IX proclama o dogma da Imaculdada Conceição
Dia 14 – Liberdade para os escravos pertencentes ao Estado
Ainda em 1854…
– Continua governo de Saldanha. Regência de D. Fernando
– Surgem os jornais O Comércio do Porto e O Conimbricense
– D. Pedro V viaja pela Europa nos anos de 1854-1855
– João Mouzinho de Albuquerque publica Reflexões sobre a Agricultura Pátria.
Dia 12 de janeiro – Aprovados os estatutos da Associação Comercial de Lisboa.
Dia 19 de março – Escola Regional Agrícola instalada em Viseu é transferida para Coimbra
Dia 1 de maio – Inaugurada a Exposição Universal de Agricultura e Indústria de Paris
Dia 23 de junho – A Lei de 23 de Junho de 1855 criou o cargo de Presidente do Conselho de Ministros
Julho
Dia 13 – As cortes são adiadas por 65 dias, até 16 de Setembro de 1855
Dia 16 – Bens da Coroa são declarados inalienáveis e imprescritíveis
Dia 17
– Reorganização do ensino da veterinária. Estabelecimento de coudelarias civis.
– Iberismo. Revolta em Espanha. União Ibérica é oferecida ao trono do Braganças. D. Fernando terá frontalmente rejeitado a oferta.
Setembro
Dia 10 – D. Pedro V atinge os 18 anos de idade e presta juramento.
Dia 17 – Reorganização das Alfândegas. Criada uma Administração-Geral das Alfândegas e uma Guarda Fiscal
Dia 19 – Rei cria caixa verde
Outubro
– Grandes chuvadas e consequentes cheias em Portugal.
– Recrudesce a epidemia de cólera.
Dia 25 de novembro – D. Pedro V recusa assinar diploma sobre o ensino da veterinária
Ainda em 1855…
– Exposição industrial do Porto
– Participação portuguesa na Exposição de Paris
– Inauguração do serviço telegráfico
– Assinalada a exportação de frutas portuguesas para a Bélgica
– Assinado o contrato para a construção do caminho de ferro do Norte e da linha Barreiro-Beja
– Regresso à convertibilidade ouro da moeda
– Nasce João Franco
– Herculano surge como vice-presidente da Academia das Ciências
– Grandes chuvadas em Portugal nos começos do Outono
– Camilo Castelo Branco publica O Livro Negro do Padre Dinis
Dia 5 de janeiro – As Cortes são a diadas por 14 dias, até 19 de Janeiro.
Dia 16 de fevereiro – Discussão na Câmara dos Pares entre Saldanha e António Bernardo da Costa Cabral, Conde de Tomar, durante três horas.
Março
– Discurso do Visconde da Fonte da Arcada sobre a crise agrícola.
Abril
– Epidemia de cólera instala-se e difunde-se. De Outubro de 1855 a Novembro de 1856, só em Lisboa há 3 275 mortos. Em Novembro de 1856 a epidemia de cólera extingue-se, mas começa a da febre amarela, a partir de Agosto.
Junho
Dia 6 – Governo de Loulé. De 6 de Junho de 1856 a 16 de Março de 1859. 1014 dias. 2º governo da Regeneração. 1º governo histórico. 3º governo sob o reinado de D. Pedro V. Promove as eleições de 9 de Novembro de 1856 e de 2 de Maio de 1858. Presidente começou por acumular apenas os estrangeiros; logo em 25 de Junho de 1856 passou a acumular as obras públicas, até 14 de Março de 1857; desde esta data acumulou os estrangeiros e o reino. José Jorge Loureiro na guerra e na fazenda (até 23 de Janeiro de 1857). Júlio Gomes da Silva Sanches no reino, mas por ausência deste, a pasta foi interinamente assumida por Loulé até 25 de Junho de 1856. Elias da Cunha Pessoa nos negócios eclesiásticos e justiça (até 14 de Março de 1857). Sá da Bandeira na marinha e ultramar e nas obras públicas (até 25 de Junho de 1856). Sá da Bandeira foi sempre ministro da marinha, mas acumulou as obras públicas até 25 de Junho de 1856 e a guerra desde 23 de Janeiro de 1857. Silva Sanches começou no reino, acumulou com a fazenda, desde 23 de Janeiro de 1857, e ficou apenas na fazenda desde 14 de Março de 1857.
Dia 16 – Carta de lei autoriza a criação do Banco Mercantil. Estavam apenas em funcionamento o Banco de Portugal em Lisboa e o Banco Comercial do Porto.
Dia 25 – Sá da Bandeira cede as obras públicas a Loulé (até 14 de Março de 1857). Júlio Gomes da Silva Sanches assume efetivamente a pasta do reino (até 14 de Março de 1857)
– D. Pedro V recusou a Saldanha uma fornada de vinte pares considerando que a oposição é uma condição essencial dos governos representativos, e todo o ataque que se lhe dirige é um ataque que vai recair sobre as próprias instituições.
Dia 24 de julho – Em 24 de Julho de 1856, liberdade para os filhos dos escravos nascidos no ultramar, depois de atingirem os 20 anos
Agosto
Dia 8 – Por causa do mau ano agrícola (no Outono de 1855, grandes chuvadas e cheias), houve no dia 8 de Agosto de 1856 uma manifestação em Lisboa contra a alta do custo de vida, numa das primeiras revoltas dos abastecimentos. Tumultos e assaltos a lojas. Autorizadas importações de géneros alimentícios.
Dia 28 – Nova Companhia. Constituída a Associação Geral do Comércio e Hipotecas.
– Surge a epidemia de febre amarela
Setembro
Dia 5 – É emitido o manifesto da comissão eleitoral progressista de Lisboa. Já antes, em 3 de Julho, O Portuguez anunciara que o partido progressita anunciaria em breve o respectivo programa. Com efeito, o grupo de Rodrigo e Fontes nunca tivera um programa formal.
Dia 29 – Decreto aumenta o número de deputados de 156 para 162. Mais cinco no Continente. Mais um em Ponta Delgada.
Dia 28 de outubro – Inauguração solene do caminho de ferro entre Lisboa e o Carregado.
Dia 9 de novembro – Eleições de 9 de Novembro de 1856. Oposição regenerador com 38 deputados. Cinco deputados miguelistas que recusam prestar juramento. Regeneradores conseguem 8 deputados em Lisboa.
Ainda em 1856…
– Herculano começa a publicar os Portugaliae Monumenta Historica
– Publicadas as Poesias de Soares dos Passos
– Surge o Almanaque do Cultivador em 1856-1857
– Henriques Nogueira publica O Município no Século XIX
Fevereiro
Dia 21 – Concordata com o papa Pio IX sobre a questão do padroado português no Oriente.
Março
– António José de Ávila e Carlos Bento da Silva passam-se dos cabralistas para os históricos, assumindo funções governamentais. Ferrer na justiça.
Maio
Dia 4 – Ferrer sai do governo.
Julho
– Sá da Bandeira demite Saldanha de Comandante Supremo do Exército.
Outubro
– Autorizada a entrada em Portugal das Irmãs da Caridade.
Novembro
– Questão da barca Charles et Georges.
Dia 26 de março – Dissolução da Câmara dos Deputados em 26 de Março de 1858.
Dia 31 de março – Ávila substitui José Silvestre Ribeiro nos negócios eclesiásticos e justiça
Abril
Dia 6 – Marcadas as eleições
Dia 29
– Decreto fixa a data de 29 de Abril de 1878 para a extinção da escravatura. Esta data-limite será antecipada pelo decreto de 23 de Fevereiro de 1869.
– D. Pedro V casou com D. Estefânia. Em 18 de Maio, a nova rainha chegava a Lisboa. Em 17 de Julho de 1859 a rainha falecia, por causa de um ataque de difteria.
Maio
Dia 2 – Eleições. Vitória das ministeriais históricos. a oposição, então chamados coligados, reúne cartistas e miguelistas. Dos 24 deputados oposicionistas eleitos (num total de 162), há dois miguelistas, Carlos Zeferino Pinto Coelho e Estevão José Palha que não chegam a exercer as funções para que foram eleitos, porque recusam prestar juramento à Carta. Também recusa o mandato Alexandre Herculano, eleito deputado histórico por Sintra.
Dia 5 – Sai o primeiro número do Archivo Rural. Subsídios do governo a sociedades agrícolas, tendo em vista, sobretudo a horticultura.
Dia 18 – D. Estefânia chega a Lisboa.
Junho
Dia 7 – Abertura do parlamento. A sessão dura até 23 de Novembro de 1859.
Dia 20 – Violento artigo contra as Irmãs da Caridade é publicado em O Portuguez, órgão do partido histórico.
Julho
– Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados propõe a livre importação de cereais.
Agosto
Dia 2 – Deputado Rodrigues Vidal defende que se facilite a cultura do arroz em Portugal.
Dia 13 – Chega a Lisboa a barca Charles et George
Dia 14
– Governo é autorizado a estabelecer a livre importação dos cereais.
– As Cortes são adiadas por 58 dias, até 11 de Outubro de 1858.
– Surto de febre aftosa no Norte em Agosto e Setembro.
Dia 10 de setembro – Livre importação de cereais
Outubro
– Crise na praça comercial do Porto provocada pelo excesso de vinho armazenado e sem qualidade
– Exposição de gados no Porto
– Ultimato francês
Novembro
Dia 5 – Discurso de José Estevão
Dia 12 – Tratado com a Dinamarca
Dezembro
Dia 16 – Sá da Bandeira substitui Couceiro na guerra
Dia 28 – Habitantes das Caldas da Rainha dirigem-se à Câmara dos Deputados protestando contra os males provocados pela cultura do arroz
Dia 31 – Comício anticlerical presidido por Alexandre Herculano.
Ainda em 1858…
– Morte de Rodrigo da Fonseca
– Adrião Pereira Forjaz Samapaio publica Economia Política
– Caminho de ferro chega à Ponte de Asseca
– Manifesta-se em Portugal a moléstia das vinhas oidium tuckeri
– Há cem máquinas de ceifar em laboração
– Grande procura de sementes de pinheiro bravo na Administração Geral das Matas
– Assinalada a exportação de bovinos para Inglaterra
Janeiro
– Rodrigo Morais Soares, director do Archivo Rural lançara o grito de criação de um partido dos agrocratas, para o fomento da agricultura
Dia 18 – Depois de em Outubro surgir uma crise na praça comercial do Porto por causa do vinho, eis que em 18 de Janeiro de 1859, o rei não aceita a demissão de Loulé que, na Câmara dos Deputados tem apenas uma maioria de 7 votos
Dia 31 – Comissão de Saúde Pública da Câmara dos Deputados insurge-se pela primeira vez contra a cultura do arroz.
Março
Dia 4 – Em 4 de Março de 1859, José Estevão e Ferrer apresentam uma moção anticlerical. A Câmara dos Deputados ratificou a concordata em 6 de Fevereiro de 1860.
Dia 16 – Governo do duque da Terceira/ Joaquim António de Aguiar. De 16 de Março de 1859 a 4 de Julho de 1860. 477 dias. Até à sua doença, Terceira acumulou a presidência, a guerra e os estrangeiros. Terceira morre em 26 de Abril de 1860. Fontes Pereira de Melo no reino, mas acumulando a marinha desde 16 de Março de 1860; Martens Ferrão nos negócios eclesiásticos e justiça (até 4 de Julho de 1860); Casal Ribeiro na fazenda, com os estrangeiros desde 24 de Abril de 1860; Adriano Maurício Guilherme Ferreri na marinha (até 12 de Março de 1860, quando faleceu); António Serpa nas obras públicas. A partir de 1 de Maio, o governo passa a ser presidido por Joaquim António de Aguiar, depois da morte de Terceira em 26 de Abril.
– Extinto o Conselho Superior de Instrução Pública de Coimbra. Emitido diploma sobre moedeiros falsos
– Rodrigues Sampaio é nomeado vogal do Tribunal de Contas
Dia 18 de abril – Serpa propõe a liberalização dos cereais logo em 18 de Abril.
Maio
Dia 23 – O ministro da fazenda Casal Ribeiro autoriza a venda de diamantes em bruto
Dia 27 – Encerra o parlamento.
Junho
Dia 1 – Criado o Conselho Especial da Veterinária
Dia 11
– Ratificado tratado com a Dinamarca
– Vinhas portuguesas são afectadas pelo oidium
Dia 21 – Criados lugares de veterinários distritais
Dia 30 – Decretada a livre introdução do milho no reino.
Dia 17 de julho – Morte da rainha D. Estefânia
Dia 19 de agosto – Organização do Tribunal de Contas
Dia 14 de setembro
– Regulamento do Curso Superior de Letras
– Assinado um contrato com o financeiro espanhol D. José de Salamanca para a conclusão da via férrea do Norte e para a ligação ao Entroncamento
Outubro
Dia 5 – Reforma do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria.
Dia 31 – O Diário do Governo passa a designar-se Diário de Lisboa. Folha official do Governo Portuguez
Novembro
Dia 4 – Reabre o parlamento
Dia 23
– Dissolução da Câmara dos Deputados em 23 de Novembro de 1859
– Nova lei eleitoral. Influenciada por Oliveira Marreca e José Estevão. Emitida por uma Câmara dos Deputados de maioria histórica durante um governo regenerador. Estabelecidos círculos uninominais. Diminuição do censo.
Ainda em 1859…
– Alexandre Herculano instala-se em Vale de Lobos
– Camilo Castelo Branco foge com Ana Plácido
– O monopsónio inglês na compra da cortiça é furado por um empresário português, Albergaria Freire, que instala uma fábrica de rolhas.
Janeiro
Dia 1 – Eleições. Vitória dos governamentais regeneradores que integram ex-cabralistas. 15 deputados da oposição histórica. 2 deputados miguelistas.
Dia 26 – Reabre as Cortes. Reabre o parlamento
Fevereiro
Dia 6 – Câmara dos Deputados ratifica a Concordata. Fim da questão do padroado.
Dia 13 – Reforma do MOPCI. Confirmada a reforma do ministério e a livre introdução dos cerais em 13 de Fevereiro de 1860.
Março
Dia 16 – Fontes substitui Adriano Maurício Ferreri na marinha, por morte deste. Teve uma congestão cerebral em plena Câmara dos Deputados em 9 de Março de 1860, face aos ataques do deputado Ferreira de Almeida.
Dia 20 – Em 20 de Março de 1860 surgia a Associação Industrial Portuguesa.
Abril
Dia 24 – Em 24 de Abril de 1860, Com a doença de Terceira, António Serpa passa a acumular a guerra e Casal Ribeiro a acumular os estrangeiros.
Dia 26 – Morte do Duque da Terceira
Dia 1 de maio
– Em 1 de Maio de 1860: Joaquim António de Aguiar assume a presidência; Joaquim António Velez Barreiros, barão da Senhora da Luz assume a pasta da guerra; José Marcelino Sá Vargas na marinha; Casal Ribeiro mantém a fazenda e os estrangeiros; António Serpa fica apenas com as obras públicas.
– Aumenta a repressão dos moedeiros falsos.
– Aumento dos impostos para o financiamento dos caminhos de ferro. Começam a intensificar-se as acusações de corrupção contra os governantes. Estes são vistos como ladrões por parte importante da opinião pública.
Dia 10 de junho – Fundação da Real Associação Central da Agricultura Portuguesa que em 13 de Janeiro de 1861 elegeu João Rebelo da Costa Cabral como primeiro presidente.
Julho
Dia 3 – Tratado entre Portugal e o Japão. Assinado por Isidoro Guimarães, então governador de Macau.
Dia 4 – Governo de Loulé/ Sá da Bandeira. De 4 de Julho de 1860 a 17 de Abril de 1865. 1749 dias. Presidente começa por acumular o reino (até 21 de Fevereiro de 1862). Loulé esteve ausente de 12 de Setembro a 6 de Outubro de 1862, sendo interinamente substituído por Sá da Bandeira.
– António José de Ávila soma a fazenda e os estrangeiros (até 21 de Fevereiro de 1862). Loulé passará também pelas obras públicas, reino e estrangeiros. Belchior José Garcez Penha na guerra. Carlos Bento da Silva na marinha (até 21 de Fevereiro de 1862) Alberto António Morais de Carvalho nos negócios eclesiásticos e justiça. Tiago Augusto Veloso da Horta nas obras públicas (até 26 de Fevereiro de 1862). Reforçam-se as posições dos antigos cabralistas chamados ao governo histórico.
Dia 30 – Extinção da décima industrial.
Dia 10 de agosto – Tratado com os Países Baixos regulariza a questão de Timor.
Dia 1 de setembro – Autorizada a livre importação de cereais.
Novembro
Dia 5 – As cortes adiadas por 63 dias até 7 de Janeiro de 1861
Dia 30 – Lançado inquérito à s sociedades agrícolas.
Dia 3 de dezembro
– 3ª Exposição agrícola do Porto.
– Sá da Bandeira substitui Belchior José Garcez Penha na guerra.
