1800 – 1851 | 1852 – 1910 | 1911 – 1926 | 1927 – 1973 | 1974 – 1999
Dia 2 de janeiro – Sampaio Bruno começa a publicar no Porto o jornal Diário da Tarde.
Dia 6 de janeiro – António José de Almeida apresenta no conselho de ministros, projeto sobre o horário de trabalho, que não é aprovado. Ameaça demitir-se. Multiplicam-se as greves e surgem conflitos violentos entre sindicalistas e republicanos. Greve dos ferroviários do Sul e Sueste, pelas 8 horas de trabalho, com o governo a mandar ocupar militarmente a estação do Rossio.
Dia 8 de janeiro – Jornais monárquicos assaltados. Saqueados jornais monárquicos Correio da Manhã, Diário Ilustrado e O Liberal. Fica imune O Dia, afecto a José Maria de Alpoim. Greves rurais. Tumultos de trabalhadores rurais em Campo Maior, Crato, Elvas e Arronches.
Dia 10 de janeiro – Publicado o decreto sobre o descanso semanal obrigatório ao domingo. Será substituído por decereto publicado em 9 de março que atribui o poder de regulamentar a matéria à s câmaras municipais. Regulamento de Lisboa sai logo a 10 de março. Tarda a aparecer regulamentação no resto do país.
Dia 11 de janeiro – Caixeiros, greves e António José de Almeida. Manifestação dos caixeiros no Terreiro do Paço diante do gabinete de Teófilo Braga. Caixeiros tinham assembleia geral do Ateneu, estando em greve. Esteve presente Machado Santos e chegou António José de Almeida. Anuncia que se iria demitir, dando a entender oposição de Costa e Camacho. Caixeiros vão ao Terreiro do Paço dando vivas a Almeida. Teófilo responde aos manifestantes, anunciando a permanência de Almeida no governo, em face da atitude do povo.
Dia 13 de janeiro – Greve da companhia de gás. Governo manda ocupar militarmente as instalações.
Dia 15 de janeiro – Começa a publicar-se o jornal República. Voluntários contra as greves. Parada na Rotunda dos batalhões de voluntários da república, organizados pelo jovens turcos, contra as greves. Descem para o Terreiro do Paço, na presença do próprio ministro da guerra.
Dia 17 de janeiro – Brito Camacho considera que o povo despertara, com as manifestações contra as greves, e que assim os grevistas prestaram um serviço à República.
Dia 21 de janeiro – Suprime o culto religioso na capela da Universidade de Coimbra, atendendo a que as ciências entraram definitivamente no período da sua emancipação de todos os elementos estranhos à razão, e atendendo também a que estão destinadas a imperar pelo poder incruento e irredutível da verdade demonstrada, a qual acabará com as dissidências das escolas dogmáticas que têm até hoje dividido os indivíduos e os povos.
Dia 1 de fevereiro – Assalto à sede do CADC. Ataques às sedes de movimentos católicos. CADC interrompe a respectiva actividade. A sede do centro, na Rua dos Coutinhos, em Coimbra, será assaltada no dia 1 de fevereiro.
Dia 13 de fevereiro – Decreto sobre o crédito agrícola de Brito Camacho (aprovado em 13 de fevereiro e publicado em 1 de março). Na respetiva propaganda colaborará D. Luís de Castro, antigo ministro da monarquia.
Dia 15 de fevereiro – Revogados os artigos do código penal de 1886 que estabeleciam crimes contra a religião. oão Chagas demite-se da junta consultiva do partido republicano, considerando que esta e o diretório deixaram de ter qualquer influência no governo provisório. O que aconteceu com a elevação a ministros de José Relvas (12 de outubro) e Brito Camacho (22 de novembro). O governo provisório transformava-se numa espécie de primeiro parlamento da República. Criada uma comissão para a reforma ortográfica, com Adolfo Coelho, Carolina Michaelis, Cândido de Figueiredo e Leite de Vasconcelos.
Dia 16 de fevereiro – Morte de Fialho de Almeida.
Dia 18 de fevereiro – Decreto sobre o registo civil obrigatório.
Dia 22 de fevereiro – Divulgação da Pastoral do episcopado. No dia 22, pastoral colectiva dos bispos, nascida da reunião de S. Vicente de Fora de novembro, é mandada ler nas missas do domingo, dia 26, sem prévia autorização do governo, onde se fala dafeição não só acatólica, mas anticatólica das reformas republicanas. Da autoria do arcebispo de Évora e datada de 24 de dezembro de 1910, mas apenas tornada pública então. Fala na existência de cinco milhões de católicos, partindo da declaração nos boletins de recenseamento, onde apenas cinquenta mil pessoas se declararam não católicas.
Dia 28 de fevereiro – Obrigam-se os serviços dependentes do ministério da justiça, nomeadamente o notariado, bem como os tribunais, a deixarem de usar a referência de formulário à era, desaparecendo o tradicional no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Destruído o jornal católico de Viseu. Suspenso O Povo de Aveirode Homem Christo que é preso e conduzido a Lisboa. Sampaio Bruno, depois de receber ameaças, suspende a publicação do Diário da Tarde no Porto. Declara-se, então, completa e absolutamente enojado da política portuguesa e retira-se. Contra ele, protestam carbonários. É defendido por Machado Santos e José Relvas. Paulo Falcão manda comparecer Bruno numa esquadra de polícia, no dia 17 de janeiro, acusando-o de alarmar o espírito público por ter escrito que a cidade se achava numa situação intolerável. Bruno parte para o exílio de Paris.
Dia 3 de março – Reação enérgica de Afonso Costa contra a pastoral dos bispos tornada pública em 22 de fevereiro. Manda telegrama a todos os bispos onde declara negar o beneplácito à pastoral Bispos impõem silêncio ao respetivo clero à exceção de D. António Barroso no Porto, dizendo que o beneplácito diz apenas respeito à publicação de documentos da Santa Sé.
Dia 6 de março – D. António Barroso, no dia 6, é intimado a comparecer em Lisboa no dia seguinte.
Dia 7 de março – Bispo do Porto é chamado a Lisboa, sendo apupado na Rua do Ouro. Nesse dia são interrogados no Porto 30 sacerdotes. É afastado da dioceses por decisão do Conselho de Ministros e desterrado em Cernache do Bonjardim, em 8 de março. Mandara distribuir na diocese a pastoral coletiva dos bispos criticando a política do governo.
Dia 13 de março – Greve em Setúbal. Forte repressão policial de greve ocorrida em Setúbal. Mortos dois trabalhadores pela GNR. Como vai assinalar o periódico anarquista Terra Livre, uma semana depois, o 13 de Março é pois uma data que marca o divórcio da República com o proletariado.
Dia 14 de março – Decreto eleitoral. Para desespero dos monárquicos adesivos, nomeadamente dos dissidentes progressistas, não se mantem a lei eleitoral de 1884, como esperavam. Pelo contrário, a nova lei mantém o estilo proteccionista do poder governamental introduzido pela ignóbil porcaria de 1901. Nos círculos onde não aparecessem oposições não haveria acto eleitoral. Depois de vários protestos, entre os quais, o de Machado Santos, o governo determina que o ato eleitoral se realize em Lisboa. Afonso Costa submete-se a provas de concurso para professor da Escola Politécnica de Lisboa (de 14 de março a 6 de abril), sendo internamente substituído no ministério da justiça por Bernardino Machado.
Dia 15 de março – Carta de Pio X aos bispos portugueses, congratulando-se com a pastoral coletiva. Ambiente de conspiração. Conspira-se no Porto. Fala-se numa intervenção espanhola. Querem fazer uma barcelonada.Fervem os boatos. Guerra Junqueiro diz, sobre o provisórios: esta gente tem a habilidade de pôr toda a burguesia contra nós… à República falta idealismo e grandeza. Sobre a intervenção espanhola, Junqueiro observa que a Espanha não digere Portugal vivo; a Espanha só pode digerir o cadáver de Portugal.
Dia 17 de março – Proibição de cerimónias religiosas fora dos recintos dos templos sem autorização especial.
Dia 20 de março – Decretada uma greve geral.
Dia 22 de março – Criação das universidades do Porto e de Lisboa.
Dia 26 de março – Afonso Costa e a eliminação do catolicismo. Afonso Costa numa reunião da maçonaria, dizendo que o Estado é maior do que a Igreja e que esta contabilizou como católicos as crianças que nem falavam, os idiotas, os presos da Penitenciária, os doidos de Rilhafoles, os vadios, quantos por falta de domicílio, de posição ou de consciência não tinham tido intervenção no detalhe dos boletins. Afonso Costa, numa reunião do Grémio Lusitano, terá declarado, sobre o projeto de lei da separação, que está admiravelmente preparado o povo para receber essa lei; e a ação da medida será tão salutar que em duas gerações Portugal terá eliminado completamente o catolicismo, que foi a maior causa da desgraçada situação em que caiu … Saiba ao menos morrer quem viver não soube. Tal discurso foi anunciado pelo jornal O Dia.
Dia 29 de março – Reforma da instrução primária. Criadas as escolas normais primárias. Determina-se, contudo, que será proibido o exercício do magistério primário particular aos cidadãos que ensinarem doutrinas contrárias à s leis do Estado, à liberdade dos cidadãos e à moral social. Carta dos bispos a Afonso Costa protestando e exprimindo mágoa pelos acontecimentos recentes.
Dia 1 de abril – Bernardino tenta desculpar Costa. Em 1 de abril, Bernardino Machado diz que Costa falou como simples particular e não como ministro. Costa, em conferência de 11 de abril tenta acalmar a primeira impressão deixada.
Dia 2 de abril – Banco de Portugal. Inocêncio Camacho Rodrigues, secretário-geral do ministério das finanças e irmão de Brito Camacho, é nomeado governador do Banco de Portugal em 2 de abril de 1911. Manter-se-á em tal posto até 30 de junho de 1936, apesar do escândalo Alves dos Reis em que foi ludibriado.
Dia 11 de abril – Conselho Superior da Administração Financeira do Estado. Decreto de 11 de abril cria o Conselho Superior da Administração Financeira do Estado. Transformado em Conselho Superior de Finanças em 8 de maio de 1919.
Dia 18 de abril – Ensino do direito. Criada uma comissão para a reorganização do ensino do direito, composta por Álvaro Vilela, Marnoco e Sousa e José Alberto dos Reis. Dela surgirá o regulamento de 21 de agosto de 1911. Destituição do Bispo de Beja.
Dia 19 de abril -Decretada a Constituição Universitária. Atribuída à Universidade de Lisboa uma Faculdade de Ciências Económicas e Políticas, depois dita Faculdade de Estudos Sociais e Direito (1913) e Faculdade de Direito (1917).
Dia 20 de abril – Lei da Separação do Estado das Igrejas. Os respetivos defensores chamar-lhe-ão lei intangível, os adversários, lei celerada. Magalhães Lima chama-lhe lei basilar da República. O decreto foi inspirado pela legislação republicana francesa (1905) e brasileira. Mais moderada que a lei mexicana. Abrange pela primeira vez o clero secular, ao contrário da legislação anticlerical da monarquia liberal. O Estado deixa de subsidiar o culto católico. São extintas as côngruas. Criadas associações cultuais, de que os párocos são excluídos. Nacionalizadas as propriedades eclesiásticas. Atribuídas as clérigos pensões vitalícias anuais. Proibição do uso público de vestuário eclesiástico aos padres portugueses (os inglesinhos continuaram a usar as respetivas vestes). Estabelecido o beneplácito para os documentos emitidos por Roma e pelos bispos. A maioria dos padres mantém-se fiel à hierarquia episcopal. Em 7 de agosto, só 217 deles tinha aceite pensões do Estado (cerca de 20%). Este diploma vai levar ao rompimento das relações com a Santa Sé.
Dia 20 de abril – Diploma eleitoral. Divisão dos círculos eleitorais.
Dia 25 de abril – Protestos contra a Lei da Separação. Reunião dos párocos de Lisboa contra a Lei da Separação. Reunião dos padres de Évora em 28 de abril. Protesto coletivo dos bispos em 22 de maio, considerando que a mesma reflete injustiça, opressão, expoliação, ludíbrio. Discurso de Afonso Costa sobre a religião. Polémico discurso pronunciado por Afonso Costa no Porto. Segundo os respetivos adversários, o ministro da justiça terá considerado que as religiões estão condenadas ao desaparecimento. Regressa a Lisboa no dia seguinte e é alvo de manifestações de hostilidade. Segundo os mesmos opositores, Afonso Costa, já em 24 de abril, em Braga, fizera discurso confirmando o de 26 de março, declarando que o catolicismo acabaria em duas ou três gerações. Oliveira Marques considera que se trata de atoarda que o próprio Afonso Costa desmentiu num discurso pronunciado no parlamento em 10 de março de 1914.
Dia 27 de abril – Reorganizado o Conselho Superior de Instrução Pública.
Dia 28 de abril – Marcadas as eleições para o dia 28 de maio. Em abril, tumultos em Carrazeda contra o registo civil e entre os estudantes no Porto. Manifestações em Lisboa de operários sem trabalho.. Populares da Freixianda apredejam propagandistas eleitorais.
Maio – Magalhães Lima proclama em princípios de maio que dentro de alguns anos não haverá quem queira ser padre em Portugal: os seminários ficarão desertos. Diplomas sobre a reforma do ministério das finanças e o aumento dos vencimentos dos funcionários públicos em maio.
Dia 3 de maio – Criada a Guarda Nacional Republicana, alargada a todo o país, com cerca de cinco mil efetivos. Em 1919 o quadro é alargado para 19 000 homens.
Dia 5 de maio – Protesto coletivo do episcopado. Protesto coletivo do episcopado português contra a Lei da Separação.Dia 9 de maio – Criação de Faculdades de Letras. Criadas as Faculdades de Letras de Coimbra (sucede à Faculdade de Teologia) e de Lisboa (sucede ao Curso Superior de Letras) em 9 de maio.
Dia 9 de maio – Criadas as Faculdades de Letras de Coimbra (sucede à Faculdade de Teologia) e de Lisboa (sucede ao Curso Superior de Letras) em 9 de maio.
Dia 10 de maio – Diretório afasta a candidatura de adesivos. Diretório do partido republicano, em 10 de maio, anuncia que só patrocina candidaturas históricas, negando a entrada a adesivos.
Dia 12 de maio – Criadas as Faculdades de Ciências em 12 de maio.
Dia 16 de maio – Criada uma repartição de Turismo no ministério do fomento (16 de maio).
Dia 18 de maio – Nomeada a Comissão Central de Execução da Lei da Separação. Regulamentada em 22 de agosto de 1911.
Dia 21 de maio – Escolas Normais Superiores. Em 21 de maio, junto das Faculdades de Letras, são criadas Escolas Normais Superiores. Contra o jacobinismo postiço Machado Santos em O Intransigente de 21 de maio considera que o jacobinismo que existe é todo postiço e em sujeitos de colarinhos engomados e gravatas de luxo.
Dia 22 de maio – Criação do escudo. Reforma da moeda. Escudo equivalente a 1 000 réis. Reforma tarda em aplicar-se. Só por lei de 21 de junho de 1913 se torna obrigatória a indicação dos escudos na contabilidade pública e nas relações entre particulares e o Estado.
Dia 23 de maio – Doença de Afonso Costa. Afonso Costa acometido de doença grave. Carbonários armados velam à s esquinas das ruas. Só reassume as funções de ministro em 26 de julho seguinte. É substituído interinamente por Bernardino Machado que corrige alguns aspetos da aplicação da Lei da Separação, nomeadamente quando permite aos párocos voto consultivo na administração da paróquia e permite as romarias do Norte. Em 25 de julho chega mesmo a convidar o clero a pronunciar-se sobre a Lei da Separação. Anula também a decisão de transferência para Goa e Luanda dos juízes que despronunciaram João Franco.
Dia 24 de maio – Carta de Pio X. Encíclica de Pio X de 24 de maio Jandudum in Lusitania fala em ódio à Igreja em Portugal e em famílias acossadas.
Dia 23 de maio – Instituto Superior Técnico e Instituto Superior do Comércio. Criados, a partir do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa, o Instituto Superior Técnico e o Instituto Superior de Comércio.
Dia 25 de maio – Decreto sobre a assistência pública. Criado um fundo para apoio a indigentes e evitar a mendicidade. Decreto sobre a reorganização do exército. Terá sido inspirado por Pereira Bastos. Quer identificar o exército com a nação armada de maneira a que deixe de ser uma casta à parte. Contra os chamados exércitos permanentes. Tenta-se o modelo suíço, com serviço universal e obrigatório de 15 a 30 semanas e treinos anuais de duas semanas durante dez anos. Visa-se que este seja uma continuação da instrução primária. Criação de oficiais milicianos. O diploma não se aplica.
Dia 26 de maio – Reforma do ministério dos negócios estrangeiros. Os chefes de missão, também ditos enviados extraordinários e ministros plenipotenciários, são equiparados a diretores-gerais.
Dia 27 de maio – Padarias, liberdade de comércio. Decreto sobre a liberdade de venda e fabrico de pão em 27 de maio. Segundo a lei de 1893 existia em Lisboa um limite máximo de 250 padarias que viviam em regime de monopólio de facto, pela Companhia de Panificação. Estabelecidos três tipos de pão. Anunciando-se uma incursão monárquica, são criados os voluntários da República, enquadrados pela Maçonaria e pela Carbonária. Surgem batalhãoes em Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Chaves, Mirandela e Santarém. Cada batalhão é comandado por um oficial do exército, sendo-lhes distribuídas armas. Serão a base da chamada formiga branca, dos defensores da República e do grupo dos treze, milícias afetas ao partido democrático. Neste ambiente, o chefe carbonário Luz de Almeida leva 5 000 homens para catequitização do Norte. Sampaio Bruno, Basílio Teles e Machado Santos tentam criar uma Aliança Nacional para eleger homens honrados capazes de pôr fim ao domínio dos provisórios, defendendo uma república ampla e aberta a todos os portugueses com cérebro e coração de portugueses, mas não aos serventuários impudentes da Monarquia. Espancamento de Basílio Teles no Porto. Basílio Teles é espancado e apedrejado nas ruas do Porto por ter criticado a obra do governo provisório. É então adepto do modelo de ditadura revolucionária, defendendo a restauração da pena de morte, a suspensão das garantias por tempo indeterminado e o encerramento dos estabelecimentos de ensino até à sua restruturação republicana.
Dia 28 de maio – Eleições para a Constituinte. Eleições em 28 de maio para as cortes ordinárias e constituintes.
Dia 30 de maio – Abaixo a ditadura dos provisórios! Machado Santos pede o fim da ditadura dos provisórios e a demissão do diretório, em 30 de maio.
Prisões políticas: 106 prisões políticas durante o mês de maio. 37 padres presos pelos carbonários.
Junho – Associação de trabalhadores rurais. Esboça-se a constituição em Évora de uma Associação de Classe dos Trabalhadores Rurais durante o mês de junho.
Dia 6 de junho – Contra a existência de um Presidente e de um Senado. Machado Santos, na Sociedade de Educação Popular de Alcântara, com apoio da assembleia, insurge-se contra a existência de um Presidente da República e de um Senado, considerando que a presidência era uma ideia dos adesivos.
Dia 11 de junho – António José de Almeida promove festa a Manuel de Arriaga no Coliseu.
Dia 14 de junho – Silva assume o controlo dos correios e telégrafos. António Maria da Silva é nomeado administrador geral dos correios e telégrafos.
Dia 15 de junho – Reúne a Junta Preparatória da Assembleia Nacional Constituinte.
Dia 19 de junho – Primeira reunião da Assembleia Nacional Constituinte. Confirma as funções do governo provisório. Decretada a abolição da monarquia. Banimento dos Braganças. Nova bandeira e novo hino.
Dia 20 de junho – Anselmo Braamcamp Freire eleito presidente da Constituinte.
Dia 21 de junho – Relatório do governo provisório.
Dia 23 de junho – Eleita comissão para apresentar projeto de Constituição, formada por João Duarte de Meneses, José Barbosa, José de Castro, Francisco Correia de Lemos e Magalhães Lima, o relator. Esta comissão apresenta projeto presidencialista que é rejeitado (3 de julho). A discussão começa a 6 de julho. Defesa de tribunal especial. Álvaro de Castro propõe a constituição de um tribunal especial para julgar os conspiradores e outros delinquentes políticos.
Dia 26 de junho – Viva o azul e branco e abaixo a Lei da Separação. O deputado Eduardo de Abreu defende a bandeira azul e branca e a revisão da Lei da Separação.
Dia 28 de junho – Almeida acusado de falta de zelo republicano. O deputado Alfredo Magalhães denuncia o avolumar da conspiração monárquica na Galiza, culpando a política de atração de António José de Almeida que, então, considera os exilados em causa como um bando de farsantes sem vergonha. Os jovens turcos também se insurgem contra a falta de zelo republicano do ministro do interior. Mobilização dos reservistas. Ministério da guerra mobiliza 10 000 reservistas e incentiva carbonários a formarem batalhões civis de apoio à s tropas destacadas na província.
Prisões políticas: 120 prisões políticas durante o mês de junho. 32 padres são presos pelos carbonários.
Cerco ao bispo da Guarda: Paço episcopal da Guarda é cercado pela polícia e pela carbonária durante 13 dias, sequestrando-se D. Manuel Vieira Matos.
Julho – Falange Demagógica assalta a Sala dos Capelos em Coimbra. Ramalho Ortigão contra o regime republicano. Ramalho Ortigão, em julho, critica o regime: pretender equiparar o espírito revolucionário da Rotunda com o espírito revolucionário da Revolução Francesa é incorrer perante a sociologia e perante a história em tão imbecil equívoco como seria em zoologia o de confundir uma lombriga com uma cobra cascavel. No dia 5 de outubro, em Portugal, não havia opressão e não havia fome… Os famosos princípio da Revolução Francesa, leit-motiv de toda a cantata revolucionária de outubro último, são, precisamente, os que vigoram em toda a política portuguesa, desde o advento da revolução liberal de 34 até aos nossos dias. 118 prisões políticas durante o mês de julho. 22 padres são presos pelos carbonários.
Dia 1 de julho – Entra em vigor a Lei da Separação.
Dia 6 de julho – Machado Santos promovido a capitão de mar e guerra, por votação da Constituinte de 6 de julho. Comícios de homnagem ao fundador nos dias 7 e 12. No dia 15 é-lhe oferecido um jantar. Parecia uma espécie de Mestre de Avis da República
Dia 23 de julho – Greve dos trabalhadores rurais em Elvas; Barbacena é ocupada por uma força de cavalaria. Greves dos corticeiros e conserveiros de Setúbal. Dos têxteis no Porto e em Braga. Machado Santos contra Bernardino/ Costa. Machado Santos, em O Intransigente de 23 de julho considera que a presidência do Sr. Bernardino Machado com um gabinete de Afonso Costa seria a guerra civil no País.
Dia 24 de julho – Federalistas contra os unitários. Discussão sobre os artigos 1º e 2º do projeto de Constituição. Grupo federalista, defensor do modelo suíço, representado por Teófilo Braga, Maia Pinto, Fernando Botto Machado e Alves da Veiga é derrotado pelo grupo defensor do Estado Unitário, liderado pelos professores de direito Barbosa de Magalhães e Joaquim Pedro Martins, apoiados por António Maria da Silva.
Dia 29 de julho – Morte de Azedo Gneco.
Agosto – Nova greve dos rurais em Elvas no mês de agosto.
Dia 2 de agosto – Manifestação em São Bento da Assembleia Popular de Vigilância Social em defesa de um sistema unicamaral, cercando a Constituinte, vaiando ministros e ameaçando invadir o palácio. Vaiados Brito Camacho e Machado Santos. Aplaudidos Afonso Costa e Bernardino Machado. Intervenção da GNR e batalha campal. 56 presos. Os radicais são acusados por O Mundo de arrastados por agitadores monárquicos. Segundo a observação de Carlos Malheiro Dias, os burgueses do partido roubam a plebe aos que fizeram o 5 de outubro.
Dia 3 de agosto – Constituinte vota a criação do Senado em 3 de agosto e da presidência no dia 4. Maioria de moderados contra os radicais.
Dia 16 de agosto – Esboçam-se as candidaturas de Bernardino Machado e de Manuel de Arriaga para a presidência. Entrevista a O Século de Bernardino Machado.
Dia 17 de agosto – Em entrevista a O Século, Manuel de Arriaga considera que o novo presidente não deve manter em funções os atuais ministros.
Dia 20 de agosto – Governo cede o seminário da Guarda à câmara municipal.
Dia 21 de agosto – Publicação da Constituição.
Dia 23 de agosto – Autonomização do ministério das colónias relativamente ao ministério da marinha.
Dia 25 de agosto – Eleição de Manuel Arriaga como presidente da República. Tem 121 votos contra 86 de Bernardino Machado, 4 para Duarte Leite e 1 para Magalhães Lima e Alves da Veiga. O Mundo considera o bloco como uma coligação de ódios. Chagas tinha confidenciado a Ladislau Parreira: uma República que devia ser viril e que resulta senil. João Chagas, em Paris desde abril de 1911, corresponde-se então com os constituintes José Carlos da Maia e A. Ladislau Parreira. Maia chegou a tentar candidatar Chagas à presidência, contando com o apoio de Machado Santos. Depois de falhar a hipótese de Chagas, Maia tentou lançar o nome de José Relvas também frustradamente. Considerava então que era possível mobilizar os camachistas, mas nunca António José de Almeida, comprometido com Arriaga. Maia revela particular azedume contra Afonso Costa, França Borges e Bernardino Machado.
Dia 25 de agosto – Eleição do Senado. De acordo com a Constituição, os deputados elegem entre eles os senadores (71), constituindo-se assim a segunda câmara. I Congresso dos Trabalhadores Rurais em Évora, secretariado por Carlos Rates (25 e 26 de agosto).
Dia 27 de agosto – Lançado o manifesto da revista A Águia do Porto por Teixeira de Pascoaes.
Dia 29 de agosto – Grupo parlamentar democrático. Constituído em 29 de agosto o Grupo Parlamentar Democrático, liderado por Afonso Costa, que os adversários logo alcunham de grupo dramático. O respetivo programa será publicado em 4 de setembro. São mobilizados 57 dos 152 deputados e 22 dos 71 novos senadores.
Dia 30 de agosto – Convite a João Chagas. Manuel Arriaga convida João Chagas, até então ministro de Portugal em Paris, para formar governo.
Prisões políticas: 138 prisões políticas durante o mês de agosto.
Setembro – Preparativos para a formação do governo. Arriaga depois de procurar um governo de concentração com Duarte Leite, que não conseguiu convencer Almeida, Camacho e Costa, tenta a via extrapartidária, com João Chagas. Escreve-lhe uma carta, mandando como portador Eduardo de Abreu.
Dia 3 de setembro – Constituído o governo de João Chagas. Sobre Chagas, Alfredo Mesquita, João Chagas, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1930; Afonso Bourbon e Meneses, O Diário de João Chagas. A Obra e o Homem, Lisboa, J. Rodrigues & Cª, 1930; Diário de João Chagas, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1929-1932. Sobre este período governamental, ver, de João Chagas, A Última Crise, Porto, 1915. Arriaga impõe na guerra Pimenta de Castro, o mais antigo dos generais portugueses que era comandante militar do Norte. A maioria dos ministros é camachista, à exceção do ministro das colónias.
Dia 4 de setembro – Apresentação parlamentar do governo de João Chagas. Apoioentusiástico de Brito Camacho. Apoio frouxo de António José de Almeida. Bernardino Machado no Senado critica o bloco e os governos extrapartidários. Porque estes não podem fazer obra de união. São governos fatalmente de perturbação, ou, pelo menos de inação. Quanto ao bloco, diz que este no dia seguinte ao da eleição … deveria ter-se desfeito para não criar dificuldades, se não mesmo perigos, à República e ao País.
Dia 7 de setembro – Grupo parlamentar democrático declara-se em oposição ao governo.
Dia 11 de setembro – Política externa. Representantes diplomáticos da Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e Áustria declaram a continuação das relações com o novo regime.
Dia 19 de setembro – Conspiração descoberta. Presos 40 suspeitos de uma conspiração dita contra-revolucionária. Jornal O Mundo pede castigos exemplares.
Dia 23 de setembro – Por falta de azeite, autorizada a importação do produto.
Dia 29 de setembro – Tentativa de insurreição monárquica no Porto, a conspiração do Palácio de Cristal.
Prisões políticas: 40 prisões políticas durante o mês de setembro.
Dia 1 de outubro – Assaltados no Porto o seminário e o paço episcopal, sendo encerrada a Associação Católica. Incendiada a sede do Círculo Católico Operário na mesma cidade. Afonso Costa inaugura em Lisboa o primeiro Centro Republicano Democrático.
Dia 2 de outubro – Incendiada a sede da Associação Católica de Braga.
Dia 3 de outubro – Juiz de instrução criminal Costa Santos é encarregado de proceder à investigação dos crimes políticos.
Dia 5 de outubro – De 1 a 5 de Outubro de 1911 deu-se a primeira incursão monárquica de Paiva Couceiro, por Bragança (Soutelinho). Pimenta de Castro não mobiliza tropas para o Norte, sendo criticado por Sidónio e Duarte Leite que se encontravam no Porto. Castro chama aos dois colegas napoleõezinhos loucos. Couceiro chegara à Galiza em Março de 1911 e encontrou uma organização aí montada, desde Janeiro, pelo jesuíta padre Gonzaga Cabral e, depois, pelo capitão Jorge Camacho. Havia uma forte divisão entre os antigos rotativos e novos monárquicos. Do programa da conspiração não constava incialmente a restauração, mas o fim do despotismo dos provisórios e umademocratização progressiva, culminando num plebiscito sobre a forma do regime. Adopta-se mesmo uma bandeira azul e branca sem as armas reais. Na invasão utiliza mil homens, mas apenas um quarto deles está armada.
Dia 7 de outubro – Presos monárquicos do Norte chegam a Lisboa, à estação de Campolide, e organiza-se uma forca caudina, apoiada pelo Mundode França Borges e criticada pelo Intransigente de Machado Santos.
Dia 8 de outubro – Substituição do ministro da guerra. Pimenta de Castro é substituído pelo tenente-coronel Silveira que, apesar de camachista, consegue estabelecer uma aliança com o grupo dos jovens turcos, ligado aos democráticos.
Dia 10 de outubro – Imagens das igrejas de Almada são arrastadas pelas ruas. Greve dos trabalhadores rurais em Castelo de Vide. Tumultos em Coruche e em Sesimbra.
Dia 16 de outubro – Reunião extraordinária do Congresso da República sobre o julgamento dos couceiristas. Afonso Costa defende uma política de intransigência. Chagas acusa-o de dividir os republicanos, mas Afonso Costa é aclamado nas ruas.
Dia 17 de outubro – Governo solicita suspensão das garantias constitucionais. Aprovada a constituição de um tribunal especial, o chamado Tribunal das Trinas. Afonso Costa propõe medidas mais duras. João Chagas observa que isto não tem precedentes nem nos tempos da monarquia. Os democráticos abandonam o parlamento, sem sinal de protesto. Grandes manifestações em Lisboa de apoio a Afonso Costa.
Dia 19 de outubro – Carbonários promovem manifestação de protesto contra os jornais do Bloco, isto é, contra a República, A Luta e o Intransigente.
Dia 20 de outubro – Núncio apostólico, Júlio Tronti, abandona Lisboa. António José de Almeida é vaiado e sovado no Rossio por afonsistas.Tinha-se declarado independente do Partido Republicano em nota publicada em A República.
Dia 22 de outubro – Brasil e Argentina reconhecem oficialmente a República.
Dia 23 de outubro – Publicada a lei especial sobre o julgamento dos crimes de conspiração.
Dia 17 de outubro – Entre 27 e 30 de outubro de 1911, Congresso do PRP no Coliseu da Rua da Palma, o chamado congresso do Circo dos cavalinhos. António José de Almeida e Brito Camacho abandonam a reunião. A reunião, iniciada com 600 delegados, acaba apenas com 280. Eleito diretório afeto a Afonso Costa. O partido passa a ser conhecido por Partido Democrático, embora Afonso Costa, para simular a unidade do PRP, tenha decidido dissolver o grupo parlamentar com esse nome. Parte dos deputados do bloco passa-se para os democráticos.
Prisões Políticas: Em outubro, 500 presos políticos.
Dia 1 de novembro – Escaramuças entre militares. Escaramuças entre soldados de artilharia e infantaria em Chaves. Reaparece o jornal monárquico O Dia.
Dia 3 de novembro – Camacho reconhece ser impossível a unidade republicana. Camacho em A Luta, reconhece ser impossível restabelecer-se a unidade do Partido Republicano.
Dia 4 de novembro – Rebelião no Sul de Angola.
Dia 6 de novembro – Manifestações contra António José de Almeida. António José de Almeida e Afonso Costa vão de comboio ao Porto em propaganda. Na chegada ao Porto, Almeida é insultado e Costa aplaudido. Repete-se a cena no regresso a Lisboa, no dia 6 de novembro. Manifestantes gritam vários morras e Almeida, em charrette, tem de sacar da pistola para se defender. Costa vai de automóvel e é ovacionado. Como salienta Vasco Pulido Valente a chegada ao Rossio juntou num único dia o 4 de maio de Hintze Ribeiro e o 18 de junho de João Franco.
Dia 7 de novembro – Posse do novo diretório. Como reação Camacho e Almeida, sob a égide de Aresta Branco, decidem criar uma União Nacional Republicana. Almeida pede a demissão de Chagas. António José de Almeida em artigo publicado em A República de 7 de novembro retira apoio ao governo de João Chagas: o governo está em crise total? Não se sabe. No entanto não vemos razão para que o governo abandone o poder. Um só homem tem que sair e deve sair. É o sr. João Chagas. A pasta do interior tem de ser confiada a um homem de critério, mas a quem não faleça o pulso. Ou entramos na ordem, ou este pede imediatamente demissão a Manuel Arriaga.
Dia 9 de novembro – Reconhecimento internacional da República. Representantes da Inglaterra, França, Espanha e Itália são oficialmente recebidos pelo ministro dos estrangeiros.
Dia 11 de fevereiro – Congresso anarquista. Nos dias 11, 12 e 13 de novembro, reunião em Lisboa de um congresso anarquista. Manuel Joaquim de Sousa apresenta tese sobre a juventude. Daqui surgem as Juventudes Sindicalistas.
Dia 12 de novembro – O governo de Augusto Vasconcelos, reúne três democráticos e quatro homens do bloco, dos quais, apenas um é almeidista. Considerado um governo de concentração. Curiosamente, o gabinete reúne três médicos, um dos quais o próprio presidente. Durará cerca de 7 meses. Aliança contranatura. Vasconcelos, politicamente próximo de Brito Camacho, era amigo pessoal de Afonso Costa. Acusado por João Chagas de ser alguém que fazia recados a toda a gente. O governo assume-se como uma aliança contranatura. Aproximação entre Afonso Costa e Brito Camacho. Vivia-se nova ilusão de aproximar Costa de Camacho. O que vai levar António José de Almeida a romper a projetada União Nacional Republicana, logo em janeiro de 1912.
Dia 16 de novembro – Apresentação parlamentar.
Dia 24 de novembro – Carbonários contra o governo. Manifestação de carbonários em Lisboa apoia diretório do PRP contra o governo.
Dia 25 de novembro – Bispo da Guarda. D. Manuel Vieira Matos, bispo da Guarda é entregue ao poder judicial, acusado de desrespeitar a Lei da Separação.
Dia 26 de novembro – A questão das curandeiras chinesas. Tumultos em Lisboa por causa da proibição da atividade de duas curandeiras chinesas, oftalmologistas que tiravam vermes dos olhos, no dia 25 de novembro. O Século noticiara o assunto em 20 de novembro. A agitação é manipulada pela Federação Radical pelo jornal Alvorada, então dirigido pelo advogado Mário Monteiro, um dos discursadores do comício de protesto do dia 26, no Rossio, contra a ordem do governador civil para detenção das chinesas. 18 mortos e 200 feridos. Machado Santos esteve quase para ser linchado.
Prisões políticas: 41 prisões políticas durante o mês de novembro.
Dezembro – Projeto sobre acidentes de trabalho. Apresentado no parlamento projeto sobre acidentes de trabalho (ministro Estêvão de Vasconcelos).
Dia 5 de dezembro – Pastoral do episcopado contra Macieira. Pastoral do episcopado critica o ministro da justiça, o democrático António Macieira, em defesa do bispo de Guarda.
Dia 14 de dezembro – Conflitos dentro do governo e dentro dos democráticos. Bernardino Machado é atacado por A Luta. Afonso Costa permitia contactos entre o grupo da Jovem Turquia e o grupo camachista, feitos entre Álvaro de Castro e José Barbosa. Críticas de O Mundo a Bernardino. O jornal República anuncia o suicídio político dos democráticos em 14 de dezembro.
Dia 23 de dezembro – João Arroio é exonerado de professor da universidade.
Dia 28 de dezembro – Patriarca de Lisboa desterrado. D. António Mendes Belo é desterrado da diocese de Lisboa, por dois anos.
Dia 29 de dezembro – Tribunal das Trinas. Reúne, no convento das Trinas o tribunal especial contra os conspiradores monárquicos. Afonso Costa vai para a Suiça, a fim de tratar-se. Só regressa em 18 de março.
Presos políticos: No final do ano já há sete centenas de presos políticos. De agosto de 1911 a julho de 1912 serão 2 383 os presos políticos. 20 prisões políticas durante o mês de dezembro.
Dia 1 de janeiro – Manifestação dos católicos. Manifestação de protesto contra o governo junto ao Patriarcado de Lisboa (S. Vicente de Fora).
Dia 14 de janeiro – Desterro dos bispos de Coimbra e Viseu. Manifestação anticlerical em Lisboa promovida pela Associação do Registo Civil com bandeiras onde podia ler-se Sem Deus nem Religião. Uma delgação dos manifestantes, dirigida por Magalhães Lima, é recebida por Augusto de Vasconcelos: o Papa de Roma é apenas o chefe do sindicato católico universal e não pode ser considerado como um soberano.
Dia 20 de janeiro – Bernardino nomeado para ministro no Rio de Janeiro
Dia 25 de janeiro – Demissão de Freitas Ribeiro. Nota oficiosa do governo revela conflito entre o ministro das colónias Freitas Ribeiro e os restantes membros do gabinete a propósito da questão da Companhia de Ambaca. Ministro queria liquidar dívidas da companhia ao Estado. Freitas Ribeiro abandona o governo, sendo substituído pelo tenente-coronel Cerveira de Albuquerque. O caso for a levantado no parlamento pelos almeidistas.
Dia 26 de janeiro – Bernardino Machado na Sociedade de Geografia de Lisboa. Bernardino Machado toma posse do cargo de presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa. Apenas parte para o Rio de Janeiro em junho, chegando ao Rio no dia 11 de julho.
Dia 28 de janeiro – Greves. De 28 a 30 de janeiro, greves em Lisboa de solidariedade com as greves de rurais no Alentejo, promovidas pela União dos Sindicatos Operários que propõe uma greve geral. Era a primeira em regime republicanos. Em Évora a GNR ataca o sindicato e em Lisboa é assaltada a casa sindical por forças policiais. Elétricos de Lisboa que furam a greve são atacados à bomba no dia 29.
Dia 30 de janeiro – Estado de sítio de 30 de janeiro a 12 de fevereiro. Declarado o estado de sítio na capital. Dura até 12 de fevereiro. Estabelecido também o regime de censura à imprensa. Novas prisões de sindicalistas e monárquicos, entre os quais o ex-ministro José de Azevedo Castelo Branco. O radical Mário Monteiro era advogado dos conspiradores monárquicos no Tribunal das Trinas. Vasconcelos confessa que utilizou o pretexto de greve geral para fazer uma limpeza nos bombistas. Manda deslocar para Lisboa tropas estacionadas em Abrantes.
Dia 31 de janeiro – Assalto à Casa Sindical. Militares e carbonários assaltam a sede da União de Sindicatos, a chamada casa sindical, sita no Palácio Pombal, à Rua do Século, à uma hora da noite do dia 31 de janeiro.
Prisões: Presas 700 pessoas, são conduzidas de barco para Sacavém, Monsanto e Alto do Duque. Censurados os jornais monárquicos. No parlamento, a ação do governo é apoiada por Brito Camacho, António Maria da Silva e José de Abreu. Contudo, é rejeitado o adiamento do parlamento por 92-60.
Prisões políticas:
716 prisões políticas durante o mês de janeiro.
Limpeza de bombistas: Em carta dirigida a João Chagas, Vasconcelos reconhece que a greve geral deu-me horas de incerteza e de inquietação, mas foi boa porque permitiu realizar uma limpeza que doutra forma não se realizaria. Tirámos setecentas e tantas bombas a essa Cambada da Carbonária que ficou quase completamente desarmada. E agora se se fizerem finos, tareia para cima…
Fevereiro – O Mundo critica o governo. São criticadas as medidas de exceção do governo em O Mundo que, desta forma, se alia ás posições de Machado Santos, contra a tática da aproximação dos democráticos com os camachistas, através dos jovens turcos. Falha o plano de Vasconcelos no sentido da destruição da ação dos carbonários.
Dia 5 de fevereiro – Afonso Costa é nomeado professor ordinário da Faculdade de Ciências de Lisboa.
Dia 8 de fevereiro – Fim do regime de estado de sítio. Termina o regime de censura.
Dia 12 de fevereiro – Desterro de bispos. Bispos de Braga, Portalegre e Lamego são desterrados por dois anos.
Dia 17 de fevereiro – Em A República, António José de Almeida considera a União Nacional Republicana mera aliança parlamentar.
Dia 20 de fevereiro – Código de Registo Civil.
Dia 22 de fevereiro – Aparece o Imparcial. Surge em Coimbra o Imparcial, semanário de estudantes católicos, com Francisco Veloso, Gonçalves Cerejeira e Carneiro de Mesquita.
Dia 24 de fevereiro – António José de Almeida anuncia a formação de um Partido Evolucionista.
Dia 26 de fevereiro – Anúncio do partido unionista. Camacho anuncia a criação do partido da União Republicana, constituído definitivamente em 27 de março.
Prisões políticas: 16 durante o mês de fevereiro.
Março – A bomba explosiva. Publicado pela Imprensa Nacional, o livro A Bomba Explosiva, da autoria do anarquista José Nunes.
Dia 5 de março – Proposta de amnistia. António José de Almeida apresenta uma proposta de amnistia para os conspiradores monárquicos. Oposição imediata dos democráticos, através de Alexandre Braga que apresentam moção, aprovada por 63-26
Dia 11 de março – Arguidos de crimes políticos passam a ser julgados em tribunais comuns.
Dia 15 de março – Augusto de Vasconcelos na Câmara dos Deputados comunica não haver tratado algum anglo-germânico sobre a partilha das nossas colónias. Em dezembro de 1911, o jornal socialista francês L’Humanité denunciara acordo, logo desmentido por Berlim.
Dia 16 de março – Bispo de Bragança desterrado por dois anos.
Dia 18 de março – Afonso Costa regressa a Lisboa da Suiça e é alvo em Lisboa de uma grandiosa manifestação de apoio. Exorta à constituição de um governo exclusivamente democrático.
Prisões políticas: 11 durante o mês de março.
Maio – Reativado o CADC.
Dia 24 de maio – Em maio e junho, greve da Carris em Lisboa (começa em 29 de maio e termina em 24 de junho).
Dia 4 de junho – O governo pede a demissão face aos ataques lançados sobre o ministro do interior Silvestre Falcão e a ameaça de uma greve geral. Ataques dos democráticos no Congresso ao ministro do interior unionista Silvestre Falcão. Manuel de Arriaga convida Basílio Teles através do governador civil do Porto, Sá Fernandes. Basílio recusa e aconselha que se forme um governo presidido por Afonso Costa. Governo de Vasconcelos demite-se em 4 de junho: julgo indispensável resolver a crise com a maior rapidez possível. Temos uma greve que ameaça tornar-se geral.
Dia 9 de junho – José Relvas em carta dirigida a João Chagas, teme o pastelão de todos os partidos, considerando: que sossego e confiança pode haver, quando nós verificamos que os homens inteligentes se conduzem como parvos? … o mal está na irredutibilidade da situação criada pelos próprios republicanos. Em carta de 31 de julho, dirigida a João Chagas, Vasconcelos confessa: tive um ministério péssimo, você bem o sabe. Não tinha senão um Ministro da Guerra a trabalhar bem e o da Marinha! A não fazer mal, porque … não há marinha. Dos outros, os melhores, Macieira e Sidónio, entenderam-se, um porque fez de mais, outro porque fez de menos. De modo que estive sete meses a trabalhar e a saltar por cima de complicações e de crises terríveis, dando a toda a gente a impressão que não fazia nada! Preparativos para a formação do governo. Arriaga consulta Camacho que propõe os nomes de Basílio Teles e de Duarte Leite. Almeida indica Alves da Veiga, Nunes da Ponte, Xavier Esteves, Aresta Branco e Pimenta de Castro. Independentes sugerem Aresta Branco. Numa primeira fase convida sucessivamente Augusto de Vasconcelos e Duarte Leite que desistem. Volta a convidar os dois e opta por Duarte Leite, depois de Vasconcelos desistir.
Dia 16 de junho – Governo de Duarte Leite. Constituído em 16 de junho, o novo governo reúne três democráticos (justiça, guerra e fomento), dois unionistas (interior e negócios estrangeiros) e dois evolucionistas (marinha e colónias). Era apenas o de Augusto de Vasconcelos … com uma maior representação almeidista (dois ministros), e os jovens turcos restituídos à sua preeminência no Ministério da Guerra. Segundo Machado Santos, estreou-se com a repressão da greve dos carros elétricos e terminou com um ataque de neurastenia do seu Presidente.
Dia 17 de junho – Apresentação parlamentar. Um programa mínimo, o primeiro da república.
Dia 18 de junho – Granjo em defesa da amnistia. Logo no dia 18 de junho, o evolucionista António Granjo defende a necessidade de uma amnistia. Resposta de Duarte Leite: a amnistia é um estímulo de incitamento contra a república.
Dia 24 de junho – Termina a greve dos elétricos. Termina a greve dos elétricos em 24 de junho. Durou 26 dias. Almeida defende a realização de eleições locais. António José de Almeida defendeu a necessidade de realização imediata de eleições locais, mas a maioria das câmaras municipais disse que não, invocando o facto do eleitorado ser adverso à república ou dominado pelo clero. O ministro da guerra continuava a ser apoiado pelo jovens turcos.
Dia 30 de junho – Oposição dos evolucionistas às propostas financeiras de Afonso Costa. Sessão parlamentar agitadas com bater de carteiras. Algumas ficam partidas, dada a violência dos protestos. Lei orçamental para 1912-1913.
Prisões políticas: 274 durante o mês de junho.
Julho – Francisco Lázaro. Em julho, participação portuguesa nas Olimpíadas de Estocolmo. Morte do maratonista Francisco Lázaro, por insolação.
Dia 3 de julho – Segunda incursão monárquica. A segunda incursão de Paiva Couceiro, agora ajudado pelo legitimista D. João de Almeida (Lavradio), antigo oficial austríaco. Os invasores estão melhor armados e adotam um claro programa de restauração monárquica. Juntam no mesmo esforço os manuelistas e os miguelistas. Há 700 monárquicos em armas no Norte. Tentativa de assalto a Valença do Minho. Ataque a Vila Frade. Ataque de Paiva Couceiro a Chaves.
Dia 6 de julho – Levantamentos monárquicos no interior. A incursão é acompanhada por sublevações monárquicas em Azoia, Leiria, Batalha e Fafe. Surgem as guerrilhas monárquicas do Padre domingos em Cabeceiras de Basto.
Dia 8 de julho – Os defensores de Chaves. Ataque de Paiva Couceiro a Chaves. Derrotado no dia 9, quando é preso D. João de Almeida, Lavradio. Tribunais militares especiais. Nova lei prevê o julgamento dos crimes políticos voltam a ser feitos em tribunais militares.
Presos políticos: Cerca de 274 presos políticos em junho que, no mês seguinte aumentam para 612.
Dia 12 de julho – Apreensão de jornais. Novas regras sobre a apreensão de jornais subversivos.
Dia 13 de julho: Descoberta conjura monárquica em Évora, dirigida militarmente pelo major Montez.
Dia 16 de julho: Criados três tribunais militares em Braga, Coimbra e Lisboa, para julgamento dos conspiradores monárquicos.
Dia 20 de julho: Lei sobre a mendicidade e a repressão da vadiagem.
Dia 27 de julho: Condenação de D. João de Almeida. Tribunal marcial de Chaves condena D. João de Almeida a 6 anos de penitenciária e a 10 de degredo.
Dia 6 de agosto – Julgamento dos guerrilheiros de Cabeceiras de Basto. Começa o julgamento dos conspiradores de Cabeceiras de Basto, até novembro. Condenados 173 réus e julgados 122 à revelia.
Dia 8 de agosto – Fundação de Nova Lisboa. Norton de Matos funda no Huambo a cidade de Nova Lisboa.
Dia 25 agosto – Congresso dos rurais. Em 25 e 26 de agosto, I Congresso dos Trabalhadores Rurais.
Dia 17 de setembro – Reorganização dos serviços agrícolas. Esta reforma de Costa Ferreira não chega a entrar em vigor.
Dia 29 de setembro – A acção de Carlos Rates no Alentejo. Carlos Rates, em representação da embrionária CGT, desloca-se ao Alentejo em missão de propaganda e inquérito à vida associativa. Em entrevista ao jornal A Fronteira de Elvas, em 29 de Setembro, salienta que os ruaris desconhecem a questão social; que foram enganados pelos republicanos, os quais fizeram apenasuma revolução política sem fazerem uma revolução social…em vez da posse da terra prometida, responderam-lhes com balas e pranchadas; e que o caciquismo permanece como dantes, apenas mudou de nome.
Dia 10 de novembro: Afonso Costa apela à unidade republicana. Discurso de Afonso Costa em Santarém. Apela à unidade do partido republicano e clama pelo restabelecimento das nossas finanças.
Dezembro – Sai o primeiro número de Trabalhador Rural, órgão da Federação Nacional dos Trabalhadores Rurais.
Dia 2 de dezembro – Bloco elege Macedo Pinto. Uma coligação de unionistas e evolucionistas elege Macedo Pinto, evolucionista, como presidente da Câmara dos Deputados. Braamcamp Freire reeleito presidente do Senado. Questão do jogo no parlamento. Unionistas e evolucionistas defendem a respetiva regulamentação, enquanto os democráticos são favoráveis à repressão.
Dia 8 de dezembro – Granjo defende a extinção dos tribunais especiais. O evolucionista António Granjo propunha a extinção dos tribunais marciais que julgavam os conspiradores monárquicos. Arriaga propõe indulto aos bispos. Manuel Arriaga escreve a Duarte Leite propondo indulto aos bispos e a modificação no regime dos presos políticos. O chefe do governo recusa as sugestões. Reabertura do CADC. Em 8 de dezembro dava-se a reabertura solene do CADC, com discursos de Oliveira Salazar e Alberto Dinis da Fonseca.
Dia 21 de dezembro – Redução dos direitos aduaneiros. Lei de 21 de dezembro estabelece redução de direitos aduaneiros para produtos alimentares.
Dia 6 de janeiro – O governo decidiu pedir a demissão depois da formal cisão do Partido Republicano, considerando Duarte Leite, perante a Câmara dos Deputados, que o governo devia ter base partidária e assentar numa maioria parlamentar. O governo formara-se porque nenhum grupo tinha maioria parlamentar e como já não subsistem as razões que influem para formar esse Ministério de concentração, supõe que a sua missão está cumprida. Arriaga convida António José de Almeida para formar governo. Tem apoio dos camachistas, mas não dos independentes que recusam a respetiva proposta de amnistia e acaba por desistir.
Dia 7 de janeiro – Os republicanos enterrando o país… Carta de Manuel Teixeira Gomes a João Chagas: vamos a ver se, depois dos monárquicos fazerem a República, os republicanos não enterram o País…
Dia 8 de janeiro – Jornal A Capital fala na política como a grande porca que alimenta muitos bacorozinhos.
Dia 9 de janeiro – Primeiro governo de Afonso Costa. Governo reúne democráticos e um membro do grupo dos independentes agrupados, António Maria da Silva, o único governante não formalmente filiado nos democráticos, contando com o apoio parlamentar dos unionistas. O apoio destes foi negociado, dentro dos democráticos, pelos jovens turcos, representados no governo por Álvaro de Castro e Pereira Bastos. Trata-se, com efeito, de uma espécie de coligação intrapartidária, até porque O Mundo criticava essa táctica de aproximação aos camachistas, criticando especialmente o ministro da justiça por fazer salamaleques aos conservadores. Oposição frontal dos evolucionistas. Alexandre Braga na Câmara dos Deputados proclama: fechou-se a era da instabilidade e da confusão. Durante este governo vai dar-se um retraimento do movimento sindical; os bispos decidem alinhar dentro das regras do jogo e combater o sistema por dentro; estrutura-se uma polícia política irregular, constituindo-se os batalhões de voluntários da república; os primeiros sinais de estabilidade levam também a uma aproximação com a gente de negócios e com os notáveis da província.
Dia 15 de janeiro – Apresentação do orçamento para 1913-1914, com um saldo negativo de 3 435 884$.
Dia 26 de janeiro – O racha-sindicalistas. Conferência de Afonso Costa no salão da Imprensa Nacional, sobre Catolicismo, Socialismo e Sindicalismo. Os sindicalistas passam a alcunhá-lo de racha sindicatos. Alexandre Vieira considera a conferência como uma ameaça de guerra à organização sindicalista portuguesa.
Dia 13 de fevereiro – Terra Livre. Sai o primeiro número da revista teórica anarquista Terra Livre. Entre os colaboradores, destaca-se Pinto Quartim. Proclama no primeiro editorial: a política deixará de estar monopolizada em poderes e passará a ser exercida directamente pelos indivíduos como uma das suas funções sociais. Deixa de ser poder e passa a ser função … Terra Livre quer pois dizer – terra de libertados e de libertários. A revista será proibida em julho seguinte. Polémica entre o grupo de Manuel Ribeiro e Carlos Rates, então defensores da tese de Sorel, e Emílio Costa.
Dia 15 de fevereiro – Lei de reforma da contribuição predial. Novo código em 5 de junho. Forte descontentamento dos proprietários rurais. Evolucionistas em defesa da amnistia. Moção evolucionista sobre a amnistia é derrotada por 65-28.
Dia 9 de março – I Congresso dos operários da metalurgia.
Dia 15 de março – Protesto colectivo dos bispos. Ofício coletivo dos bispos, dirigido a Manuel de Arriaga, protestando contra a Lei da Separação. Lei travão sobre a contenção de despesas. Greve das peixeiras de Lisboa e assalto à Juventude Católica.
Dia 30 de março – Manifestação de sindicalistas. Estavam então presos 113 operários sindicalistas. Protestam contra o facto do governo os ligar aos conservadores.
Dia 5 de abril – II Congresso Nacional dos Trabalhadores Rurais em Évora nos dias 5, 6 e 7 de abril. Curiosa a intervenção de Lucinda Tavares em defesa da educação operária: educar é revolucionar, porque onde há instrução, a luta é mais intensa. Do mesmo modo assume a luta de classes: um facto da natureza, os trabalhadores vivem-na mais pelo sentimento do que pelo raciocínio.
Dia 6 de abril – Congresso dos operários da indústria do calçado.
Dia 7 de abril – Congresso do partido democrático. Afonso Costa reeleito, tendo como rival Alfredo Magalhães.
Dia 26 de abril – Comemorações do primeiro aniversário da Lei da Separação.
Dia 27 de abril – Revolta radical. O primeiro golpe organizado por republicanos contra um governo republicano. Manifestação de sócios da Federação Radical Republicana, liderada pelo advogado Mário Monteiro, e da Sociedade nº 1 de Instrução Militar, diante do quartel da Infantaria 5, cerca da 2 horas. Saem do quartel o capitão Lima Dias e o tenente Dinis, com meia centena de soldados que juntamente com os civis manifestantes percorrem outros quartéis à procura de adesões. Os líderes militares são presos, juntamente com os oficiais da marinha capitão de mar e guerra Álvaro Soares Andrea e João Cerejo e o general Fausto Guedes. É também preso o civil Mário Monteiro. Alguns dos detidos eram antigos apoiantes e organizadores das manifestações de rua dos democráticos. Na sequência do golpe são suspensos os jornais O Dia, A Nação, O Intransigente, O Socialista e O Sindicalista. O jornal O Mundologo havia culpado os monárquicos do sucedido. Encerrada a Casa Sindical pela terceira vez.
Dia 28 de abril – Discussão parlamentar sobre a revolta. No dia 28, Brito Camacho chama bandidos aos revoltosos. Machado Santos logo responde que os deputados devem as carteiras a muitos dos revoltosos. Diz também que o golpe resultou de um plano traçado pelos democráticos durante o governo de Duarte Leite.
Dia 29 de abril – Tiroteio em Lisboa, depois de disparos do cruzador S. Rafael. O governo de Afonso Costa, convertido à moderação sofre os efeitos do radicalismo da canalha que antes açulara. Fala-se em afastar Costa, Camacho e Almeida, com a criação de uma comuna em Lisboa, a ser presidida por Magalhães Lima. O governo desmantela o regimento de Infantaria 5, dispersando os sargentos pela província, depacha cem revoltosos para os Açores. Afasta os navios de guerra do Tejo e pensa em mudar o arsenal para a Margueira. Teme, sobretudo, o quartel dos marinheiros em Alcântara comandado pelo deputado Ladislau Parreira. Isto é, os democráticos, tomam as medidas preventivas usadas pelos anteriores governos monárquicos, contra os mesmos focos de rebelião que, depois de instrumentalizados pelos democráticos se voltavam agora contra os anteriores feiticeiros. Outra das consequências do golpe está na criação da formiga branca, por acção do governador civil de Lisboa, Daniel Rodrigues, e com o apoio do seu irmão, Rodrigo Rodrigues, então ministro do interior. Trata-se de uma rede de espionagem ligada ao partido democrática e infiltrada, sobretudo, entre os chamados radicais. O modelo foi desde logo denunciado por Machado Santos nas páginas de O Intransigente.
Dia 3 de maio – Teixeira Gomes está em Portimão e escreve a João Chagas: o governo, como sabe, tira a sua força unicamente do Afonso Costa e este debate-se numa intrincadíssima rede de compromissos que a mais o vão debilitando. O poder, como é natural, enfraqueceu o partido, e um homem só, por muito que valha e possa, não faz frente aos contrários e aos seus próprios.
Dia 8 de maio – Greve em Vila Boim. Presos vários sindicalistas.
Dia 13 de maio – Lei sobre as rendas de casa.
Dia 25 de maio – Comício contra a carestia da vida em Lisboa. Greve dos soldadores de Olhão com assalto a fábricas.