Ainda no ano de 1860…
– Começa a trabalhar em Portugal a primeira debulhadora Ransomes & Sims
– Andrade Corvo publica Realatório sobre a Cultura do Arroz em Portugal e sua Influência sobre a Salubridade Pública
– Tentativa frustrada de fundação da Associação Geral de Crédito Predial e Agrícola
– Morte de Soares dos Passos
– Prisão de Camilo Castelo Branco
– Luís António Rebelo da Silva começa a publicar a História de Portugal nos Séculos XVII e XVIII, até 1871.
– Welwitsch em Angola
– Herculano na Comissão Revisora do Código Civil
Janeiro
– Relatório de António José de Ávila sobre o estado da fazenda pública
Dia 13 – João Rebelo da Costa Cabral eleito presidente da RACAP
Dia 14 – Em 14 de Janeiro de 1861 acontecia a abertura solene do Curso Superior de Letras.
Fevereiro
Dia 18
– Parecer da Câmara dos Pares sobre a venda de bens das ordens religiosas
– Grandes temporais. Mortandade de gado.
Março
Dia 5 – Em 5 de Março de 1861 é emitida uma portaria contra a congregação das Irmãs da caridade. Reage na Câmara dos Deputados, D. Rodrigo de Meneses, criticando a pressão da Revolução Francesa, considerada tão funesta quanto as fogueiras da Inquisição.
Dia 27 – Em 27 de Março dá-se a dissolução da Câmara dos Deputados, seguindo-se as eleições de 22 de Abril. Maioria de históricos, mas com cerca de meia centena de deputados oposicionistas.
Abril
Dia 10
– Nomeada comissão para a organização da participação portuguesa na Exposição Universal de Londres, a realizar em 1862.
– Desamortização dos bens das freiras e das igrejas, com incorporação dos mesmos na fazenda nacional, em Abril de 1861
Dia 22 – Eleições. Oposição regeneradora com quarenta deputados.
Maio
Dia 17 – Fornada de 15 pares
Dia 20 – Depois da reabertura das Cortes, em 20 de Maio, o governo emite um decreto de 22 de junho que dissolve a congregação das Irmãs da Caridade. Contudo, por pressão diplomática francesa, o diploma acaba por não ser aplicado.
Dia 22 de junho – Dissolução das Irmãs da Caridade
Julho
– Governo apresenta na Câmara dos Deputados proposta para a criação de uma quinta exemplar de agricultura.
Agosto
Dia 20 – Autorizado o quarto banco português: Banco União.
Dia 25
– Inaugurada a Exposição Industrial do Porto, no Palácio de Cristal.
– Tratado de Amizade entre Portugal e a China, negociado por Isidoro Guimarães em Pequim.
Dia 20 de setembro – Autorizada a livre importação de cereais.
Novembro
Dia 5 – Em 5 de Novembro de 1861, a cortes adiadas por 58 dias até 2 de Janeiro de 1862
Dia 11 – Nos começos do Outono, o rei visita o Alentejo. Comitiva contrai peste. O infante D. Fernando morre a 6 de Novembro. D. Augusto em perigo de vida. D. Pedro V morre a 11 de Novembro. D. Luís e D. João estavam em Paris. Tinham saído de Portugal em 18 de Setembro. D. Luís regressa a Lisboa no dia 14 de Novembro. D. João acaba também por morrer em 27 de Dezembro.
Dezembro
Dia 22 – Aclamação de D. Luís I.
Dia 25 – Tumultos no Natal de 1861 nos dias 25 e 26. Acusam-se os lazaristas, os espanhóis e Loulé de envenenamento do rei. Querem incendiar a casa de Loulé. O conde da Ponte chega a ser atacado à saída do paço. Morre na altura Passos Manuel.
Ainda em 1861…
– Caminhos de ferro do Barreiro a Vendas Novas e do Pinhal Novo a Setúbal.
– Exposição Industrial no Porto
– Franciscanos compram antigo convento de Varatojo
– Negociações no Vaticano para novo acordo para a execução das leis de desamortização.
– Guilherme I sobe ao trono na Prússia
– Fundado o Observatório Astronómico da Ajuda
– Começa a guerra da secessão nos Estados Unidos (1861-1865)
– Vítor Emanuel rei de Itália (1861-1872)
– Henrique da Gama Barros publica Repertório Administrativo
– Carlos Morato Roma publica na Academia das Ciências A Questão da Moeda
Dia 4 de março – Medidas para se disciplinar a cultura do arroz. Impulso à cultura da amoreira. Distribuídos seis reprodutores da Casa Real pelos postos de cobrição.
Abril
Assinala-se que Portugal exporta gado bovino para Marrocos. Exportam-se barris de vinho verde para o Brasil.
Dia 19 de maio – Abolição definitiva dos morgados, à excepção da Casa de Bragança, em 19 de Maio de 1863.
Junho
– Grandes chuvadas. Calcula-se a perda de um terço das culturas.
Dia 22
– Lei sobre as sociedades anóminas. Nenhuma sociedade anónima que pretenda dedicar-se a operações de crédito agrícola ou comercial pode estabelecer-se sem prévia autorização do governo.
– José Rodrigues Coelho do Amaral nomeado governador de Macau. Até 1866.
Julho
Dia 1 – Reforma da legislação hipotecária de 1836. Se é extinto o morgadio, eis que se cria o monopólio do crédito predial.
Dia 13
– Reorganização do crédito hipotecário em 13 Julho de 1863. Reforma do sistema de crédito agrícola.
– Autorizado o 5º banco português, o Banco Aliança
Dia 23
– Determina-se que em Janeiro se proceda ao recenseamento geral da população.
– Generalizam-se as máquinas de ceifar no Ribatejo. Morais Soares defende o desenvolvimento da lavoura a vapor. Na Quinta exemplar de agricultura em Sintra fabricam-se tubos de drenagem de campos, segundo tecnologia belga.
Dia 28 de setembro – Nasce D. Carlos.
Outubro
– Morais Soares no Archivo Rural considera que a agricultura em Portugal precisa de dois melhoramentos: regime das águas e arborização de terrenos impróprios para outras produções.
Dia 16 – Realiza-se a exposição agrícola e industrial de Braga, organizada pelo governador civil Januário Correia de Almeida. Abertura no dia 16 de outubro.
Dia 24 de novembro – Conde de Peniche é eleito grão-mestre do Grande Oriente de Portugal, dissidência anti-cabralista do Grande Oriente Lusitano. Antes, tinham sido grão-mestres, o visconde da Oliveira e Moura Coutinho, desde Março de 1854 (reeleito em 1859 até 1861). Desde então, chefia interina de Frederico Leão Cabreira.
Dezembro
Dia 12 – Regulamento da Contabilidade Pública
Dia 21 – Surge um decreto sobre a organização do exército referendado por Braamcamp e Sá da Bandeira. O diploma gera protestos e vai levar à queda dos dois ministros em 14 e 16 de janeiro. Loulé assume a pasta do reino e Ferreira Passos passa a ministro da guerra, enquanto João Crisóstomos acede ao ministério das obras públicas.
Ainda em 1863…
– Camilo Castelo Branco publica O Bem e o Mal e passa a residir em S. Miguel de Seide.
– João de Deus é convidado a escrever um folhetim educativo para o Archivo Rural.
– O veterinário Santos Viegas publica Contabilidade Rural a partir do Archivo Rural. Na mesma revista Bernardino Barros Gomes publica Estudos Florestais.
– Exposição industrial e têxtil no teatro D. Maria II
– Caminho de ferro chega a Évora. Linha do Leste faz ligação à fronteira espanhola.
– Filoxera em França
– Renan publica La Vie de Jésus
– Surge a Federação Maçónica Portuguesa de Elias Garcia, uma dissidência da CMP.
Janeiro
– Realiza-se o primeiro recenseamento sistemático da população em Portugal. 3 829 618 habitantes
Dia 16
– Remodelação governamental: em 16 de janeiro de 1864, Loulé volta ao reino, substituindo Anselmo José Braamcamp (até 5 de março de 1865); José Gerardo Ferreira Passos substitui Sá da Bandeira na guerra (até 5 de março de 1865);. João Crisóstomo de Abreu e Sousa substitui Loulé nas obras públicas (de 16 de janeiro de 1864 a 17 de abril de 1865).
– Governo consegue um grande empréstimo de 5 milhões de libras.
Fevereiro
– Polémica na Confederação Maçónica Portuguesa: Inocêncio Francisco da Silva ataca a liderança de Lobo de Ávila, defendendo o regresso de Loulé ao cargo de grão-mestre.
Março
– Lobo de Ávila derrotado na Confederação Maçónica Portuguesa. Loulé é eleito grão-mestre da Confederação Maçónica Portuguesa, em disputa com Lobo de Ávila. Mas o presidente do conselho não aceita o lugar. O cargo será ocupado interinamente por Joaquim de Abreu Viana até janeiro de 1866.
Dia 11 – Proposta de lei do governo abolindo o monopólio dos tabacos. Prevê-se a proibição da cultura no Continente.
Abril
– Entre abril e maio, revolta estudantil em Coimbra. Fica conhecida pela rolinada. Os estudantes solicitaram o perdão de acto, negada por uma portaria duríssima do governo. Manifestação de estudantes no Largo da Feira é duramente reprimida. Tropas ocupam Coimbra. Num acto de protesto, cerca de meio milhar de estudantes desloca-se para o Porto, declarando não quererem regressar a Coimbra. Encerrada a universidade. Forças militares continuam em Coimbra. São demitidos o governador civil de Coimbra e o reitor da Universidade, Vicente Ferrer de Neto Paiva.
Maio
– Lobo de Ávila constitui a Confederação Maçónica Progressista de Portugal, uma cisão dentro da Confederação Maçónica Portuguesa. Acampanha-o, por breves tempos, Mendes Leal.
Dia 12 – Aprovado o novo regime dos tabacos. Liberdade de fabrico do tabaco em Lisboa, Porto, Açores e Madeira. Proibida a cultura do tabaco no continente. Aprovado no dia 12 e promulgado no dia seguinte.
Dia 16 – Autorizada a criação do Banco Nacional Ultramarino
Junho
Dia 18 – Criada a Companhia da Fábrica de Tabaco de Xabregas, dominada por Francisco Isidoro Viana.
Dia 25 – A gestão dos celeiros comuns é atribuída à s câmaras municipais
Agosto
Dia 12 – Permitida a criação de depósitos de cereais exóticos em Lisboa e no Porto.
Dia 22 – Criada uma comissão para a reforma da parte agrícola do MOPCI, com especial incidência no ensino agrícola. Fazem parte da mesma J. Andrade Corvo, S. B. Lima e Ferreira Lapa.
Setembro
– Grande exposição agrícola nacional promovida pela RACAP
Dia 11
– Nas eleições de 11 de Setembro de 1864, nova vitória governamental. 32 deputados da oposição regeneradora.
– Adjudicada ao marquês de Salamanca a abertura da linha do Douro para Salamanca e Medina del Campo.
Outubro
Dia 3 – Criado um corpo de engenharia civil.
Dia 25 – Aprovados os estatutos do Companhia Geral de Crédito Predial Português. Tem o privilégio de emitir obrigações prediais durante 25 anos.
Dezembro
Dia 12 – João Crisóstomo de Abreu e Sousa substitui Mendes Leal na marinha, continuando nas obras públicas. Mendes Leal pediu a demissão em plena Câmara dos Deputados; logo se seguiria a de Ferreira Passos, a quem estava intimamente ligado.
Dia 20 – Reforma do ensino industrial
Dia 28 – Instituído o Conselho Geral de Estatística
Dia 29 – Organização do Instituto Geral de Agricultura
Ainda em 1864…
– Abertura do caminho de ferro até Vilar Formoso. Linha do Norte chega a Gaia. A do Sul atinge Beja.
– No Archivo Rural publicam-se: de Silvestre Bernardo Lima, Apontamentos para um Compêndio Elementar de Zootecnia Geral e de Francisco da Veiga Beirão, Estudos sobre o Crédito Rural.
– Fundada a Cruz Vermelha Internacional por Henri Dunant.
– Operários em França passam a ter direito à greve e à liberdade de associação.
– Marx e Engels fundam a I Internacional.
– Surge a Sylabus de Pio IX.
– Rodrigues de Freitas publica Breves Reflexões sobre a Questão Bancária
Dia 5 de março
– Remodelação governamental: Loulé na marinha, em lugar de João Crisóstomo. O 3º marquês de Sabugosa, António Maria da Silva César e Meneses, no reino, em lugar de Loulé. Sá da Bandeira na guerra, em lugar de Ferreira Passos. D. António Aires Gouveia nos negócios eclesiásticos e justiça em lugar de Gaspar Pereira da Silva. Matias de Carvalho e Vasconcelos na fazenda, em lugar de Lobo de Ávila.
– Loulé pediu a demissão e Sá da Bandeira chegou a ser encarregado de formar novo governo, mas logo desistiu. Depois de breve remodelação, o governo resistiria apenas até 17 de abril de 1865.
Abril
– Rendição dos sulistas nos USA, liberatação dos escravos e assassinato de Lincoln
Dia 7
– As cortes são adiadas por 17 dias até 24 de abril de 1865
– Criado um serviço de inspecção para os arrozais autorizados
Dia 11 – Defesa da produção interna de trigo
Dia 17 – Governo de Sá da Bandeira. Demitido o governador civil do Porto, Januário Correia de Almeida, o visconde de São Januário. Será imediatamente eleito deputado, como protesto
Dia 15 de maio
– Dissolução da Câmara dos Deputados
– Criação de concursos anuais de bovinos.
– Governo reduz o preço dos cereais, mas não baixa o preço do pão. No dia 15 é nomeada uma comissão para o estudo da panificação e do preço do pão, com Rodrigo Morais Soares, Ferreira Lapa e J. Andrade Corvo.
Junho
Dia 11 – Tratado de comércio com a França.
Dia 28 – Decreta-se a realização de um concurso de gado cavalar no Ribatejo.
Julho
Dia 4 – Saldanha regressa a Lisboa, vindo da embaixada em Roma
Dia 9 – Eleições
Dia 30 – Reabertura do parlamento.
Setembro
– Pio IX condena as sociedades secretas.
Dia 4
– Governo da fusão. Governo de Joaquim António de Aguiar. Fala-se num partido dos melhoramentos materiais. Aguiar assume a presidência e o reino. Conde de Castro nos estrangeiros e obras públicas. Conde de Torres Novas na guerra. Visconde da Praia Grande na marinha. Fontes na fazenda e Barjona na justiça.
– O governo foi precedido por um acordo prévio entre Loulé e Aguiar. Em 5 de setembro já recebia formal apoio do deputado José Dias Ferreira que falou em conciliação e tolerância política
Dia 7
– As cortes são adiadas por 59 dias até 5 de novembro de 1865.
– Morte do conde de Torres Novas
Dia 26 – Isidoro Francisco Guimarães, visconde da Praia Grande de Macau, na pasta da guerra, por morte do conde de Torres Novas (será interino até 11 de novembro de 1865 e efectivo até 22 de novembro de 1865).
Dia 22 de novembro – Salvador de Oliveira Pinto da França na guerra (até 20 de abril de 1866, data da sua morte)
Dezembro
Dia 7 – Livre exportação de vinhos pelo Douro
Dia 23 – Imposto sobre produtos vinícos entrados no Porto.
Ainda em 1865…
Antero de Quental publica Odes Modernas.
Pinheiro Chagas publica Poema da Mocidade, com prefácio de António Feliciano de Castilho, dando início à chamada Questão Coimbrã.
Alexandre Herculano publica Estudos sobre o Casamento Civil.
Janeiro
– Mendes Leal é eleito grão-mestre da Confederação Maçónica Portuguesa. Estava em conflito com Lobo de Ávila.
Dia 23 de abril – Isidoro Francisco Guimarães, visconde da Praia Grande de Macau, ministro da marinha, passa a acumular a pasta da guerra, por morte de Pinto da França (até 9 de maio de 1866)
Dia 9 de maio – Martens Ferrão substitui Aguiar no reino José Maria Casal Ribeiro substitui José Joaquim Gomes de Castro, o conde de Castro, nos estrangeiros e obras públicas; Fontes Pereira de Melo passa a acumular a guerra
Junho
Dia 6 – Andrade Corvo nas obras públicas (até 4 de janeiro de 1868). Casal Ribeiro mantém-se nos estrangeiros.
Dia 16 – Encerra a sessão legislativa
Dezembro
Dia 14 – Andrade Corvo substitui Casal Ribeiro nos estrangeiros (até 19 de agosto de 1867).
Dia 29 de janeiro
– Proposta de reforma administrativa apresentada na Câmara dos Deputados. Previsto o desaparecimento do distrito de Santarém e de vários concelhos, entre os quais o de Cascais.
– Representação portuguesa na Exposição Internacional de Paris
Dia 28 de fevereiro – Apresentada a proposta do governo (Barjona de Freitas) sobre a reforma prisional e penal, que inclui a abolição da pena de morte
Dia 26 de junho – Aprovada a proposta de reforma penal e o projecto de Código Civil, Diplomas publicados no dia 1 de julho.
Dia 1 de julho – Abolição da pena de morte e publicação da reforma penal e do Código Civil.
Dia 19 de agosto – Casal Ribeiro retoma a pasta dos estrangeiros.
Dezembro
Dia 7 – Regulamento sobre o imposto de consumo
Dia 31 – Revolta da Janeirinha contra o imposto de consumo (1 de janeiro de 1868).
Janeiro
Dia 4 – Governo da direita reformista que sobe ao poder para dar satisfação ao movimento da Janeirinha. Revoga-se o imposto de consumo (14 de janeiro) e suprimem-se os decretos que reestruturavam os ministérios da fazenda e dos estrangeiros. Defende-se uma políticia de economias e moralidade, conforme o discurso do deputado Rodrigues de Carvalho, em 12 de julho de 1869. Isto é, rigorosa parcimónia nas despesas do Estado, e útil e proveitosa aplicação do dinheiro do povo. Como observa Joaquim de Carvalho, procurava alterar-se a anterior política da Regeneração, do semear para colher, isto é, do uso e abuso do recurso ao crédito e ao aumento dos impostos.
Dia 14 – Revogação do imposto de consumo. No dia em que foi revogado o decreto sobre o imposto de consumo, dava-se a dissolução da Câmara dos Deputados.
Dia 13 de fevereiro – Revogada a reforma do ministério da fazenda levada a cabo pelo gabinete anterior.
Dia 22 de março – Eleições. Lobo d’Ávila afasta-se do conde de Peniche. Surge o grupo republicano do Pátio do Salema.
Abril
Dia 15 – Abertura das Cortes. Discurso da Coroa.
Dia 25 – Criada uma comissão para o estudo da estatística agrícola e da economia rural, presidida por Rebelo da Silva
Dia 15 de maio – Aprovado o bill de indemnidade (98 deputados a favor, 8 contra).
Julho
– O governo de Ávila vai cair a pretexto da comissão de obras públicas da fazenda não ter dado parecer favorável a um projecto de convenção com uma das companhias de caminho de ferro. Conselho de Estado não dá parecer favorável à dissolução parlamentar
Dia 22 – Governo de Sá da Bandeira: o primeiro governo reformista propriamente dito. A designação nasceu da própria experiência ministerial, da vontade do governo fazer reformas para realizar economias, conforme as palavras então usadas. Profundas alterações administrativas, nomeadamente na saúde e obras públicas. Em 23 de fevereiro de 1869 dá-se a abolição completa da escravatura em todos os territórios sob administração portuguesa. Mantêm-se no entanto alguns escravos até 1878.
Dia 29 – Convocação extraordinária do parlamento
Dia 28 de agosto – Encerra a sessão legislativa
Outubro
Dia 17 – Extinção do Conselho Geral da Instrução Pública
Dia 30 – Extinção da repartição de pesos e medidas
Dia 5 de novembro – Reforma do Tribunal de Contas
Dezembro
Dia 3 – Reforma dos serviços de saúde. Criada a Junta Consultiva da Saúde Pública
Dia 17 – Sá da Bandeira substitui Carlos Bento da Silva nos estrangeiros. Calheiros e Meneses na fazenda até 27 de zezembro. Carlos Bento da Silva não conseguiu um empréstimo em Paris, onde se deslocou de 18 de novembro a 9 de dezembro. Apresentou a demissão logo em 9 de dezembro.
Dia 27 – Conde de Samodães torna-se novo ministro na fazenda.
Dia 31 – Reforma do MOPCI
Janeiro
Dia 2 – No discurso da Coroa considera-se expressamente que é grave o estado da fazenda pública. O próprio rei vai renunciar a 10% da sua lista civil.
Dia 22 – Dissolvida a Câmara dos Deputados.
Dia 25 – Saldanha era nomeado embaixador em Paris.
Dia 23 de fevereiro – Abolição da escravatura
Dia 18 de março – Redução do número de deputados e de círculos eleitorais
Abril
Dia 11 – Eleições
Dia 15 – Redução do número de funcionários da Câmara dos Deputados e da Câmara dos Pares.
Dia 22 – Reforma do ministério dos negócios estrangeiros.
Dia 2 de Junho – Aprovado um bill de indemnidade.
Dia 9 de Julho – Autorizada a realização de um grande empréstimo internacional junto da casa Fruhling & Gosch.
Agosto
– Iberismo: depois do afastamento de Isabel II em Espanha, volta a falar-se no perigo da União Ibérica. Chega a ser aprovada ma Câmara dos Pares uma moção de protesto apresentada pelo marquês de Sabugosa contra a propaganda republicana federalista, que se pretende fazer no país.
Dia 2 de Agosto- António Pequito Seixas de Andrade é substituído da justiça por João José de Mendonça Cortês.
Dia 9 – Rebelo da Silva apresentava uma moção de desconfiança ao governo que foi aprovada por 25-13.
Dia 11
– Foi convidado para formar governo Anselmo José Braamcamp, então líder parlamentar dos históricos. Declinou tal tarefa, dizendo ao rei que a mesma devia ser levada a cabo pelo chefe formal do respectivo partido, o duque de Loulé. Este fica na presidência e no reino. A figura mais destacada do gabinete é Joaquim Tomás Lobo de Ávila, nas obras públicas e na guerra, interinamente. Braamcamp assume a fazenda. José Luciano de Castro no reino. Mendes Leal nos estrangeiros. Rebelo da Silva na marinha.
– O governo concilia a chamada unha branca dos históricos, de Loulé e José Luciano, com a unha negra, de Lobo de Ávila. Segundo as oposições, tratava-se de um governo para queimar.
Dia 12
– Na Câmara dos Deputados, 58 deputados apoiam o novo gabinete, contra 25. Estávamos a cerca de quinze dias do encerramento da sessão legislativa.
– Braamcamp apresenta o programa financeiro do gabinete. Na continuidade do modelo instaurado pelo anterior ministro da fazenda, Samodães, lança a reforma da contribuição predial (novo modelo de quotidiedade em vez do anterior, o da repartição), onde espera obter um aumento de 700 contos nas receitas. Introduz pela primeira vez a contribuição pessoal, primeiro passo para o imposto sobre o rendimento (espera obter 1 000 contos). Reforma a contribuição industrial (espera obter 400 contos a mais). Cria um imposto especial sobre o consumo do arroz. Prevê também a criação de uma Caixa Geral de Depósitos.
Dia 28 – Com o encerramento da sessão legislativa, o governo ficou autorizado a decretar modificações na administração pública e no Quadro dos oficiais do exército.
Dia 6 de setembro – Luís da Silva Maldonado de Eça na pasta da guerra sucede à interinidade de Lobo de Ávila (até 18 de Novembro de 1869)
Outubro
– Saldanha regressa a Lisboa
– Fusão das várias maçonarias no Grande Oriente Lusitano Unido. União do Grande Oriente Lusitano, então chefiado pelo conde de Parati, da Federação Maçónica Portuguesa, do Grande Oriente de Portugal, da Confederação Maç ónica Portuguesa e de parte do Supremo Conselho de Grau 33.
Dia 18 de Novembro – Lobo de Ávila regressa à pasta da guerra, a título interino, mantendo as obras públicas.
Dezembro
Dia 1 – Saldanha é pateado no Teatro de D. Maria II. No dia 5, vários oficiais vão apresentar cumprimentos ao marechal, em atitude de desagravo, mas que teve os efeitos simbólicos de um movimento das espadas. Alguns desses oficiais, de caçadores 5 e de infantaria 10 são imediatamente transferidos. O Barão do Rio Zâzere, recusa ser transferindo, alegando doença e o governo manda prendê-lo. Saldanha vai ao Paço pedir a substituição do governo. O ministros dos estrangeiros, Mendes Leal, convida-o a retomar o lugar de embaixador em Paris, mas Saldanha responde com carta provocatória. Repudia a acusação de iberismo e defende a mudança do governo, considerando que esta não leva a nenhuma alteração da ordem pública.
Dia 2 – Restaurada a direcção-geral da instrução pública
Dia 30 – Decreto sobre o arrolamento predial gera revoltas populares em Amarante, Ovar, Castro Daire e Elvas.
Janeiro
– Juntam-se à oposição Sá da Bandeira e Saldanha. O grupo de Sá da Bandeira insurge-se contra a circunstância do governo dissolver a Câmara dos Deputados, sem qualquer prévia votação parlamentar contrária ao governo. O grupo de Saldanha, que regressou da embaixada em Paris em outubro de 1869, revolta-se contra o facto do governo ter transferido vários oficiais afectos ao velho marechal.
Dia 3 – Reabre o parlamento em sessão preparatória. Históricos conseguem eleger Diogo António Palmeiro Pinto para presidente da Câmara de Deputados. Mas, na resposta ao discurso da Coroa, há forte oposição, constantando o governo a precariedade da maioria.
Dia 20 – Decretada dissolução da Câmara dos Deputados. Convocado novo parlamento para 31 de março. Era a Quarta vez que em quatro anos se faziam eleições.
Março
Dia 13 – Eleições. Incidentes sangrentos no Funchal. A maioria governamental dos históricos consegue 89 deputados. Destes, 14 são regeneradores. Isto é, mantem-se o espírito da fusão. A oposição consegue apenas 15 deputados, incluindo reformistas, liderados pelo bispo de Viseu, e penicheiros.
Dia 31 – Reabre a Câmara dos Deputados.
Abril
Dia 20 – Decreto altera o modelo do arrolamento predial estabelecido em 30 de dezembro de 1869, tentando atenuar as revoltas populares, entretanto verificadas.
Dia 27 – Discurso da Coroa: referidas as propostas financeiras de Braamcamp, a questão aos arrolamentos prediais. Prometida a reforma da Câmara dos Pares e uma proposta de lei sobre a responsabilidade ministerial.
Dia 29 – Inaugurada a estátua de D. Pedro IV no Rossio
Maio
Dia 3 – Câmara dos Deputados discute os incidentes eleitorais ocorridos na Madeira.
Dia 11 – A revolta das ideias manifesta-se, pelo começo da publicação de A República, jornal redigido por Antero de Quental e Oliveira Martins. Este tem, então, 25 anos de idade.
Dia 12 – Deputados reformistas e penicheiros abandonam a Câmara dos Deputados. Acusam o presidente da Câmara dos Deputados de lhes coartar a liberdade de expressão
Dia 14 – O ministro José Luciano apresenta várias propostas de lei. Entre elas a reforma dos códigos penal e processual criminal.
Dia 18 – Anuncia-se que os deputados oposicionistas renunciam aos lugares. Entre os deputados que renunciam: António Augusto Pereira de Miranda; António Augusto da Costa Simões; António dos Santos Viegas; Francisco de Almeida Cardoso de Albuquerque Francisco Coelho do Amaral; Francisco Pinto Bessa; Francisco Júlio Caldas Aulete Joaquim Nogueira Soares Vieira; José Bandeira Coelho de Melo; José Oliveira Baptista; Luís de Almeida Coelho de Campos; Mariano Cirilo de Carvalho. Crescem boatos sobre a alteração da ordem pública
Dia 19 – Saldanhada. Na noite de 18 para 19 de maio, regimentos militares subvertidos por oficiais que invocam o setembrismo cercam o Palácio da Ajuda e pressionam D. Luís I no sentido da demissão do governo. Saldanha coloca-se à frente dos regimentos rebeldes (caçadores 5, artilharia 3 e infantaria 7), enquanto populares assaltam o castelo de S. Jorge. Tiroteio entre os rebeldes e a guarda do palácio. Saldanha é imediatamente recebido por D. Luís. Na tarde do dia 19, um suplemento ao Diário do Governo, nomeava Saldanha ministro da guerra, mas Loulé recusa referendar o acto. Então, Saldanha é nomeado presidente e ministro de todas as pastas.
Dia 20 – Sessão agitada no parlamento. Na Câmara dos Pares, Sousa Pinto Bastos fala no prelúdio de uma guerra civil e teme pela autonomia da pátria, numa altura em que se falava no iberismo de Saldanha. Na Câmara dos Deputados, Pereira Dias protesta contra a violação da Carta Constitucional e a ditadura militar e o iberismo.
Dia 21 – Reúne a Câmara dos Deputados com a presença de apenas 48 deputados. Proposta de Barros e Cunha para o adiamento das Cortes. Nesse dia, com parecer do Conselho de Estado, decreto de Saldanha adia as Cortes por 30 dias, até 20 de junho de 1970.
Dia 23 – Última sessão da legislatura. Pereira Dias diz que o ministério de Saldanha o é por direito de conquista. Fala-se apaixonadamente na questão do iberismo de Saldanha.
Dia 26 – Governo de Saldanha de 26 de maio a 29 de agosto de 1870. Apoio de todas as forças oposicionistas ao anterior governo histórico: os reformistas afectos ao bispo de Viseu; os dinamizadores da Janeirinha liderados por Dias Ferreira; os amigos de Peniche os regeneradores afectos a Rodrigues Sampaio; os amigos de Saldanha. Sampaio assume a pasta do reino, durante oito dias apenas. Dias Ferreira na justiça, na fazenda e no reino, depois da saída de Sampaio. O marquês de Angeja (Peniche) nas obras públicas. Um sobrinho de Saldanha, D. António Costa na marinha. O presidente acumula a guerra e os estrangeiros. O governo nem sequer apresenta qualquer espécie de programa.
Junho
Dia 3 – Rodrigues Sampaio abandona o governo e é substituído por Dias Ferreira na pasta do reino.
Dia 4 – Novo adiamento das Cortes. Em 4 de junho de 1870 já são adiadas por 123 dias até 31 de outubro de 1870.
Dia 10 – Surgem no Diário do Governo os primeiros decretos ditatoriais. Extinção do subsídio aos deputados. Criação de comissões para a reforma da Câmara dos Pares e da lei eleitoral. Criação de um Supremo Tribunal Administrativo, a partir do Conselho de Estado, reduzido a meras funções políticas.
Dia 17 – Uma ditadura com ardor democrático. Decretos ditatoriais sobre a liberdade de ensino, a abolição da pena de morte no Ultramar e a reforma administrativa descentralizante.
Dia 19 – Comício de apoio ao governo
Dia 22 – Criado o ministério da instrução pública. Costa Cabral, nomeado embaixador no Vaticano. D. Luís da Câmara Leme substitui D. António da Costa Sousa Macedo na marinha; este passa para o novo ministério da instrução pública.
Julho
Dia 21
– Aprovado um novo código administrativo que não chega a entrar em vigor.
– Dissolução da Câmara dos Deputados (as Cortes não estavam então reunidas). Contra o voto do Conselho de Estado. Marcadas as eleições para 3 de novembro. O decreto leva a criação de uma frente contra o governo, participada pelos históricos, os regeneradores e os reformistas.
Dia 27 – Sá da Bandeira preside à inauguração de um centro do partido histórico e dirige uma representação ao monarca contra a ditadura de Saldanha. Em oposição à ditadura. Surgem também manifestações dos regeneradores e dos próprios reformistas. Os três grupos recusam aderir à s listas governamentais, embora não criem uma lista única.
Agosto
Dia 1
– D. Luís da Câmara Leme substitui o marquês de Angeja nas obras públicas. Este vai para embaixador em Bruxelas. Os penicheiros mostravam-se muito desordeiros e começaram logo a surgir boatos sobre um eventual golpe a desencadear por estes.
– O governo acaba por demitir-se
Dia 29 – Governo de Sá da Bandeira. De 29 de agosto a 29 de outubro de 1870. O governo assume carácter transitório, visando garantir a ordem pública e a preparação das eleições, obrigando os militares a permanecer nos quartéis, abstendo-se de intervenções políticas. Saldanha foi despachado para embaixador em Londres, onde viria, aliás, a falecer em 1876.
Setembro
Dia 4 – Eleições. Realizam-se cinco dias depois da queda de Saldanha. Ávila apresentou-se autonomamente à s eleições, desligando-se dos candidatos governamentais. Consegue eleger 16 deputados
Dia 12 – Bento da Silva acumula os estrangeiros e a fazenda, substituindo Ávila
Outubro
Dia 19 – União ibérica. Delegado do governo francês, quando este estava sitiado pelas tropas prussianas, chega a Madrid e exorta o general Prim a transformar-se no Washington da Espanha, assumindo a presidência de uma república assente na união ibérica.