Dia 10 de junho – Lançamento de bombas sobre o cortejo de homenagem a Camões, quando este passava na rua Nova do Carmo. Um grupo de sindicalistas com bandeiras negras quis incorporar-se no cortejo (um morto e 29 feridos). Represálias das autoridades contra os sindicalistas. Implicados os dirigentes da revista Terra Livre. Pinto Quartim parte para o exílio no Brasil. Alexandre Vieira, então redactor de O Sindicalista, bem como o administrador do mesmo periódico Francisco Cristo ficam presos no Limoeiro. O jornal chega a reaparecer indicando a cadeia do Limoeiro como redacção e administração do mesmo. Afonso Costa discursa na Câmara dos Deputados sobre a reforma eleitoral: se quiserem fazer eleições com analfabetos, façam-nas os senhores, porque eu quero fazê-las com votos conscientes… Indivíduos que não sabem os confins da sua paróquia, que não têm ideias nítidas e exactas de coisa nenhuma, nem de nenhuma pessoa, não devem ir à urna, para não se dizer que foi com carneiros que confirmámos a república.
Dia 14 de junho – Lei dos adidos.
Dia 15 de junho – Governo dissolve a casa sindical no dia 15. 100 sindicalistas presos, entre os quais Carlos Rates. Os presos, no final do ano, serão transferidos do Limoeiro para o forte de Elvas. As medidas afrouxam a acção de organização do movimento anarco-sindicalista e Afonso Costa, à maneira de D. Manuel II, tenta apoiar a organização do Partido Socialista.
Dia 21 de junho – Lei de 21 de junho remodela o sistema monetário. Torna obrigatória a utilização do escudo na contabilidade pública e nas relações dos particulares com o Estado.
Dia 25 de junho – No Senado, João de Freitas acusa Afonso Costa de não atuar no escândalo de terrenos do Estado em S. Tomé serem ocupados por particulares. Quando outro senador avança para ele puxa da pistola e ameaça dar-lhe um tiro.
Dia 30 de junho – Criada a Faculdade de Estudos Sociais e Direito em Lisboa pela lei orçamental. Conflitos estudantis em Coimbra.
Dia 3 de julho – Novos preços e novos tipos de pão, alterando-se o modelo até então vigente, proveniente da lei de Elvino de Brito. Nova legislação eleitoral, o chamado código eleitoral de Afonso Costa.
Dia 7 de julho – Recriado o ministério da instrução pública. Regulamento em 27 de novembro.
Dia 9 de julho – Lei de 9 de julho estabelece novo modelo de organização dos serviços agrícolas (António Maria da Silva) que vai vigorar até 1918, com 3 circunscrições agrícolas.
Dia 10 de julho – Bispos apelam para a criação de uma União Católica. Apelo do Episcopado aos Católicos Portugueses, o chamado apelo de Santarém, convidando os católicos a agremiarem-se numa União Católica. Extinta a embaixada de Portugal no Vaticano pela lei nº 30 de 10 de julho. Será restabelecida em 1918. Legação no Rio de Janeiro passa a embaixada. Lei nº 31 de 10 de julho eleva a embaixada a legação portuguesa no Rio de Janeiro, em caso de reciprocidade. Concretizada a elevação a embaixada por decreto de 1 de novembro de 1913.
Dia 12 de julho – Mais bomba, menos bomba. Carta de Augusto de Vasconcelos a João Chagas: por aqui., mais bomba, menos bomba, as coisas seguem conforme é possível que sigam com aquele parlamento que nós conhecemos.
Dia 20 de julho – Revolta radical em Lisboa. Tentativas de assalto a vários quartéis de Lisboa, com lançamento de bombas. Implicados os monárquicos, embora a ação tenha sido de radicais. O governo manda fechar a sociedade carbonária Aurora Redentora.
Dia 22 de julho – Bombas abandonadas na via pública geram várias explosões, morrendo várias crianças.
Dia 24 de julho – Legislação sobre acidentes de trabalho. Publicação da lei nº 83 sobre acidentes de trabalho. Estabelece a responsabilidade da entidade patronal sobre acidentes de trabalho nas indústrias fabris. Proibida a revista anarquista Terra Livre.
Agosto – Os Meus Cadernos de Mariotte. Padre Amadeu de Vasconcelos (Mariotte) lança em Paris Os meus Cadernos. Partilha das colónias. Acordo secreto entre a Alemanha e o Reino Unido sobre a partilha das possessões coloniais portuguesas.
Dia 7 de agosto – Reorganização administrativa. Lei nº 88 sobre a organização, funcionamento, atribuições e competências dos corpos administrativos.
Dia 15 de agosto – Lei das binubas. Alterado o artigo 149º do Código Civil, a chamada lei das binubas. Greve dos tecelões em Lisboa. Bombas no Porto.
Dia 4 de setembro – Organização das faculdades de direito. Pelo decreto no 118 de 4 de setembro, organização do funcionamento das Faculdades de Direito, conforme as propostas de uma comissão integrada por Guilherme Moreira, Marnoco e Souza, Machado Vilela, José Alberto dos Reis e Lobo d’Ávila Lima. Casamento de D. Manuel II com D. Augusta Vitória de Hohenzollern. Monteiro Milhões em Lisboa organiza subscrição para um presente de casamento.
Dia 3 de outubro – Fundação das escolas móveis.
Dia 5 de outubro – Reunião em Lisboa do Congresso Internacional do Livre Pensamento. De 5 a 8 de outubro. Participam Tomás da Fonseca, António Aurélio da Costa Ferreira, João Camoesas, Ana de Castro Osório, Teófilo Braga e Augusto José Vieira.
Dia 12 de outubro – Sindicalistas transferidos para Elvas. Sindicalistas presos há nove meses sem culpa formada passam do Limoeiro para o forte de Elvas, onde ficam detidos por mais seis meses.
Dia 21 de outubro – Primeira outubrada. Conspiração em 21 de outubro. Destruído em Lisboa o Museu da Revolução ao Quelhas. Dirigida em Lisboa por João de Azevedo Coutinho e no Porto por Jorge Camacho. Colabora o diretor de O Dia, Moreira de Almeida. Participam também carbonários e sindicalistas. A primeira outubrada. Freitas Ribeiro impede que os marinheiros de Alcântara alinhem no golpe e prende os cabecilhas. Corte de linhas telegráficas e breves levantamentos em Viseu e Viana do Castelo. O governo tinha um infiltrado entre os conspiradores, Homero de Lencastre. Assalto aos jornais monárquicos O Dia e A Nação por membros da formiga branca. Prendem o empresário Monteiro Milhões. Grupos afetos a Machado Santos, a chamada formiga preta impede o assalto a O Intransigente. Nas estradas há barragens de comités de vigilância ao serviço do governo. Abortada a liga das oposições. A outubrada impende que se consume a Liga das Oposições, com a junção do grupo de Brito Camacho a António José de Almeida e Machado Santos, e onde alinhavam o jornal O Rebate, influenciado por Alfredo de Magalhães.
Dia 23 de outubro – Demissão de Lobo de Ávila Lima. Por decreto de 23 de outubro, o professor de direito Lobo de Ávila Lima é demitido. Tumultos em Paço do Bispo no mês de Outuro, provocados por sindicalistas.
Dia 9 de novembro – Concurso de admissão para a faculdade de direito. Constituído o júri de admissão de professores para a Faculdade de Estudos Sociais e Direito em 9 de novembro. Admitidos os candidatos Albino Vieira da Rocha, Fernando Emídio da Silva, Ludgero Soares das Neves, António Abranches Ferrão e J. M. Vilhena Barbosa de Magalhães. Excluído Alfredo Pimenta.
Dia 13 de novembro – Afonso Costa declara, em 13 de novembro, ao embaixador britânico que as finanças tinham sido ordenadas, que estavam a ser construídos caminhos de ferro e que já havia ideias para o desenvolvimento das colónias.
Dia 16 de novembro – Vitória dos democráticos nas eleições suplementares. O comité organizador dos democráticos tinha a dirigi-lo Artur Costa, Rodrigo Rodrigues e Henrique Cardoso.
Dia 30 de novembro – Eleições para os corpos administrativos. Os unionistas acusam os democráticos de colaboração com caciques monárquicos disfarçados de vermelho. Greve dos metalúrgicos no Porto e dos mecânicos na Madeira.
Dia 14 de dezembro – Partido Socialista adere à II Internacional. Vivia na altura em idílio com os democráticos que pretendiam usá- lo para contrabalançar a dominante anarco- sindicalista do movimento operário.
Dia 15 de dezembro – Afonso Costa, diretor da faculdade de direito de Lisboa. O conselho da Faculdade de Estudos Sociais e Direito de Lisboa escolhe o ministro das finanças Afonso Costa para diretor. Escolha confirmada por decreto de 20 de dezembro. Quando recebe os colegas no seu gabinete ministerial, Costa sugere o nome de Basílio Teles para a área das ciências políticas, dado que já estão providas as vagas de ciências económicas. Nesse ano letivo inicial, há 68 alunos inscritos. Artur Montenegro assume as funções de diretor interino. Em janeiro de 1915, Afonso Costa pede licença, ficando a substitui-lo Barbosa de Magalhães. Ainda preside a uma reunião do Conselho em novembro, mas logo passa a presidente do ministério.
Dia 1 de janeiro – Bilhete de identidade – Generaliza-se o uso do bilhete de identidade, nos termos das portarias de 9 de setembro e 8 de dezembro de 1913. O bilhete de identidade havia sido criado em 1907.
Dia 9 de janeiro – Democráticos acusados de favorecimento pessoal – O senador João de Freitas, em 9 de janeiro, ataca pessoalmente Afonso Costa, acusando-o de favorecimentos a antigos clientes do escritório. Democráticos, em protesto, saem da sala.
Deputado socialista passa a democrático – Um dos dois deputados socialistas das eleições suplementares de 1913 passa para os democráticos. Dos independentes, que eram 19, passam 11.
Dia 14 de janeiro – Apresentação do orçamento – Afonso Costa apresenta orçamento em 14 de janeiro.
Dia 15 de janeiro – Greve dos ferroviários (15 de janeiro de 1914) – Começa a greve dos ferroviários, com sabotagens. Dura até 23 de janeiro e envolve cerca de sete mil trabalhadores. Encerramento do sindicato ferroviários e tumultos no Rossio, com mortos e feridos. Lisboa chegou a estar isolada da província.
Dia 16 de janeiro – Camacho defende revisão da Lei da Separação – Brito Camacho requer que a revisão da Lei da Separação entre em imediata discussão (16 de janeiro).
Dia 21 de janeiro – Votada no Senado moção contra o governo – Senado vota moção contra o governo, com apoio de unionistas e evolucionistas (21 de janeiro). Havia sido nomeado um governador da Guiné, sem se ouvir o Senado, violando ao artigo 25º da Constituição.
Dia 24 de janeiro – Carta-programa de Manuel de Arriaga – Manuel de Arriaga, em 24 de janeiro, apresenta aos três principais partidos uma carta programa, pedindo trégua nas lutas políticas e a constituição de um governo extrapartidário, com eleições gerais depois da acalmação. Recebe apoio dos unionistas (em 31 de janeiro) e dos evolucionistas (em 1 de fevereiro). Oposição de Afonso Costa (4 de fevereiro). Como salienta João Chagas no seu Diário, Arriaga, chamado aos oitenta anos a ser árbitro de conflitos humanos, o humanitarista de 48, o paladino da paz universal, o autor de “Harmonias Sociais”! O que vai ele fazer? O que fazem todos os portugueses em presença de conflitos – pedir ordem. A palavra ordem é a expressão máxima da sisudez nacional. Mas em Portugal só há ordem e paz quando não se levantam conflitos de ideias. Quando estes surgem, tudo grita e ninguém se entende…
Dia 25 de janeiro – Governo pede a demissão – Governo pede a demissão em carta datada de 25 de janeiro, mas no dia 26 pede uma moção de confiança ao Congresso que é aprovada por 114-93. Protesto dos deputados e senadores da oposição que abandonam a sala.
Dia 26 de janeiro – Cortejo democrático e desfeito por contra-manifestantes – Em 26 de janeiro, à noite, Afonso Costa promove cortejo de apoio aos democráticos, com foguetes, vivório, filarmónicas e um balão à veneziana; a manifestação é dispersa por oposicionistas ao tabefe, no Rossio. Bandos de formigas pretas chegam a cercar o jornal O Mundo.
Dia 4 de fevereiro – Manifestação contra o governo de Afonso Costa – Manifestação oposicionista nocturna, do Largo de Camões para Belém, organizada por Machado Santos, Júlio Martins, Carlos da Maia e Rocha Martins exige a queda de Afonso Costa, amnistia para todos os presos políticos e reabertura das associações sindicais encerradas. Entram na manifestação sindicalistas armados de archotes, a partir da Avenida 24 de Julho. Almeida e Camacho recusam participar e os comerciantes de Lisboa não fecharam as portas.
Dia 9 de fevereiro – Governo de Bernardino Machado – Constituído o governo de Bernardino Machado. Bernardino era embaixador no Rio de Janeiro e tinha pouco antes regressado a Lisboa, a bordo do paquete Avon: caía do céu. Segundo João Chagas ofereceu pastas a toda a gente a dos negócios estrangeiros a meio mundo. Ninguém lhe pegou, nem o Júlio Dantas. O governo bernardizava-se, conforme dizia Guerra Junqueiro.
Convite aos republicanos históricos do Porto – Bernardino, primeiro, tentou chamar para o governo os republicanos históricos do Porto, convidando Basílio Teles, Alves da Veiga, Guerra Junqueiro e Paulo Falcão, mas todos recusaram. Segundo dizia, em nota oficiosa de 7 de janeiro, quer formar o ministério com elementos extrapartidários e elementos conciliadores representantes dos partidos, numa fórmula que, conforme se lia em A Capital, não seria a repetição da concentração partidária.
Dia 10 de fevereiro – Apresentação parlamentar – Apresentação parlamentar do novo governo em 10 de fevereiro. Promete revisão da Lei da Separação e ampla amnistia, falando em congraçamento da família portuguesa e dizendo não ao sectarismo. Apoio formal dos democráticos, aberta oposição dos evolucionistas e expetativa benévola dos 17 deputados unionistas. Os evolucionistas justificam a oposição dizendo que no gabinete há três ministros democráticos, uma agremiação que fomentou a desordem, o tumulto, a guerra civil entre os portugueses e que agasalhou e incitou espiões miseráveis que vitimaram inocentes e desgraçaram famílias inteiras.
Dia 15 de fevereiro – Deputado socialista Manuel José da Silva, entrevistado por O Século, em 15 de fevereiro, propõe a institucionalização dos contratos coletivos de trabalho.
Dia 16 de fevereiro – Proposta de fusão entre evolucionistas e unionistas – Em 16 de fevereiro, 62 parlamentares evolucionistas e unionistas assinam documento onde se propõe a fusão dos dois partidos. Camacho concorda, Almeida põe condições.
dia 19 de fevereiro – Proposta de amnistia – Proposta de lei da amnistia apresentada no parlamento no dia 19 de fevereiro pelo ministro da justiça Manuel Monteiro. Aprovada no dia seguinte por 102-24, será publicada no dia 21. Os presos serão libertados logo no dia 22. Amnistia abrange o desterro dos bispos. Abrange 572 indivíduos presos e 1 700 emigrados. Segundo João Chagas, atira sobre a República dois mil adversários odientos. Brito Camacho terá apoiado a medida, dizendo que conspirar é um direito.
Fevereiro – Reaparece o jornal monárquico O Dia, afeto a José Maria de Alpoim.
Fevereiro – Tumultos em Monção. Chagasobservar greve em Portugal. Comboios descarrilados, bombas, pontes que saltam, comunicações interrompidas.
Fevereiro – Patriarca de Lisboa regressa à dioceseem fevereiro. Odo Porto em 3 de abril.
Dia 2 de março – Afonso Costa assume o exercício efetivo das funções de professor e diretor da Faculdade de Direito e Estudos Sociais de Lisboa em 2 de março. Até fins de janeiro de 1915, quando pede licença. Apenas regressa em novembro de 1915, mas apenas preside a uma sessão do conselho, dado que, depois de julho ter um acidente, passa a presidente do ministério.
Dia 8 de março – Fernando Pessoa cria o heterónimo Alberto Caeiro em 8 de março.
Dia 9 de março – Morte de José Luciano de Castro na Anadia em 9 de março.
Dia 10 de março – Afonso Costa discursa da Câmara dos Deputados: tenho sido acusado de muitas coisas e, entre elas, a de extinguir o sentimento religioso em duas gerações. Essa calúnia é de tal natureza que merece o sorriso e o desdém que, quase sempre merecem os caluniadores.
Dia 14 de março – Criação da União Operária Nacional – Congresso Operário de Tomar de 14 a17 de março de 1914. Criada a União Operária Nacional. Estão representados 103 sindicatos. Carlos Rates apresenta uma tese sobre A Carestia da Vida que será, depois, publicada em folheto.
Dia 22 de março – Comício católico interrompido em Coimbra (22 de abril de 1914) – Interrompido comício católico na igreja de S. João de Almedina em Coimbra em 22 de março. Estavam presentes Salazar e Cerejeira.
Dia 24 de março – Católicos protestam junto de Bernardino Machado – No dia 24 desloca-se a Lisboa comissão de católicos de Coimbra para inteirar o governo dos distúrbios. Bernardino Machado toma a salomónica decisão de, em nome da paz académica, mandar encerrar todos os centros académicos.
Dia 28 de março – Decreto sobre as Portas do Ródão – Decreto sobre a central hidro-eléctrica das Portas do Ródão em 28 de março. O diploma vai levar à queda do governo, sendo revogado em 24 de junho.
Dia 3 de abril – D. António Barroso volta discretamente ao Porto em 3 de abril. No dia 7, grande manifestação pública de apoio ao bispo regressado.
Dia 7 de abril – Doutrinação anarco-sindicalista – Sai o primeiro número de O Despertar, dito mensário das juventudes sindicalistas. Na sede destas se reúnem vários militantes sindicalistas, ouvindo conferências doutrinárias sobre o anarco-sindicalismo. Entre os conferencistas o professor Aurélio Quintanilha, adversário da intervenção de Portugal na guerra e que, depois, servirá como intermediário dos anarco-sindicalistas junto de Sidónio Pais, de quem fora aluno.
Dia 8 de abril – O Integralismo Lusitano – Começa a publicar-se em Coimbra Nação Portuguesa, em 8 de abril.
Dia 16 de abril – O parlamento rejeita o regresso a Portugal do jesuíta Pestana da Silva que se encontrava gravemente doente na Galiza. Bernardino fora favorável a um requerimento apresentado pelo pai do mesmo, mas no parlamento apenas teve o apoio de Jacinto Nunes, João de Meneses e do socialista Manuel José da Silva. O governo cede, para não abrir crise.
Dia 20 de abril – Aniversário da Lei da Separação, os republicanos do Porto organizam grande manifestação de resposta à manifestação dos católicos do dia 7.
Abril – Greves de pintores e metalúrgicos em Lisboa e da construção civilem Coimbra. Tumultosem Olhão.
Dia 1 de maio – Congresso das Associações Comerciais e Industriaisem maio. Nodia 1, lei sobre a livre associação e funcionamento das associações de classe.
Dia 2 de maio – Em 2 a 4 de Maio congresso no Porto da Federação das Juventudes Católicas, presidido pelo conde de samodães. Salazar discursa: A Democracia e a Igreja. Tentativa de assalto ao congresso no dia 4.
Dia 23 de maio – Freire de Andrade nos estrangeiros – Freire de Andrade assume a pasta dos estrangeiros, até aí gerida interinamente por Bernardino Machado.
Maio – Greve dos pescadores em Sesimbra.
Junho – Afonso Costa desafia António José de Almeida para duelo, sabendo que este o não aceita, por ser defensor do modelo dos tribunais de honra.
Dia 6 de junho – João Chagas observa: a República continua a sofrer da sua crise de autoridade, que em Portugal ninguém sabe compreender.
Dia 8 de junho – Reforma do ensino primário em 8 de junho.
Dia 17 de junho – Em 17 de junho a questão do decreto de 28 de março é levantada na Câmara dos Deputados pelo deputado evolucionista Celorico Gil. António Maria da Silva chama-lhe canalha. O contraventor insulta-o, qualificando este como tolerado. Bofetões nos Passos Perdidos.
Dia 20 de junho – Mantida a Lei da Separação, depois de votação parlamentar em 20 de junho. Manifestações de católicos e da Associação do Registo Civil. Bernardino Machado lamenta que a República não tenha um cardeal Saraiva ou um D. Alves Martins.
Junho – Concurso para assistentes da Faculdade de Estudos Sociais e Direito. Admitido Martinho Nobre de Melo em detrimento de João Evangelista Campos Lima, Alfredo Pimenta e António Macieira.
Dia 20 de junho – Os ministros democráticos demitem-se, mas Tomás Cabreira, inconformado, apesar de demitir-se pede também a demissão de membro do partido democrático. O Supremo Tribunal Administrativo considerou o diploma inconstitucional. Em 20 de junho os deputados e senadores democráticos votam pela constitucionalidade do diploma e mandam que os ministros do partido não assinem qualquer decreto declarando nulo o diploma.
Dia 22 de junho – Em 22 de Junho, Bernardino Machado pede a demissão por causa do decreto de 28 de março.
Dia 23 de junho – Remodelação governamental por causa das Portas de Ródão – Saem Rodrigues Monteiro e Tomás Cabreira da justiça e das finanças. Bernardino assume interinamente a justiça e Santos Lucas é o novo ministro das finanças.
Dia 24 de junho – Anulado o decreto sobre as Portas do Ródão – Anulado o decreto de 28 de março em 24 de junho. Como observa João Chagas, quando Bernardino Machado está no poder nunca há em rigor uma crise, e é o que sucede … tapou rapidamente os buracos deixados pelos seus três colaboradores e prossegue.
Dia 28 de junho – Atentado de Serajevo em 28 de junho.
Conferências anarquistas – Realizam-se conferências anarquistas em Lisboa (28 de junho) e no Porto.
Dia 30 de junho – Aprovação do orçamento – Aprovado o orçamento e encerrada a legislatura em 30 de junho. Houve falta de quorum nas sessões de 27, 28 e29. A falta de quorum tem a ver com a projetada discussão da lei eleitoral. Os evolucionistas não comparecem e os unionistas retiram-se.
Discussão da nova lei eleitoral – Em 30 de junho discute-se nova lei eleitoral, principalmente no tocante à divisão dos círculos. Admitia-se o sistema de lista incompleta, reservando-se um quarto dos deputados para as minorias. O deputado evolucionista Mesquita de Carvalho considera que o projeto serve para servir os interesses de uma seita e para favorecer a dementada ambição de uma criminosa ditadura parlamentar. O projeto será discutido e aprovado na Câmara dos Deputados, mas nunca chegou a ser votado pelo Senado.
Afonso Costa defende governo extrapartidário – Em 30 de junho, Afonso Costa declara: a República carece de um governo extrapartidário até à s eleições; que o sr. Presidente do Ministério se conserve até lá no seu posto de honra.
Junho – Tumultos na Idanha e na Azambuja. Conflitos estudantis em Coimbra (200 estudantes presos). Greve dos operários das moagens por falta de importação de trigo.
Julho – Aumento do câmbio que passa dos 4$93 de Maio de 1911 para 5$30.
Dia 20 de julho – Lei nº 253 de 20 de julho sobre o regime de fiscalização do vinho do Porto.
Dia 23 de julho – Novos ministros – Sousa Monteiro na justiça e Almeida Lima no fomento.
Ultimato à Sérvia em 23 de julho.
Dia 28 de julho – Declaração de guerra do Império Austro-Húngaro à Sérvia em 28 de julho.
Dia 31 de julho – Ultimato alemão à França e à Rússia, em 31 de julho.
Marcação de eleições para 1 de novembro – Em 31 de julho são marcadas eleições em Portugal para o dia 1 de novembro.
Dia 1 de agosto – A declaração de guerra da Alemanha à Rússia em 1 de agosto.
Dia 2 de agosto – Invasão alemã do Luxemburgo (2 de agosto) e da Bélgica (3 de agosto).
Dia 3 de Agosto – Em 3 de agosto, proibida a exportação de combustíveis, gado e géneros alimentícios, à exceção do vinho, em Portugal.
Dia 4 de agosto – Declaração de guerra à Alemanha pelo Reino Unido (4 de agosto).
Encerradas as Bolsas de Fundos de Lisboa e do Porto em 4 de agosto. Regime estabelecido pelo decreto nº 797 de 25 de agosto.
Dia 7 de agosto – Bernardino Machado, em 7 de agosto, lê relatório sobre a posição de Portugal em sessão do Congresso. Proclamada a fidelidade à aliança luso-britânica. Aplauso unânime.
Dia 8 de agosto – Em 8 de agosto, a Lei nº 275 permite ao governo actuar sem peias parlamentares, face ao estado de guerra: concede ao poder executivo as faculdades necessárias para, na atual conjuntura, garantir a ordem em todo o país e salvaguardar os interesses nacionais, bem como para ocorrer a quaisquer emergências extraordinárias de caráter económico e financeiro. É ao abrigo deste diploma que se exercerá a ditadura de Pimenta de Castro. A lei foi prorrogada pela Lei nº 292 de 29 de janeiro de 1915 e renovada pela lei de 5 de junho de 1915.
Agosto – Entre os defensores do intervencionismo está João Chagas, nosso representante em Paris. Teixeira Gomes, em Londres, é mais moderado. Brito Camacho é contra a intervenção no teatro europeu do conflito, defendendo apenas uma intervenção em África. Esta é também a posição dos monárquicos, através de Aires de Ornelas, lugar-tenente de D. Manuel II. O rei chega a propor que os monárquicos colaborem com a República para o efeito. Alguns jornais monárquicos, como a Nação falam mesmo na necessidade de um governo de concentração nacional.
Agosto – Leote do Rego fala num perigo ibérico, referindo-se aos monárquicos.
Dia 10 de agosto – Novas penalidades para comerciantes que elevem os preços dos géneros de primeira necessidade, pelo decerto nº 741 de 10 de agosto. Nesse diploma também se institui um sistema global de fiscalização do preço dos géneros alimentícios.
Agosto – Leis nº 277 e 278. Leis orgânicas das províncias ultrmarinas do ministro Lisboa de Lima.
Dia 17 de agosto – Criada uma Comissão de Subsistências, para géneros alimentícios e combustíveis, pelo decreto nº 767 de 17 de agosto.
Dia 18 de agosto – No dia 18 são instituídos armazéns gerais industriais e criada uma comissão especial junto do ministério do fomento para a aplicação de providências visando o abastecimento do país em géneros alimentícios e combustíveis.
Em 18 de agosto determina-se a organização de duas expedições militares para África.
Dia 21 de agosto – No dia 21, criadas bolsas de mercadorias em Lisboa e no Porto.
Dia 25 de agosto – Ataque alemão ao posto de Maziua em Moçambique no dia 25 de agosto.
Dia 26 de agosto – Circulação fiduciária – Decreto do ministro das finanças Santos Lucas, de 26 de agosto, estabelece em 120 000 contos o limite da circulação fiduciária (limite das notas chamadas de ouro). Limite de 17 de outubro de 1910 foi fixado em 72 000 contos de réis. Era de 86 559 contos em 31 de dezembro de 1913 e de 96 459 em finais de 1914.
Agosto – Greve dos cabouqueiros e dos fabricantes de cal em Lisboa. Tumultosem Lamego (10 mortos). Assaltado o jornal A Liberdade.
Dia 7 de setembro – Ramalho Ortigão declara simpatizar com o Integralismo – Em 7 de setembro é publicada a Carta de um Velho a um Novo, de Ramalho Ortigão, a João Amaral, onde aquele escritor apoia o movimento integralista.
Dia 11 de setembro – Partida das primeiras expedições para África – Partem para África as primeiras expedições militares em 11 de setembro. A de Angola, que segue a bordo do Moçambique, é comandada pelo coronel Alves Roçadas. Desembarca em Moçâmedes no dia 1 de outubro e chega ao Lubango a 17 do mesmo mês. A de Moçambique, que segue a bordo do Durham Castle, e comandada pelo coronel Massano de Amorim. Chega a Lourenço Marques a 16 de outubro.
Dia 18 de setembro – Assaltos a armazéns de víveres no Porto, em 18 de setembro. Intervenção das forças policiais. Greve dos tecelões no Porto. Assaltos a armazéns de víveres em Almada.
Setembro – Anarquia mansa – Observações de João Chagas: aqui falta tudo – autoridade, disciplina, ordem, polícia. Uma só palavra convém ao que vejo: – anarquia – anarquia mansa, lenta, dissolvendo tudo, apodrecendo tudo.
Dia 19 de setembro – Adiamento das eleições sine die – Em 19 de setembro, as eleições são adiadas sine die, atendendo a que persistem ainda os motivos de ordem internacional que aconselharam os partidos republicanos à patriótica suspensão das questões políticas internas. Nesse mesmo dia, o governo publicita um relatório sobre as respetivas atividades.
Dia 24 de Setembro – Fixação oficial das cotações cambiais – Criação de uma Junta Reguladora da Situação Cambial, com delegados das associações privadas, em 24 de setembro, pelo decreto nº 886. Visa a fixação oficial das cotações cambiais.
O Dia suspende a publicação – Jornal monárquico O Dia suspende a publicação, em 24 de setembro, protestando contra o facto de alguns dos seus números terem sido apreendidos.
Setembro – Lançado à água o contratropedeiro Guadiana, construído no Arsenal da Marinha.
Setembro – Greve dos tipógrafos no Porto.
Dia 10 de outubro – Em 10 de outubro, os britânicos convidam Portugal a abandonar a neutralidade.