Dia 29 – Governo de Ávila. Alves Martins não quis formar governo. Oposição parlamentar de Dias Ferreira. Há uma certa continuidade face ao anterior gabinete, mantendo-se todos os membros do governo, à excepção de Sá da Bandeira. Alves Martins e Saraiva de Carvalho são os dois reformistas que se demitem em janeiro de 1871, depois dos respectivos correligionários, sob a liderança de Latino Coelho, terem desencadeado um processo de oposição parlamentar, a propósito nomeação do patriarca de Lisboa. Com efeito, Saraiva de Carvalho levou ao rei, sem passar por Ávila, a nomeação do bispo do Algarve, D. Inácio do Nascimento Morais Cardoso, considerado liberal, capelão de D. Pedro V, em vez da do arcebispo de Goa, D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, apoiado por Ávila, acusado de congreganismo romano e ultramontanismo. Ramalho Ortigão questionava Porque motivo são reformistas de oposição hoje os que eram reformistas governamentais ontem?, acrescentando que os reformistas ignoram qual é a divisa que os separa pela mesma razão que nunca souberam qual era o mote que os reunia. Um partido sem conhecimentos, sem princípios, sem bases de trabalho, sem plano de administração, sem consciência de progresso e sem carta, nem guia, nem lógica de acção, não tendo razão para existir, também não tem razão para deixar de ser. Reformista é uma palavra farfalhuda, mas oca, nome convencional sem objecto em política. (Ramalho Ortigão, Correio de Hoje, Tomo II, p. 73)
Dia 12 de dezembro – Alves Martins apresenta uma proposta de reforma da lei eleitoral, visando instaurar a representação proporcional, com salvaguarda das minorias, através do sistema do quociente eleitoral. Dias Ferreira na CD havia dito que as eleições em Portugal não são feitas pelos eleitores mas pelas autoridades. A proposta de reforma não foi aprovada.
Janeiro
Dia 2 – Adiamento das Cortes por 32 dias até 3 de fevereiro de 1871. Em 3 de fevereiro de 1871, por 36 dias, até 11 de maio de 1871.
Dia 30 – Ávila substitui Alves Martins no reino, de foma interina. José de Melo Gouveia substitui Saraiva de Carvalho na justiça, de forma interina (Ver Ramalho Ortigão, Correio de Hoje, Tomo II, p. 63, artigo Está sanada a crise!)
Fevereiro
Dia 4
– Os reformistas no Diário Popular observam: Pois governem esses ministros, mas lembrem-se de que o fazem por generosidade nossa. Acusam Carlos Bento da Silva de mentor da crise. Alves Martins volta para Viseu.
– Extingue-se o ministério da instrução e elimina-se a reforma administrativa descentralizante. Sofre-se o choque da Comuna de Paris e começa a falar-se nuns Estados Unidos da Europa.
Dia 10
– Partido histórico decide manter apoio ao governo
– Fala-se de um entendimento entre Ávila e Sá da Bandeira.
Dia 25 – Dias Ferreira anuncia a intenção de criar um novo partido. O grupo é acusado de ser o centro político Saldanha-Peniche, contando com a participação de Sena de Freitas e do conde de Magalhães (Idem., pp. 116 ss.) (fevereiro/ março)
Março
Dia 1 – José Marcelino de Sá Vargas substitui Melo Gouveia na justiça; Visconde de Chanceleiros, Sebastião José de Carvalho assume a pasta das obras públicas, substituindo Ávila.
Dia 6 – Nasce em Seia Afonso Augusto da Costa.
Dia 18 – No jornal A Revolução de Setembro é anunciado o programa do Cenáculo, com Adolfo Coelho, Antero de Quental, Augusto Fuschini, Eça de Queirós, Guilherme de Azevedo, Jaime Batalha Reis, Oliveira Martins, Manuel de Arriaga e Teófilo Braga.
Dia 22 – Começam as conferências do Casino, com um discurso de Antero de Quental (de 22 de março a 26 de junho de 1871). Realizam-se semanalmente.
Maio
– Ramalho Ortigão e Eça de Queirós começam a publicar As Farpas.
Dia 27 – No âmbito das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, Antero de Quental, no dia 27 de maio, profere a conferência sobre As Causas da Decadência dos Povos Peninsulares
Junho
Dia 3 – A Câmara dos Deputados, onde havia uma maioria reformista, foi dissolvida.
– Anuncia-se a formação do partido constituinte de Dias Ferreira, o inspirador civil da saldanhada (Junho de 1871).
Dia 26 – Proibidas as Conferências do Casino. Porque nelas se expunham e procuram sustentar doutrinas e proposições que atacam a religião e as instituições políticas do Estado ofendendo clara e directamente as leis do reino e o código fundamental da monarquia. Estava prevista uma palestra de Salomão Saraga sobre Os Historiadores Críticos de Jesus. Faltavam realizar uma de Batalha Reis sobre o socialismo e outra de Antero sobre a república. Protestos do grupo organizador em nome da consciência liberal do país contra um acto brutal de violência. Apoio de Alexandre Herculano aos protestos.
Julho
Dia 9 – Eleições
Dia 22 – Abertura das Cortes. Aires Gouveia, histórico, eleito presidente da Câmara dos Deputados. Votam contra apenas os reformistas e os constituintes. Governo entende-se com os regeneradores e entra em conflito com os históricos. Com a queda do ministério de Ávila, como observa Lopes d’Oliveira (op. cit., p. 21), caiu o ministério. Assim naufragou a vida nova do partido reformista. Este não se dissolve, mas não fará mais nada.
Setembro
Dia 8 – Eleições francesas
Dia 13 – Governo de Fontes Desde 13 de setembro de 1871 a 5 de março de 1877. O presidente acumulou sempre a pasta da guerra. Até 11 de outubro de 1872 acumulou a fazenda. Em 6 de setembro de 1875 passou a acumular a marinha. Governo monopartidário regenerador com o apoio parlamentar de avilistas e constituintes. Oposição de históricos e reformistas. Fontes assume a plenitude do fontismo, misturando algo do estilo de Costa Cabral, com a matreirice de Rodrigo da Fonseca. Deixa de ser considerado o fontículo, como até então o alcunhavam. Surgem sucessivas fornadas de pares. Antecipada a abolição total da escravatura em 2 de fevereiro de 1876, por iniciativa do par Sá da Bandeira.
Dia 27 de dezembro – Reunião do congresso dos escritores e oradores católicos no Porto, presidido pelo conde de Samodães e pelo visconde de Azevedo. Até 5 de janeiro de 1872.
Janeiro
Dia 2
– Apresentação parlamentar do governo de Fontes. Acentuada a necessidade de uma reforma administrativa. Fontes proclama então que é ao mesmo tempo liberal e conservador, embora diga não querer a restauração.
– Revolta militar na Índia. Enviado o batalhão de caçadores 1 comandado pelo infante D. Augusto. O governador do território era então o visconde de S. Januário.
Dia 14 – Fundada a Associação Fraternidade Operária, sob a inspiração de José Fontana, empregado da Livraria Bertrand, no ano em que surgem em Portugal as primeiras greves operárias. No ano anterior, o mesmo Fontana tinha promovido a criação do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas e escreveu o folheto O que é a Internacional?
Dia 20 – Governador civil do Porto aprova estatutos da associação católica.
Dia 11 de maio – Reforma da Administração Geral das Matas.
Julho
– Obtém-se empréstimo em Londres
Dia 22 – Golpe dito a pavorosa, promovido por Angeja. Os implicados serão absolvidos em 1873
Dia 1 de agosto – Começa a publicar-se o jornal A Palavra, editado pela Associação Católica do Porto.
Setembro
Grande empréstimo nacional de 38 000 contos. A maior operação financeira de quantas tinham até então sido realizadas por subscrição pública
Dia 11 de Outubro – António Serpa, lente da Politécnica, substitui Fontes na fazenda. Cria-se a Caixa Geral de Depósitos. Depressão de 1873 é vencida em 1874. Instituída a Sociedade de Geografia de Lisboa (1876).
Novembro
– Eça de Queirós é nomeado cônsul de Portugal em Havana
Dia 19 – Jaime Constantino de Freitas Moniz, professor do Curso Superior de Letras, então doente, é substituído por Andrade Corvo na marinha.
Janeiro
– Considerado admirável o estado financeiro do país, com grande circulação de numerário. Vinhos portugueses em Londres. Há uma exposição de vinhos portugueses em Londres, no Albert Hall. O comissário régio é António Augusto de Aguiar.
Dia 1 de abril – Encerra o parlamento. Não houve dissolução parlamentar. Fornada de vinte novos pares, entre os quais Filipe Folque, Carlos Bento da Silva e Anselmo Braamcamp Freire.
Dia 25 de maio – Morte de Joaquim António de Aguiar.
Dia 5 de junho – Decreto manda proceder a eleições.
Dia 12 de julho – Eleições. Vitória dos regeneradores, aliados a avilistas (regeneradores e avilistas com 78 deputados) e constituintes (6 deputados). Oposição conjunta de históricos e reformistas elege apenas 16 deputados.
Dezembro
– Regresso dos Bourbons ao trono de Espanha, com Afonso XII.
Janeiro
– Publicado O Crime do Padre Amaro de Eça de Queirós.
Dia 2 – Inaugurada a 20ª legislatura.
Dia 5 – Começa a construção da ponte D. Maria Pia no Porto pela empresa Eiffel. Até outubro de 1877.
Dia 10 – Funda-se o Partido Socialista Português. Em Espanha surge a República Federativa e Antero defende uma federação republicana-democrática. Surge A Teoria do Socialismo (1872) e Portugal e o Socialismo (1873) de Oliveira Martins. Criado um Centro Eleitoral Republicano Democrático (1876).
Dia 22 de março – Fundação do Banco Lisboa e Açores.
Abril
Dia 2 – Encerra o parlamento.
Dia 9 – Aprovado.
Maio
Dia 20 – Inaugurado a linha de caminho de ferro Porto-Braga a primeira de capaitais e engenharia portuguesas.
Dia 23 – Morte do duque de Loulé.
Junho
Dia 18 – Morte de António Feliciano de Castilho.
Dia 24 – Sentença de McMahon sobre Lourenço Marques.
Agosto
– conferências sobre vinhos de António Augusto de Aguiar em 9 e 25 de agosto, no Teatro D. Maria II.
Continua o governo de Fontes, mas dá-se um facto político fundamental, com a união de históricos e reformistas, através do Pacto da Granja, instalando-se o partido progressista, base de uma dinâmica bipolarizadora que será conhecida como o rotativismo. É ano da morte de Sá da Bandeira e de Saldanha bem do aparecimento do primeiro centro republicano em Portugal, ao mesmo tempo que desaba uma crise financeira e que a filoxera começa a ameaçar as vinhas do Douro. O fontismo vai perdendo o élan mobilizador.
Janeiro
– Costa Goodolphim edita o livro A Associação. Surge a Cartilha Maternal de João de Deus. Aparece o telefone elétrico de Bell e Grey.
Dia 2 – Discurso da Coroa. Oposição renova a proposta de reforma da Carta.
Dia 6 – Morte de Sá da Bandeira.
Dia 25 – Reunião comemorativa da vitória da democracia em França, em casa do milionário Mendes Monteiro, na rua do Alecrim.
Dia 19 de março – Meeting contra o governo no Casino Lisbonense.
Abril
Dia 3 – Eleito o diretório do partido republicano, com 33 membros.
Dia 7 – Agrónomos distritais. Carta de lei estabelece um agrónomo em cada distrito. Já existem 30 agrónomos formados em Lisboa e 60 veterinários militares e civis, desde 1874.
Dia 22 – Morte da Infanta D. Isabel Maria.
Março
Dia 5 – De 5 de março a 29 de janeiro de 1878 Governo de António José de Ávila, então presidente da Câmara dos Pares. Fontes pediu a demissão por estar doente. Na mesma situação encontrava-se o seu número dois, António Serpa. Fontes indicou Ávila a D. Luís. O governo é constituído, na maioria, por avilistas, à excepção dos então independentes Barros e Cunha e Melo Gouveia. Ávila era presidente da Câmara dos Pares.
Dia 6 – Na Câmara dos Deputados não tem oposição. Os regeneradores e os progressistas apenas competiam sobre quem mais estava disposto a apoiar o governo. Apenas se levantou o deputado independente visconde Moreira de Rei. Já na Câmara dos Pares, José Dias Ferreira assumiu uma atitude claramente oposicionista.
– Barros e Cunha tem, então, grande prestígio e logo toma medidas de austeridade, nomeadamente pela redução das gratificações.
– Na área ultramarina, os ingleses Cameron e Young lançam uma campanha contra Portugal acusado de ser um país de negreiros. Como resposta, a Academia das Ciências encarrega Pinheiro Chagas de realizar uma série de conferências sobre os decobrimentos portugueses.
Dia 24 – Determinado o recenseamento geral da população. O primeiro será realizado em 31 de dezembro de 1877.
Abril
Dia 2 – Encerra o parlamento
Dia 18 – Concedida à Companhia Real dos Caminhos de Ferros Portugueses a construção da Linha do Leste
Junho
Dia 29 – Amnistiados os implicados na pavorosa.
Dia 24 de Agosto – Chega a Lisboa D. Pedro II do Brasil.
Setembro
Dia 10
– Melo Gouveia passa a acumular a fazenda, substituindo aqui Carlos Bento da Silva.
– O governo tentou contrair um empréstimo internacional de 6 500 000 libras, junto da casa Baring Brothers, em Londres. Mas a imprensa de Londres e Paris levanta suspeitas sobre Portugal, acusado de não pagar os juros ajustados. Daí que o governo apenas tenha conseguido um empréstimo de 3 milhões de libras. Carlos Bento da Silva é forçado a demitir-se.
Dia 13 – Morte de Alexandre Herculano
Dia 21 de outubro – Fontes regressa a Lisboa depois de uma longa viagem pela Europa.
Novembro
– Viagens de exploração africana de Serpa Pinto, Capelo e Ivens (partiram para Luanda em 7 de julho de 1977).
Dia 4 – Inaugurada a ponte D. Maria Pia. Começara a ser construída em 5 de janeiro de 1875, pela casa Eiffel de Paris
Dia 28 de dezembro – Os progressistas declaram apoiar incondicionalmente o governo, mas sem se responsabilizarem pelos respectivos atos.
Janeiro
Dia 5 – Governo de Ávila apresenta proposta de reforma da lei eleitoral.
Dia 9 – Morte de Vitor Emanuel, rei de Itália
Dia 26 – Aprovada uma moção de censura ao governo, acusado de esbanjador e antiliberal, por iniciativa do chefe dos constituintes, Dias Ferreira. Os regeneradores votaram contra o governo, invocando a circunstância do ministro das obras públicas ter tomado uma posição contra os fontistas na chamada questão da Penitenciária. Entre os regeneradores que atacaram o governo, destacaram-se Lopo Vaz, contra a política financeira e Júlio Vilhena, contra a política de Barros e Cunha. Tomás Ribeiro também fez um vigoroso discurso oposicionista. Em defesa do governo, saiu o deputado progressista José Luciano.
Dia 29
– Governo de Fontes. Depois de ter sido aprovada uma moção de censura ao governo de Ávila, o rei, contra a praxe, em vez de chamar o chefe da oposição para constituir governo (a oposição já estava unificada nos progressistas), tenta uma nova experiência regeneradora. Fontes vai manter quase na íntegra a equipa do penúltimo governo, à execepção de Cardoso Avelino. O único governante que não tinha sido ministro é Tomás Ribeiro.
– Os progressistas acusaram o rei de exercer o poder pessoal e tratam de chamar aos regeneradores camarilha do paço e partido do rei. A partir de então, começam os ataques dos jornais progressistas à figura do próprio monárquica. Começam também a surgir vagas, mas insistentes acusações de corrupção aos governantes, falando-se em maningâncias. Os constituintes também assumem oposição ao governo de Fontes.
Dia 14 de março – Ávila era feito duque de Ávila.
Dia 16 de Abril – Reforma da Câmara dos Pares.
Maio
Dia 4 – Encerra a 20ª legislatura, desde 2 de janeiro de 1875, sem dissolução
Dia 6 – Código administrativo de Rodrigues Sampaio
Dia 8 – Nova lei eleitoral de 8 de maio. Alargamento do colégio eleitoral
Dia 14 de julho – Meeting republicano no Porto
Dia 4 de Agosto – Eleições administrativas. Governo ganha em Lisboa, mas perde no Porto
Novembro
Dia 13 – Eleições. Vitória dos regeneradores (97 deputados). 22 progressistas. 14 constituintes. 3 deputados avilistas. 1 deputado republicano pelo Porto (J. J. Rodrigues de Freitas).
Dia 15 – Barjona de Freitas é substituído interinamente por Tomás Ribeiro na justiça
Dia 28
– No último trimestre de 1878, o governo entra em decomposição, com o abandono de Barjona de Freitas, invocando a circunstância do regulamento do registo civil não ter sido aprovado pelo gabinete (15 novembro). Barjona, através de quem Fontes se entendia com os republicanos, defendia um sistema de registo civil obrigatório para todos os cidadãos, incluindo os católicos. Em 28 de novembro sai o decereto sobre o sistema de registo civil, apenas obrigatório para os não católicos.
– Outra tensão oposicionista vem do ex-regenerador Vaz Preto, contra a política do ministro das obras públicas que tratou de avançar com a linha de caminho de ferro da Beira Alta, em detrimento da da Beira Baixa.
Dezembro
Dia 3 – António Maria do Couto Monteiro na pasta da justiça, em lugar de Tomás Ribeiro
Dia 26 – Andrade Corvo conclui com os britânicos a negociação de um tratado sobre a Índia. Será apresentado na Câmara dos Deputados em 19 de maio de 1879 e aprovado em 18 de junho já com o governo de Braamcamp.
Fevereiro
Dia 3 – Novo directório republicano com Oliveira Marreca, Latino Coelho, Sousa Brandão, Bernardino Pinheiro e Eduardo Maia.
Dia 11
– Ministro das obras públicas apresenta proposta de concurso para o porto de Leixões (11 de fevereiro de 1879).
– Na Câmara dos Pares, o governo é também atacado por Casal Ribeiro.
Maio
Dia 28 – Os progressistas na Câmara dos Pares suspeitam das relações entre o ministério da fazenda, de António Serpa, e o Banco Nacional Ultramarino. Criticada a concessão da exploração das minas, baldios e florestas da Zambézia ao capitão Paiva de Andrade. O governo é particularmente atacado por Sabugosa, Mariano de Carvalho e José Frederico Laranjo. No dia 28 de maio consegue vencer votação sobre a matéria, mas apenas por oito votos. No dia seguinte, Serpa apresenta a demissão, arrastando todo o governo.
Dia 31 – Assina-se o Tratado de Lourenço Marques que não só admitia o desembarque de tropas britânicas nesse porto, como também admitia o patrulhamento das costas moçambicanas por navios britânicos.
Junho
Dia 1 – Governo de Anselmo José Braamcamp de 1 de junho de 1879 a 25 de março de 1881, 664 dias. Os ministros têm quase todos experiência governamental, à excepção de Adriano Machado e Barros Gomes. Governo promete moralidade e liberdade. Avilistas, através de Barros e Cunha, prometem apoio. Dias Ferreira, pelos constituintes, fala apenas em benevolência. Os regeneradores entram em imediata oposição, através dos discursos de Lopo Vaz, Hintze Ribeiro e Júlio Vilhena. O deputado independente visconde Moreira de Rei indigna-se, criticando o flagelo dos princípios, pelo facto de ter caído um governo que tanto tinha a maioria na Câmara dos Deputados, como a confiança do monarca. Por isso suspende funções.
– O primeiro governo progressista vai enredar-se nas teias do Tratado de Lourenço Marques, negociado no último dia do anterior governo regenerador. O novo partido progressista, pela primeira vez no poder, vai também ser marcado pela contestação republicana de 1880, quando emerge um patriotismo imperial, animado pela criação do mito camoniano que nasce contra um governo da esquerda monárquica.
Dia 9 – Chega a Lisboa Serpa Pinto. Iniciara a travessia de África com Capelo e Ivens em 7 de julho de 1877. No Bié, em 12 de novembro do mesmo ano, separa-se de Capelo e Ivens, que se dirgem para nordeste, e segue para sul, chegando a Pretória em 12 de fevereiro de 1879.
Dia 12 – Começa a publicar-se o periódico António Maria de Rafael Bordalo Pinheiro, com a colaboração de Ramalho Ortigão e Guilherme de Azevedo.
Dia 18 – É aprovado o tratado sobre a Índia, negociado pelo anterior governo, através de Andrade Corvo. Para o executar, como comissário na Índia, foi designado o constituinte António Augusto de Aguiar, que partiu em 6 de setembro.
Dia 10 de julho – Em 10 de julho o governo, pelo ministro Saraiva de Carvalho, cria uma comissão para estudar a crise agrícola do país. Participam, entre outros, António Luís de Seabra, José Maria dos Santos e Vicente Ferrer Neto Paiva.
Agosto
Dia 4 – Encíclica Aeterni Patris de Leão XIII, papa de 1878 a 1903, propõe um regresso dos católicos ao pensamento de São Tomás de Aquino.
Dia 29 – Dissolução da Câmara dos Deputados em 29 de Agosto. Partido constituinte de Dias Ferreira na oposição ao governo progressista.
Outubro
Dia 19 – Eleições
Janeiro
– Fornada de 26 pares.
Dia 2
– Reabrem as Cortes.
– Centenário de Camões. Ano do centenário de Camões, promovido por Teófilo Braga, com o apoio de Ramalho Ortigão. No dia 10 de junho, houve um grande cortejo em Lisboa.
Fevereiro
– Hintze acusa o governo de irregularidades eleitorais. Em fevereiro, o deputado regenerador Hintze Ribeiro ataca o governo, acusando-o de irregularidades eleitorais. Resposta de José Luciano. E Dias Ferreira aproveita a ocasião para acusar do mesmo procedimento tanto os governamentais como os regeneradores.
Dia 4
– O ministro José Luciano apresenta uma proposta de lei sobre a responsabilidade ministerial. A proposta é aprovada na Câmara dos Deputados, mas nunca foi admitida na Câmara dos Pares. Era a sexta proposta frustrada sobre a matéria (3 de janeiro 1823; 4 de dezembro de 1826; 24 de fevereiro de 1827; 6 de fevereiro de 1828; 3 de outubro de 1834; 1 de abril de 1848).
– Governo apresenta proposta de imposto sobre o real de água. Ataques do conde de Valbom e de Fontes.
Dia 17 – Estreia-se como deputado António Cândido, propondo vida nova. Uma vida nova prometedora dos mais largos serviços à causa da liberdade.
Dia 17 de março – Comício republicano no Teatro dos Recreios, com Manuel Arriaga, Elias Garcia e Magalhães Lima. Centenário de Camões. Fornada de pares.
Junho
Dia 7 – Encerra o parlamento
Dia 8 – Em 1880, ano do tricentenário de Camões, funda-se O Século e a imprensa faz ataque feroz ao Tratado de Lourenço Marques, destacando-se os publicistas republicanos. As comemorações iniciam-se no dia 8 de junho.
Dia 17 – Anselmo José Braamcamp na marinha, em lugar de Sabugosa (até 3 de julho)
Setembro
Dia 5 – Eleições suplementares para quinze vagas de deputados, com abstenção dos regeneradores. Os republicanos são derrotados em Lisboa e Elias Garcia, já sem o apoio de Fontes, recebe apenas 997 votos. Os outros candidatos republicanos têm votações inferiores: Magalhães Lima, 519 votos, e Antero de Quental, apenas 25
Dia 20 – Reunião em Lisboa do Congresso Internacional Antropológico
Dia 29 de novembro – João Crisóstomo é substituído por José Joaquim de Castro na guerra. Suspenso o decreto que permitia a reforma dos coronéis como generais de divisão.
Dia 16 de dezembro – Fornada de pares
Janeiro
– A oposição de regeneradores, avilistas e constituintes, decide discutir o discurso da Coroa, referindo a questão do tratado com a Inglaterra. O governo passa na Câmara dos Pares apenas por três votos.
Dia 30 de janeiro
– Comício da oposição monárquica no Teatro de S. Carlos.
– Oliveira Martins edita o Portugal Contemporâneo.
Março
Dia 6 – Comícios contra o Tratado de Lourenço Marques
Dia 8 – O Tratado de Lourenço Marques é aprovado na Câmara dos Deputados por 74 votos a favor e 19 contra, em 8 de Março, quando ocorrem novos comícios de oposicionistas monárquicos e republicanos. Desaparecem as referências às concessões perpétuas. O Tratado fora negociado pelo governo regenerador, através de Andrade Corvo, em 30 de maio de 1879.
Dia 13 – Houve uma carga da Guarda Municipal contra comício republicano que decorria na Rua de S. Bento
– Mais uma fornada de sete pares
Dia 25 – Governo de Rodrigues Sampaio/ Fontes. De 25 de março de 1881 a 20 de fevereiro de 1886. Fontes, entre 1881 e 1883 acumulou a presidência, a fazenda e a guerra. A partir de 1883 acumulou apenas a guerra, mas entre Fevereiro e Novembro assumiu também as obras públicas. Entre os ministros constantes, embora mudando de pasta, apenas Hintze Ribeiro.
Dia 29 – As Cortes são adiadas por 62 dias, até 30 de maio de 1881.
Dia 29 de abril – Miguel Martins Dantas, que não chega a exercer, é substituído por Hintze Ribeiro nos estrangeiros. Este exerce estas funções até 14 de novembro de 1881, quando é substituído por António Serpa.
Maio
Dia 3 – Morte do duque de Ávila.
Dia 21 – Uma das primeiras medidas do novo executivo, tomada em 21 de maio de 1881, foi a suspensão do imposto de rendimento que havia sido criado em 18 de junho de 1880.
Dia 30 – Reabrem as Cortes. Forte ataque dos progressistas ao governo.
Junho
– Dissolução parlamentar
Dia 7 de julho – Decretado o inquérito industrial
Dia 21 de Agosto – Eleições. António Cândido aparece como deputado progressista. Esmagadora vitória dos novos governamentais, os regeneradores, que reduzem os progressistas a seis deputados. Os regeneradores patrocinam os constituintes e a ala esquerda dos governamentais, a unha preta, tenta desempenhar a função da oposição.
Outubro
– Ferreira Lapa defende a criação de um ministério da agricultura
Novembro
Dia 14 – Fontes substitui Rodrigues Sampaio na presidência; ocupou a fazenda, até então de Lopo Vaz, director geral da instrução e das alfândegas, e substituiu na guerra o general Caetano Pereira Sanches de Castro; Tomás Ribeiro sucede a Rodrigues Sampaio no reino; Júlio de Vilhena sai da marinha e ultramar e substitui o juiz Augusto José de Barros e Sá na justiça; José de Melo Gouveia, na marinha e ultramar; António Serpa nos estrangeirosHintze Ribeiro nas obras públicas (até 24 de outubro de 1883) Rodrigues Sampaio demite-se quando estava gravemente doente, invocando, como pretexto, um conflito de competências entre os ministros da guerra e da fazenda. Falecerá em 13 de setembro de 1882. Antes, tinham falecido António José de Ávila (3 de maio de 1881) e Alves Martins (5 de fevereiro de 1882).
– Fontes exclui Lopo Vaz da governação. Conforme as palavras de Júlio Vilhena, Fontes era liberal, mas a questão religiosa aterrava-o e bulir nela, ainda de leve, punha-lhe calafrios na medula. Assim, prefere equilibrar, ir vivendo, durar, segundo as palavras de Lopes d’Oliveira.
Janeiro
Dia 14 – Morte de José Falcão e de Rosa Araújo
Dia 16 – Propostas financeiras apresentadas na Câmara dos Deputados
Fevereiro
– O rei começou por chamar o chefe dos regeneradores, António Serpa, mas este não pôde aceitar por ser administrador da companhia dos Caminhos de Ferro do Norte e Leste. Entretanto, outro dos chefes dos regeneradores, Júlio de Vilhena, considerando que Serpa for a desprestigiado, também recusou fazer parte do gabinete (Júlio de Vilhena, Antes da República, I, pp. 266-268.)
Dia 17 de outubro – João Franco defende no Conselho de Estado, em nome da ameaça anarquista, meios extraordinários de governo.
Dezembro
Dia 9 – Dissolução parlamentar.
Dia 17 – Reunião dos progressistas com o apoio de João Crisóstomo.
Dia 20 de Dezembro – Hintze substitui Augusto Maria Fuschini na fazenda. Frederico de Gusmão Correia Arouca substitui Hintze nos estrangeiros. Carlos Lobo de Ávila nas obras públicas.
– Emídio Navarro em Paris intrigou com Lobo de Ávila para a substituição de Bernardino Machado e Augusto Fuschini. Em janeiro de 1894, o cacique progressista do Porto Oliveira Monteiro declarou ou vamos para casa; ou vamos para a república; ou para o miguelismo. Outro progressista, Albano de Melo diz: se não formos um partido monárquico, seremos um partido republicano.
Janeiro
– Manifestações das associações comerciais e industriais de Lisboa contra a política fiscal do governo. Anunciado comício para o dia 29 de janeiro de 1894, é proibido
Dia 31 de janeiro – As eleições são adiadas sine die e surgem decretos dissolvendo a Associação Comercial de Lisboa, a Associação Industrial e a Associação de Lojistas.
Dia 12 de fevereiro, Carlos Lobo de Ávila cria a Câmara do Comércio e Indústria. Oliveira Martins está gravemente doente.
Abril
– As eleições haviam ocorrido em 15 e 30 de abril. Os progressistas quase desaparecem de Lisboa. 1894 é considerado o ano de tosquia dos progressistas
Maio
Dia 4 – O governo decreta a abertura da Câmara dos Deputados apenas para o dia 1 de outubro.
Dia 11 – É encerrada a questão da salamancada.
Dia 27 – O jornal Correio da Tarde observa: a Constituição está suspensa, a soberania nacional foi atacada nos seus foros e nas suas franquias mais valiosas, os direitos do povo foram ofendidos e conspurcados, o regime representativo foi suprimido, sob a responsabilidade do Rei, que, faltando aos seu juramento, se colocou for a da Constituição unicamente porque à sua vontade aprouve fazê-lo, porque assim lhe pareceu melhor, segundo declarou, para os altos interesses da Nação (Apud Correspondência Literária e Política com João Chagas, I, p. 25.)
Dia 8 de junho, António Cândido anuncia o respectivo regresso aos progressistas a fim de continuar a pelejar pelas conquistas liberais.
Dia 2 de julho já se constitui uma União Liberal entre progressistas e republicanos, enquanto os alemães ocupam Quionga no norte de Moçambique.
Dia 24 de agosto – Morre Oliveira Martins.
Dia 1 de Setembro – Lobo de Ávila substitui Frederico Arouca nos estrangeiros. Artur Alberto Campos Henriques nas obras públicas.
Dia 1 de Outubro – Quando reabre o parlamento. João Franco considera: não é já com ficções constitucionais que o País vai. O País conhece-nos a todos! Conhece-nos a todos, sabe o que cada um de nós exerce, o que cada um de nós ganha. O País sabe bem que a oposição progressista é uma oposição bifronte.
Dia 28 de Novembro de 1894 são encerradas as Cortes e deixa de haver parlamento até Janeiro de 1895. Situação semelhante apenas ocorrera em 1847.
Dezembro
– As oposições coligadas logo se reunem na redacção do Correio da Noite. Em 3 de dezembro formava-se a Coligação Liberal, juntando progressistas e republicanos. Surgem importantes comícios anti-governamentais.
Dia 9 – Grande comício no Campo Pequeno, com republicanos e progressistas junto. José Maria de Alpoim proclama que a pátria está em perigo. No Porto, o conde de Samodães também preside a comício de protesto no teatro do Príncipe Real.
Janeiro
Dia 7 – Morte de João Crisóstomo.
Dia 12
– Novo Código de Justiça Militar. Restabelecida a pena de morte, revogando-se o artigo 16 do Acto Adicional. Conselhos de Guerra passam a ser competentes para crimes contra a segurança do Estado cometidos por civis.
– Manifestação de solidariedade de oficiais da Armada depois da absolvição do comandante Castilho.
Dia 17 – José Bento Ferreira de Almeida na marinha em lugar de Neves Ferreira. Há-de declarar: o país já não pode com tantas possessões.
Dia 20
– Eleita a comissão municipal republicana do Porto. O secretário da Universidade de Coimbra, Cerqueira Coimbra, depois de aderir aos republicanos, é imediatamente demitido.
– João Franco vai fazendo uma revolução nas páginas do Diário do Governo, tal como antes fizera Mouzinho da Silveira.
Dia 9 de fevereiro – Novo contrato com o Banco de Portugal.
Março
Dia 2
– Reunião em Lisboa o sexto Congresso do Partido Republicano. Comissário da polícia impede a continuação da reunião. Mas, no dia seguinte, em ajuntamento secreto, é eleito novo directório: Eduardo de Abreu, Jacinto Nunes, Magalhães Lima e Gomes da Silva.
– Novo Código Administrativo de cariz centralizante. Supressão de muitos concelhos. Impedida a representação das minorias.
– Joaquim Martins de Carvalho, director d’O Conimbricense, adere aos republicanos: entre a monarquia quase absoiluta , que aí existe e a República, o nosso caminho estava naturalmente traçado.
Dia 30 – Publicada nova lei eleitoral. Círculos distritais. Lista completa sem minorias.
Setembro
– Morte de Carlos Lobo de Ávila
– Na altura celebrou-se um Congresso Católico Internacional em Lisboa, nas comemorações de Santo António. Mas as manifestações anti-clericais, por ocasião da procissão antonina, levaram a uma autêntica caçada aos padres que a própria imprensa republicana considerou selvagem.
– O Correio Nacional apelava para uma coligação de conservadores.
Dia 20 de Setembro – Luís Soveral nos estrangeiros, em lugar de Carlos de Lobo de Ávila, entretanto falecido
Dia 25 – Reforma da Carta Constitucional por decreto ditatorial. Acabam os pares electivos. Rei pode converter em lei projectos aprovados apenas numa das Câmaras.
Novembro
Dia 17 – Eleições
Dia 26 de Novembro – Jacinto Cândido da Silva na marinha e ultramar
Janeiro
Dia 2
– Discurso da Coroa
– Campanha na imprensa contra Mariano de Carvalho.