Dia 13 de outubro – Conselho de Ministros decide criar um corpo expedicionário destinado a intervir em França, em 13 de outubro.
Dia 14 de outubro – Proibida a reexportação de géneros alimentícios e de medicamentos, em 14 de outubro.
Dia 18 de outubro – Incidente de Naulila em 18 de outubro.
Dia 20 de outubro – Segunda Outubrada. Proclamada a monarquia em Mafra em 20 de outubro, com intervenção do germanófilo Rodrigues Nogueira. Os conspiradores monárquicos, quando se dirigiam a Torres Vedras, são derrotados em S. Pedro da Caldeira pelas tropas governamentais comandadas pelo capitão Álvaro Poppe. Incidentes em Bragança. Assalto a vários jornais monárquicos em Lisboa (Jornal da Noite, Restauração e Talassa), bem como ao jornal crítico independente, Ridículos. Criado em 22 de outubro um tribunal militar especial para julgamento dos conspiradores monárquicos.
Dia 28 de outubro – Importação de cereais – Facilitada a entrada na metrópole de cereais produzidos nas colónias, em 28 de outubro.
Dia 31 de outubro – Ataque alemão a Cuangala em 31 de outubro.
Dia 5 de novembro – Novos embarques para África em 5 de novembro, 1, 3 e 10 de dezembro.
Dia 21 de novembro – Congelamento das rendas de casa dos prédios urbanos em 21 de novembro pelo Decreto nº 1 079.
Dia 23 de Novembro – Autorização parlamentar para a entrada na guerra – Governo é autorizado pelo Congresso a intervir na guerra em 23 de Novembro, numa reunião extraordinária do Congresso. Lei nº 283 publicada no dia seguinte.
Dia 25 de novembro – Redução dos custos de armazenagem dos géneros alimentícios no porto de Lisboa em 25 de novembro.
Novembro – Parte para o Brasil Duarte Leite, o primeiro embaixador formal da República no Rio de Janeiro.
Dia 29 de novembro – Carta de Afonso Costa a João Chagas, em 29 de novembro: eu tenho reclamado um governo patriótico, nacional em que os partidos se responsabilizem, solidarizem e concentrem, com um programa de ir à Guerra europeia (e consequente beligerância imediata) e de enérgica defesa republicana, um governo que até não deveria integrar nenhum dos chefes republicanos. Reconhece também que os dois grupos (evolucionistas e unionistas), agora, odeiam-se mortalmente … um só pensa em acabar com o outro, em fazer aproximações connosco que lhe permitam pôr a pão e laranja, nas próximas eleições o concorrente que não serviu para aliado.
Dia 30 de novembro – Instaurada a censura sobre assuntos militares em 30 de Novembro.
Dia 2 de dezembro – Reabertura do parlamento em 2 de dezembro. Bernardino Machado lê o relatório do governo.
Em 2 de dezembro o deputado democrático Vitorino Godinho referia insultuosamente o chamado decreto da mobilização.
Dia 4 de Dezembro – No dia 4, Bernardino Machado declarava categoricamente, sem a habitual cordialidade, que se a moção não fosse retirada o governo se demitiria.
Aprovada, por 77-10, moção para interpelação ao governo em 4 de dezembro, por causa do decreto nº 1096 sobre a mobilização, publicado em 25 de novembro.
A votação de 4 de dezembro foi apenas sobre a admissibilidade da moção, dado que o líder dos democráticos na Câmara dos Deputados, Alexandre Braga contrariou os intentos de Bernardino.
Dia 5 de dezembro – Bernardino pede a demissão – Bernardino Machado apresenta a demissão em 5 de dezembro.
Havia sinais de oposição ao governo dentro dos próprios democráticos e dos unionistas. Entre os primeiros, salientem-se as intervenções de Jaime Cortesão, a partir do jornal O Norte. Entre os segundos, os artigos de Jacinto Nunes em A Luta.
Defendiam o governo, A República, de António José de Almeida, e O Intransigente, de Machado Santos.
Dezembro – Preparativos para a formação de um novo governo – Arriaga convidou Braamcamp Freire, Magalhães Lima e Machado Santos para formarem governo. Todos recusaram. Machado Santos ter-lhe-á dito: Senhor Presidente, apesar de sermos ambos livres pensadores, permita-me V. Exª esta expressão: Deus salve a República!.
Dia 10 de dezembro – Convite a Azevedo Coutinho – Em 10 de dezembro já Manuel de Arriaga convida Azevedo Coutinho para formar governo.
Dia 14 de Dezembro – A crise segundo Bernardino – Em 14 de dezembro, no Senado, Bernardino Machado refere: a crise … estava aberta já há muito tempo; é a crise profunda, que precisava de ser sanada, a crise dos partidos. Não há dúvida de que a formação dos partidos dentro da República foi prematura.
Dezembro – António José de Almeida recusa governo de concentração. Afonso Costa diz que a união é impossível por causa das guerras pessoais. Almeida considera que a questão tem a ver com princípios, nomeadamente com as divergências quanto à Lei da Separação. Brito Camacho está contra o governo de concentração e até contra a hipótese de governo extrapartidário, defendendo um governo de base parlamentar demo-evolucionista ou demo-unionista. Mas põe obstáculos até à concretização deste último.
Dia 10 de dezembro – Recrutou-se para a presidência o então presidente do Senado, convidado no dia 10.
Dia 12 de dezembro – Governo de Vítor Hugo de Azevedo Coutinho – Governo constituído no dia 12 de dezembro. Todos os ministros são do partido democrático, à exceção de Ferreira de Simas. O governo conta apenas com o apoio parlamentar dos democráticos.
Dia 14 de dezembro – Apoio da Câmara dos Deputados, rejeição do Senado – Na apresentação parlamentar, em 14 de dezembro, sem um palavra sobre problemas económicos, sociais e religiosos, quando continua a alta dos preços. Defesa da necessidade da realização de eleições gerais no mais curto prazo em condição da mais perfeita imparcialidade.
Vitória na Câmara dos Deputados por 63-39. Derrota do governo no Senado por 27-26.
Oposição dos evolucionistas e não apoio dos unionistas – Os evolucionistas assumem franca, calma e decidida oposição e guerra sem tréguas, dado não ser possível fazer uma política imparcial com um governo partidário. Os unionistas não apoiam, porque o governo não pode inspirar confiança à nação.
Dia 17 de dezembro – Unionistas renunciam aos mandatos – Os deputados unionistas e Machado Santos renunciam aos mandatos em 17 de dezembro. Senado fica sem quorum. O Congresso, eleito em 28 de maio de 1911, tinha a sua legislatura prolongada por um decreto do governo de Bernardino Machado de 19 de setembro, que adiava as eleições. Chamam ao governo os miseráveis de Vítor Hugo e a adega do Alexandre. Senado fica sem quorum.
Dia 18 de dezembro – Derrota em Naulila – Combate de Naulila em 18 de dezembro. Dura quatro horas. Derrota das forças portuguesas.
Dia 19 de dezembro – Camacho contra a intervenção na guerra europeia – Em 19 e 20 de dezembro, artigos de Brito Camacho em A Luta contra a intervenção bélica no teatro de operações da Europa.
Janeiro
Discurso de Bernardino Machado no Senado sobre a lei eleitoral no dia 8 de Janeiro.
Dia 11 de Janeiro – Apresentado o orçamento (Álvaro de Castro). Publicada nova lei eleitoral. São marcadas eleições para 7 de Março. Dá-se a interrupção dos trabalhos parlamentares até 4 de março.
Dia 15 de Janeiro – Pela lei nº 292 de 15 de janeiro é prorrogada a Lei de 8 de agosto de 1914.
Dia 17 de Janeiro – Decreto remodela a comissão de subsistências criada em 17 de agosto de 1914.
Dia 22 de Janeiro – Leis do horário de trabalho. 7 horas para pessoal dos escritórios e da banca;8 a10 para fábricas e oficinas; 10 para lojas, mas com descanso de duas horas para almoço. Já nos começos de 1911 o ministro António José de Almeida propusera a regulamentação do horário do trabalho, mas apenas se determinou o estabelecimento do descanso semanal ao domingo. O novo diploma não estabelece, contudo, sanções para os infratores, nomeadamente multas ou encerramento do local de trabalho.
Dia 22 de janeiro – Movimento das Espadas. Major Craveiro Lopes havia sido demitido por denúncia do comité democrático das forças armadas. Segue-se movimento de resistência liderado pelo capitão Martins Lima. Marcha de numerosos oficiais de Cavalaria 2 pela calçada da Ajuda a caminho de Belém, onde pretendem entregar as espadas a Arriaga. São presos e enviados para bordo da fragata D. Fernando e Glória. Democráticos acusam o movimento de manobra monárquica. Mas na tarde desse mesmo dia é Machado Santos que vai a Belém entregar a espada da Rotunda. No próprio dia 22 o governo de Azevedo Coutinho manda encerrar A Luta.
Dia 23 de janeiro – Manuel de Arriaga consulta os partidos. Escreve carta a Pimenta de Castro pedindo-lhe para formar governo no próprio dia 23. Diz querer Freire de Andrade nos estrangeiros e reserva a presidência a Pimenta de Castro, admitindo que nas restantes partes os apartidos se ajustariam em bases sólidas.
Dia 24 de janeiro – Governo de Vítor Hugo de Azevedo Coutinho pede a demissão, depois de Arriaga lhe recusar a assinatura de um decerto suspendendo as garantias.
Dia 25 de janeiro, Pimenta de Castro é nomeado ministro de todas as pastas. Diz querer pegar na lei e andar para diante. É preciso acalmar os espíritos; para isso é necessário haver ordem e haver liberdade.
No dia 28, já são distribuídas as pastas. Apoio de António José de Almeida, Brito Camacho e Machado Santos. Coronel Manuel Maria Coelho, ligado a António José de Almeida, também apoia Pimenta de Castro (será nomeado presidente do Conselho Superior de Finanças).
Camacho começa por indicar Santos Viegas para as finanças, mas depois recua.
Governo diploma leis formais por decretos ao abrigo da lei de 28 de agosto de 1914.
Segundo António Cabral, os ministros eram, na sua maioria, uns lunáticos. Honestos, dignos, mas ingénuos.
O democrático Alexandre Braga chama-lhe uma ditadura de pigmeus.
Dia 27 de janeiro – Cunha Meneses, ajudante de Pimenta de Castro visita a legação alemã no dia do aniversário de Guilherme II. Mas logo a seguir o próprio Pimenta de Castro declara ao plenipotenciário inglês que era sua intenção prosseguir a mesma política externa do gabinete anterior.
Fevereiro
Dia 2 de fevereiro – Autorizada a importação de 100 000 toneladas de trigo exótico.
Dia 10 de fevereiro – Novos tipos de pão e de farinha, pelo decreto nº 1 309.
Dia 18 de fevereiro – Por decreto de 18 de fevereiro, modifica-se o sistema das comissões cultuais da Lei da Separação, determinando-se que das mesmas façam parte católicos praticantes. Ao mesmo tempo, alguns templos que haviam sido encerrados ou secularizados são devolvidos ao culto. Dá-se a reabertura espetacular da Igreja da Graça em Lisboa.
Dia 21 de fevereiro – Afonso Costa é alvo de um atentado no Porto.
Dia 24 de Fevereiro – Por decreto de 24 de fevereiro é revogada a lei eleitoral de 11 de janeiro de 1915 e restabelecida a de 3 de julho que permitia o direito de voto aos militares.
126 deputados a eleger pelas maiorias e 37 pelas minorias. Pimenta de Castro não consegue convencer os ministros das suas teses de 1884 e de 1890, sendo especialmente hostil Herculano Galhardo. Em 1908, num folheto intitulado Remédio aos Males Pátrios, Pimenta de Castro defendera um círculo eleitoral único, listas uninominais, sendo eleitos os indivíduos mais votados até um número pré-fixado. A nova lei eleitoral baseia-se tradicional no sistema da lista incompleta plurinominal. Marcadas eleições para o dia 6 de Junho. Apoio de António José de Almeida e Brito Camacho.
Ditadura consentida ou ditadura assumida? – Num artigo publicado em A Luta questiona se o governo de Pimenta de Castro ainda é uma ditadura consentida pela lei de 28 de Agosto ou estava a tornar-se numa ditadura assumida.
Dia 27 de fevereiro – 600 militares fazem manifestação de apoio a Pimenta de Castro. Jornal O Mundo aparece trajado de preto. Norton de Matos é demitido de governador de Angola.
João Chagas publica o folheto A Última Crise, sobre a posição de Pimenta de Castro no governo de 1911.
A eventual caducidade dos mandatos de 1911 – Afonso Costa queria que o parlamento se reunisse a 4 de março, conforme a decisão do Congresso de 11 de janeiro, mas Pimenta de Castro considera que os poderes dos eleitos de 1911 tinham caducado há nove meses.
Dia 28 de fevereiro – Assassinado o deputado democrático Henrique Cardoso quando se dirigia para uma reunião na sede do partido em Lisboa, no largo do teatro de S. Carlos.
Março
Dia 1 de Março – Reaparecem jornais monárquicos – Aparece o jornal monárquico O Nacional. Nele colabora o antigo ministro da monarquia José de Azevedo Castelo Branco. Voltam também a publicar-se O Dia e o Jornal da Noite.
Dia 2 de Março – João Chagas demite-se de ministro de Portugal em Paris, em protesto contra a ditadura. Regressa a Portugal no dia 23 de março e passa a residirem Rio Tintonos arredores do Porto.
Dia 4 de março – Congresso da Mitra … e gaita – Deputados democráticos reúnem-se em Santo Antão do Tojal e declaram o governo fora da lei. Foram impedidos de reunir em São Bento por forças policiais, comandadas pelo coronel Paulino de Andrade. A Luta fala congresso da Mitra e gaita.
Dia 4 de março – O ministro das finanças, Herculano Galhardo, apresenta a demissão.
Dia 6 de março – Aumento do preço do pão, seguido de assalto a onze padarias de Lisboa. São organizadores da revolta a formiga branca e sindicalistas.
Sai o primeiro número de Orpheu.
Dia 7 de março – Defesa das eleições em 7 de março – Os democráticos queriam as eleições em 7 de março e não em 3 de junho, conforme o decreto de 24 de fevereiro.
Dia 14 de março – Comícios em Lisboa e Almada contra a carestia de vida. Proprietários alentejanos são acusados de açambarcamento de trigo.
Dias 28 e 29 de março – Congresso dos democráticos no teatro Politeama. Afonso Costa diz que Pimenta de Castro é um demente. Acrescenta: este governo de insignificantes, presidido por um doido e guiado por um traidor, o Sr. Camacho. Vários gritos de viva a guerra.
Dia 30 de março – Os democráticos apresentam queixa judicial contra os atos do governo. Governo responde mandando instaurar processo ao presidente da reunião da Mitra, Manuel Monteiro, então juiz do Supremo Tribunal Administrativo. Monteiro é demitido de juiz.
Afonso Costa vai à Suíça, entre 30 de março de 19 de abril. Aí está doente um seu filho.
Tumultos em Aveiro.
Abril
Brandura, prelúdio de chacina? – Nos começos de abril, Machado Santos diz recear que a brandura do governo possa vir a ser prelúdio de uma chacina forçada.
Dia 6 de abril – Criadas comissões concelhias reguladoras dos preços dos géneros alimentícios pelo decreto nº 1 483.
Dia 7 de abril – Primeira conferência sobre a questão ibérica promovida pelo Integralismo Lusitano na Liga Naval. Sardinha defende, então, a aliança peninsular.
Dia 9 de abril – Governo determina que os governadores civis substituam as câmaras municipais e as juntas insubordinadas. A Câmara de Lisboa declarara não cumprir os decretos ditatoriais e o movimento de resistência propagou-se, com o apoio de 49 das 298 câmaras municipais do país.
Dias 10 e 11 de abril – Congresso dos evolucionistas, com apoio ao governo. Até então eram menos pimentistas que os unionistas, melhor representados no governo.
Dia 11 de abril – Manifestação de apoio ao governo.
Dia 12 de abril – Conferência de Bernardino Machado no Ateneu Comercial de Lisboa sobre O Exército e a Nação,. Bernardino encarara com certa benevolência a primeira fase do governo de Pimenta de Castro. Agora passa-se para o campo dos democráticos.
Dia 20 de abril – Governo decreta ampla amnistia, alargando aquela que havia sido decretada no tempo do governo de Bernardino Machado em fevereiro de 1914. Paiva Couceiro e Azevedo Coutinho regressam.
Dia 30 de abril – Venda obrigatória de cereais – Obrigados os produtores, os comerciantes ou os indivíduos por qualquer título detentores de cereais panificáveis a venderem todo o excedente das suas necessidades familiares.
Greve geral em Viana do Castelo. Tumultos nas Caldas da Rainha, bombas sobre uma procissão.
Maio
Dia 2 de maio – José de Castro contra Manuel de Arriaga – O Mundo publica carta de José de Castro a Manuel de Arriaga contra a ditadura. Insinua que o governo está ao serviço de uma corrente reacionária alemã.
Dias 2 e 3 de maio – Congresso dos unionistas, declarada a oposição ao governo. Os unionistas justificam a viragem com o decerto da amnistia de 20 de abril.
Dia 3 de maio – Pimenta de Castro pior que D. Miguel… – Conferência de Afonso Costa no Porto, no Teatro Nacional considera o governo uma organização maléfica, uma conjura para assassinar a República … Estamos em face de um crime de traição. Corresponde ao golpe miguelista de 1823 ou ao de 1828… A queda do Governo é, pois, uma necessidade urgente, assim como o é a ascensão ao Poder de um Governo de velhos republicanos. Diz que, para ir para a guerra, haveria de governar contra tudo e contra todos ainda que fosse necessário encerrar-se numa casa blindada.
Dias 6 a 9 de maio – Afonso Costa percorre o Norte de automóvel em campanha eleitoral. Já então se misturam os proclamados objetivos da campanha com a organização da desobediência, prestes a transformar-se em insurreição.
Dia 7 de maio – Jornais democráticos começam a apelar para a insurreição nos fins de abril, começos de maio. Se O Povo fala expressamente em insurreição, já o monárquico O Dia apela: vista a farda, sr. General. Pimenta de Castro, enquanto exercia funções governamentais nunca usou a farda. Um submarino alemão afunda o navio britânico Lusitania, a sul da Irlanda, com 124 cidadãos norte-americanos a bordo.
Dia 10 de maio – Tiroteio em Alcântara por ocasião da inauguração de um centro monárquico. O primeiro centro monárquico havia sido inaugurado em Lisboa em 17 de abril, sucedendo-se dezenas deles na capital e na província.
Dias 12 e 13 de maio – Reuniões no ministério do interior discutem feitura das listas para deputados, com a participação de evolucionistas e unionistas. Estes últimos rompem as negociações. Participam, pelos unionistas, Tomé de Barros Queirós e Nunes de Oliveira; pelos evolucionistas, Mesquita de Carvalho e Júlio Martins; pelos reformistas, Machado Santos; pelos governamentais ou independentes, Egas Moniz e Afonso de Melo.
Dia 13 de maio – Constituída uma junta revolucionária para o derrube do governo. Integram-na António Maria da Silva, Sá Cardoso e Álvaro de Castro. A junta é dominada pelos jovens turcos, tem o apoio da marinha e conta com a colaboração militar de dois antigos franquistas, Leote do Rego e Norton de Matos, que o mesmo grupo fizera aderir à república.
Dia 14 de maio – Unionistas declaram ruptura face ao pimentismo – O jornal A Luta de 14 de maio comunica que desde ontem a União Republicana não tem a mínima solidariedade com o governo; não renega as responsabilidades que lhe cabem, mas não quer outras.
Dia 14 de maio – Desencadeado o movimento em 14 de maio (sexta-feira). Capitão de fragata Leote do Rego assalta o cruzador Vasco da Gama, morrendo o respetivo comandante, o capitão de mar e guerra Assis Camilo. As operações navais são dirigidas pelo capitão-tenente Freitas Ribeiro. Distribuídas armas aos civis no arsenal. Revolucionários civis assaltam esquadras de polícia. Governo refugia-se no quartel do Carmo. Leote do Rego lança ultimato: se, dentro de algumas horas, o sr, Pimenta de Castro se não demite, libertando o país dessa opressão tremenda com que os dois meses do seu governo o têm esmagado. Leote tinha sido um apoiante do franquismo. No fim do golpe, 102 mortos e 250 feridos graves. Conforme observa Júlio Dantas, um ato revolucionário mais impetuoso e mais sangrento que o 5 de outubro.
Junta revolucionária toma posse desde 14 de maio.
Dia 15 de maio – A chamada de João Chagas – Governo nomeado por Manuel de Arriaga. Utiliza-se o modelo defendido pelos jovens turcos, isto é, um um governo nacional, não partidário, visando a restituição da República aos republicanos. Escolhem João Chagas que desde 1914 se tinha transformado no mentor dos mesmos. Chagas tinha-se demitido do cargo de ministro de Portugal em Paris e regressara à pátria, em março, tendo emitido dois folhetos antipimentistas. Portugal perante a Guerra e A Última Crise, ambos editados no Porto. Álvaro de Castro entrara em conflito com o partido democrático, desde que em maio de 1914, no congresso, propusera um aumento dos impostos para se custear o rearmamento. A Junta procura juntar no governo Costa, Camacho e Almeida. Todos recusam.
O governo reúne um democrático, Manuel Monteiro e um unionista, Barros Queirós, ambos em representação dos respetivos partidos. Fernandes Costa, embora membro do partido evolucionista, não é representante oficial do partido que está claramente na oposição ao gabinete, pelo que logo se retira no dia 17. Basílio Teles e Alves da Veiga pedem escusa e não chegam a tomar posse.
Dia 16 de maio – A segunda implantação da República – Revolução vitoriosa no dia 16. Da varanda da câmara municipal de Lisboa, Sá Cardoso proclama: o Exército, a Marinha e o elemento civil acabam de proclamar pela segunda vez a República Portuguesa. O senador João de Freitas tenta assassinar João Chagas no comboio Porto-Lisboa, perto do Entroncamento. Este fica gravemente ferido e perderá um dos olhos. O agressor é linchado pela multidão. João Chagas estava, então, de visita a Portugal.
Prisão de Pimenta de Castro e Machado Santos.
Dia 17 de maio – José de Castro substitui interinamente João Chagas e proclama a necessidade de pacificação da família republicana. Magalhães Lima assume a instrução: a rápida passagem pelo ministério da Instrução não me deixou saudades. Um Governo saído duma revolução pertence aos revolucionários e não aos ministros … Convenci-me de que há uma grande diferença entre as ideias que pregamos na oposição e a realidade ministerial. Preferi, pois, e prefiro continuar na oposição, na pureza do meu ideal e na elevação do meu espírito. O escritor Teixeira de Queirós que vai para os estrangeiros foi por este proposto a Sá Cardoso e António Maria da Silva. Lima, começando por recusar ser ministro, aceitou a tarefa quando soube do atentado do Entroncamento e começou a circular que uma esquadrilha espanhola se aproximava das nossas costas. É preciso que até à meia noite se possa dizer que há Governo em Portugal.
Assaltos a vários centros monárquicos, à Liga Naval, à Igreja de S. Paulo, à Escola de Guerra e ao jornal O Dia.
Dia 27 de Maio – Reabertura do Congresso em 27 e 29 de maio. Quase a mesmo composição da reunião na Mitra. Os evolucionistas não comparecem. Para além dos democráticos, o socialista Manuel José da Silva, o independente Luz de Almeida, chefe da Carbonária, e os três deputados unionistas que não tinham resignado. Mas estes logo declaram que a sessão é ilegal. É imediatamente anulado o decreto de 24 de Maio.
Dia 29 de maio – Manuel de Arriaga renuncia formalmente perante o parlamento. Apenas Aresta Branco o homenageia.
Eleição de Teófilo Braga – Segue-se a eleição de Teófilo Braga, por 98 votos num total de 102 (1 voto para Duarte Leite e três votos em branco) que no discurso de posse refere o caráter imperialista da ditadura.
Nesse dia 29 de maio são aprovadas uma lei de amnistia para os crimes cometidos até 20 de maio, incluindo os atos dos ministros de Pimenta de Castro; uma autorização legislativa ao governo, permitindo que este pudesse revogar por decreto atos legislativos do governo anterior; outra lei sobre saneamento de funcionários, dita então lei de separação dos funcionários, proposta pelo deputado democrático Pereira Vitorino. Todos estes atos são publicados no dia 5 de junho. A lei do saneamento será imediatamente abolida nos primeiros dias do governo seguinte, com o apoio do próprio proponente, nunca tendo sido cumprida.
Aprovada nova lei eleitoral que vem a ser publicada no dia 2 de junho, com a data de 30 de maio. Adiadas as eleições de 6 para 13 de junho.
Dia 31 de maio – Governo envia nota ao ministro alemão em Lisboa, Rosen, queixando-se do torpedeamento do vapor Douro e do veleiro Cisne.
Junho
Sai o segundo e último número de Orpheu.
Dia 5 de Junho – Pelo decreto nº 1 612 de 5 de junho é mantida a proibição de exportação de géneros alimentícios, acrescentando-se a de muitas matérias primas para a indústria.
Dia 6 de junho – O democrático Alexandre Braga, num discurso pronunciado na sede dos democráticos, no largo de S. Carlos, acusa o exército de não querer ir para a guerra. Resposta do coronel Gomes da Costa no dia seguinte, dizendo que o exército está disposto a bater-se, mas não está preparado com adequados meios por culpa dos governantes, monárquicos e republicanos: cumpriremos ordens
Dia 11 de junho – Já depois da amnistia, Machado Santos parte para o desterro em Ponta Delgada, a bordo do navio 5 de Outubro, juntamente com Xavier de Brito e Goulart de Medeiros. Conforme observa António José de Almeida, na cumplicidade de uma madrugada silenciosa é enviado para o desterro em nome da República, o homem que a fez. E no propósito do escárnio ser maior, escolheram … o barco que se chama 5 de Outubro.
Dia 11 de junho – O jornal O Povo clama contra o governo, exigindo que este cumpra o mandato da revolução.
Dia 13 de junho – Eleições.
Não é aceite o imediato pedido de demissão apresentado por José de Castro. Evolucionistas e unionistas declaram que não querem participar em governos mistos com os democráticos.
Nota oficiosa do Partido Democrático: a política de paixões tem de acabar. Não podemos pensar senão nos altos interesses do País e da República.
Dia 15 de junho – Decreto nº 1 645 autoriza as sociedades anónimas a emitirem ações privilegiadas. Será suspenso em 30 de julho de 1917, mas reposto em vigor por decreto de 18 de abril de 1918.
Dia 16 de Jjunho – Lei nº 319, de 16 de junho: autorizado o governo a afastar os funcionários que não dão uma completa garantia da sua adesão à República e à Constituição.
Entram novos ministros, quase todos afetos ao partido democrático. Só Ferreira da Silva e Catanho de Meneses são independentes.
Dia 21 de junho – Reabre o novo parlamento. Críticas dos democráticos a Pimenta de Castro.
Dia 24 de junho – Discussão do programa de governo. Oposição tenaz, formal e intransigente de António José de Almeida, que elogia Pimenta de Castro. Diz querer prestar atenção ao problema das reivindicações operárias e à conservação e valorização das riquezas nacionais, tanto no território continental da República, como nos domínios coloniais.
Dia 25 de junho – O deputado Eduardo de Sousa chama ao 14 de maio um tumultuário arruído. No jornal República, António José de Almeida diz de Afonso Costa: réu de crimes sem nome, será condenado para todo o sempre, a trabalhos forçados nas galés da história.
Julho
Dia 4 de julho – Afonso Costa fratura o crânio. Ia de elétrico para Algés, mas o clarão e estampido de um curto-circuito, que ele temia ser de uma bomba, fazem-no saltar do veículo, batendo com a cabeça no chão,em plena Avenida24 de Julho.
Dia 7 de julho – A Câmara dos Deputados, por 57-21, aprova lei segundo a qual a designação de vinho do Porto não se restringe à região do Douro, cedendo à pressão dos viticultores do Sul. Tumultos em Lamego e Santa Marta de Penaguião. Já um tratado anglo-luso entendia por vinhos do Porto, os produzidos em Portugal.
Dia 9 de julho – Temendo um eventual movimento revolucionário, o governo manda prender várias pessoas, entre as quais Lomelino de Freitas, considerado o inspirador do golpe.
Dia 13 de julho – Deputado católico Castro Meireles protesta contra a perseguição a párocos.
Dia 15 de julho – A agitação parlamentar prossegue animada, sobretudo, por causa da questão duriense e da defesa feita pelos evolucionistas de Pimenta de Castro. O democrático Ribeira Brava chamara-lhe pimenta da índia e bandido.
Dia 18 de julho – Inaugurado em Lisboa o Centro Republicano Leote do Rego. Participa o próprio, bem como Estevão de Vasconcelos e Ribeira Brava. Fala-se na necessidade de expurgar a República.
Dia 20 de julho – Novos tumultos por causa da questão do vinho do Porto. Catorze mortos em Lamego.
Dia 22 de julho – Remodelação governamental – Norton de Matos passa das colónias para a guerra, onde substitui José de Castro.
Dia 22 de julho – Começa a discussão da nova lei cerealífera.
Dia 27 de julho – José de Castro discursa na Câmara dos Deputados sobre a questão das subsistências. Diz ter criado um conselho consultivo com associações agrícolas e operárias.
Agosto
Dia 6 de agosto – Encalha em Peniche o cruzador República (ex- Rainha Dona Amélia). Dá-se a eleição do Presidente da República. Sai vencedor Bernardino Machado, à terceira volta, com o apoio dos evolucionistas nesta última fase da votação.