Dia 5 – Reunião do partido progressista
Dia 14 – Restaurados 51 concelhos
Dia 21 – Reforma da Polícia. Criada a polícia preventiva.
Dia 28 – Morte de Roberto Ivens.
Março
Dia 7 – Comício republicano presidido por Bernardino Machado.
Dia 17
– Nova fornada de pares
– Câmara dos Deputados discute projectos de lei de imprensa e de criação de celeiros comuns e paroquiais.
Abril
Dia 3 – Veiga Beirão nos estrangeiros. Francisco Felisberto Dias da Costa, capitão de engenharia e professor da Escola do Exército, na marinha
Dia 30 – Cortes prorrogadas até 30 de maio.
Maio
Dia 12
– Inauguarado o Aquário de Algés integrado nas comemorações de Vasco da Gama.
– Fusão da Associação Comercial de Lisboa com a Câmara de Comércio e Indústria.
Dia 30 de junho – Reorganização do ministério da fazenda.
Julho
– Mariano e Burnay contra o governo
– Campanhas contra o governo do Jornal do Comércio, com Burnay, e do Popular, com Mariano de Carvalho.
Agosto
Dia 5 – Campos Sales, presidente da República do Brasil, visita Lisboa.
Dia 18 – Remodelação governamental. Chegou a falar-se na hipótese de um novo governo com Hintze Ribeiro e Mouzinho de Albuquerque. José Maria Alpoim na justiça (em vez de Veiga Beirão); Manuel Afonso Espregueira, na fazenda (em vez de Ressano Garcia); Sebastião Custódio de Sousa Teles na guerra (em vez de Francisco Maria da Cunha); António Eduardo Vilaça na marinha e ultramar (em vez de Dias da Costa); Elvino José de Sousa Brito nas obras públicas (em vez de Augusto José da Cunha).
Setembro
Dia 8 – Reorganização do MOPCI, com o novo ministro Elvino de Brito
Dia 26
– Sétimo Congresso Internacional da Imprensa na Sociedade de Geografia de Lisboa.
– Convenção franco-alemã sobre a partilha das colónias portuguesas. Rússia ocupa Port Arthur e os Estados Unidos da América entram em guerra com a Espanha por causa de Cuba
Dia 16 de novembro – Morte de Barros Gomes
Dezembro
– Ambições norte-americanas quanto aos Açores: num telegrama dirigido a D. Carlos, Soveral refere que os norte-americanos pretendem tomar os Açores.
– Fala-se então na hipótese de um partido de endireitas, com João Franco e Mouzinho de Albuquerque.
Janeiro
Dia 2 – Discurso da Coroa
Dia 4 – Reunião da maioria parlamentar
Dia 13 – Discurso de Casal Ribeiro na Câmara dos Pares sobre os credores estrangeiros.
Dia 14 – França Borges sai da cadeia do Limoeiro, onde se encontrava detido. João Arroio ataca o ministro Espregueira.
Dia 21 – Morte do bispo do Porto, D. Américo.
Dia 26 – Discussão parlamentar sobre o aumento do imposto de selo. Protestos da Associação Comercial de Lisboa.
Dia 27 – O regenerador Pereira de Lima na Câmara dos Deputados fala sobre o pagamento feito pelo ministério da fazenda a uma firma alemã do Porto acusada de descaminho de direitos de exportação.
Dia 7 de fevereiro
– Discurso de Dias Ferreira em oposição ao governo.
– Falta quorum nas sessões parlamentares. D. Carlos em sucessivas caçadas. Descontentamento militar. Burnay denuncia atos financeiros do governo, nomeadamente a compra da prata.
Março
Dia 1 – Sai o primeiro número do jornal republicano A Pátria dirigido por José Benevides.
Dia 3 – Diário do Governo publica documentos referentes à compra da prata.
Abril
Dia 4 – Elvino de Brito apresenta na Câmara dos Deputados proposta de novo regime cerealífero.
Dia 10 – Lançado ao mar o cruzador D. Amélia
Dia 19 – Hintze Ribeiro ataca a política de importação de cereais.
Dia 20 – Elvino de Brito responde a Hintze Ribeiro.
Maio
Dia 1
– Grande homenagem a José Fontana
– Visitam Lisboa esquadras britânica e alemã.
– Discussão na Câmara dos Deputados da proposta de orçamento.
Dia 18 – Conflito na Câmara dos Pares entre Elvino de Brito e Eduardo José Coelho sobre o caminho de ferro de Mirandela/ Bragança.
Junho
Dia 2 – Cortes prorrogadas até 30 de junho
Dia 5 – Discussão sobre a reforma do Exército na Câmara dos Pares
Dia 11 – Esquadra francesa visita Lisboa
Dia 20 – Discussão do regime cerealífero. Campos Henriques ataca a proposta de Elvino de Brito.
Julho
– Chega ao Tejo o novo cruzador D. Carlos
Dia 14
– Novo regime cerealífero de cariz proteccionista. Surge a lei do trigo de Elvino de Brito, marcada pelo princípio do proteccionismo, onde se prevê um processo de tabelamento dos preços do pão. Em nome da defesa da produção agrícola nacional, o pão aumenta cerca de 40%, pelo que os detractores da lei lhe vão chamar a lei da fome.
Dia 29 – Reforma da contribuição predial.
Agosto
– Peste bubónica no Porto. Face à peste bubónica que grassava no Porto, desde 4 de junho, foi decretado o estabelecimento de um cordão sanitário, por proposta de Ricardo Jorge.
Dia 2 – Toma posse o novo bispo do Porto, D. António Barroso.
Dia 6 – Nova lei do selo.
Setembro
– Os britânicos pedem autorização para as respectivas tropas poderem passar pelo território moçambicano.
Dia 4 de outubro – Criada uma direcção-geral de Saúde e Beneficiência Pública.
Novembro
Dia 5 – Eleições municipais em Lisboa. Vitória da lista monárquica, não progressista, do conde do Restelo
Dia 15 – Morre Câmara Pestana, vítima da própria peste bubónica que combatia.
Dia 26 – Eleições. Vitória dos republicanos no Porto. Conde Burnay vence em Setúbal.
Fevereiro
Dia 12 – Deputado Ferreira de Almeida volta a propor a venda das colónias.
Dia 18 – Repetidas as eleições no Porto. Voltam a ser eleitos os republicanos, chamados deputados da peste.
Abril
– Morte de António Serpa, sucedendo-lhe Hintze Ribeiro na chefia dos regeneradores.
Agosto
– Eça publica A Cidade e as Serras.
Setembro
Dia 9 – Grande comício republicano contra as congregações.
Novembro
– Eleições. Não são eleitos deputados republicanos.
Dia 30 – Anselmo de Andrade sai do governo, sendo substituído por Pinto dos Santos.
Janeiro
– Fundada a Sociedade Nacional de Belas Artes aquando a escritura d’A Severa de Júlio Dantas
Dia 2 – Discurso da Coroa. Abel de Andrade é nomeado director-geral da Instrução Pública
Dia 13 – D. Miguel II esteve em Lisboa, Coimbra e Porto clandestinamente, em 13 de janeiro de 1901. O governo e o monarca, apesar de terem conhecimento do fato, decidem ignorar oficialmente tal permanência.
Dia 22 – Morte da rainha Vitória.
Dia 28 – D. Carlos parte para Inglaterra para assistir aos funerais da rainha Vitória. Apenas regressa a 13 de devereiro seguinte.
Fevereiro
– Aparece o periódico Imparcial de Abel de Andrade e Carneiro de Moura e retoma-se a questão religiosa.
Dia 1 – Morte do Conde de Valbom, Joaquim Tomás de Lobo d’Ávila
Dia 6 – Votado o bill de indemnidade
Dia 6
– Morte de Tomás Ribeiro
– D. Carlos vai aos funerais da rainha Vitória, a Londres, e regressa a Lisboa a 13 de Fevereiro de 1901.
Dia 12
– Deu-se a ruptura formal entre Hintze Ribeiro e João Franco.
Dia 25
– Incidente Calmon, com manifestações anticlericais em Lisboa (uma senhora de 32 anos, filha do cônsul do Brasil no Porto queria entrar para um concento, com oposição da família…).
– Governo apresenta parlamentarmente propostas de reforma da fazenda
Março
Dia 12 – Governo emite um decreto sobre ordens religiosas, mantendo a tradição anticongreganista dos regeneradores.
Dia 20 – Do mesmo teor um diploma de 20 de abril, onde eram encerradas várias casas mantidas por institutos religiosos.
Dia 28 – Apreendido no Porto, o periódico católico A Palavra
Abril
Dia 11 – Criado em Coimbra o Centro Nacional Académico em 11 de abril de 1901.
Dia 14 – D. Carlos era saudado na praça de touros do Campo Pequeno, aos gritos de viva o rei liberal.
Dia 18 – Decreto segundo o qual apenas são admitidas as casas religiosas que se dediquem à instrução ou beneficência ou à propaganda da fé e civilização no Ultramar.
Dia 25 – Constituição de uma Comissão Liberal, isto é, anticlerical, presidida por José Dias Ferreira.
Dia 30
– Os republicanos respondem a 30 de abril com uma Junta Liberal Republicana presidida por Miguel Bombarda.
– Malheiro Reymão ataca o governo sobre a proposta de reforma da contribuição predial
– A este ambiente anticlerical vão também responder os católicos em termos organizacionais, destacando-se a criação do Centro Nacional Académico em Coimbra, base do futuro CADC. Em 1902 surge a Associação Promotora da Educação e Instrução Popular que em 1907 passa a designar-se Liga de Acção Social Cristã, donde em 1924 emerge a Juventude Católica Feminina.
Maio
– 25 deputados afectos a João Franco abandonam o partido regenerador em Maio de 1901.
Dia 16
– Forma-se o Centro Regenerador-Liberal
– Congresso do Partido Republicano em Coimbra (janeiro de 1902). Congresso do Partido Nacionalista em Viana do Castelo (3 de julho de 1903).
Dia 1 de julho
– João Arroio sai do governo. Matoso dos Santos substitui João Marcelino Arroio nos estrangeiros
– João Franco enfrenta Pinto dos Santos num duelo
– Dissolução da Câmara dos Deputados. Depois do grupo de João Franco, Hintze perdia o apoio de Arroio.
Agosto
Dia 12 – Decreto sobre a autonomia da Madeira.
Dia 13 – Nova lei eleitoral. A chamada ignóbil porcaria, segundo as palavras de João Franco. As eleições decorrem em 6 de outubro.
Dia 9 de setembro – Dissolução da Câmara Municipal de Lisboa. Nomeada uma comissão administrativa
Outubro
– 6 Eleições
Dia 18 – Saía do partido regenerador o general Dantas Baracho, a que se seguirão, em 1903, Luís Augusto Rebelo da Silva e Pinto dos Santos, enquanto Mariano de Carvalho apoiava o governo.
Dezembro
Dia 2
– Inaugurado o Congresso Colonial Nacional
– Reforma militar e do ensino primário
Dia 5 – Dias Ferreira realiza conferência anticongreganista
Dia 31
– Tumultos em Torres Vedras por causa da crise vinícola.
– Há 43 associações religiosas que se conformam com as determinações do decreto de 18 de abril.
Janeiro
Dia 3 – Governo é atacado na Câmara dos Pares por Costa Lobo (qualifica o governo como absolutista), Dantas Baracho e pelo conde de Bretiandos (este último sobre a crise vinícola).
Dia 8 – Suicídio de Joaquim Mouzinho de Albuquerque
Dia 29 – Jacinto Cândido apresenta na Câmara dos Pares o novo Partido Nacionalista.
– Progressistas atacam governo do parlamento falando em nomeações ilegais de funcionários, os chamados comissários régios. Hintze replica, indicando idênticas nomeações feitas pelos progressistas no anterior governo. Fuschini clama contra a administração estrangeira. Grandes boatos sobre a corrupção.
Março
– Motins estudantis no Porto, Coimbra e Lisboa (março a abril de 1902).
– Pereira Carrilho consegue negociar em Paris um acordo dos credores estrangeiros quanto à dívida externa portuguesa, em 25 de março de 1902.
– D. Luís Filipe assiste em Londres à coroação de Eduardo VII.
Abril
Dia 28 – Morte do Conde do Restelo
Dia 29 – Agitação estudantil em Coimbra. Encerradas as instalações da Universidade
Campanha do jornal O Século contra a Companhia de Tabacos.
Agosto
– A imprensa ataca o governo por causa da questão das moagens.
– D. Carlos faz sucessivas viagens a Paris e Londres, apenas regressando a Portugal em 16 de dezembro.
Dia 11 – Morte de Elvino de Brito
Dia 2 de novembro
– Eleições municipais. Vitória dos regeneradores no Porto.
– Pinto dos Santos e Luís Augusto Rebelo da Silva filiam-se no partido progressista. Em 7 de março, João Arroio rompe com Hintze Ribeiro. Chanceleiros considera que o governo está a agir contra a Carta.
Dia 16 de dezembro – D. Carlos regressa de Inglaterra
Janeiro
Dia 16 – Discurso de Dias Ferreira contra o governo
Dia 19 – José de Alpoim ataca o governo, criticando a apreensão de jornais (Imparcial, O Mundo, Paródia)
Dia 23
– Começa a discussão parlamentar sobre a concessão do caminho de ferro de Benguela
– Pinto dos Santos e Luís Augusto Rebelo da Silva filiam-se no Partido Progressista
Fevereiro
Dia 2
– Congresso Marítimo Colonial
– O jornal Novidades aborda a questão das jóias de D. Miguel
Dia 26
– A rainha D. Amélia parte para uma visita ao Oriente
– Reunião da Associação Comercial
Dia 28 – Hintze Ribeiro apresenta a demissão
Março
Dia 7 – João Arroio rompe com Hintze Ribeiro
Dia 9 – Dias Ferreira aborda no parlamento a questão das jóias de D. Miguel
Dia 13 – Revolta do Grelo em Coimbra. Greve geral em Coimbra, dita revolta do grelo (março de 1903). Oliveira Matos e Dias Ferreira interpelam o governo sobre a matéria.
Abril
Dia 2 – Eduardo VII visita Lisboa
Dia 13 – Começa a discussão sobre o orçamento
Maio
Dia 11 – Votado projecto de ampliação das linhas de caminho de ferro
Dia 16 – Inauguração em Lisboa de um Centro Regenerador Liberal
Dia 18 – Manifestação de protesto de cerca de 3 000 viticultores em Lisboa, promovida pela Real Associação Central da Agricultura Portuguesa
Dia 31 – D. Carlos inaugura em Évora uma exposição agrícola
Junho
Dia 3 – Congresso do partido Nacionalista. Vota-se o programa em Viana do Castelo. Na comissão central do novo agrupamento: o conde de Samodães, o conde de Bretiandos e Jacinto Cândido da Silva.
Dia 20 – Morte do Papa Leão XIII
Julho
– Greves operárias no Porto
Dia 28 – Esquadra norte-americana visita Lisboa.
Dia 15 de agosto – Exposição Agrícola no Porto
Dia 28 de setembro – Decreto sobre o regime açucareiro da Madeira.
Dia 31 de outubro – Conferência de Bernardino Machado no Ateneu
Dia 1 de novembro – Eleições municipais em Lisboa
Dezembro
– Greve dos metalúrgicos. Renova-se em fevereiro de 1904.
– Queda do governo. O governo cai depois de uma discussão parlamentar sobre os contratos dos tabacos e dos fósforos.
Dia 11 – Rei de Espanha, Afonso XIII, visita Portugal
Outubro
Dia 20 – Governo de José Luciano, o chamado ministério das mil e uma maravilhas.
Dia 23 de janeiro – Funerais de Rafael Bordalo Pinheiro. Nas cerimónias, destaca-se o discurso de António José de Almeida.
Fevereiro
Dia 4 – Manifestação republicana de apoio a Bernardino Machado em Lisboa.
Dia 12 – Eleições.
Dia 19 – Morte de António Bernardo da Costa Cabral.
Dia 23 – Denunciado o contrato dos tabacos.
Março
Dia 22 – Rainha Alexandra de Inglaterra chega a Lisboa
Dia 27 – Visita do Kaiser Guilherme II a Lisboa, até 30 de março.
Abril
Dia 3 – Abrem as Cortes com ataques de Hintze Ribeiro a Espregueira.
Dia 5 – Fornada de pares (Espregueira, Dias Ferreira, Veiga Beirão, Ressano Garcia, Augusto José da Cunha, Alexandre cabral, José Maria Alpoim e Eduardo Vilaça).
Dia 26 – Novo contrato dos tabacos apresentado na Câmara dos Deputados, com ataques de João Arroio e Teixeira de Sousa.