Dia 7 de agosto – Leote do Rego renuncia ao mandato de deputado, considerando Bernardino nefasto à República. No dia 28 de julho, em plena Câmara dos Deputados, o chefe da armada nomeado depois do 14 de maio, dissera que o governo de Bernardino Machado em 1914 havia sido marcado por uma cordialidade viscosa, peganhenta que chegava para amigos e inimigos.
Dia 17 de agosto – Regulamento do Conselho Superior da Administração Financeira do Estado, criado por decreto de 11 de abril de 1911.
Dia 18 de agosto – Derrota dos cuanhamas – Batalha de Mongua no Sul de Angola de18 a20 de agosto. General Pereira de Eça, depois de 10 horas de combate vence os rebeldes cuanhamas chefiados pelo régulo Mandune e entra em N’Giva.
Dia 27 de agosto – Surge uma tentativa revolucionária monárquica no Porto. Prisões em Braga (onde foi atacado um quartel), Guimarães e Santo Tirso. Morte do preso Miguel Sotto Mayor em Braga, suspeita de tortura praticada pelas forças da ordem.
Presos conduzidos para o Porto são atacados.
Nos preparativos da revolta terão participado Egas Moniz, José Maria de Alpoim e Rodrigues Nogueira, bem como sindicalistas de Lisboa.
Dia 31 de agosto – Aprovado o orçamento de Vitorino Guimarães.
Dia 30 de agosto – Lei nº 371, reguladora da produção e comércio de cereais. Manutenção Militar passa a ter o monopólio da compra do trigo nacional.
Setembro
Dia 1 de setembro – O verdadeiro 14 de maio contra os democráticos – Artigo de Lopes de Oliveira em O Povo, em nome do verdadeiro 14 de Maio, contra o governo e os marechais do partido democrático.
Dia 2 de setembro – Lei nº 373 de 2 de setembro concede facilidades aos executivo em matéria económica.
Dia 4 de setembro – Lei nº 392 de 4 de setembro. Novo regime cerealífero. Será regulamentado em 14 de setembro. Discussão parlamentar sobre a reforma da polícia em 4 de setembro. Lei publicada em 17 de setembro.
Dia 9 de setembro – Proibida a exportação de beterraba.
Proteção dos revolucionários do 14 de maio – Lei de 9 de setembro equipara os revolucionários de 14 de maio de 1915 aos de 5 de outubro de 1910. Regulamentada por decreto de 22 de setembro, sobre a concessão de pensões.
Dia 10 de setembro – Arrolamento de trigo, milho, arroz, feijão e grão de bico pelo decerto nº 1 874 de 10 de setembro. João Chagas retoma o lugar de ministro de Portugal em Paris.
Dia 18 de setembro – Pelo decreto nº 1900 de 18 de setembro são criadas comissões de subsistências em todos os concelhos. Alargada a todos os géneros alimentícios a obrigatoriedade de venda, quando detidos para além das necessidades próprias. Torna obrigatória a afixação de preços em todos os bens postos à venda.
Dia 24 de setembro – Proibida a exportação de gado.
Dia 27 de setembro – Morte de Ramalho Ortigão.
Outubro
Dia 1 de outubro – Embarque de nova expedição para Moçambique.
Dia 2 de outubro – Saneamento de funcionários – Lei nº 468 de 2 de outubro determina: as vagas que ficarem existindo, por virtude da aplicação de lei de 16 de junho de 1915, serão providas por indivíduos reconhecidamente competentes que tenham prestado à República serviços comprovados…
Dia 5 de outubro – Posse de Bernardino Machado. Falava-se na véspera de um golpe de Leote do Rego. Este atacava o governo pelo facto do mesmo não promover o saneamento dos funcionários. Leote começa a assumir-se como um novo Machado Santos. Editorial de A República, em 5 de outubro, critica a partidarite: um bando esfaimado e criminoso que só cuida de satisfazer os apetites insaciáveis que servem.
Dia 7 de outubro – Alargamento da lista de matérias primas cuja exportação é proibida.
Dia 15 de outubro – Alemães penetram em território angolano.
Dia 31 de outubro – Alemães conquistam o posto de Cuangar no Sul de Angola.
Várias medidas financeiras e de controlo dos abastecimentos. Começam a partir expedições militares para África. Mas em 21 de outubro deu-se uma primeira revolta dos abastecimentosem Cacilhas. Segue-seuma greve da construção civil no Porto, mobilizando cerca de 30 000 pessoas. Greve geralem Setúbal. Grevede ruariasem Palmela. Grevede tipógrafos em Braga.
Novembro
Dia 1 de novembro – Mais um cargo professoral para Afonso da Costa – Afonso Costa toma posse de um lugar de professor no Instituto Superior de Comércio, no dia 1. De2 a14 de novembro volta a deslocar-se à Suíça, onde está gravemente doente França Borges.
Novo regime cerealífero, pelo regresso ao modelo de 1899. Elevação dos preços do trigo nacional.
Dia 11 de novembro – Morte de Sampaio Bruno.
Greve dos trabalhadores portuáriosem Lisboa. Dosmineirosem S. Pedroda Cova . Dos estucadores e da construção civil no Porto. Dos ferroviários no Barreiro. De rurais em Braga.
Dia 18 de novembro – Proibida a venda de peixe no mar e incremento da cultura do arroz.
Dia 18 de novembro – Governo de José de Castro apresenta a demissão – Governo apresenta a demisssão na sequência da tomada de posse do novo Presidente da República que pretendia exercer o chamado poder moderador e for a eleito com os votos evolucionistas. Mas é 18 de novembro que se acelera o processo, quando José de Castro pediu a demissão a Bernardino Machado sem dar prévio conhecimento aos restantes membros do governo, invocando o facto de não ter sido referendado um decreto sobre a reforma da polícia (acumulava com a pasta do interior). Havia vários conflitos entre o ministro da marinha e o parlamento, dado que o governo não concordava com as propostas de saneamento de militares feita pelo parlamento. Aliás, o governo apenas afastou 8 funcionários e 20 oficiais.
Dia 19 de novembro – Funerais de França Borges.
Preparativos para a formação de um novo governo – Bernardino Machado, temendo ser intervencionista como Manuel de Arriaga queria um governo organizado por indicações parlamentares e só chamou Afonso Costa depois das declarações formais de unionistas e evolucionistas, a partir das quais reconhece ser impossível constituir um governo representativo de todos os agrupamentos políticos.
Dia 2 de dezembro – O novo governo fez a sua apresentação parlamentar. Afonso Costa já estava restabelecido da fratura craniana que o afetara em 3 de julho.
Governo partidário a querer fazer política nacional – Apesar de retintamente democrático considerou-se um governo nacional, declarando pretender abster-se de praticar a chamada política partidária.
Questão da intervenção na guerra – Camacho logo questiona Costa sobre se a política externa do governo não era a que ele propusera, em 23 de novembro de 1914, sobre a manutenção do statu quo sem intervencionismo.
Greve geral no Porto. Greve dos carreirosem Braga. Grevede rurais em Fronteira, com mortos e feridos. Tumultos no Barreiro, Seixal, Portalegre e S. João da Pesqueira.
Dia 27 de dezembro – Proibição de exportações para vários géneros.
Janeiro – Começa a construção do Casino do Estoril.
Dia 30 de janeiro – Viagem de Afonso Costa e Bernardino Machado ao Porto para a comemoração do 25º aniversário do 31 de janeiro de 1891 (de 30 de janeiro a 2 de fevereiro). Começam os assaltos a armazéns de víveres. Greve dos carregadores e dos empregados municipais em Lisboa. Greves nalgumas universidades.
Dia 7 de fevereiro – Comissão Central de Subsistências. Pela lei nº 480, de 7 de fevereiro, cria-se uma Comissão Central de Subsistências, destinada consultar e tomar providências sobre o aprovisionamento do país em matérias primas e mercadorias de primeira necessidade. Permite-se que o governo faça requisições de matérias primas e meios de transporte. Criadas comissões distritais de subsistências. Estabelecido o regime geral de preços: tabelas de preços estabelecidas pelas comissões distritais, mas homologadas pela comissão central. Penaliza-se a recusa de venda. Estabelece-se o modelo do manifesto obrigatório.
Dia 21 de fevereiro – Ataque alemão a Verdun. Início do ataque alemão a Verdun em 21 de fevereiro. Dura até 15 de dezembro, com a vitória dos aliados. Franceses acabam por recuperar os territórios ocupados pelos alemães, no fim das operações.
Dia 24 de fevereiro – Primeira apreensão de navio alemão. Em 24 de fevereiro dava-se a primeira apreensão de um navio alemão surto no Tejo (serão abrangidos 70), o que motivou os protestos parlamentares de Brito Camacho no dia seguinte. Os britânicos tinham solicitado que o governo português requisitasse os navios alemães que se refugiaram nos portos portugueses. Apreensão autorizada por decreto do dia 23 e levada a cabo por Leote do Rego. Serão apreendidos 70 navios alemães e dois austríacos. Empréstimo britânico de dois milhões de libras. O governo obtém um crédito do banco central britânico para a compra de trigo e de material de guerra (dois milhões de libras). Greve de tecelões na Covilhã. Tumultos em Lisboa, com bombas e mortos.
Março – Nos princípios de março, o governador civil de Lisboa manda dissolver a União Operária Nacional, a Federação dos Metalúrgicos e da Construção Civil, bem como a União dos Sindicatos de Lisboa, com o pretexto de faltar lei reguladora sobre a matéria. Nas mesmas circunstâncias se encontravam as associações patronais que, no entanto, não receberam idêntica ordem.
Dia 4 de março – Manifesto de cereais
Dia 9 de março – Alemanha declara guerra a Portugal. Surge a declaração de guerra da Alemanha a Portugal. Nota entregue pelo barão Van Rosen.
Dia 10 de março – Apoio parlamentar ao governo. No dia 10 de março, imediato e unânime apoio parlamentar ao governo, por causa da guerra. Sessão parlamentar onde Afonso Costa propõe um governo de unidade nacional.
Dia 11 de março – Camacho defende ministério nacional. Brito Camacho diz só colaborar num verdadeiro ministério nacional, onde também estivessem representados monárquicos e socialistas, pelo que considera que o modelo é apenas de concentração republicana. Os católicos não colaboram sem prévia alteração da Lei da Separação e os monárquicos nem sequer são chamados.
Dia 12 de março – Poderes extraordinários para o executivo. Lei nº 491 concede ao poder executivo as faculdades necessárias para o estado de guerra..
Dia 13 de março – Arrolamento de vinhos e azeites. Preparação de um novo governo. São sondados para a chefia do governo os republicanos independentes Augusto José da Cunha, Guerra Junqueiro e Anselmo Braamcamp Freire. Leote do Rego faz a mediação entre António José de Almeida e Afonso Costa.
Dia 15 de março – Governo da União Sagrada. Nomeado o ministério da União Sagrada.
Dia 16 de março – Pátria em perigo. Apresentação parlamentar do novo governo, sob o signo da pátria em perigo em 16 de março de 1916. Criação do Ministério do Trabalho e Previdência Social. A lei nº 494 cria o Ministério do Trabalho e Previdência Social. A lei foi discutada, aprovada e publicada num único dia. Inclui uma Direção-Geral de Previdência Social e Subsistências. Criação de lugares de subsecretário de Estado. Criados lugares de subsecretário de Estado e de ministro sem pasta.
Dia 28 de março – Instaurada censura à imprensa. Protesto imediato da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto.
Abril – Greve da construção civil em abril. Incêndio na Escola Naval. Mal-estar provocado pela crise das subsistências. Concluída a ocupação do Quionga em Moçambique, território de que tínhamos sido desapossados em 1894. É governador de Moçambique Álvaro de Castro.
Dia 4 de abril – Medidas contra alemães. Proibido o ingresso de alemães em território nacional. Obrigados a sair os existentes, ficando presos os que tinham entre 16 e 45 anos. Sequestro dos respetivos bens (23 de abril).
Dia 14 de abril – Proposta de amnistia. É proposta uma lei de ampla amnistia, abrangendo os responsáveis pelas incursões monárquicas. Esta proposta gera um protesto do próprio Manuel de Arriaga.
Dia 20 de abril – Instaurada a censura postal. Em Paris suicida-se o poeta Mário de Sá Carneiro, nascido em 1890. Proposta no parlamento a cruzada das mulheres portuguesas.
Dia 29 de abril – Controlo das exportações. Pelo decreto nº 2 357 de 29 de abril é regulada a exportação, reexportação e importação de géneros de primeira necessidade. Proibida a exportação para o estrangeiro de lãs, salitre, vitrato de sódio, fios e cordões para instalações elétricas. Proibida a exportação para as colónias de combustíveis, automóveis e genéros alimentícios de que haja escassez na metrópole. Livres de direitos pautais as importações de gados, cerais, à excepçãp do trigo, batatas e carnes.Maio
Dia 1 de maio – Questão das subsistências. Discurso de Afonso Costa na Câmara dos Deputados sobre a questão das subsistências.
Dia 5 de maio – Ministério dos estrangeiros. Decreto de 5 de maio de 1916 transfere o ministério dos estrangeiros do Terreiro do Paço para o palácio das Necessidades. Antecipado o encerramento das aulas. Em 5 e 9 de maio são mandadas encerrar por antecipação as aulas nalgumas escolas oficiais Greve dos metalúrgicos e dos carroceiros em maio.
Dia 14 de maio – Votação do orçamento.
Dia 20 de maio – Propaganda face à participação na guerra. António José de Almeida na Câmara dos Deputados considera que, perante a guerra, a alma portuguesa ainda não encontrar aquela vibração suprema. Jaime Cortesão havia defendido a criação de um sistema de propaganda face à nossa participação na guerra.
Dia 24 de maio – Reinspeção de mancebos. Reordenada a inspeção militar para todos os indivíduos com idade inferior a 45 anos e não apurados.
Dia 31 de maio – Batalha naval da Jutlândia com vitória dos aliados.
Dia 5 de junho – Criados três lugares de Subsecretário de Estado em 5 de junho.
Dia 9 de junho – Circulação fiduciária. Decreto de 9 de junho eleva o limite da circulação fiduciária de 120 para 145 mil contos. Será de 200 mil contos em dezembro desse ano de 1916. Afonso Costa em Paris na Conferência Económica dos Aliados (de 9 a 21 de junho). Segue para Londres (de 21 de junho a 27 de julho).
Dia 19 de junho – Doutores por decreto. A Lei nº 616 de 19 de junho estabelece que as faculdades podem reconhecer o grau de doutor aos professores com três anos de serviço. Ficam abrangidos na faculdade de Estudos Sociais e Direito Alberto da Rocha Saraiva, Albino Vieira da Rocha, Soares das Neves e Barbosa Magalhães, até então bacharéis formados.
Dia 22 de junho – Parada militar em Montalvo, proclamando-se o chamado milagre de Tancos.
Dia 23 de junho – Reorganização administrativa. Lei nº 621 sobre a organização dos corpos administrativos. Altera lei nº 88 de 7 de agosto de 1913.
Dia 30 de junho – Comércio do trigo. Novo regime do comércio de trigo em 30 de junho, pela lei nº 2 488. Manifesto dos cereais. Criados modelos de avaliação do consumo por concelhos.
Dia 1 de julho – Nova expedição militar parte para Moçambique. Embarque de nova expedição militar para Moçambique, comandada por Ferreira Gil. Constitui-se em Tancos o Corpo Expedicionário Português, de 30 000 homens, sob o comando de Norton de Matos (22 de julho).
Dia 15 de julho – Manifestos obrigatórios para vários géneros alimentícios pelo decreto nº 2 515. Afonso Costa visita Londres em julho. Negociado um crédito de 20 milhões de libras que permite estabilizar o câmbio português nos anos de 1916 a 1918. A libra que em 1915 estava a 6$74,8 passou para 7$03,2 em 1916; 7$26 em 1917 e 7$90, 1 em 1918. Providências sobre a circulação de moeda de prata e sobre a emissão de bilhetes de tesouro. Decreto nº 2 511 proíbe a exportação de moeda de prata , dado que esta começou a rarear. A moeda de prata da monarquia foi mandada recolher (15 de julho).
Dia 4 de agosto – Comícios oficiais a favor da guerra. Governo promove comícios junto dos principais monumentos, defendendo a nossa participação na Guerra. No jornal A Capital reconhece-se: em Portugal ninguém desejou a guerra. Aceitou-se esse mal como inevitável, como necessário para mantermos perante o mundo o lugar honrado a que as nossas tradições gloriosas nos dão direito.
Dia 7 de agosto – Reunião extraordinária do Congresso. Governo expõe as diligências financeiras, diplomáticas e militares. Manifesta-se alguma oposição por parte dos unionistas.
Dia 20 de agosto – Congresso do partido unionista.
Dia 27 de agosto – Itália e Roménia entram na guerra. Itália declara guerra à Alemanha. Segue-se, entre 27 e 30 de agosto, a entrada da Roménia na guerra.
Dia 31 de agosto – Motim em frente a São Bento. Merceeiros reclamam fornecimento de aç úcar e abolição do tabelamento de preços. Proposta a restauração da pena de morte. Nesse dia foi proposta e aprovada a restauração da pena de morte nos campos de batalha para casos de traição. Unionistas e socialistas opõem-se e abandonam a sala.
Dia 12 de setembro – Costa na chefia interina do governo. Afonso Costa substitui interinamente António José de Almeida na chefia do governo e na pasta das colónias (de 5 de setembro a 12 de outubro).
Dia 30 de setembro – Criada a Comissão de Abastecimento em lugar da Comissão Central de Subsistências, pelo decreto nº 2 660 de 30 de setembro. As anteriores comissões distritais passam as respetivas atribuções para os governadores civis.
Dia 8 de outubro – Incidentes no Porto. Batalha campal no Porto. Morto um polícia.
Dia 12 de outubro – Novo regime cerealífero. Decreto nº 2 670 de 12 de outubro, novo regime cerealífero.
Dia 25 de outubro – Pelo decreto nº 2 691 de 25 de outubro, preços do trigo nacional, tipos de farinha e pão. Permite ao governo estabelecer casas de fabrico e venda de pão.
Dia 26 de outubro – Regulamentado o sistema cerealífero. Manutenção Militar passa a comprar a produção nacional e a ter o exclusivo das importações.
Novembro – Juventudes Católicas. III Congresso da Federação das Juventudes Católicas Portuguesas em Braga. Apoio à criação da União Católica proposta pelos bispos.
Dezembro – Agravamento da crise das subsistências. Há faltas de combustíveis, açúcar e pão. Começam protestos na imprensa.
Dia 13 de dezembro – Criada uma comissão de abastecimento de carnes.Revolta de Machado Santos, sob o comando de Machado Santos. Governo suspende jornais monárquicos, bem como A Luta. Presos vários deputados, entre os quais o unionista Moura Pinto. São também detidos Egas Moniz e Alfredo Magalhães. O planeamento coube a Vasco de Carvalho, com a colaboração do capitão Eurico Cameira. Machado Santos sai com tropas de Tomar, mas não passa de Abrantes, onde é detido por Abel Hipólito. Machado Santos passa a ficar detido no palácio do Fontelo em Viseu. Ramificações subversivas a movimentos ocorridos em Castelo Branco e na Figueira da Foz. Os revoltosos, visando convencer autoridades civis e militar chegam a imprimir um Diário do Governo apócrifo. As notícias sobre o golpe são censuradas.
Dia 19 de dezembro – Lei sobre o saneamento de oficiais. Aprovada uma lei sobre o saneamento de oficiais em 19 de dezembro. Proposta apresentada pelo ministro da guerra, Norton de Matos. Ramada Curto, então deputado democrático, chama-lhe burla e monstruosidade jurídica. José Barbosa proclama que a República caminha para um abismo, em que se pode perder, criticando comissões de civis, chamados defensores das instituições. Jorge Nunes diz: vejo-me regressado a janeiro de 1908, com menos liberdade ainda, porque os ditadores de 1916 excederam, na violência e na sua obra, os ditadores de 1908. Nessa ocasião, dois homens – um rei e um príncipe – pagaram com a vida a obra dos ditadores, que fizeram um decreto que não era mais violento nem mais despótico que esta lei. Estão bem vingados os ditadores de 1908, porque os ditadores de 1916 excederam-nos na maldade da sua obra. Ramada Curto conclui que o governo pode ter a maioria para lhe aprovar essa proposta, mas o que não tem é a maioria das consciências.
Dia 28 de dezembro – Circulação fiduciária. Aumento do limite da circulação fiduciária. De 140 mil contos para 200 mil.
Dia 30 de dezembro – Poupança de energia. Por decreto de 30 de dezembro, regime de poupança de energia, especialmente quanto à iluminação pública e particular. Novo horário das repartições públicas (das 10 à s 16 horas). Guarda Nacional Republicana passa a reforçar o policiamento das ruas. Proibido o abate de vitelas. Submarino alemão ataca o porto do Funchal. Submarino alemão afunda navios ingleses que estavam surtos no porto do Funchal. Lançadas várias granadas sobre a cidade.
Janeiro – Nos princípios de 1917, uma dissidência nos evolucionistas, com 17 deputados a passarem-se para o grupo de Brito Camacho que passa para 30 deputados.
Dia 19 de janeiro – Ordenada a concentração das forças expedicionárias. O primeiro contingente do CEP parte em 19 de Janeiro, tendo saído do batalhão de Infantaria 15 de Tomar, o qual tinha participado na revolta de dezembro de 1916. Hão-de chamar-lhe carneiros de exportação portuguesa. Seguiram ao todo, para a Flandres, 55 000 homens(24 batalhões que formavam duas divisões). 30 000 são enviados para as colónias, onde já existiam 15 000. Ferreira Martins há-de observar: as forças seguiam para o cais de embarque quase às escondidas, não fosse a sua marcha espectacular através da capital despertar as iras daqueles que não se conformavam com a não participação militar na guerraI.
Dia 22 de janeiro – Instrução pastoral coletiva do Episcopado, apela para a acção política da União Católica, donde derivará o Centro Católico Português. Abortada uma tentativa golpista chefiada pelo coronel Botelho de Vasconcelos. Patrões e sindicalistas de Beja impedem a saída de trigo do concelho.
Fevereiro – Conquista de N’Giva, quartel-general do régulo Mandune.
Dia 3 de março – Reúne pela primeira vez o Conselho Económico e Social. A criação oficial é de 18 de abril, data da publicação do decreto nº 3 092.
Dia 6 de março – Funerais de Manuel de Arriaga. Importação livre de cereais. Livre de direitos pautais a importação de trigo e de outros cerais panificáveis.
Dia 8 de março – Crítica dos democráticos ao Conselho. Deputado António da Fonseca critica o governo por este consultar entidades estranhas ao parlamento. Referência ao Conselho Económico. As críticas renovam-se em 20 de março e o governo considera-se demissionário. O ministro do fomento é evolucionista e diz que o diploma teve como propósito chamar as forças vivas.
Dia 11 de março – Lavoura contra o Governo. Numa reunião da ACAP, José Relvas e Aresta Branco defendem ação direta da lavoura contra o governo.
Dia 15 de março – Revolução de Fereiro na Rússia. Termina a revolução de fevereiro na Rússia, iniciada no dia 8, com a queda do regime czarista.
Dia 1 de abril – Afonso Costa desloca-se a Espanha e França (1 a 23 de abril).
Dia 2 de abril – Estados Unidos da América entram na guerra. Conferência de Almada Negreiros no Teatro República e lançamento do manifesto futurista Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX.
Dia 20 de abril – Teses de abril. Lenine publica no Pravda as chamadas Teses de abril onde proclama nada de república parlamentar com um programa de nacionalização da banca e de expropriação de terras. Controlo do gado na raia. Regime de controlo do gado nos concelhos raianos para evitar a exportação clandestina.
Dia 25 de abril – Constituído o ministério de Afonso Costa. Cheio de antigos monárquicos, conta apenas com dois republicanos históricos, Afonso Costa e Alexandre Braga.
Dia 26 de abril – Apresentação na Câmara dos Deputados em 26 de abril e no Senado no dia 27. Salazar toma posse de assitente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Assalto a padarias e ao mercado do Porto.
Dia 1 de maio – Constituição mexicana de cariz anticlerical.
Dia 12 de maio – Revolta dos abastecimentos em Lisboa de 12 a 31 de maio. Dezenas de mortos e centenas de feridos. Criada uma comissão de distribuição de cereais.
Dia 13 de maio – Primeiras aparições de Fátima. Depois de ter surgido a diocese de Leiria em 1920, eis que as aparições só serão consideradas dignas de crédito em outubro de 1930. Segundo Oliveira Marques, terá ocorrido aparição idêntica no Barral ao pastorinho Armando Severino Alves.
Dia 19 de maio – Surto de greves em lisboa.
Dia 20 de maio – Suspensão das garantias constitucionais.Manifestação de operários da construção civil no Parque Eduardo VII. Governo decreta a suspensão das garantias constitucionais.
Dia 21 de maio – Revolta da batata. Assaltos a armazéns de víveres, com 22 mortos e 50 feridos graves, em 21 de maio. Chamou-se então ao processo a revolta da batata.
Dia 22 de maio – Confirmado o estado de sítio. Sessão parlamentar sobre a matéria, confirma o estado de sítio. Tumultos no Porto causam cerca de duas dezenas de mortos. Discurso parlamentar sobre as subsistências.
Dia 24 de maio – Afonso Costa discursa sobre a questão das subsistências.
Dia 31 de maio – Lavoura contra a importação de trigo. Reunião de lavradores na Associação Central da Agricultura Portuguesa considera que a crise tem a ver com importação de trigo e produtos colonais. Contestação no interior dos democráticos. Reunião do partido democrático revela a forte contestação de um grupo de deputados a Afonso Costa: António da Fonseca, Jaime Cortesão, Ramada Curto, Alberto Xavier, Artur Leitão e Francisco Trancoso. Acusam Costa de ser um falso radical. Cortesão pede um governo nacional, com operários e católicos. Jornal A Montanha do Porto abandona os democráticos e passa a independente. Um grupos de dissidentes de O Mundo, em Lisboa, passa a editar A Manhã. Projetada revolta do grupo de Machado Santos. Governo tem conhecimento que se prepara uma revolta, encabeçada por J. Carlos da Maia e Ladislau Parreira.
Dia 1 de junho – Criada a Administração dos Abastecimentos junto do Ministério do Trabalho. Junto dela passam a funcionar as comissões de abastecimento de carnes, de cereais e farinhas e uma comissão de abastecimento (decreto nº 3174).
Dia 6 de junho – Conferência operária do Porto. Presentes 71 sindicatos.
Dia 15 de junho – Eleito o primeiro deputado do Centro Católico Português, Diogo Pacheco de Amorim, por vaga de um deputado em Braga, numa disputadíssima segunda volta. A primeira assembleia geral do Centro terá lugar em Braga em 8 de agosto.
Dia 21 de junho – Bispo do Porto, D. António Barroso, é expulso da diocese.
Dia 26 de junho – Desembarcam em França as primeiras tropas norte-americanas.
Dia 3 de julho – Congresso dos democráticos. Reeleição de Afonso Costa, tendo como rival Norton de Matos.
Dia 7 de julho – Greve da construção civil de 7 a 18 de julho. GNR usa violência contra grevistas. Encerramento da sede da União Operária (300 prisões).
Dia 13 de julho – Discurso de Afonso Costa na Câmara dos Deputados sobre o regime de obras do Estado.
Dia 14 de julho – Afonso Costa assume-se como marxista. Afonso Costa discursa na Câmara dos Deputados. Reafirma-se marxista e partidário da luta de classes: entende que devem ser todos pela luta de classes, no sentido marxista da palavra!…
Dia 18 de julho – Sessão secreta do parlamento. Em 18 de julho, sessão secreta do parlamento sobre a participação na guerra.
Dia 22 de julho – Começa a batalha da Flandres. Dura até meados de novembro.
Dia 24 de julho – Lei dos acidentes de trabalho, estabelecendo direito à assistência clínica, medicamentos e indemnização para as vítimas de desastres de trabalho.
Dia 8 de agosto – Fundação do Centro Católico Português. Aprovado o programa redigido por Diogo Pacheco de Amorim e Almeida Correia. Eleita uma comissão central com Alberto Pinheiro Torres, José Fernando de Sousa (Nemo) e Diogo Pacheco de Amorim. Participam 36 leigos e 30 eclesiásticos, a maior parte deles oriundos da diocese de Braga.O II Congresso do CCP terá lugar em 22 de novembro de 1919.
Dia 11 de agosto – Novos tipos de farinha e de pão.
Dia 14 de agosto – Assitência financeira inglesa. Intervenção de Afonso Costa na Câmara dos Deputados sobre a assistência financeira inglesa. Proibida a entrada de gado espanhol. Decreto de 14 de agosto proíbe a entrada de gado espanhol para pastar, enquanto durar o estado de guerra.
Dia 15 de agosto – Faltam trocos e usam-se senhas e bilhetes. Algumas câmaras municipais começam a emitir cédulas. Decreto nº 3 296 de 15 de agosto tenta acelerar a recolha de moeda de prata, retirando de circulação as de D. Luís, D. Carlos e D. Manuel.
Dia 19 de agosto – Greve da Companhia das Águas.
Dia 31 de agosto – Expulsão do patriarca de Lisboa. Greve geral em Espanha contra a carestia de vida.
Dia 1 de setembro – Greve dos Correios e Telégrafos. Imensas prisões. Votada greve de solidariedade, que teve início no dia 8. Censura cinematográfica. Estabelecido o regime de censura às fitas cinematográficas.
Dia 5 de outubro – Subsídio para os funcionários públicos do Estado.
Dia 8 de outubro – Bernardino Machado, Afonso Costa e Augusto Soares visitam expedicionários da Flandres de 8 a 25 de outubro. São acompanhados pelo rei da Bélgica.
Dia 13 de outubro – Aparições de Fátima, o milagre do sol. Jornalista anticlerical Avelino de Almeida relata de forma imparcial, na Ilustração Portuguesa, a manifestação de 50 000 fiéis durante a última aparição de Fátima.
Dia 18 de outubro – Egas Moniz divulga aspirações do novo partido centrista, em entrevista a O Século em 18 de outubro. Programa oficialmente divulgado em 20 de outubro. Apoiado por vários dissidentes do evolucionismo como Vasconcelos e Sá, Malva do Vale, Tamagnini Barbosa e Simas Machado. É também integrado por vários elementos provindos dos dissidentes progressistas. Eleições para a a vaga de um deputado e um sendor no círculo ocidental de Lisboa. Votam apenas 14% dos recenseados. Democráticos obtêm 3 224 votos contra 2 363 para Machado Santos. Nas votações para o senador, 1797 votos para os democráticos e 1 090 para o unionista Barros Queirós.
Dia 25 de outubro – Bernardino regressa a Lisboa.
Dia 4 de novembro – Eleições administrativas. Democráticos com 92 câmaras (tinham 300); oposição republicana com 24 e monárquicos com 25. 89 para independentes.
Dia 7 de novembro – Começa a revolução bolchevista no dia 7 de novembro (25 de outubro segundo o calendário juliano).
Dia 19 de novembro – Afonso Costa e Augusto Soares vão a Paris (de 19 de novembro a 6 de dezembro).
Dia 26 de novembro – Decreto de 26 de novembro cria o conselho de Administração dos Transportes Marítimos do Estado. Durante a guerra tinham sido afundados 80 barcos portugueses, cerca de 45 mil toneladas. O diploma será revogado por Sidónio Pais em 17 de dezembro seguinte. Preços do azeite e do arroz.
Dia 27 de novembro – Decreto da mobilização agrícola de Lima Basto. III Congresso da Federação das Juventudes Católicas em Viseu.
Dia 4 de dezembro – Medidas sobre as subsistências. Determina-se que nenhuma fábrica de moagem poderá adquirir trigo ou milho sem ser através do ministério do trabalho. Controlo do trânsito do feijão. Regime de abastecimento de legumes. Controlo da qualidade do azeite.
Dia 5 de dezembro – Armistício de Brest-Litovski entre a Alemanha e a Rússia bolchevista. Começo da revolta sidonista. Entre fevereiro de 1917 e outubro de 1920, há 27 golpes de Estado vitoriosos na Europa.
Dia 7 de dezembro – Triunfo da revolução dezembrista. Decretado o estado de sítio na zona de Lisboa. A revolução triunfa no dia 7. Há 109 mortos e 500 feridos, quase como no 14 de maio de 1915. Do lado governamental apenas resistem os marinheiros de Agatão Lança. É uma espécie de 14 de maio ao contrário, agora com a vitória de Machado Santos. Face à ausência de Afonso Costa e Augusto Soares, o governo era então comandado por Norton de Matos que tem a colaboração de Leote do Rego.
Dia 8 de dezembro – Declaração da junta revolucionária, composta por Sidónio Pais, Machado Santos e Feliciano Costa, anuncia o triunfo: venceu a república contra a demagogia, prometendo-se o fim da desordem e o império da lei. Machado Santos estava preso em Viseu. Prisão de Afonso Costa no Porto. Regressara de Paris no dia 6, dormindo em Coimbra. Vem para Lisboa no dia 11 e é transferido para o Forte da Graça em Elvas no dia 18. Será posto em liberdade no dia 30 de março de 1918, partindo para França em 25 de abril. Os antecedentes. A revolta começou a ser preparada por um comité ligado aos unionistas de Brito de Camacho que se reunia em A Luta e na farmácia Durão, ao Chiado, de que era proprietário António Ferreira, também unionista. A direção conspiratória era composta por Alberto da Silveira, Alves Roçadas, Vicente Ferreira, Tamagnini Barbosa e Vasconcelos e Sá. Ao grupo liga-se Sidónio Pais. Camacho não apoiou o movimento na fase final. Entretanto, por influência de Augusto Vasconcelos, regressado de Madrid, Camacho deixa de apoiar o movimento. Os conspiradores conseguem financiamento do agricultor alentejano, também unionista, António Miguel de Sousa Fernandes. A procura de um chefe de governo. Depois da vitória, Sidónio tenta encontrar para chefe do governo o unionista Bettencourt Rodrigues, bem como o independente José Relvas. Como observa Rui Ramos, porque os partidos se haviam esfacelado em 1917, eis que Sidónio pode recolher as maravilhas de todos eles, e fazer a manta de retalhos com que se cobriu. O novo governo era apenas a República de 1910 livre dos democráticos.
Dia 9 de dezembro – Primeiras medidas do dezembrismo. O novo ciclo político começa por anular os castigos impostos aos bispos, disolve o parlamento e manda libertar os indivíduos presos por estarem implicados no golpe de 16 de dezembro de 1916. Posição dos sindicalistas. Comício da União Operária Nacional, na praça dos Restauradores em Lisboa apresenta reclamações à Junta Revolucionária. Outros comícios se realizam no Porto, Coimbra, Leiria, Barreiro, Odemira e Parede. Reclama-se, nomeadamente, a utilização imediata de terrenos baldios. Novo diretor das subsistências. Cristóvão Moniz é nomeado diretor das subsistências públicas.
Dia 10 de dezembro – Reintegração dos saneados. Nesse dia são formalmente demitidos os ministros do governo de Afonso Costa.
Dia 11 de dezembro – É destituído o Presidente da República, Bernardino Machado. Constituição de um novo governo. A Junta Revolucionária é substituída por um novo governo. Três unionistas. A maioria do governo é de civis.
Dia 15 de dezembro – Bernardino Machado só abandona o palácio de Belém em 15 de dezembro, onde fica prisioneiro. Reintegração de D. Luís de Castro. Simbolicamente, é reintegrado no Instituto Superior de Agronomia, o antigo ministro da monarquia, D. Luís de Castro. São reintegrados os funcionários afastados depois do 14 de maio de 1915.
Dia 16 de dezembro – Publicação do programa de governo. Com o parlamento dissolvido, é publicado o programa de governo em separata do Diário do Governo. Aí se proclama que o governo é contra a demagogia, tendo em vista a a harmonia e unidade da pátria.
Dia 17 de dezembro – Extinção da Administração dos Abastecimentos. Extinta a Administração dos Abastecimentos.
Dia 20 de dezembro – Regresso do bispo do Porto à diocese. D. António Barroso regressa ao Porto.
Dia 27 de dezembro – Preços da batata e do arroz. Sidónio assume a presidência da república. Sidónio acumula as funções de presidente do ministério e de presidente da República.
Dia 8 de janeiro – Revolta dos marinheiros no quartel de Alcântara. Sidónio, na parada da vitória, humilhou os marinheiros, quando os fez desfilar desarmados. No dia 9, o Vasco da Gama, revoltado, circula no Tejo. Sidónio assume diretamente a defesa da situação comandando a artilharia do Castelo de S. Jorge que atinge o navio e o faz render.
Dia 9 de janeiro – Dissolução de centros políticos. Determina-se que os governos civis dissolvam todos os centros políticos que na atual conjuntura tenham exorbitado dos seus fins legais, concorrendo para a perturbação da ordem.
Dia 10 de janeiro – Dissolução de corpos administrativos.
Dia 12 de janeiro – Banhos de multidão. Sidónio visita o Norte a partir de 12 de janeiro de 1918. No Porto, nos dias 12 e 13. Em Braga, 14. Em Guimarães e Viana do Castelo, 15. Depois, visita o Sul, entre 15 e 18 de fevereiro. Em Évora, 15;em Beja, 17. Diz que o faz para tatear a opinião pública, porque não se pode governar sem o apoio da opinião e não há força alguma militar que a domine. Dá vivas à república nova.
Dia 14 de janeiro – Governo republicano com apoio de monárquicos. Reconhece o apoio dos monárquicos que são pessoas honestas, mas logo salienta que diga-se o que se disser, agrade a quem agradar, o governo é republicano tendo como intuito acabar com os ódios que dividem a família portuguesa.
Dia 23 de janeiro – Beatificação de D. Nuno Álvares Pereira.
Dia 25 de janeiro – Teixeira Gomes é demitido de ministro de Portugal em Londres. O mesmo acontecerá a João Chagas.
Dia 27 de janeiro – Termina greve dos caixeiros.
Dia 1 de fevereiro – Norton de Matos chega ao exílio de Paris. Fundada Liga de Ação Nacional com António Sérgio, F. Reis Santos e Pedro José da Cunha.
Dia 2 de fevereiro – Por decreto de 2 de fevereiro (Decreto nº 3 929), são autorizados os estabelecimentos de assistência, nomeadamente hospitalares, a aceitarem doações, heranças e legados.
Dia 6 de fevereiro – Egas Moniz, ao inaugurar a sede do Partido Centrista, propõe um regime presidencialista.
Dia 7 de fevereiro – Subsistências. Intervenção do ministério do trabalho. O ministério do trabalho, através da direção de serviços de subsitência pública passa a poder comprar e vender todos os géneros de primeira necessidade (Decreto nº 3 810 de 7 de fevereiro).
Dia 8 de fevereiro – Novo preço para a batata. Camacho contra a Lei da Separação. Discurso de Brito Camacho em Braga, acusando a Lei da Separação de não ser uma lei para a defesa do Estado, mas antes para agravo da Igreja.
Dia 14 de fevereiro – Sidónio e o anúncio de um novo partido. Sidónio inicia visita ao Sul a partir do dia 14 de fevereiro. Em Évora, no dia 15 de fevereiro, falando na vida partidária, critica a rotina dos partidos e diz que um maior haveria de formar-se. Regressa a Lisboa no dia 18. Estas declarações produzem imediatas reações dos unionistas e Sidónio tem de emitir uma nota oficiosa, no dia 19, onde declara que não falou num partido único, mas antes n’ um partido constituído por todos, de homens de bem para servir a pátria. E que é preciso implantar um regime novo em que monárquicos e republicanos possam viver.
Dia 15 de fevereiro – O unionista José Barbosa contra o presidencialismo. Em 15 de fevereiro, o unionista José Barbosa que, na Constituinte fora um dos autores do projeto presidencialista, em artigo publicado em A Luta, aceita o presidencialismo desde que ele nasça de um parlamento, a ser eleito pelo povo antes da própria eleição do Presidente.
Dia 20 de fevereiro -Conselho de ministros opta pela eleição presdiencial. Decidida em conselho de ministros do dia 20 a realização de eleições, nomeadamente do Presidente, por sufrágio direto.
Dia 21 de fevereiro – Greve na Companhia de Gás e Eletricidade.
Dia 22 de fevereiro – Alterada a Lei da Separação. Decreto nº 3 856 do ministro da justiça, o unionista Moura Pinto. O relatório do decreto terá sido redigido por Brito Camacho. Mas algumas das intenções aí referidas acam por não constar do articulado. É suprimido o beneplácito, Devolução dos seminários confiscados desde 1911. As cerimónias de culto podem realizar-se a qualquer hora sem prévia autorização. As associações cultuais podem dedicar-se a outras atividades, para além das de assistência e beneficência.
Dia 24 de fevereiro – Sidónio visita, no Porto, hospitais onde estão doentes com tifo. Camacho contra a eleição presidencial. Brito Camacho em A Luta volta a insistir na tese unionista: primeiro, eleição do parlamento; só depois, a do presidente. Conferência de Alfredo Pimenta na Liga Naval: isto … já não é República porque lhe falta Afonso Costa. Ainda não é monarquia porque lhe falta o rei. Greves em Lisboa: pessoal dos elétricos, gazonistas, carroceiros e engomadeiras.
Dia 3 de março – Novo tratado de Brest-Litovski entre a Rússia e a Alemanha.
Dia 5 de março – Rutura entre Sidónio e a União Operária Nacional. Sidónio Pais recebe em audiência a União Operária Nacional. O intermediário foi o professor Aurélio Quintanilha, antigo aluno de Sidónio em Coimbra. Começa a rutura entre o movimento sindicalista e o sidonismo. Machado Santos chega mesmo a ameaçar com a suspensão do direito à greve. Conselho central da União Operária Nacional mostra desalento com a situação: nada de razoável podem nem devem esperar as classes trabalhadoras de mais esta nova (?) situação política que o operariado acolheu com benévola expectativa.
Dia 7 de março – Ministros unionistas abandonam o governo. Três ministros unionistas abandonam o governo no dia 7 de março, mas um grupo significativo de unionistas abandona o partido em sinal de apoio a Sidónio. Machado Santos sai do ministério do interior. Ascensão de Tamagnini Barbosa. Nobre de Melo é apresentado a Sidónio por Teófilo Duarte. Ao tomar posse diz não ser monárquico nem republicano, mas sim sindicalista.
Dia 8 de março – Sérgio defende concórdia nacional. Entrevista de António Sérgio a O Século em 8 de março, onde defende a concórdia nacional.
Dia 9 de março – Criado o ministério das subsistências e dos transportes (Machado Santos) e o ministério da agricultura (Fernandes de Oliveira), pelo decreto nº 3 902 de 9 de março. O primeiro será extinto em 19 de julho de 1918.
Dia 11 de março – Lei eleitoral (decreto 3 907). Não alfabetos passam a eleitores.
Dia 14 de março – Novos preços dos cereais. Egas Moniz, em meados de março, é nomeado ministro de Portugal em Paris.
Dia 17 de março – Junta de Salvação Pública. Surge nos jornais um manifesto de uma Junta de Salvação Pública em 17 de março. Pede a suspensão dos jornais da oposição, a prisão dos boateiros e chama ao partido democrático uma associação de malfeitores.
Dia 22 de março – Decreto nº 3 966, estabelece novos preços dos cereais.
Dia 30 de março – Constituído o Partido Nacional Republicano em 30 de março. Eleição presidencial por sufrágio direto e universal. Nesse dia, pelo decreto nº 3 997, considerado diploma eleitoral, altera-se a Constituição de 1911, no sentido presidencialista. Eleição do presidente por sufrágio direto, com mandato de quatro anos, com chefia das forças armadas e poder de livre escolha do governo. Câmara de Deputados de 155 membros a eleger pelo sistema de lista incompleta, garantindo-se a representação das minorias. Senado de 78 membros, com 49 eleitos. Segundo Teófilo Duarte, o diploma foi redigido por Martinho Nobre de Melo que se valeu da colaboração de António Sardinha e Hipólito Raposo (era companheiro de mesa de Nobre de Melo com quem coabitava; eram os dois solteiros).Greve dos elétricos em Lisboa.
Dia 31 de março – Congresso dos Trabalhadores Rurais. III Congresso dos Trabalhadores Rurais em Lisboa, em 31 de março e 1 de abril. Debatem-se questões relativas à reorganização fundiária.
Dia 5 de abril – Decreto nº 4 058 reorganiza a Polícia Cívica de Lisboa, Destaca-se uma Polícia Preventiva para os crimes políticos e sociais. O Exército deixa de policiar as ruas.
Dia 8 de abril – Congresso Unionista no Teatro de S. Carlos em 8 de abril. Ataques ao sidonismo. Decidida a não participação nas eleições, por proposta do até há pouco ministro sidonista Moura Pinto. Unionistas repetem aatitude que tiveram durante o consulado de Pimenta de Castro. Deixam de apoiar o governo na véspera da data marcada para as eleições.
Dia 9 de abril – Batalha de La Lys. Morrem 327 oficiais e 7 098 praças, cerca de 35% da 2ª divisão do CEP. Em 21 de março começara uma ofensiva alemã e os ingleses têm de retirar em cerca de 60 km. Em 4 de abril começam motins de tropas portuguesas. Tamagnini pede aos britânicos que substituam as posições de toda a 1ª divisão portuguesa, face à insubordinação de várias brigas desta, que se recusam a ir para a frente. Em 8 de abril, quando o ataque alemão abranda, é retirada a 1ª divisão. Depois do massacre, o CEP é removido para a rectaguarda e utilizado para a abertura de trincheiras para os ingleses.
Dia 13 de abril – Restabelecida a censura.
Dia 18 de abril – Direitos aduaneiros pagos em ouro. Decreto nº 4 137 determina que os direitos aduaneiros sobre mercadorias importadas passem a ser pagos em ouro.
Dia 22 de abril – Criação dos celeiros municipais.
Dia 27 de abril – Controlo das cambiais. Decreto nº 4 176 de 27 de abril não permite que as operações a prazo sobre cambiais, desde que não lhes corresponda um ato comercial de exportação ou de importação. Reuniões para a organização da lista sidonista decorrem no governo civil de Lisboa, sob a presidência de Xavier Esteves, participando, entre outros, Egas Moniz, Vasconcelos e Sá e Amâncio Alpoim.
Dia 28 de abril – Eleições paralamentares e presidenciais. Abstenção dos democráticos, evolucionistas, unionistas e União Operária Nacional. Nas presidenciais, Sidónio obtém 69% (510 000 votos). Maioria para os governamentais. Para os deputados, governo obtém as maiorias em todos os círculos, à exceção de Arganil, onde triunfam os monárquicos (eleitos 40 deputados desta filiação). Surge uma minoria católica. 1 deputado socialista, Dr. João de Castro, de raça negra.
Dia 29 de abril – Novo contrato entre o Estado e o Banco de Portugal. Elevado para 350 000 contos o limite da circulação fiduciária (200 000 em dezembro de 1916). Permite-se um aumento annual de 60 000 contos na circulação fiduciária, origem das chamadas portarias surdas.
Dia 30 de abril – Portaria de 30 de abril proíbe a exportação de carnes para o estrangeiro e para as colónias.
Dia 4 de maio – Tentativa golpista no Porto. Prisões.
Dia 8 de maio – Amnistia para crimes políticos e crimes comuns. Leote do Rego e Norton de Matos não são abrangidos, porque considerados oficiais desertores. Nesse dia é estabelecida a ata dos resultados eleitorais. Regime do depósito legal de livros. Instituído a favor da Biblioteca Nacional o regime do depósito legal. Sidónio reafirma-se republicano. Discurso de Sidónio, reafirmando o republicanismo. Quer ser chefe de todos os portugueses e mandatário da Nação.
Dia 13 de maio – Sidónio toma posse da presidência na Câmara Municipal de Lisboa.
Dia 15 de maio – Secretários de Estado em lugar de ministros. Ministros passam a Secretários de Estado. Remodelação no governo.
Dia 17 de maio – Sidónio desloca-se ao Porto no dia 17 e no edifício do Aljube, no dia 18, liberta presos políticos que tinham sofrido maus tratos. Não recebe o apoio dos partidários da república velha, com críticas do Mundo e de A Luta, mas também não tem aplausos de monárquicos, com críticas de O Dia.
Dia 18 de maio – Ezequiel de Campos profere conferência na Liga Agrária do Norte.
Dia 1 de junho – Decreto nº 4 489 sobre a assistência religiosa a militares em campanha.
Dia 9 de junho – Demissão de Machado Santos. Tinha havido um conflito do ministro com a administração da CP, maioritariamente unionista. O ministro mandou prender os administradores da companhia, por sugestão de Cunha Leal. Mas Sidónio não admitiu a concretização da ordem. Cunha Leal era, então, diretor-geral dos transportes terrestres. Abandonará estas funções em conflito com Fernandes de Oliveira. O ministério do abastecimento e dos transportes, depois de ser gerido interinamente por Fernandes de Oliveira, ministro da agricultura, será extinto por decreto de 14 de julho. V Congresso da Federação das Juventudes Católicas em Santarém.
Dia 20 de junho – Sidónio declara que o equívoco monárquico findou.
Dia 27 de junho – Reatadas as relações diplomáticas com a Santa Sé.
Dia 28 de junho – Instituído um Conselho Económico.
Dia 29 de junho – Estabelecida a obrigatoriedade de venda de géneros que sejam considerados excedentes face ao consumo próprio, individual ou familiar.
Dia 6 de julho – Por decreto de 6 de julho, Decreto nº 4 554, o grau de bacharel formado é substituído pelo de licenciado. Restauram-se as insígnias doutorais. Pode conceder-se o grau de doutor aos professores ordinários e extraordinários que o não possuíssem, bem como a individualidades eminentes, dignas dessa distinção. É abrangido António de Oliveira Salazar, também feito doutor decretino.
Dia 9 de julho – Restabelecida a embaixada no Vaticano. Decreto nº 4 558 de 9 de julho restabelece a embaixada portuguesa junto da Santa Sé que havia sido extinta em 10 de julho de 1913.
Dia 11 de julho – Cruzada Nun’Álvares. Reunião preparatória da Cruzada Nuno Álvares Pereira, na Liga Naval, promovida pelo capitão João Afonso Miranda, em 11 de julho. Fundação do grupo em 18 de julho.
Dia 13 de julho – Decreto nº 4 638 de 13 de julho estabelece novo regime cerealífero.
Dia 14 de julho – Governo contrai empréstimo para a criação de escolas de instrução primária em todo o país. As escolas teriam cantinas e forneceriam alimentação gratuita para os alunos pobres. Extinta a secretaria de Estado das subsistências e dos Transportes, sendo os serviços integrados no interior.
Dia 15 de julho – Reunião das comissões preparatórias do Congresso.
Dia 17 de julho – Ofensiva dos serviços de fiscalização de susbsitências. Encerradas 243 mercearias em Lisboa. União Operária Nacional louva o governo. Protesto dos retalhistas.
Dia 18 de julho – Começa a greve dos ferroviários do Sul e Sueste. Até 23 de julho.
Dia 22 de julho – Inauguração solene do novo parlamento. Trabalhos parlamentares são interrompidos de 6 de agosto a 4 de novembro. Tanto Machado Santos como Cunha Leal, nas suas primeiras intervenções, perguntam quem é o presidente do ministério, defendendo a existência deste cargo, expressamente previsto na Constituição de 1911. A maioria elege Egas Moniz para seu líder parlamentar. Segundo Cunha Leal, até à morte de Sidónio, nunca saíram do casarão de S. Bento nem uma lei, nem um decreto-lei, nem o mais simples decreto regulamentar
Dia 26 de julho – Confronto entre monárquicos e dezembristas. Conflito entre deputados dezembristas e monárquicos por causa da saudação ao Brasil. Confrontos entre Egas Moniz e Tamagnini Barbosa. Esboça-se um conflito no seio dos dezembristas, com Egas Moniz, apoiado pelo Jornal da Tarde, então dirigido por João Henriques Pinheiro, a opor-se a que se consagre na Constituição a dissolução parlamentar pelo Presidente da República. Considera que, no presidencialismo é tão inadmissível essa dissolução quanto a não dissolução em parlamentarismo. Tamagnini Barbosa, por seu lado, assume um extremado anti-parlamentarismo defendendo a dissolução, numa ideia também partilhada por Sidónio Pais. Assalto ao centro evolucionista de Lisboa. Assalto aos jornais A Montanha e O Norte, no Porto. Em julho recomeça a baixa do câmbio. Grande agitação económica provocada pelo aumento da contribuição industrial e pelas novas medidas legais contra o açambarcamento.
Dia 6 de agosto – Interrupção dos trabalhos parlamentares em 6 de agosto. Até 4 de novembro.
Dia 7 de agosto – Decreto de 7 de agosto estabelece o manifesto dos gados na zona fronteiriça.
Dia 8 de agosto – Manifesto do partido democrático. Declara que a república está em perigo com os homens de dezembro tutelados e amparados pelos monárquicos.
Dia 22 de agosto – Comissariado Geral dos Abastecimentos. Organização de um Comissariado Geral dos Abastecimentos (decreto nº 4 753). Regime de senhas de racionamento desde 23 de setembro.
Dia 24 de agosto – General Garcia Rosado assume o comando dos restos do CEP, com o coronel Sinel de Cordes como chefe de estado maior. Gomes da Costa sai da Flandres para África. Crise das subsistências, a anarquia mansa. O Século de 24 de agosto refere a crise das subsistências como uma anarquia mansa, criticando o regime vigente de controlo, com regulamentações avulsas de governadores civis e administradores de concelhos, com preços a variarem de terra para terra e pelo aparecimento de novos negociantes e transportadores clandestinos de géneros alimentícios.
Dia 31 de agosto – Estabelecido o regime do racionamento. Regime dos manifestos e das rações individuais fixadas a nível de freguesia pelo regedor e pelos professores oficiais. O regime das senhas de consumo inicia-se em Lisboa logo em 16 de setembro e no dia 23 do mesmo mês no resto do país.
Setembro – No bosque de Paraut, na Flandres, durante o mês de setembro, repressão violenta de batalhões portugueses que se recusam a ir para a frente de combate.
Dia 4 de setembro – Açúcar e petróleo são racionados. Senhas de consumo gratuitas para indigentes.
Dia 7 de setembro – Canto e Castro substitui Carlos da Maia na pasta da marinha.
Dia 14 de setembro – Decreto de 14 de setembro autoriza a divisão dos baldios. Proibida a venda de farinha a granel e limites ao números de refeições em estabelecimentos hoteleiros e similares (decreto nº 4 835 e decreto nº 4 836, de 21 de setembro).
Dia 23 de setembro – Regime de prémios de produtividade para agricultores. Reacende-se a agitação económica face aos diplomas que restringem o comércio cambial e que tributam os lucros excecionais derivados da guerra.
Dia 28 de setembro – Tentativa de golpe em Lamego, descoberta por Sollari Alegro. Nova insubordinação no CEP, quando se pensava em voltar à frente. Pneumónica mata em setembro 31 785 pessoas.
Dia 2 de janeiro – Juntas conferenciam com Canto e Castro – Membros da Junta Militar do Norte (coronel Artur da Silva Ramos e major António Coutinho) conferenciam com Canto e Castro no dia 2 de janeiro, pelas 18 horas. Pedem que Egas Moniz e Afonso de Melo abandonem o governo. No dia seguinte já esta Junta faz nova proclamação do país.
Dia 5 de janeiro – A. Drexler funda em Munique o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP). Manifestação unitária de sindicalistas e socialistas, apoiada por republicanos contra as movimentações monárquicas.
Dia 6 de janeiro – Confrontos entre militares monárquicos e republicanos em Vila Real. Coronel Ribeiro de Carvalho, republicano nomeado por Tamagnini, enfrenta uma coluna do major Alberto Margaride, enviado pela Junta do Norte. Ultimato da Junta Militar do Norte a Tamagnini.
Remodelação governamental – Tamagnini Barbosa cede à pressão das juntas monárquicas e afasta do governo as pessoas mais ligadas a Egas Moniz, nomeadamente Afonso de Melo Pinto Veloso, coronel Corte Real e Forbes Bessa.
Dia 8 de janeiro – O novo governo faz a sua apresentação parlamentar, sendo criticado por Cunha Leal e, no dia 9, no Senado, por Machado Santos. Denunciam a entrega do regime aos monárquicos.
Dia 10 de janeiro – A partir do dia 10, eclodem movimentos revolucionários em Lisboa, Covilhã e Santarém, sob o comando de uma junta revolucionária constituída por Álvaro de Castro (então democrático que repetia o modelo insurrecional de 14 de maio de 1915), Francisco Couceiro da Costa (evolucionista), António Granjo (evolucionista), Jaime de Morais (deputado dezembrista), Augusto Dias da Silva (socialista) e Cunha Leal (deputado dezembrista). Apoiam a junta os militares Ramos de Miranda, Jaime de Figueiredo, capitão Tribolet e António Maria Baptista. Em Lisboa revolta-se o tenente Prestes Salgueiro, até então membro do gabinete do ministro da marinha.
Dia 12 de janeiro – Começa a revolta de Santarém com Cunha Leal. Junta declara querer acabar com a influência monárquica no poder, depurar o exército, defender em todos os campos e inalteravelmente a República. Defendem a nomeação de um governo presidido por Nunes da Ponte, com o general Tamagnini de Abreu a ministro da guerra. Mas este antigo comandante do CEP chefiava as tropas governamentais que se dirigiam para Santarém. Nesse mesmo dia 12, o governo, em nota oficiosa refere a existência de prenúncios de um movimento revolucionário capitaneado por democratas e secundado por agentes bolchevistas.
Dia 15 de janeiro – Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht são assassinados. Falha a insurreição espartaquista em Berlim.
Dia 16 de janeiro – Os revoltosos de Santarém rendem-se incondicionalmente, graças à ação da coluna negra vinda da Covilhã e comandada pelo tenente Teófilo Duarte, governador de Cabo Verde. Esta coluna impediu que a cidade fosse tomada pelas tropas das Juntas, comandadas por Silva Ramos, que tencionava pedir a Paiva Couceiro que encabeçasse o movimento.
Dia 18 de janeiro – Começa a conferência de paz de Versalhes, estando Portugal representado por Egas Moniz.
Dia 19 de janeiro (domingo) – Paiva Couceiro restaura a monarquia no Porto.
Dia 21 de janeiro – Manifestação de republicanos em Lisboa diante do ministério do interior. Começa a guerra na Irlanda, depois dos deputados nacionalistas proclamarem a independência.
Dia 22 de janeiro – Voluntários civis concentram-se no Campo Pequeno para receberem armas e instrução militar. Destaca-se a ação do major de infantaria André Brun. São mobilizados antigos apoiantes civis do sidonismo, como Manuel Inácio Ferraz.
Dia 23 de janeiro – Revolta monárquica de Monsanto em Lisboa. No dia 22 à noite, tropas pró-monárquicas começam a deslocar-se para Monsanto. Assume o comando o próprio Aires de Ornelas, com o apoio do tenente-coronel Álvaro de Mendonça. As tropas republicanas pró-governamentais são comandadas pelo tenente-coronel Vieira da Rocha.