Maio
Dia 2 – Surge a dissidência de José Maria de Alpoim por causa do contrato dos tabacos. Acompanham-no, entre outros, Abel Botelho, Caeiro da Mata, Joaquim Pedro Martins, Francisco Fernandes, o visconde de Algés, visconde de Penalva, visconde do Ameal, os advogados Sousa Costa e Pereira Reis; o jornalista Santos Tavares; os futuros democráticos Barbosa de Magalhães e Mota Veiga; o futuro evolucionista, centrista e sidonista, Egas Moniz, médico, o único português até agora galardoado com o Prémio Nobel.
Dia 9 – Alpoim não comparece à reunião do Conselho de Ministros. Em 11 de maio saía um Diário do Governo, o nº 106, datado de 10, com a exoneração de Alpoim. Nesse mesmo dia 11 de maio, as Cortes são adiadas até 16 de agosto.
Dia 11 – Remodelação. Artur Pinto Miranda Montenegro substitui José Maria de Alpoim na justiça.
Dia 28 – João Franco visita o Porto.
Junho
Dia 14 – Morte de Chanceleiros
Dia 10 – Visita Lisboa uma divisão naval inglesa.
Agosto
Dia 16 – Reabertura das Cortes no mesmo dia em que morre Emídio Navarro.
Dia 30 – Dias Ferreira faz um discurso na Câmara dos Pares onde defende a constituição de grandes partidos políticos
Setembro
Dia 1 – Cenas de pugilato na Câmara dos Pares entre Dantas Baracho e Pereira Dias.
Dia 5 – João Arroio discursa na Câmara dos Pares criticando Espregueira
Dia 8 – O dissidente progressista Joaquim Pedro Martins discursa na Câmara dos Deputados contra o contrato dos tabacos
Outubro
Dia 19 – Morte de Mariano Cirilo de Carvalho
Dia 27 – Presidente da República Francesa, Emile Loubet, visita Lisboa. Republicanos promovem-lhe manifestações.
Novembro
Dia 19 – Comício dos dissidentes progressistas. Discursos de João Pinto dos Santos, Egas Moniz e Joaquim Pedro Martins. O republicano Brito Camacho também faz um discurso.
Dia 20 – D. Carlos parte para Paris.
Dezembro
Dia 10 – Comício dos republicanos, na Estefânia. Discursos de Afonso Costa, António José de Almeida e Brito Camacho.
Dia 11 – Sai o livro de Basílio Teles Do Ultimatum ao 31 de janeiro
Dia 28 – Nova remodelação governamental: José Capelo de Franco Frazão, conde de Penha Garcia, ex-franquista, substitui Manuel Afonso Espregueira na fazenda; José Matias Nunes substitui Sebastião Teles na guerra; António Ferreira Cabral Pais do Amaral substitui D. João de Alarcão nas obras públicas.
Fevereiro
Dia 1 – Discurso da Coroa
Dia 2 – Alpoim critica o rei e declara que a Coroa não tem direito a censurar ninguém
Dia 7 – Sessão agitada na Câmara dos Deputados quando José Luciano apresenta os novos ministros. A sessão foi interrompida e evacuadas as galerias, onde se grita viva a República, abaixo o governo tabaqueiro, fora o chefe da quadrilha de ladrões.
Dia 9 – Conselho de Estado não dá parecer favorável à dissolução parlamentar. O Conselho de Estado não aprova proposta de José Luciano para a dissolução das cortes, por 7/4. Hintze, em 12 de fevereiro, propõe coligação das oposições monárquicas em defesa do rei que o governo comprometera.
Dia 13 – Apreensão de jornais oposicionistas. São apreendidos O Mundo, de França Borges, e O Primeiro de Janeiro (Alpoim era correspondente em Lisboa deste jornal).
Dia 16 – São apreendidos A Paródia, o Novidades e O Liberal.
Dia 19 – Manifesto dos estudantes de Coimbra contra a degradação da actividade governamental.
Dia 20 – Estudantes do Liceu do Carmo em Lisboa queimam um grande charuto de cartão, onde podia ler-se Abaixo o Governo
Dia 22 – Protesto colectivo dos jornais de Lisboa contra o governo. Subscrevem-no França Borges, por O Mundo, Moreira de Almeida, O Dia, Magalhães Lima, Vanguarda, Alfredo Cunha, Diário de Notícias, Zeferino Cândido, A Época.
Março
Dia 11 – D. Carlos parte para Espanha (regressa a 16).
Dia 19 – Demissão de José Luciano.
Dia 21 – Governo de Hintze Ribeiro.
Dia 28 – Nomeados novos governadores civis e administradores de concelho. Conde de Sabrosa, governador civil de Lisboa (28 de março)
Abril
Dia 4 – Anunciado em O Século o acordo de concentração liberal entre franquistas (João Franco) e progressistas (José Luciano).
Dia 8 – Amotinação do cruzador D. Carlos I, surto no Tejo. Consegue a pacificação junto dos revoltosos o antigo ministro Francisco Joaquim Ferreira do Amaral. Era a primeira revolta da história da armada portuguesa.
Dia 13 – Revolta do couraçado Vasco da Gama.
Dia 19 – D. Carlos inaugura a Sala Portugal da Sociedade de Geografia de Lisboa.
Dia 22 – Comícios republicanos em Lisboa, na Estefânia e nos Olivais.
Dia 24 – Apreensão de jornais: Lucta, Vanguarda e Mundo por publicarem os discursos dos comícios.
Dia 29 – Eleições. Não são eleitos deputados republicanos, mas à última hora, Bernardino Machado, graças ao uma chapelada governamental, aparece eleito pela assembleia do Peral. Até teve três vezes mais votos do que os eleitores…
Maio
Dia 1 – Brito Camacho funda o jornal A Lucta.
Dia 4 – Incidentes no Rossio quando republicanos esperam a chegada de Bernardino Machado.
Dia 6 – D. Carlos vaiado e Afonso Costa ovacionado no Campo Pequeno. Espectadores voltam as costas à família real.
Dia 7 – Jornal O Mundo é apreendido.
Dia 8 – D. Carlos conferencia com João Franco no Palácio das Necessidades.
Dia 13 – Duelo entre Ferreira Borges, de O Mundo, e Eduardo Schwalbach, do Notícias de Lisboa, por causa dos incidentes do dia 4.
Dia 15 – Rei não concede adiamento das Cortes a Hintze Ribeiro.
Dia 19 – Governo de João Franco, com progressistas. Conforme observa António Cabral, fazia 36 anos que o Marechal Saldanha pela última vez se revoltara…[1]
João Franco anuncia querer governar à inglesa, isto é, com energia, mas com equidade, dentro do espírito das leis, com mão suave e firme. Fala-se na concretização do programa de vida nova. Antes de formar governo, em conversa com José Luciano, diz: conto para governar com a minha honestidade, com a minha energia e com os meus amigos da Câmara, principalmente com a opinião pública (19 de maio de 1906)[2].
Governo conta com o apoio de Melo e Sousa, de Firmino João Lopes e especialmente do diplomata marquês de Soveral, então em Londres. João Franco terá o apoio de Fialho de Almeida, Ramalho Ortigão, Teixeira Lopes. Costa Goodolphim, Antero de Figueiredo, Eugénio de Castro, Henrique da Gama Barros, Gomes Teixeira, José Maria Rodrigues, Visconde de Castilho, António Viana, Tavares Proença. José Maria dos Santos e João de Mascarenhas Gaivão. Entre os jornalistas, Álavro Pinheiro Chagas e Aníbal Soares.
– Hintze Ribeiro, bastante doente, regressa ao Crédito Predial como vice-governador, tendo como governador José Luciano.
– O Novidades de 19 de maio fala na reacção da luva branca no Paço, insinuando que o governo de Hintze caíra devido à s pressões de Luís Soveral junto de D. Carlos.
Dia 25 – Começa uma campanha de imprensa contra Schroeter, considerado como cidadão austríaco No dia 25 de maio sai notícia sobre a matéria no jornal regenerador Novidades
Dia 20 – Eduardo Segurado novo governador civil de Lisboa e Teixeira de Vasconcelos para o Porto (20 de maio).
Dia 27 – Aumento dos vencimentos dos pequenos funcionários públicos
Dia 24 – Banquete de homenagem a Abel de Andrade no Palácio de Cristal, no Porto, em desafio a João Franco.
Dia 25 – O governo, pela voz de João Franco, anuncia o seu programa no Centro Melo e Sousa: tolerância e liberdade para o país compreender a monarquia.
Dia 27 – João Franco conferencia com Hintze (concede-lhe 40 dias de licença, para tratamento no estrangeiro).
Dia 28 – Conselho de Estado vota amnistia para os crimes de imprensa (publicada a lei no dia 30) e anuncia-se a nomeação de novos oito pares do reino (Gama Barros, Melo e Sousa, Luciano Monteiro, José Luís Ferreira Freire, Firmino João Lopes, José Lobo Amaral, visconde de Tinalhas e Teixeira de Vasconcelos).
Dia 29 – Reunião de republicanos sobre o caso Schroeter.
Dia 30 – Hintze parte para o estrangeiros, em convalescença, e deixa Pimentel Pinto a chefiar os regeneradores. Hintze regressará a 23 de julho.
Dia 31 – Rei D. Carlos começa a presidir aos Conselhos de Ministros
Junho
Dia 1
– Reabrem as Câmaras. Apresentação parlamentar do novo governo no dia 1 de junho.
– Manifestação de republicanos contra Schroeter. Discurso de Bernardino Machado e polícia não intervém. A manifestação entregou uma petição ao presidente da Câmara dos Pares, general Sebastião Teles.
Dia 4 – O governo apresenta-se na Câmara dos Pares. José Luciano promete apoio leal e Pimentel Pinto, oposição frontal.
Dia 5 – Conselho de Estado vota dissolução da Câmara dos Deputados.
Dia 6 – Jornal franquista Diário Ilustrado publica certidão de idade de Hintze Ribeiro, onde este é considerado cidadão brasileiro. Aliás, nas mesmas circunstâncias se encontra Bernardino Machado, também nascido no Brasil.
Dia 18 – João Franco manda abrir inquérito à direcção-geral da instrução pública. Inquire Abel de Andrade.
Julho
Dia 17
– João Franco no Porto
– D. Carlos visita Pedras Salgadas, Chaves e Vidago, na segunda metade de Julho.
Dia 29 – Discurso de João Franco no Centro José Novais: um partido, no significado honesto e verdadeiro da palavra, não existe no nosso país há muito tempo, pelo menos dentro das fronteiras da política monárquica (29 de julho).
Dia 30 – Decreto sobre a crise do Douro em 30 de julho. É definida territorialmente a zona demarcada.
Agosto
Dia 2 – Inaugurado o centro franquista Marques Leitão em Alcântara. João Franco é recebido com apupos de republicanos: os republicanos estão a pedir sabre policial. Presente o industrial Alfredo da Silva que é alvo de uma pedrada (2 de Agosto).
Dia 4 – Suspensa a cobrança do real de água na região do Douro
Dia 6 – Carta de D. Carlos a João Franco: Seja como for e suceda o que suceder, temos de caminhar para diante, ainda que a luta seja rude e áspera (e espero-o), porque aqui, mais do que nunca, parar é morrer, e eu não quero morrer assim … nem tu!
Dia 11 – João Franco inaugura cozinha económica na Rua de S. Bento
Dia 14 – Julgamento dos revoltosos do cruzador D. Carlos. Sentença extremamente rigorosa.
Dia 19 – Eleições. A 44ª eleição geral da monarquia constitucional, com vitória dos governamentais. Há quatro deputados republicanos eleitos por Lisboa, apesar da lista governamental os ter vencido por cerca de duas centenas d evotos.
Dia 20 – D. Carlos, em Mafra, escreve a João Franco sobre as eleições: fizeram-se com uma ordem e uma liberdade a que estamos desabituados, ordem e liberdade em que é absolutamente necessário não só entrar, como agora, mas prosseguir
Dia 23 – Rei parte em viagem oceânica.
Dia 25 – Abel de Andrade é exonerado de director geral da instrução pública, sendo substituído por Agostinho de Campos (25 de agosto)
Dia 26 – Duelo entre Barbosa Colen de Novidades e o franquista Pinheiro Chagas do Jornal da Noite.
Dia 28 – Começa o julgamento dos revoltosos do Vasco da Gama
Setembro
Dia 21 – Duelo entre Abel de Andrade e Aníbal Soares, jornalista franquista do Diário Ilustrado
Dia 29 – Abrem as Cortes. João Franco: vão idos os tempos dos jogos florais das questões políticas, dos obstruccionismos, de todas essas farragens velhas e antigas que durante muito tempo fizeram, desgraçadamente, a ilusão dos membros do parlamento português. Ataques de Afonso Costa e Alexandre Braga.
Outubro
Dia 14 – Funerais de Heliodoro Salgado
Dia 17 – D. Tomás de Vilhena na Câmara dos Deputados fala na união adúltera e híbrida da coligação liberal.
Dia 18 – António José de Almeida discursa na Câmara dos Deputados: se o sr. João Franco estende as mãos aos republicanos, ela fica-lhe no ar abandonada, porque nós não lha queremos
Dia 20 – Afonso Costa sobre João Franco, na Câmara dos Deputados: à frente do governo está um rábula
Dia 29 – Duelo entre José de Alpoim e o jornalista Gaspar de Abreu do jornal Correio da Noite
Novembro
Dia 4 – Vitória republicana nas eleições municipais do Porto.
Dia 6 – Discurso de Hintze Ribeiro na Câmara dos Deputados. Pergunta se a coligação de franquistas e de progressistas é de responsabilidade limitada ou de parceria
Dia 7 – Discurso de João Arroio no parlamento. Considera que João Franco está a fazer a revolução nos bancos do poder auxiliando poderosamente a onda revolucionária. Também critica directamente o Paço, por D. Carlos alojar Soveral e pelo teor das cartas do rei para Hintze Ribeiro.
Dia 8 – Assinado o contrato dos tabacos.
Dia 12 – Dantas Barcho na Câmara dos Pares critica obras realizadas à custa do Estado na Casa Real. No dia 16 o mesmo par do reino pede nota discriminada dos adiantamentos feitos à Casa Real.
Dia 20 – Questão dos adiantamentos no Parlamento em novembro de 1906. Na sessão de 20 de novembro de 1906, Afonso Costa disse: Por menos do que fez o Sr. D. Carlos. Rolou no cadafalso a cabeça de Luís XIV. Deputados republicanos suspensos durante um mês.
Dia 22 – Manifestação de apoio a Afonso Costa. 63 pessoas presas
Dia 28 – Comício republicano no Porto
Dia 29 – Protestos contra o governo da Associação dos Lojistas
Dezembro
Dia 2 – Comício republicano no Porto mobiliza cerca de 12 000 pessoas
Dia 8 – Comício republicano em Leiria
Dia 14 – Conselho de Estado sanciona adiamento das Cortes até ao final de 1906.
Dia 15 – Pimentel Pinto critica o facto de trinta militares da guarnição do Porto se terem inscrito num centro regenerador-liberal. No dia seguinte, João Arroi volta a criticar o fato
Dia 21 – Afonso Costa e Alexandre Braga regressam à Câmara dos Deputados. Há uma mensagem de apoio subscrita por cerca de quarenta e cinco mil pessoas.
Dia 23 – Banquete de homenagem aos deputados republicanos na rua da Junqueira em Lisboa.
Dia 29 – Regresso do rei a Lisboa, vindo de Vila Viçosa. Há uma manifestação de homenagem
Março
– Começa a greve académica de Coimbra.
Maio
Dia 2 – Governo entra em ditadura e saem ministros progressistas. Franco começa a governar à turca.
Junho
Dia 20 – Nova lei de imprensa.
Janeiro
Dia 28 – Denunciada conspiração promovida por republicanos e dissidentes progressistas.
Fevereiro
Dia 1 – Assassinato do rei.
Dia 4 – Governo da acalmação de Ferreira do Amaral.
Novembro
Dia 1 – Republicanos vencem as eleições municipais de Lisboa.
Dezembro
Dia 26 – Governo de Campos Henriques. O chefe dos regeneradores, Júlio de Vilhena, retira apoio a Ferreira do Amaral. Henriques consegue ser apoiado por parte dos regeneradores adversários de Vilhena e por José Luciano. Em oposição surge um Bloco de vilhenistas e de dissidentes progressistas.
Fevereiro
Dia 13 – Alfonso XII visita Vila Viçosa.
Março
Dia 10 – O regenerador vilhenista Caeiro da Matta ataca o ministro Espregueira na CD.
– Motim dos vinicultores do Douro.
Abril
Dia 11 – Governo de Sebastião Teles, apoiado por Veiga Beirão e pelos lucianistas, visando pôr ordem no exército.
Dia 23 – Terramoto em Benavente.
Dias 24 e 25 – Congresso do PRP em Setúbal, com ascensão dos carbonários à direção e apoio ao programa de derrube da monarquia pela via revolucionária.
Maio
Dia 14 – Governo de Wenceslau de Lima. Governo dominado por figuras não partidárias, com o apoio de Alpoim, Teixeira de Sousa e Pimentel Pinto. Oposição de Vilhena e José Luciano. Chamam a Wenceslau o valido e qualificam o gabinete como o governo da Politécnica do Porto.