Dia 24 de janeiro – Os monárquicos resistem até à s 17 horas do dia 24. A escalada de Monsanto ficou como uma data histórica e para mim superior à própria proclamação da República (Magalhães Lima).
Dia 26 de janeiro (domingo) – Recomeça a publicar-se O Mundo e o governo apresenta a demissão. O jornal logo comunica que o partido democrático defende uma concentração republicana. Depois de esmagada a revolta monárquica de Monsanto, houve reunião na sede do jornal A Luta presidida por Couceiro da Costa, com Cunha Leal, Álvaro Castro, Tomé de Barros Queirós, Aresta Branco, Fernandes Costa, Xavier Esteves, Inocêncio Camacho, Domingos Pereira, Ladislau Batalha e Augusto Dias da Silva, donde resulta consenso quanto à escolha de José Relvas.
Dia 27 de janeiro – O novo governo, que toma posse no dia 27, começa por juntar representantes de todos os partidos, incluindo os próprios sidonistas (na justiça, estrangeiros, comércio e colónias), cujo parlamento se manteve até 19 de fevereiro, data em que se regressou formalmente à plena vigência da Constituição de 1911. Augusto Dias da Silva, socialista, no trabalho. Pretendia-se um gabinete de concentração republicana, destinado a combater os realistas e nunca os sidonistas republicanos. Manteve a reforma sidonista da Lei da Separação, da autoria de Moura Pinto, e acordou-se quanto ao não imediato regresso dos exilados pelo sidonismo. Relvas observa: não posso correr o risco de ver as procissões cívicas nas ruas de Lisboa, clamando a intangibilidade da lei da Separação e festejando em apoteoses, como as piores de 1911, Afonso Costa e Bernardino Machado.
Dia 4 de fevereiro – No acto de apresentação parlamentar, perante o parlamento sidonista, o gabinete proclamava que era de todos os partidos, não tem partido algum, o seu partido é a república. Chamam-lhe o ministério da desforra. No plano do intervencionismo económico, advoga-se a liberdade de comércio e trânsito de géneros, com eliminação das proliferações regulamentares.
Dia 11 de fevereiro – As tropas republicanas são comandadas pelo general Alberto Ilharco. Em 11 de fevereiro Abel Hipólito conquista Estarreja aos monárquicos.
Dia 13 de fevereiro – Só no dia 13 se põe fim à Traulitânia, principalmente pela ação de Sarmento Pimentel que subverte a guarda real do Porto.
Dia 17 de fevereiro – Acaba a monarquia no Norte – No dia 17 cai Vila Real.
Dia 17 de fevereiro – Decreto de 17 de fevereiro sobre a liberdade de trânsito e comércio de vários géneros. O governo opta pelo regime dos preços máximos em vez dos anteriores preçários fixos do tabelamento. Alargado o regime da liberdade comercial ao trigo, arroz, batata e feijão.
Dia 19 de fevereiro (Decreto publicado no dia 21) – Dissolução do parlamento sidonista, anunciando-se o regresso à chamada república velha. Invoca-se o facto do parlamento sidonista não ter ratificado as medidas governamentais para a defesa da República. As eleições são convocadas para 13 de abril.
Dia 21 de fevereiro – Comício no Coliseu dos Recreios em Lisboa presidido por Fernando Boto Machado. Discursam Estevão Pimentel, Cunha Leal, Costa Júnior e Ramada Curto. Cunha Leal proclama: o governo não deve prender-se neste momento com constitucionalidades … deve decretar a dissolução do Parlamento… A República não está feita. Respira-se ainda no Terreiro do Paço uma pesada atmosfera de reacionarismo. Dir-se-ia que o Marquês de Pombal nos está pesando sobre o cachaço. É preciso purificar o ambiente. É preciso insuflar a vida da República. Vamos injetar-lhe a cafeína que necessita.
Tumultos. Pede-se o desarmamento da polícia cívica. Nisto entra na sala João Soares, enviado do governo, comunicando que o decreto com a dissolução parlamentar já está assinado.
Governo refugia-se no quartel do Carmo – Na manifestação de rua que se segue, dá-se um ataque ao ministério do interior, onde se encontrava José Relvas, o presidente do ministério, e ao quartel de Infantaria 33 do castelo de S. Jorge, considerado um bastião do sidonismo. Governo tem de refugiar-se no quartel do Carmo.
Dia 22 de fevereiro – Levantamento comunista em Budapeste por Bela Kun.
Dia 23 de fevereiro – Extinção da polícia cívica e demissão do governador civil de Lisboa, António Miguel, logo substituído pelo tenente Prestes Salgueiro. Policiamento de Lisboa passou a ser feito pela GNR e pela Guarda Fiscal.
Substituição de governadores civis – Segue-se uma vaga de substituição de governadores civis e de nomeação de comissões administrativas para os municípios, numa partilha de que beneficiaram os democráticos. Para o governo civil do Porto será nomeado o democrático José Domingues dos Santos.
Democráticos assaltam o poder local – Segundo Relvas, os democráticos convenceram-se de que a restauração da República foi a sua própria restauração como partido político e como não podem assaltar o poder Central vão treinando as suas forças nos assaltos locai sobre o Terreiro do Paço.
Dia 23 de fevereiro – Sai o primeiro número do jornal anarco-sindicalista A Batalha, dito porta-voz da organização operária portuguesa.
Dia 26 de fevereiro – Estabelecido o regime de liberdade de comércio para o trigo, arroz, batata e feijão.
Dia 1 de março – Decretos de 1 de março de 11 de abril de 1919 estabelecem nova lei eleitoral que regressa aos modelos das leis de 1913 e de 1 de junho de 1915.
Dia 4 de março – Fundado o Komintern em Moscovo (III Internacional).
Dia 7 de março – Decreto nº 5 516 estabelece o horário de trabalho em 8 horas.
Dia 12 de março – Afonso Costa substitui Egas Moniz na conferência de paz de Paris (data da nomeação). Toma posse no dia 17.
Dia 14 de março – Suspensos vários professores em Coimbra, entre os quais Salazar, Fezas Vital, Magalhães Colaço e Carneiro Pacheco, da faculdade de direito, Diogo Pacheco de Amorim, de ciências, e Mendes dos Remédios, de letras.
Dia 18 de março – Mendes dos Remédios demite-se de reitor da Universidade de Coimbra, sendo substituído interinamente pelo bacharel Joaquim Coelho de Carvalho, antigo presidente da Academia das Ciências.
Dia 21 de março – Bela Kun proclama a República Soviética da Hungria.
Dia 23 de março – Constituída a Associação de Classe dos Empregados do Estado. Francisco Nogueira de Brito é o secretário-geral. Fundado em Milão o primeiro fascio.
Dia 26 de março – O juiz Vieira Lisboa é nomeado para fazer uma sindicância aos professores de Coimbra.
Dia 27 de março – Governo apresenta demissão. Relvas era defensor de uma remodelação dos partidos, mas os evolucionistas em 8 de março recusam fusão com os unionistas num partido conservador. António José de Almeida apenas admitia que os unionistas passassem a integrar o partido evolucionista. Relvas não queria presidir a uma vitória eleitoral dos democráticos.
Greve dos tipógrafos em Lisboa.
Dia 30 de março – Governo de Domingos Pereira – Depois da saída dos ministros sidonistas, surge um novo governo, presidido pelo democrático Domingos Pereira, com um independente, cinco democráticos, três evolucionistas, dois unionistas e dois socialistas.
Março – Domingos Pereira, segundo Damião Peres, era um vulto democrático irrelevante na política antes da sua inclusão no governo de José Relvas.
Dia 5 de abril – Por decreto de 5 de abril, Lobo de Ávila Lima volta a ser demitido da docência universitária. Protesto da Faculdade de Direito de Lisboa, a que não se associa Barbosa de Magalhães.
Dia 6 de abril – Manifesto governativo.
Dia 7 de abril – Decreto nº 5 367 de 7 de abril cria a Polícia de Segurança do Estado a partir da Polícia Preventiva, até aí mera secção da Polícia Cívica de Lisboa que contava com 27 agentes. Esta polícia, em 4 de fevereiro de 1922 transforma-se em Polícia de Defesa Social. Greve na CUF contra os despedimentos em 7 de abril. Nesse dia é proclamado o Estado Soviético em Munique que dura até 8 de maio.
Dia 10 de abril – Emiliano Zapata, chefe da insurreição camponesa do México, é assassinado.
Dia 12 de abril – Greve dos corticeiros do Barreiro e dos estofadores e decoradores de Lisboa.
Dia 13 de abril – Alberto Madureira tenta a criação de um partido republicano conservador, com o unionista Nunes da Ponte, o sidonista ex-monárquico Francisco Fernandes e o sidonista António Miguel de Sousa Fernandes, antigo governador civil de Lisboa.
Dia 15 de abril – A Junta Municipal de Lisboa dos evolucionistas manifesta-se contrária à dissolução do partido.
Dia 16 de abril – Reunião no consultório de Egas Moniz de delegados dos partidos centrista, unionista e evolucionista, com republicanos independentes, tendo em vista a unificação naquilo que então se qualificava como o partido republicano reformador. Malogro, face à resistência dos evolucionistas.
Defesa de um rotativismo moderados/radicais – O evolucionista Ribeiro de Carvalho, em entrevista a A Capital, defende um grande partido moderado, incluindo democráticos, que se oporia a um grande partido radical, para onde deveriam transitar os radicais democráticos, evolucionistas e unionistas, o que só se conseguiria com a dissolução dos três grandes partidos.
Dia 17 de abril – Nova lei do arrendamento – Decreto nº 5 411 de 17 de abril proíbe a elevação das rendas de casa.
Dia 18 de abril – Comício do Partido Socialista no teatro Apolo.
Dia 23 de abril – Lei sobre as 8 horas diárias de trabalho em França.
Dia 24 de abril – Ex-parlamentares evolucionistas reúnem com António José de Almeida e manifestam-se contrários à dissolução do partido.
Dia 25 de Abril – Inaugurado solenemente o começo da construção do bairro social do Arco do Cego em Lisboa. Por decretos de 6 de março e de 15 de abril autorizava-se o governo a negociar empréstimos para a construção de bairros sociais. Em Lisboa, previam-se mais dois, um em Alcântara e outro na Ajuda. O processo foi marcado por um total fracasso. Logo em junho de 1921 é suspensa a construção dos projetados bairros à exceção do do Arco do Cego. Em janeiro de 1922 é nomeada uma comissão de inquérito. Uma lei de 5 de maio de 1922 suspende os trabalhos. Nova lei de 13 de setembro de 1922 permite apenas a conclusão das obras do bairro do Arco do Cego. A liquidação total ocorre em 23 de outubro de 1925. As obras no bairro do Arco do Cego apenas se concluem já depois do 28 de maio.
Dia 26 de Abril – Juiz Vieira Lisboa conclui sindicância aos professores de Coimbra.
Dia 28 de abril – Publicado o Pacto da Sociedade das Nações. Greve dos metalúrgicos e dos serviços camarários em Lisboa. Livre importação de azeite estrangeiro com acidez não superior a 5 graus.
Dia 1 de maio – 30 000 pessoas num comício sindical em Lisboa, no Parque Eduardo VII, convocado pela União dos Sindicatos Operários de Lisboa.
Dia 2 de maio – Reformas universitárias de Leonardo Coimbra. As greves recomeçam em força no dia 2 de maio (carris, águas, cesteiros e alfaiates). Incêndio no serviço de encomendas postais do Terreiro do Paço. Conselho de Ministros lança apelo ao operariado.
Dia 3 de maio – Incêndio na cadeia do Limoeiro. Pede a demissão o ministro do trabalho; o ministro da guerra mandara prender os grevistas da Companhia das Águas.
Dia 6 de maio – Fim da greve na Companhia das Águas.
Dia 7 de maio – A greve dos funcionários camarários de Lisboa termina.
Dia 8 de maio – A greve da Carris termina. Greves da construção civil no Porto e em Guimarães.
Dia 8 de maio – Criado o Conselho Superior de Finanças por decreto nº 5 525. Substitui o anterior Conselho Superior de Administração Financeira do Estado criado em 11 de abril de 1911. O organismo está na base do Tribunal de Contas, apenas criado em 1930.
Dia 10 de maio – Decretos nº 5 609 e nº 5 610 reformam os serviços prisionais (ministro António Granjo). O modelo vai estar em vigor durante cerca de uma década. Decreto nº 5 576 de 10 de maio repõe em vigor o modelo de delitos sociais, conforme o estilo da lei celerada de João Franco O novo diploma pune bombistas, com possibilidade de degredo para o Ultramar.
Na véspera das eleições, surgia o mais gordo diário oficial da história portuguesa, onde, para além do pacote laboral se publicam 30 suplementos, que segundo os adversários, cria cerca de 17 mil novos empregos públicos. Todos nomeados por conveniência do serviço público, sem o visto do Conselho Superior de Finanças.
Os números são incertos, mas em março já haviam sido saneados 500 oficiais do exército. Mas em 1930, contabilizavam-se mais de 17 000 funcionários do que em 1911, enquanto as forças armadas, nesse período, também aumentaram em cerca de 16 000 efetivos.
Reforma da GNR – Só a reforma da GNR (decretos nº 5 568 e 5 787, incluídos no 4º suplemento) aumenta os quadros de efetivos de 5 001, de 1911, para 18 956 homens.
Publicação, também em 10 de maio de 1919, de um pacote legislativo laboral que incluía tanto uma lei do horário de trabalho, como a institucionalização de um Instituto de Seguros Sociais e a obrigatoriedade de seguro social em casos de acidente, doença e velhice (decretos nº 5 636, nº 5 637 e nº 5 638).
Horário de trabalho – Estabelecida a semana das 48 horas para a maioria dos trabalhadores. 42 horas para bancos e escritórios pelo decreto nº 5 516. Diploma entra em vigor no dia 1 de novembro.
Emparcelamento – Pelo decreto nº 5 705, também de 10 de maio, estabelece-se o regime do emparcelamento de glebas ou parcelas rústicas.
É dissolvida a Faculdade de Letras de Coimbra e transferida para o Porto no dia 22 de maio (decreto datado de 10 de maio). Em 2 de maio Leonardo Coimbra reformara o estudos de filosofia, criando duas novas cadeiras e nomeando imediatamente os respetivos professores.
Dia 11 de maio – Eleições. Estavam marcadas para o dia 13 de abril, quando foi dissolvido o parlamento sidonista. Apenas 7% de participação. Vitória dos democráticos.
Dia 13 de maio – Greve da CUF.
Dia 14 de maio – No dia 14 houve protesto da faculdade, apoiado pelos estudantes no dia 15.
Dia 15 de maio – O professor de direito Joaquim Pedro Martins é nomeado ministro de Portugal junto da Santa Sé.
Dia 16 de maio – Grande comício operário em Lisboa.
Dia 19 de maio – Coelho de Carvalho é nomeado reitor efetivo da Universidade de Coimbra. Leonardo Coimbra demite Mendes dos Remédios por este se ter associado ao protesto do dia 14. Abandonará o cargo em 26 de junho.
Dia 2 de junho – Reabertura do Congresso da República – Canto e Castro apresenta a respectiva renúncia.
No dia 3 o Congresso já reúne e pede a Canto e Castro que continue.
Entretanto, Bernardino Machado, envia de Paris a respetiva renúncia (invocando a não aceitação da legitimidade sidonista), mas esta só chega a Lisboa no dia 16 de junho. O novo Congresso tem muita gente nova, desaparecendo grande parte das anteriores figuras republicanas.
Dia 3 de junho – Começa uma vasta greve ferroviária que durará dois meses, com várias sabotagens. Abrange as linhas do Norte, Oeste e Leste, bem como as ligações com o estrangeiro.
Dia 6 de junho – Governo manda encerrar sindicato dos ferroviários.
Dia 7de junho – Os socialistas protestam no Congresso contra o encerramento dos sindicatos ferroviários, mas é votada moção de confiança ao governo.
Dia 10 de junho – Passa por Lisboa, vindo de França, o presidente brasileiro Epitácio Pessoa.
Dia 12 de junho – Governo pede a demissão.
Dia 13 de junho – Aprovada moção de confiança ao governo. Prepara-se greve geral.
Dia 16 de junho – Grande comício operário.
Dia 17 de junho – Greve geral de 48 horas, com sucesso parcial. Explodem várias bombas. Os sindicatos gráficos impedem a saída dos jornais. Socialistas criticam A Batalha. Encerrada a sede da União Operária Nacional. O governo apresenta sucessivos pedidos de demissão e recebe sucessivas moções de confiança.
Dia 18 de junho – Regime da venda de carnes congeladas.
Dia 20 de junho – Sai o primeiro número de Avante!, dito Diário Operário da Tarde.
Dia 25 de junho – Governo insiste no pedido de demissão.
Dia 28 de junho – Alemanha assina o Tratado de Versalhes. Em 22 de junho os deputados alemães votam favoravelmente as condições de paz.
Dia 29 de junho – Governo de Sá Cardoso – Cerca de dois meses depois das eleições de 11 de maio, surge um novo governo, presidido por Sá Cardoso e dominado pela ala moderada e conciliadora dos democráticos, com uma maioria de futuros reconstituintes. Dos novos ministros, apenas Rodrigues Gaspar tinha anterior experiência governativa. Só Lima Alves e Melo Barreto não estavam inscritos nos democráticos.
Durante a vigência deste governo, continuam as greves, nomeadamente de ferroviários (de 3 de junho a 1 de setembro), bem como os atentados bombistas (um deles, em 9 de julho, contra o empresário Alfredo da Silva).
Dia 30 de junho – Apresentação parlamentar. O programa era muito extenso, levando o deputado Afonso de Melo a dizer que ele podia ser um lema de ação durante pelo menos cinquenta anos.
Dia 7 de julho – Discussão parlamentar sobre a greve dos ferroviários. O deputado socialista Ramada Curto, ex-ministro democrático, critica o governo pela atuação destes na greve dos ferroviários, mas o governo obtém a confiança parlamentar.
Dia 18 de julho – Atentado frustrado contra Alfredo da Silva. Começa a discussão parlamentar sobre a revisão constitucional em 21 de julho. Projeto aprovado no dia 1 de agosto.
Dia 27 de julho – Derrota de Bela Kun na Hungria.
Dia 31 de julho – Apresentação do orçamento. Défice de 82 125 contos. Despesas com o pessoal absorvem 84% das receitas. Alemanha adota a Constituição de Weimar.
Julho – Assalto à igreja dos Congregados e ao jornal O Debate.
Dia 5 de agosto – Incêndio na garagem do parque automóvel do estado. Começa o julgamento dos conspiradores monárquicos.
Dia 6 de agosto – António José de Almeida é eleito presidente da república.
Dia 9 de agosto – Atacada à bomba a estação de Santa Apolónia.
Dia 15 de agosto – Bombas na estação do Rossio. Tiroteio no Entroncamento. Continuam os descarrilamentos de comboios. Põem-se grevistas nos primeiros vagões das composições. Álvaro de Castro no parlamento defende uma política de sacrifício e compressão das despesas.
20 de Agosto – António Maria da Silva fala na Câmara dos Deputados no desregramento económico, político e financeiro. Alves dos Santos replica: é uma verdadeira falência. Já se fala em bancarrota.
Dia 27 de agosto – Pela lei nº 861, de 27 de agosto restabelece-se a Faculdade de Letras de Coimbra e cria-se outra no Porto que começa a funcionar no ano letivo de 1919-1920. A proposta foi apresentada logo em 23 de julho. Nesse diploma surgem restrições à autonomia universitária, dado que os reitores e os diretores de faculdade passam a ser de nomeação governamental. Entre os professores iniciais da faculdade do Porto, entre 1921 e 1928, Leonardo Coimbra, J. Teixeira Rego, A. Mendes Correia, Damião Peres, Hernâni Cidade e Aarão Lacerda.
Dia 1 de setembro – Fim da greve dos ferroviários. Atuação enérgica do ministro da guerra Helder Ribeiro conseguiu restabelecer alguma circulação.
Dia 2 de setembro – O deputado democrático Abílio Martins diz que os escândalos do Hinton e os roubos do Crédito Predial são pequenos episódios quando comparados com as monstruosidades do ministério dos abastecimentos.
Dia 3 de setembro – O deputado Ladislau Batalha considera: a usura dos produtores, dos comerciantes, dos intermediários e dos consumidores é que faz com que os géneros faltem … o próprio público é açambarcador pelo espírito de viver, enquanto o outro o é pelo espírito de enriquecer.
Tumultos em Lisboa pelo facto da câmara municipal ter mandado destruir o passeio central do Rossio. Tumultos no Porto, durante um comício contra a carestia de vida. Assaltos a celeiros em Elvas.
Dia 12 de setembro – Gabriel D’ Annunzio conquista Fiume.
Dias 16 a 28 de setembro – Dois representantes integralistas, Luís de Almeida Braga e Pequito Rebelo, deslocam-se à Inglaterra, para conversações com D. Manuel II.
Dia 17 de setembro – Extinto o ministério dos abastecimentos em 17 de setembro, pela lei nº 882. Até então, o seu titular, a título interino, era o ministro do comércio Ernesto Navarro.
Dia 18 de setembro – No II Congresso Operário Nacional realizado em Coimbra, constitui-se a Confederação Geral do Trabalho. Segue-se o modelo da CGT francesa, por inspiração de Emílio Costa.
Jornal A Montanha do Porto questiona: Partido Democrático? Qual? O de Afonso Costa? O de Domingos Pereira? O de António Maria da Silva? O de Álvaro Castro? Valha-nos Deus.
Dia 19 de setembro – Tratado de Saint Germain en Laye entre os aliados e a Áustria.
Dia 22 de setembro – Lei nº 891, de 22 de setembro, concede ao Presidente da República o direito de dissolução do Congresso. Relatório elaborado por Alberto Xavier, com a oposição de Barbosa Magalhães.
Dia 30 de setembro – Alberto Xavier é nomeado diretor geral da fazenda pública.
Em fins de setembro, dissolvem-se os partidos unionista e evolucionista. A reunião dos unionistas decorrem em 29 de setembro. O congresso dos evolucionistas em 30 de setembro e 1 de outubro.
Dia 5 de outubro – António José de Almeida toma posse do cargo de presidente da república. Havia sido eleito em 6 de agosto.
Criado o Partido Republicano Liberal.
Sai o primeiro número de A Bandeira Vermelha, dito semanário comunista, instituindo-se a Federação Maximalista Portuguesa, criada em setembro. Trata-se de um grupo dissidente da CGT, o primeiro a defender a revolução russa em Portugal. Entre os seus principais militantes, Manuel Ribeiro, António Peixe, Francisco Dias, Arsénio Filipe e José da Silva Oliveira. Em março de 1921, a partir desta base, cria-se o Partido Comunista Português.
Congresso do Partido Democrático. Reeleição de Afonso Costa, tendo como rival José Domingues dos Santos. Conflitos entre Domingos Pereira, António Maria da Silva e Álvaro de Castro.
Dia 8 de outubro – António Granjo é eleito líder parlamentar dos liberais.
Grupo popular – Nesse dia, Júlio Martins, ex-evolucionista, anuncia a constituição do grupo parlamentar popular. Terá o apoio de alguns grupos de radicais democráticos.
Dia 13 de outubro – O diretório do Partido Nacional Republicano aconselha a dissolução do mesmo grupo. Este partido era então liderado por Egas Moniz. Idêntica posição toma a fação que se lhe opunha, dirigida por~Feliciano Costa e que publicava A Situação, em 15 de outubro.
Dia 20 de outubro – Os integralistas anunciam no jornal A Monarquia que se desligam da obediência a D. Manuel II.
Greve dos barbeiros em Lisboa. Da construção civil em Guimarães. Dos descarregadores de terra no Porto. Dos soldadores em Olhão. Dos operários conserveiros em Setúbal. Dos carniceiros em Faro. Bombas na Marinha Grande e contra um comboio no Porto.
Dia 26 de outubro – A Bandeira Vermelha proclama fazer em toda a parte a apologia da revolução russa.
Dia 16 de novembro – Eleições legislativas em França. Vitória do bloco nacional de direita.
Dia 18 de novembro – Liberdade de importação, comércio e trânsito da batata, feijão e arroz.
Dia 22 de novembro – Aprovadas as bases regulamentares do Centro Católico Português durante o II Congresso do CCP, o chamado congresso da reestruturação, realizado em Lisboa, no Beco do Apóstolos, à Rua da Flores, na sede da Associação Católica.
Lino Neto na liderança. Saída dos monárquicos – O movimento, fundado em 8 de agosto de 1917, elegeu para presidente António Lino Neto, advogado e professor de economia política do Instituto Comercial e Industrial de Lisboa, apoiado por uma comissão central de que fazem parte António Pereira Forjaz, professor da faculdade de ciências de Lisboa, José da Fonseca Garcia, advogado. Da anterior comissão central, saíam Pinheiro Torres e Fernando Sousa (Nemo), marcados por militância monárquica. Na altura comemoram-se as festas do Beato Nuno. Há delegados de 13 dioceses.
Dia 27 de novembro – Tratado de Neuilly entre os aliados e a Bulgária.
Novembro – Greve dos sapateiros em Braga. Tumultos em Setúbal. Atentado à bomba contra Alfredo da Silva. Apupos a António Granjo no Porto. Assalto ao semanário monárquico de Coimbra, Ressurreição.
Dia 1 de dezembro – Em carta dirigida a Aires de Ornelas, D. Manuel II critica o procedimento dos integralistas.
Dia 2 de dezembro – Decreto nº 6 263 agrava sobretaxas da importação, estabelece a liberdade das exportações e restringe as remessas de fundos e títulos em ouro para fora do país. Criado um Conselho Fiscalizador do Comércio Geral e Câmbios.
Cunha Leal critica o decreto de 2 de dezembro que vem a ser modificado no dia 20, conforme o pedido de várias forças vivas. No dia 22, os ministros das finanças, da agricultura e do comércio pedem a demissão por causa deste processo.
Dia 18 de dezembro – Encíclica de Bento XV aos prelados portugueses, apoia expressamente a criação do CCP.
Dia 19 de dezembro – Descoberto em Lisboa um arsenal que se situava numa dependência de uma escola primária.
Dia 22 de dezembro – Pedem a demissão os ministros das finanças, da agricultura e do comércio, por causa do decreto de 2 de dezembro.
Dia 29 de dezembro – Sá Cardoso em entrevista ao Diário de Notícias, refere a existência de agitadores no seio da classe operária.
Dia 30 de dezembro – Estabelecido o regime do processo sumário para matérias relacionadas com géneros açambarcados ou adulterados (lei nº 922 de 30 de dezembro).
Greves em Lisboa do pessoal dos elétricos, dos pasteleiros, dos cozinheiros e dos trabalhadores do mar. Bombas em Lisboa, Coimbra e Porto.
Em dezembro de 1919 surge o primeiro doutor em direito por Lisboa, Jaime de Gouveia. Havia cursado em Coimbra.
Dia 3 de janeiro – Segundo A República, órgão dos liberais, eis que saem moderados e entram radicais.
Dia 8 de janeiro – Depois da remodelação governamental de 3 de janeiro de 1920, com reforço dos democráticos e de ser aprovada uma moção de confiança no dia 8, por 51-39, eis que Sá Cardoso, agravado pelas críticas da oposição apresenta a demissão. O presidente convida o liberal Fernandes Costa para formar governo. O deputado Ventura Malheiro Reimão chegou então a declarar não temos dinheiro, estamos em bancarrota. Di-lo uma pessoa que já foi ministro das finanças.
Dia 10 de janeiro – Criado o Consórcio Bancário com a missão de fixar os câmbios diariamente. Será extinto em 20 de novembro. Entra em vigor o Pacto da Sociedade das Nações. Afonso Costa assumia-se como o primeiro representante português na primeira assembleia da Sociedade das Nações.
Dia 15 de janeiro – Governo de Fernandes Costa – O governo não chega a tomar posse, face a uma manifestação de rua, comandada pela ala radical do partido democrático, a chamada formiga branca, que havia sido organizada pelo antigo governador civil de Lisboa, Daniel Rodrigues. Os nomeados ministros, antes de tomar posse estavam reunidos no edifício da Junta de Crédito Público e foram alvo de uma manifestação hostil. Fernandes Costa logo desistiu.
No mesmo dia há uma tentativa de assalto ao jornal A Luta, tendo o indigitado ministro do interior, António Granjo, que defender o jornal de pistola na mão. O mesmo Granjo segue depois para defender A República. Foi imediatamente reconduzido o anterior gabinete de Sá Cardoso.
António José de Almeida encarrega o liberal Tomé de Barros Queirós de formar um ministério nacional, mas este, logo no dia 17, desiste do intento.
Segue-se novo fracasso de Correia Barreto, presidente do Senado, que também desistiu (convidado a 17, desiste a 19). Recorre-se finalmente ao presidente da Câmara dos Deputados, Domingos Pereira.
Dia 19 de janeiro – Começa a publicar-se A União, órgão do Centro Católico Português. Tem como diretor António Lino Neto. Viverá inúmeras polémicas com A Época, jornal dirigido por José Fernando de Sousa (Nemo).
Dia 20 de janeiro – Nova greve geral, fracassada. A declarada greve geral constituiu um fracasso. Dura até ao dia 24.
Dia 21 de janeiro – Governo de Domingos Pereira – O governo, constituído em 21 de janeiro, reúne quatro democráticos, quatro liberais e um socialista. Dá-se um agravamento da crise das subsistência, com inúmeras resistências populares à requisição de bens essenciais.