Julho
– O republicano Consiglieri Pedroso vence as eleições na Sociedade de Geografia de Lisboa.
– Republicanos organizam comissão militar para o derrube da monarquia.
Agosto
Dia 2 – Grande manifestação republicana anticlerical em Lisboa.
Outubro
Dia 28 – Artur Montenegro substitui Francisco de Medeiros na pasta da justiça, depois do governo ter entrado em conflito com o bispo de Beja.
Novembro
Dia 29 – Republicanos vencem eleições paroquiais.
Dezembro
– Grande manifestação da Junta Liberal Republicana.
Dia 22 – Governo de Veiga Beirão.
Janeiro
Dia 2 de janeiro – Abertura das Cortes.
Fevereiro
Dia 14 de fevereiro – Decreto confirma a demissão dos irmãos Ançã.
Em fevereiro, surge a revista Alma Nacional de António José de Almeida.
Abril
Dia 22 de abril – Questão Hinton na CD. Afonso Costa lê cartas comprometedoras de pessoas ligadas ao paço.
Dias 29 e 30 de abril – Congresso do Partido Republicano no Porto.
Maio
Dia 1 de maio – Escândalo da Companhia do Crédito Predial. Desfalque numa empresa presidida por José Luciano. O franquista Melo e Sousa, então governador do Banco de Portugal decide, com rigor, não apoiar a companhia.
Dia 6 de maio – Morte de Eduardo VII. De 16 a 27 de maio, D. Manuel II ausente do país para participar nos funerais do monarca britânico.
Dia 14 de maio – D. Manuel II preside à sessão inaugural do Congresso Nacional, na Sociedade de Geografia de Lisboa. Organizado pela Liga Naval e tendo como objetivo o estudo dos problemas nacionais fora da ação mesquinha da política. Segundo o então presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa, Consiglieri Pedroso, em Portugal não havia apenas interesses políticos, mas sim, ao lado destes, outros que igualmente deviam ser atendidos.
Junho
Governo convida Léon Poinsard a fazer um estudo sobre Portugal.
Dia 14 de junho – Maçonaria organiza uma comissão de resistência para colaborar com a Carbonária. Fazem parte da comissão José de Castro, Miguel Bombarda, Machado Santos e Francisco Grandela, bem como dois representantes do diretório do PRP, António José de Almeida e Cândido dos Reis.
Dia 27 de junho – Dissolução das Cortes. No Conselho de Estado, votaram contra a dissolução Júlio de Vilhena, Veiga Beirão e José Novais. Foram de parecer favorável Pimentel Pinto, António de Azevedo, Melo e Sousa e Wenceslau de Lima. Os regeneradores afetos a Teixeira de Sousa tinham 30 deputados e os dissidentes progressistas, apoiantes do novo governo, apenas oito deputados, num total de 155 membros.
Julho
Dia 9 de julho – Portaria governamental censura a supressão da folha franciscana Voz de Santo António que fora ordenada por Roma.
Dia 22 de julho – José Relvas, Magalhães Lima e Alves da Veiga são enviados pelo partido republicano para contactos diplomáticos em Paris e Londres.
Em julho, deu-se a solene instalação das oposições monárquicas.
Agosto
Dia 7 de agosto – Grande comício republicano em Lisboa.
Dia 19 de agosto – Governo, dizendo temer movimento revolucionário das oposições monárquicas, põe as tropas de prevenção.
Dia 28 de agosto – Eleições.
Ordenado inquérito à residência dos jesuítas no Quelhas
Setembro
Dia 3 de setembro – Morte de Consiglieri Pedroso.
Dia 17 de setembro – Amnistia para os crimes de liberdade de imprensa.
Dia 23 de setembro – Abre o parlamento. Logo no dia seguinte as cortes são adiadas.
Dia 27 de setembro – Comemorações do centenário da batalha do Buçaco.
Dia 29 de setembro – Greves de corticeiros, tanoeiros e garrafeiros.
Outubro
Dia 1 de outubro – Visita Lisboa o presidente do Brasil, Hermes da Fonseca.
Dia 3 de outubro – Assassinado Miguel Bombarda, cerca das 11 horas. O ato foi executado por um antigo doente, oficial do Exército. Mal a notícia circulou, manifestações espontâneas; Portaria governamental manda encerrar a residência dos jesuítas do Quelhas. Correio da Manhã acusa o rei de entrar num caminho abertamente revolucionário.
Dia 5 de outubro – Proclamação da República em Lisboa (quarta-feira). Eusébio Leão assume as funções de governador civil da capital; Constituído o governo provisório. Dominava a aliança entre Afonso Costa, Bernardino Machado e os jovens turcos, contando, nos primeiros tempos com a colaboração de António José de Almeida. Basílio Teles recusou tomar posse (nomeado para as finanças, exigia também acumular a pasta do interior…).
Tensões com o directório do partido – O governo provisório era obrigado a reunir semanalmente com o diretório e a junta consultiva do partido republicano, a efetiva trindade governativa da república.
O grupo de Machado Santos – Machado Santos assume-se na oposição desde a primeira hora, exigindo o saneamento de altos funcionários das repartições, mas o governo apenas demitiu ou aposentou cerca de meia centena deles. É apoiado pelos oficiais da marinha que participaram no 5 de outubro, como Ladislau Parreira, nomeado comandante do quartel de marinheiros de Alcântara, José Carlos da Maia, Sousa Dias, João Stockler, Mendes Cabeçadas e Tito de Morais. Assumiam-se como os verdadeiros revolucionários.
Os republicanos do Porto – Surge um conflito entre os provisórios e o grupo dos republicanos históricos do Porto, ligados ao 31 de janeiro de 1891 que exigiam a imediata eleição de uma assembleia constituinte, afrontando especialmente Afonso Costa.
Dia 6 de outubro – Proclamada a República no Porto. Paulo Falcão assume as funções de governador civil.
Dia 7 de outubro – Liberdade para os presos pertencentes a associações secretas.
Dia 8 de outubro – Nova designação dos ministérios – A designação de ministérios do interior, das finanças e do fomento foi oficializada.
Expulsão das ordens religiosas – Reposta em vigor a legislação pombalista de 3 de setembro de 1759 e de 28 de agosto de 1767 sobre a expulsão dos jesuítas e a legislação de 28 de maio de 1834 que extinguia as casas religiosas e todas as ordens regulares.
Se este último não expulsava as ordens religiosas femininas, o novo decreto abrange-as quando torna nulo o decreto de 18 de abril de 1901. O diploma de 8 de outubro foi mantido pelo nº 12 do artigo 3º da Constituição de 1911.
Dia 10 de outubro – Bernardino Machado é investido e proclamado no cargo de presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa; Assaltados os jornais O Liberal e Portugal.
Dia 12 de outubro – Guarda Municipal passa a designar-se Guarda Republicana; José Relvas assume a pasta das finanças. Início das hostilidades do grupo dominante dos provisórios, liderado por Afonso Costa e Bernardino Machado, com os membros do diretório, como Relvas, Inocêncio Camacho, Eusébio Leão e José Barbosa, e o grupo de A Luta, com Brito Camacho, João Duarte de Meneses e Tomé de Barros Queirós.
Dia 13 de outubro – Prisão e assassínio de padres – Já estão presos 128 padres em Caxias, visitados pessoalmente por Afonso Costa. Nesse período são assassinados os padres lazaristas Bernardino Barros Gomes, irmão do antigo ministro da monarquia, e o francês Alberto Fragues, na residência de Arroios.
Dia 14 de outubro – É restabelecido o código administrativo de Rodrigues Sampaio de 1878.
Campanha de Camacho contra os adesivos – Em A Luta, Brito Camacho diz que a República não pode ser a monarquia com outro nome, numa campanha contra os chamados adesivos, onde se incluíam os antigos apoiantes de Teixeira de Sousa e de José Maria de Alpoim, que apareciam ligados a Afonso Costa. Continua uma série de artigos neste tom, especialmente em 20, 22, 23 e 25 de outubro. No dia 23 chega a perguntar se não é necessária outra revolução. Defende que se deve manter intacto o diretório do partido republicano, para garantir o regime. Contrariava deste modo as posições de O Mundo, defensor da realização do congresso do partido, com renovação do diretório.
Grupo do jornal A República Portuguesa – Surge o jornal diário A República Portuguesa defende a ditadura revolucionária, criticando os provisórios e os adesivos. Reúne antigos grevistas de 1907, como Manuel Bravo, Tomás da Fonseca, Santiago Prezado, Alfredo Pimenta, Luís da Câmara Reis, Francisco Pulido Valente, Alberto Xavier e Lopes de Oliveira.
Dia 16 de outubro – Funerais de Cândido dos Reis e Miguel Bombarda.
Dia 17 de outubro – Polícia Civil de Lisboa, criada e por decreto de 28 de agosto de 1893 passa a designar-se Polícia Cívica.
Incidentes na Universidade de Coimbra – Vaiados lentes monárquicos em Coimbra. Segue-se a destruição da sala dos Capelos, sendo baleados os retratos dos dois últimos reis. Dão-se vivas à universidade livre contra a universidade fradesca.
Circulação fiduciária – Decreto de 17 de outubro (José Relvas) mantém o limite de 72 000 contos de réis para a circulação fiduciária de notas representativas de moeda de ouro. Era o limite constante da lei de 30 de junho de 1898.
Nomeada comissão para reorganização do exército presidida por José Estevão de Morais Sarmento.
Grupo afonsista acusado de ligação aos monárquicos – O jornal O País fala em Afonso Costa e Bernardino Machado como os amigos de Teixeira de Sousa e de José Alpoim.
Dia 18 de outubro – Abolição dos títulos nobiliárquicos; Proibido o juramento religioso nos atos civis, para satisfazer o sentimento liberal e as aspirações dos sentimentos republicanos da nação portuguesa; Extinção formal do Conselho de Estado e da Câmara dos Pares.
Dia 19 de outubro – Manuel de Arriaga nomeado reitor da Universidade de Coimbra. No ato de posse, o discurso utiliza ideologismos positivistas.
Dia 21 de outubro – Suspensão do bispo de Beja, D. Sebastião Leite de Vasconcelos. Havia fugido para Espanha, porque ameaçado de morte. Será destituído em 18 de abril de 1911.
Dia 22 de outubro – Suprimido o ensino da doutrina cristã nas escolas primárias, substituindo-a pela educação cívica, mas enquanto não forem aprovados novos livros segundo o espírito democrático da República será feita por preleções do professor que se deverá inspirar sempre nos sentimentos da Pátria, amor ao lar, do trabalho e da liberdade; Brasil reconhece o novo regime. Ministro Costa Mota entrega credenciais em 15 de novembro.
Dia 23 de outubro – Argentina reconhece o novo regime; Abolido o foro académicos e o uso de capa e batina tornou-se facultativo; Suprimida a Faculdade de Teologia.
Dia 24 de outubro – Carta pastoral do episcopado redigida pelo arcebispo de Évora, D. Augusto Eduardo Nunes; Prisão de Homem Christo.
Dia 26 de outubro – Acabam os dias santificados que passam a ser considerados dias de trabalho, à exceção do domingo; Jornal O Mundo elogia Alpoim pelos serviços prestados à revolução em 28 de janeiro de 1908.
Dia 27 de outubro – Camacho contra os adesivos – Brito Camacho em A Luta considera que os monárquicos se preparam para pintar de vermelho os seus caciques; Os jornalistas franquistas Álvaro Pinheiro Chagas, Aníbal Soares e Joaquim Leitão começam a publicar o Correio da Manhã. Queriam assumir-se como os representantes das classes conservadoras.
Dia 29 de outubro – Nicarágua reconhece o novo regime; Publicada nova lei de imprensa. Deixa de punir os ataques à religião.
Dia 30 de outubro – Prisão de João Franco em Sintra.
Salazar matricula-se na faculdade de direito de Coimbra (fins de outubro).
Dia 31 de outubro – Uruguai reconhece o novo regime; Aprovada a redação definitiva da lei do divórcio. Por decreto de 31 de outubro, proteção dos filhos ilegítimos; Magalhães Lima, grão mestre da maçonaria, regressa a Lisboa, vindo de Paris, sendo aclamada por cerca de 100 000 pessoas.
Novembro
Dia 2 de novembro – Estados Unidos da América e China declaram a manutenção das relações regulares.
Dia 3 de novembro – Lei do divórcio.
Dia 9 de novembro – Reino Unido, França, Espanha e Itália declaram a manutenção de relações regulares com Lisboa.
Dia 10 de novembro – Reconhecimento internacional – Chega a Lisboa o embaixador britânico. Manifestação de regozijo de cerca de 200 000 pessoas.
Dia 11 de novembro – Perseguição aos jesuítas – Afonso Costa propõe em conselho de ministros que se divulguem os nomes e as notas biográficas dos 375 jesuítas que viviam em Portugal.
Dia 12 de novembro – Lei do inquilinato; Surge o jornal diário O Intransigente de Machado Santos, dito diário republicano radical. Começou por proclamar-se órgão dos verdadeiros carbonários. Combatia os provisórios e os adesivos. Tem a colaboração de Basílio Teles, Sampaio Bruno e António Claro, autores de alguns dos editoriais que, depois, Machado Santos assinava. Segundo Cunha Leal, Machado Santos tinha a República metida no corpo e na alma, mas foi centro de episódicas concentrações de individualidades.
Dia 14 de novembro – Extinta a 11ª cadeira da Faculdade de Direito, a de direito eclesiástico, surgindo nesse lugar a de sociologia criminal e direito penal.
Dia 16 de novembro – Ensino primário particular – Decreto permite o ensino primário particular por professores que tenham o segundo grau da instrução primária com boa classificação em escolas a cargo de instituições republicanas; Comício no Rossio contra as greves. Tinha havido greve dos eléctricos de Lisboa. Protestos e manifestações de 4 000 sapateiros e padeiros, obrigando o governo a recorrer à Manutenção Militar, para abastecer a cidade de pão. Greve nos caminhos de ferro da Póvoa, no Porto.
Dia 17 de novembro – Basta de greves! – França Borges escreve um artigo no Mundo, dizendo basta de greves. Tinha havido 21 em outubro e 8 em novembro. O jornal monárquico Correio da Manhã dizia em 8 de dezembro que a República vai principiando por onde a monarquia acabou.
Dia 23 de novembro – Manifestação contra os provisórios – Manifestação de apoio ao diretório em Lisboa, no Largo de S. Carlos. Discursos de Eusébio Leão e Malva do Vale. Aparecem Machado Santos, Ladislau Parreira, Vasconcelos e Sá, Sousa Dias e Tito de Morais. Críticas aos provisórios; A Luta propõe um banquete de republicanos históricos, respondendo a um convite de O Mundo para uma merenda em 28 de janeiro, reunindo republicanos e dissidentes progressistas.
Dia 25 de novembro – Greve dos caminhos de ferro do Estado, linhas do Minho e Douro.
Dia 27 de novembro – Manifestação de caixeiros de Lisboa frente ao ministério do interior, protestando contra o horário de trabalho.
Dia 28 de novembro – As forças armadas são proibidas de participar em solenidades e cerimónias religiosas, a não ser para manter a ordem, depois de requisitadas por autoridades civis.
Reunião dos bispos portugueses em S. Vicente de Fora. Redigida pastoral criticando a política religiosa do governo.
Dezembro
Dia 6 de dezembro – Greve e lock out. O decereto-burla. – Regulamento da greve e do lock out, da autoria de Brito Camacho: garantido aos operários, bem como aos patrões o direito de se coligarem para cessação simultânea do trabalho. O diploma foi inspirado na legislação espanhola e os sindicalistas logo lhe chamam o decreto burla. Não tarda que o ministro em causa tente assumir-se como o conciliador dos conflitos sociais, recebendo inúmeras comissões de trabalhadores e deslocando-se ao terreno, para tentar impedir as greves.
Dia 12 de dezembro – Instituídos o Instituto Superior de Agronomia, na Tapada da Ajuda, e a Escola Superior de Medicina Veterinária.
Dia 21 de dezembro – Conflito entre o governo e o poder judicial – Os quatro juízes que despronunciaram João Franco e Malheiro Reimão são transferidos para Luanda e Goa. Invocaram formalmente a Carta Constitucional.
Dia 25 de dezembro – Leis da Família.
Dia 29 de dezembro – Lei de Defesa da República em 29 de dezembro. Manda julgar por um júri os delitos políticos contra o novo regime.
Dia 31 de dezembro – Decreto sobre as associações religiosas. Os respetivos membros não podem exercer o ensino nem usar em público hábitos talares, sob pena de prisão por toda a pessoa do povo.
Começa a depuração política do Exército. Correia Barreto é auxiliado pelos Jovens Turcos. Mas, de 13 de outubro de 1910 a 31 de dezembro de 1911, apenas são demitidos 30 oficiais, enquanto 6 desertam. Grande parte dos restantes decidem inscrever-se nas folhas de adesão à República.