Logo no dia 21 foi declarado o estado de sítio no Porto. Encerradas sedes sindicais e presos dirigentes.
Dia 22 de janeiro – António Granjo, no parlamento, declara que os acontecimentos do dia 15 tiveram ligações militares, numa alusão indirecta à GNR.
Apresentação parlamentar do governo no dia 22. Apoio completo dos democráticos. Liberais: mais alguma coisa que expetativa benévola. Populares, através de António Granjo: oposição sistemática. Jornal A República fala na existência de jovens turcos e de organizações secretas do Exército.
Dia 24 de janeiro – Termina a greve geral. O jornal A Batalha, em fevereiro, declara que os republicanos apunhalaram a República e o grande combate (entre conservadores e trabalhadores) aproxima-se.
Dia 3 de fevereiro – Apresentada a proposta de orçamento de Álvaro de Castro. António Maria da Silva terá dito na Câmara dos Deputados que o país tem estado a saque.
Dia 4 de fevereiro – Prosseguem os atentados terroristas e as greves, nomeadamente de ferroviários (de 28 de fevereiro a 4 de março) e funcionários públicos (a partir de 3 de março). Destaque para a greve dos sapateiros, com ataques bombistas a sapatarias. Greve do caminho de ferro do Sul e Sueste. Petardos em Lisboa no dia 18.
Dia 18 de fevereiro – Fixação dos preços do açúcar.
Dia 19 de fevereiro – Em O Século começa uma campanha contra as moagens.
Dia 20 de fevereiro – Fixação dos preços do azeite.
Dia 21 de fevereiro – Bombas em Lisboa. Tumultos prosseguem nos dias 22, ataque a O Século, e 23, dia do processo a Teófilo Duarte. Determinado o arrolamento de todo o gado disponível.
Dia 1 de março – Almirante Horty torna-se regente da Hungria, estabelecendo um regime autoritário.
Dia 2 de março – No jornal A Capital, o ministro Celestino de Almeida faz declarações contra as moagens, referindo as dívidas ao Estado.
Dia 4 de março – Governo apresenta demissão.
Dia 5 de março – Governo manda ocupar a sede da CGT onde reuniam sindicalistas da construção civil. António Maria da Silva é convidado a formar governo, mas logo desiste por falta de apoio dos populares.
Dia 7 de março – Álvaro de Castro abandona o partido democrático.
Dia 8 de março – O governo emite manifesto à nação por causa da greve dos funcionários públicos.
Em 9 de março – Constituída a resistência reconstituinte – Carta de Álvaro de Castro ao diretório. No dia 11 comunica a dissidência ao Congresso e consegue a adesão de Sá Cardoso e de outros deputados democráticos, bem como de alguns dissidentes do partido liberal. Em 2 de abril, manifesto assinado por 19 deputados (entre eles, Américo Olavo, Artur Lopes Cardoso, Carlos Olavo, Ferreira da Fonseca, Rego Chaves, Helder Ribeiro, Pereira Bastos, Camarate Campos, Manuel Alegre e Pedro Pita). Entre os senadores, Lima Alves, Melo Barreto, Namorado de Aguiar e Vasco Marques.
Dia 8 de março – Governo de António Maria Baptista – Gabinete constituído em 8 de março, quando Baptista aparecia como homem da confiança do patronato. Tinha como missão fundamental solucionar as greves. O governo todo ele é democrático, à exceção de Júdice Biker, membro do partido liberal, mas não em representação deste. Baptista era, segundo Pabón, apoplético, míope e ignorante.
Dia 9 de março – Apresentação parlamentar: ordem pública, ordem pública, ordem pública. Regresso ao intervencionismo económico. Apoio dos democráticos, socialistas e populares. Reconstituintes, em expetativa. Liberais, oposição franca e leal. Ramada Curto considera que os empregados do Estado não têm direito à greve porque não são proletários.
Dia 10 de março – No parlamento, tumultos nas galerias.
Dia 11 de março – Continuam as greves, nomeadamente dos metalúrgicos (começa no dia 11 de março) e da construção civil, bem como os atentados terroristas.
Dia 12 de março – Parlamento adiado até 11 de abril. Votam contra os liberais e socialistas.
Dia 13 de março – Greve dos funcionários públicos termina. António José de Almeida intervém no sentido de uma solução honrosa do conflito. Nesse dia é concedido o sistema de ajudas de custo aos funcionários. Apenas continua nos serviços dos correios e telégrafos. A greve começou no dia 4 de março.
Dia 15 de março – Começa a greve da indústria do mobiliário.
Dia 17 de março – Grandes tumultos nos dias 17 e 19 de março. Sindicalistas disparam sobre a GNR. Operários dão vivas à Rússia Vermelha.
Dia 18 de março – Termina o conflito russo-polaco com a assinatura do Tratado de Riga. Em março, Lenine institui a NEP (nova política económica).
Dia 19 de março – Uma flotilha inglesa faz exercício de tiro real diante do Terreiro do Paço. Temia-se uma revolução bolchevique em Lisboa. Encerrada a sede da CGT, que apelara à greve geral, com confrontos entre grevistas e membros da GNR.
Ultimato do governo aos grevistas dos serviços telegráfico-postais.
Dia 20 de março – O governo emite um pacote de decretos sobre a questão das subsistências, nomeadamente pelo tabelamento de bens essenciais e de interdição das exportações, contrariando a linha de liberalização dos anteriores gabinetes. Anulado o decreto de 5 de março que estabelecia a liberdade de comércio para os açúcares. Fixação dos preços máximos para azeite, arroz, batata, café, feijão, grão, milho nacional da última colheita, carvão vegetal e leite. Determina-se a apreensão destes géneros para serem postos à disposição do governo sempre que os mesmos sejam encontrados em local onde não estivessem à venda. Proibida a exportação de toros de pinho. Manifesto obrigatório de gado.
Dia 22 de março – Surge uma lei-travão, proibindo a apresentação de propostas envolvendo aumentos das despesas ou diminuição das receitas. É intensa a fuga de capitais.
Dia 24 de março – Encerrados os sindicatos da construção civil e dos metalúrgicos, bem como a sede da União Sindical Operária, com grande aparato policial. Apreendido o jornal A Batalha que acusa o governo de ressuscitar os processos do regime sidonista. Nesse dia, um decreto determinava medidas excecionais contra os grevistas dos serviços telegráfico-postais e dos operários da construção civil nas obras do Estado.
Dia 26 de março – Proibida a exportação de tecidos, malhas de lã e algodão.
Dia 27 de março – A Batalha suspende a sua publicação regular como jornal diário.
Dia 28 de março – Greve de protesto contra o encerramento de A Batalha.
Dia 30 de março – Termina a greve dos correios – Carteiros regressam ao trabalho.
Dia 3 de abril – Proibida a exportação de calçado.
Dia 5 de abril – Termina a greve da construção civil.
Dia 8 de abril – Obrigatoriedade de manifesto para açúcares estrangeiros.
Dia 10 de abril – Começa a greve dos operários dos arsenais.
Dia 11 de abril – Reabre o parlamento.
Dia 12 de abril – Por ocasião de uma manifestação de apoio ao governo na Rua Augusta, bombas e mortes.
Dia 13 de abril – Pacote de propostas financeiras do governo.
Dia 14 de abril – Deputado Costa Júnior, socialista, interpela o ministro da agricultura, advogando um tipo único de pão e acusando a panificação de praticar fraudes pela existência de dois tipos de farinha e de pão. Nos dias 14 e 15 de abril, atentados em Lisboa, Porto, Faro e Beja.
Dia 15 de abril – Termina a greve dos metalúrgicos iniciada em 11 de março.
No mesmo dia 15 é apresentada no parlamento uma proposta de lei de repressão aos bombistas, com deportação imediata para os dinamitadores.
Dia 20 de abril – Discurso de Cunha Leal na Câmara dos Deputados, atacando as moagens: a guerra permitiu, com o auxílio da fraude, reunir nas mãos da Moagem capitais disponíveis enormes. A pouco e pouco, as mogens começaram a alargar o seu campo de operações. Eles são senhores, entre outras coisas, do seguinte: moagens, panificação, indústria da bolacha e fabrico de massas, energia hidráulica, minas de carvão, metalurgia, indústria de fiação, etc. O seu poder torna-se estranho, compram jornais políticos e não políticos e manobram, assim, à vontade, a consciência pública.
Dia 23 de abril – Jovens Turcos tomam o poder… na Turquia – Primeira reunião da Assembleia Nacional turca. Mustafá Kemal eleito presidente do comité executivo. Sultão será destituído a 11 de maio.
Dia 24 de abril – Adoção de um tipo único de pão. Elevado o preço do trigo exótico $25/kg no preço de entrega à Moagem. Mantém-se para o trigo nacional o preço de $22/kg.
Dia 30 de abril – Deputado Lello Portela discursa na Câmara dos Deputados sobre a fuga de capitais.
Dia 1 de maio – Comemorações do dia 1 de maio contra a ditadura das forças vivas. Retrocede a ofensiva sindical. Governo apoia-se nos grupos de defesa da República, aliando-se os carbonários democráticos com representantes das associações patronais que, neste transe, apoiam António Maria da Silva.
Dia 5 de maio – Proibida a exportação de adubos orgânicos.
Dia 6 de maio – Deputado socialista Ladislau Batalha critica o tipo único de pão, por significar pão mais caro e pior. Governo apresenta novas propostas financeiras.
Dia 11 de maio – É criado um Tribunal de Defesa Social (dois juízes nomeados pelo governo e um pela magistratura) para criminosos de delitos sociais e bombistas.
Dia 15 de maio – Redução dos quadros do funcionalismo público.
Dia 23 de maio – Continuam as greves, nomeadamente dos eléctricos de Lisboa (de 23 a 31 de maio). Governo promove, como alternativa, o transporte automóvel e regressa-se à tração animal.
Abunda a fuga de capitais e um mercado clandestino de câmbios.
Dia 27 de maio – Tmás Mazarik primeiro Presidente da República da Checoslováquia. Jacinto Nunes apresenta no Senado proposta de amnistia para crimes políticos e religiosos. A proposta não é aprovada, apesar do apoio de Dias da Silva, socialista, e de António Maria da Silva. Forte oposição de Álvaro de Castro.
O parlamento começa a discutir a questão do imposto sobre os lucros de guerra.
Divergências entre os católicos, no conflito entre A Época de Fernando de Sousa (Nemo) e A União, de António Lino Neto. Neto tinha escrito que a Igreja é a mais bela democracia que tem visto o mundo e a primeira democracia de todos os tempos. Nemo contesta, baseando-se em Charles Maurras. Também Pequito Rebelo em A Monarquia havia contestado o presidente do Centro Católico Português, em março desse ano.
Dia 29 de maio – Greve dos médicos mutualistas.
Dia 31 de maio – Termina a greve dos carros elétricos de Lisboa.
Dia 3 de junho – Ministro da guerra João Estevão Águas aplica 20 dias de prisão correcional a Gomes da Costa porque este em 3 de junho publica artigo em A Capital criticando-o. Gomes da Costa era então membro da Federação Nacional Republicana, depois de ter sido membro do partido centrista.
Dia 5 de junho – Manifesto obrigatorio para couros e cabedais em quantidades superiores a 20 kg.
Dia 6 de junho – Morte do presidente do ministério, em pleno conselho de ministros, logo substituído por Ramos Preto. Acabara de ler uma notícia inserta em O Popular, então dirigido por Cunha Leal.
Dia 7 de junho – Manifesto obrigatório para a manteiga importada das Ilhas.
Dia 18 de junho – Governo apresenta a demissão, depois de ser criticado por um diploma que aumentava os vencimentos dos membros dos gabinetes ministeriais. São convidados sucessivamente para constituir governo Teixeira Gomes, Brito Camacho, Correia Barreto e Sá Cardoso. Todos desistem. Cunha Leal discursa na Câmara dos Deputados em apoio do ministro das finanças e criticando as forças vivas: nós fazemos a defesa dos interesses da Pátria e as forças vivas têm de pagar, hão-de pagar, embora tenhamos de lhes abrir as burras com o auxílio da guarda republicana. Corrida ao Banco de Portugal e sensível flexão do câmbio.
Governo de António Maria da Silva – Governo democrático (três ministros), mobilizando populares e socialistas. Era uma aliança da esquerda parlamentar com moderados. Oposição de liberais e reconstituintes que recusam colaborar.
Álvaro de Castro, analisando o programa de governo, proclama: é fácil e difícil discutir o programa do Governo. E é difícil porque, de uma maneira geral, pode dizer-se que não há ninguém, português e espanhol, brasileiro ou de qualquer outra nacionalidade, que não esteja de acordo com os princípios enunciados.
Dia 28 de junho – Aprovada na Câmara dos Deputados moção de confiança por 49-39. Mas no Senado ganha uma moção de desconfiança apresentada pelos liberais, por 25-23. Contudo, não era da praxe fazer depender o governo de votações do Senado.
Julho – Entra em funcionamento o Tribunal de Defesa Social, criado em maio de 1919.
Dia 2 de julho – O jornal O Mundo ataca o governo, considerando-o como mal constituído, logo no dia 2.
Nesse dia 2 de julho, os trabalhos parlamentares são adiados por dez dias.
Dia 4 de julho – Um dos juízes do Tribunal de Defesa Social, Pedro de Matos, é assassinado. Segue-se um ataque à bomba ao mesmo tribunal.
Dia 8 de julho – Portaria secreta de António Maria da Silva autoriza o Banco de Portugal a exceder o limite da circulação fiduciária, para reembolso dos saldos dos depósitos à ordem e à s operações de auxílio às praças do país. A portaria só será revelada em 24 de novembro de 1920. Greve no Porto dos manufatores de calçado. Há brigadas de vigilância que fazem caçadas aos amarelos, isto é, os trabalhadores independentes ao domicílio. A greve não tem o controlo da CGT. Tumultos graves em Setúbal, com assaltos a estabelecimentos no centro da cidade por tarefeiros da indústria de conservas. Tumultos também em Alcácer do Sal. Todos os movimentos sem controlo sindical. São as chamadas revoltas da fome.
Dia 10 de julho – Decreto nº 6 735 de 10 de julho sobre o novo regime cerealífero. Governo demite-se no dia 8. Continuam a ser convidadas, a partir do dia 10 de julho, várias personalidades para formar governo, como os oficiais Correia Barreto, Sá Cardoso, Herculano Galhardo e Abel Hipólito. Todos desistem. Devido a este convite a militares, fala-se na derrota do exército português.
Dia 19 de julho – Sucessão de revoltas da fome sem controlo da CGT em Santarém (9 de julho); Guimarães e Azambuja (13 de julho); Aviz (15 de julho). Greve dos motoristas e bombas em Lisboa.
Dia 20 e 21 de julho – Apresentação parlamentar. Governo apoiado por democráticos, liberais e reconstituintes. Cooperação condicionada dos socialistas. Oposição dos populares. Granjo propõe restabelecer gradual e sucessivamente a liberdade do comércio, relativamente a todos os artigo em que se possa presumir que a livre concorrência resultará o seu barateamento.
Dia 21 de julho – D. Miguel II renuncia ao trono, depois de negociações com os integralistas. No dia 31 confia a tutela de D. Duarte Nuno, seu terceiro filho, em quem abdica, a D. Maria Aldegundes de Bragança, sua tia.
Ensaia-se uma fórmula liderada pelo liberal António Granjo, em aliança com os reconstituintes e apenas com um democrático (Velhinho Correia).
Dia 28 de julho – Ministro das finanças, Inocêncio Camacho, afirma na Câmara dos Deputados que a maior parte do ouro proveniente das exportações fica depositado em bancos estrangeiros ou é utilizado em aquisições sumptuárias.
Dia 30 de julho – A agitação social prossegue, principalmente pela ação da Legião Vermelha, com os seus bombistas alcunhados Bela Kun e Gavroche. Greve da Carris de Lisboa de 30 de julho até 2 de setembro. Assaltos a armazéns de víveres em Santarém.
Agosto – Falhanço do controlo sindical – Secretário geral interino da CGT, Alfredo Lopes, em entrevista aO Século refere energias entregues a si mesmas que não têm sido canalizadas pela Central, referindo o possível agravamento das revoltas depois das falências dos governos a que seguirá a falência do povo.
Dia 5 de agosto – As revoltas da fome são mais violentas do que em julho. No dia 5 de agosto na Guarda e em Coimbra. Depois, em Aviz e na Azambuja, em nome dos baldios.
Dia 7 de agosto – Aprovada no parlamento nova lei de autonomia administrativa das colónias, em 7 de agosto (lei nº 1 005). Cria o regime dos altos-comissários. Consagra a expressão colónias, em vez de províncias ultramarinas. Altera a Constituição de 1911. Lei de 7 de agosto deixa ao arbítrio do governo estabelecer ou suprimir qualquer restrição à liberdade do comércio e trânsito de géneros de primeira necessidade.
Dia 9 de agosto – Propostas financeiras de Inocêncio Camacho são apresentadas parlamentarmente. Não chegarão a ser votadas.
Dia 10 de agosto – Tratado de Sèvres entre a Turquia e os Aliados.
Dia 11 de agosto – É criado um comissariado dos abastecimentos no ministério da agricultura. Nesse dia, no Porto, grande agitação, por causa de greves e lock out de resposta.
Dia 13 de agosto – Lei nº 1 012 de 13 de agosto cria a Festa do patriotismo no dia 14 de agosto em honra do Santo Condestável.
Dia 19 de agosto – O parlamento encerra por dois meses. Concedidas várias autorizações legislativas ao governo, nomeadamente para nomear Norton de Matos (concretizada em 31 de agosto) e Brito Camacho (18 de outubro) como altos-comissários em Angola e Moçambique, respetivamente.
Dia 20 de agosto – Novo atentado contra um membro do Tribunal de Defesa Social, Dr. Félix Horta, alvejado na Rua 1º de Dezembro em Lisboa.
Dia 21 de agosto – Descoberta uma revolta.
Dia 22 de agosto – Tabelamento dos preços do carvão vegetal. Alteração da limitação da composição das refeições fornecidas em hotéis e restaurantes.
Dia 24 de agosto – Comemora-se no Porto o centenário da revolução liberal. Inaugurado o novo Clube dos Fenianos.
Dia 25 de agosto – Assaltos a armazéns de víveres na Figueira da Foz.
Dia 29 de agosto – Greve dos tipógrafos em Lisboa.
Dia 31 de agosto – Greve no Porto. GNR ocupa as ruas.
Dia 2 de setembro – Fim da greve da Carris, iniciada em 30 de julho. A Junta Central do Integralismo Lusiano declara reconhecer como herdeiro do trono português D. Duarte Nuno, unindo-se assim ao partido legitimista.
Dia 6 de setembro – Restabelecidos dois tipos de pão. Autorizada a importação livre de direitos alfandegários de carnes, gorduras animais e gorduras vegetais. No dia seguinte, alargado o regime para arroz, milho, batatas e legumes. Proibição do fabrico e venda de produtos de pastelaria em dois dias de cada semana.
Dia 7 de setembro – Manifesto obrigatório de carvões e lenhas. Democráticos criticam os ministros correlegionários pelas medidas tomadas quanto à questão das subsistências.
Dia 8 de setembro – Obrigatoriedade de entrega de determinadas quantidades de açúcar amarelo pelos industriais açucareiros das colónias. Liberdade de importação, refinação, trânsito e venda de açúcares brancos.
Prosseguem assaltos a armazéns de víveres em vários pontos do país, principalmente a padarias.
Dia 9 de setembro – Greve em Setúbal e comício operário na Covilhã.
Setembro – Assalto a padarias em Lisboa e Setúbal.
Dia 11 de setembro – Greve da marinha mercante.
Dia 12 de setembro – Governo manda ocupar a sede da CGT.
Dia 20 de setembro – Forças do exército, perante a ameaça de greve dos ferroviários, ocupam a estação do Barreiro e outras da linha do Sul.
Dia 23 de setembro – Prémios de cultura para terrenos incultos e criação de um Fundo de Fomento Agrícola (Decretos nº 6 961 e 6 962, de 23 de setembro).
Dia 28 de setembro – Decreto nº 6 984 de 28 de setembro organiza o comissariado dos abastecimentos.
Dia 30 de setembro – Greve dos ferroviários. Governo começa a utilizar em grande escala o serviço dos sapadores do Exército, comandado por Raul Esteves. Linhas dinamitadas. Governo manda pôr à frente dos comboios os grevistas presos. A greve vai-se extinguindo no Norte, mas recrudesce no Sul, durando cerca de 70 dias, até 8 de dezembro. Era a primeira greve conjunta de empresas privadas e do Estado.
6 de outubro – Decretada a mobilização geral de todos os meios de transporte. Vias férreas são reparadas por artífices civis. As greves ferroviárias só terminam no dia 15.
Dia 15 de outubro – Face aos ataques de reconstituintes e liberais, o governo demite-se, apesar de ser aprovada uma moção de confiança no parlamento. Remodelação dos serviços do ministério da agricultura.
Dia 16 de outubro – Instituído o casal de família pelo decreto nº 7 033, de 16 de outubro. O diploma não foi aplicado. Previa a instituição de unidades agrícolas que sustentassem famílias de 4 pessoas, com casas, dependências e glebas anexas.
Dia 18 de outubro – Reabertura do Congresso. Chovem as críticas da oposição.
Dia 19 de outubro – António Maria da Silva, pelos democráticos critica os contratos de fornecimento de trigo e carvão negociados no estrangeiro.
Dia 20 de outubro – Nivelados os preços do trigo nacional e do trigo exótico.
Dia 21 de outubro – O reconstituinte Júlio Dantas substitui o democrático Rego Chaves na pasta da instrução. Velhinho Correia demite-se do partido democrático. Novo regime cerealífero. Intervenção mais direta da Manutenção Militar no abastecimento pelo decreto nº 7 070 de 28 de outubro.
Dia 29 de outubro – Granjo propôs amnistia geral para os crimes políticos. Não foi aprovada.
Dia 1 de novembro – Reis da Bélgica visitam Portugal em 1 de novembro, no regresso dos Estados Unidos. Segue-se, no dia 8, a visita dos príncipes do Mónaco, a caminho dos Açores.
Dia 12 de novembro – Extinção do Consórcio Bancário.
Dia 15 de novembro – Governo demite-se face aos ataques de reconstituintes e populares sobre questões de abastecimento de trigo e carvão, apesar de aprovada moção de confiança.
Dia 17 de novembro – Novo decreto sobre a divisão de baldios (decreto nº 7 127).
Dia 19 de novembro – Decreto nº 7151 de 19 de novembro aplica aos indígenas das colónias que adotam um modo de vida civilizado os direitos civis dos europeus.
Experiência governamental, presidida pelo reconstituinte Álvaro de Castro, dura cerca de dez dias. Os liberais querem ficar na oposição, por terem sido anteriormente exonerados. O diretório dos democráticos recusa ir para o governo, o que leva à cisão do grupo de Domingos Pereira, que aceitam, em rebeldia, lugares no gabinete.
Dissidência formalizada em carta de 19 de novembro, a que também adere o deputado Vasco Borges.
Dia 20 de novembro – Governo de Álvaro de Castro – Governo constituído a 20 de novembro.
Dia 22 de novembro – Reunião de cerca de 2 500 delegados do patronato na presença de Álavro de Castro. Defende-se a revisão da Constituição no sentido da participação das forças vivas, à semelhança da segunda câmara do sidonismo. Apresentação parlamentar.
Dia 25 de novembro – Aprovada moção de desconfiança logo no dia 25. Na véspera, o ministro das finanças revelara uma portaria secreta de António Maria da Silva, autorizando o Banco de Portugal a exceder o limite da circulação fiduciária. Foi convidado para formar governo o general Abel Hipólito, afeto aos liberais que recusou. António José de Almeida aconselha Liberato Pinto a formar um governo de geral concentração republicana.
Dia 27 de novembro – Lei nº 1074 de 27 de novembro estabelece novo limite para a circulação fiduciária em 550 000 contos.
Dia 30 de novembro – Constituído o governo de Liberato Pinto. Governo democrático, com reconstituintes e populares e o apoio das forças vivas e até de alguns setores católicos. O jornal A Época incitava Liberato para fazer um governo militarizado que fosse órgão da vontade nacional. Um bonapartismo de segunda ordem, segundo Fernando Medeiros.
Dia 2 de dezembro – Apresentação parlamentar.
Continuam as greves. Crise cambial, com um princípio de corrida aos bancos.
Dia 8 de dezembro – Começa a discussão parlamentar sobre as propostas do novo ministro das finanças sobre o aumento das contribuições do registo, que não chegam a ser aprovadas, mas geram pânico nos meios ditos conservadores, bem como grande nervosismo cambial e corrida aos bancos..
Dia 9 de dezembro – Os ferroviários do Sul e Sueste retomam o trabalho.
Situação financeira dramática – Cunha Leal reconhece que Portugal se encontra sem recursos em Lisboa e a descoberto em Londres … estamos sem recursos necessários para comprar o pão nosso de cada dia.
Dia 18 de dezembro – Interrupção dos trabalhos parlamentares até 9 de janeiro de 1921.
Dia 21 de dezembro – Congresso do partido democrático. Contra a linha oficial, Vitorino Guimarães.
Dia 24 de dezembro – É criado o Comissariado Geral dos Abastecimentos e estabelecido um novo regime de preços pelo decreto nº 7 207. O anterior comissariado passa a comissariado geral, sendo estabelecida uma delegação no Porto e comissariados distritais.
Dia 29 de dezembro – Bombas em edifícios sindicais.
4 de janeiro – Apoio do patronato a Liberato Pinto – Em 4 de janeiro, delegação de Associação Industrial Portuguesa, com Alfredo da Silva, sugere a Liberato Pinto que Portugal seria salvo se ele decidisse a ir sem hesitação até onde for necessário.
Dia 5 de janeiro – Raul Esteves é alvejado a tiro.
Dia 6 de janeiro – Alteração do regime cerealífero.
Dia 9 de janeiro – Reabre o parlamento. Proposta de orçamento em 12 de janeiro.
Dia 9 e 10 de janeiro – Congresso da Confederação Patronal Portuguesa. Reúne 60 associações (22 comerciais; 15 mistas e 4 industriais), incluindo a ACAP. Fora criada em 1920.
Dia 27 de janeiro – Bases do futuro partido comunista – A Batalha publica as bases programáticas do Partido Comunista Português a criar futuramente.
Dia 29 de janeiro – São interrompidos os trabalhos parlamentares até 10 de fevereiro.
Dia 3 de fevereiro – Na Câmara dos Deputados, Ramada Curto chama aos democráticos essa grande cooperativa de produção e consumo.
Dia 11 de fevereiro – O governo demite-se. Segue-se uma crise ministerial de longa duração.
Demissão de Júlio Martins – Júlio Martins, que havia deixado o cargo de ministro da marinha, uma semana antes, salienta que a nossa marinha de guerra não tem um navio capaz de dar um tiro e possui, no entanto, vinte e três almirantes. Tinha sido desrespeitado pelo comandante do Centro de Aviação Marítima e não obteve solidariedade do governo. Mais observa: esta República, com dez anos apenas, por momentos parece viver uma velhice precoce …em Portugal todos mandam menos o Governo; todos têm força menos o Governo. Em Portugal a função dos Governos é transigir, transigir numa transigência que é uma abdicação.
Dia 21 de fevereiro – Leote do Rego continua a criticar a política da marinha: oitenta por cento das verbas vão para pessoal e vinte por cento para material. Onde em 1910 havia uma esquadra de 34 000 toneladas, ei-la agora apenas com 22 000 toneladas, parte delas a apodrecer no Tejo, apesar do aumento desmesurado dos oficiais.
Março – Convidados Tomé de Barros Queirós e Augusto Soares para formarem governo em 16 e 18 de fevereiro, acabam por desistir. Barros Queirós reconhece expressamente a pulverização dos partidos. Bernardino é convidado no dia 25.
Dia 2 de março – Constituído o governo de Bernardino Machado. Seis dos sete ministros conservam as mesmas pastas. Três democráticos, três reconstituintes e dois populares.
Dia 7 de março – Apresentação parlamentar. Oposição de liberais.
Dia 11 de março – General Pedroso Lima comandante da GNR proclama a Bernardino Machado: na Guarda Republicana não há políticos nem se apoiam políticos.
Dia 16 de março – Fundado o PCP, a partir da Federação Maximalista Portuguesa de Manuel Ribeiro. A reunião fundadora teve lugar na sede da Associação dos Empregados de Escritório.
Dia 19 de março – Liberato Pinto é suspenso. Autorizara o capitão Jaime Baptista, das metralhadoras pesadas, a que saísse para exercícios e não submetera o assunto ao comandante da GNR, o general Pedroso Lima. General Correia Barreto é nomeado sindicante.
Dia 22 de março – Começa a viagem aérea Lisboa/ Funchal de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Utilizado o sextante pela primeira vez.
Dia 30 de março – Liberato Pinto é demitido de chefe de estado maior da GNR.
Senado vota favoravelmente a amnistia proposta anteriormente por Jacinto Nunes.
Dia 9 de abril – Tumulação no mosteiro da Batalha de dois soldados desconhecidos (um da Flandres e outro de África). Participam bispos, bem como o marechal Joffre. Ambiente de grande emoção patriótica e discursos conciliadores do presidente da república e dos eclesiásticos. Greve dos manipuladores de pão. Lançadas bombas.
Dia 30 de abril – Congresso dos sindicatos patronais agrícolas manifesta-se contra a importação de trigo. Intervenção de José Pequito Rebelo.
Maio – Fundação do Partido Comunista da China.
Dia 1 de maio – Eleições na Irlanda, com vitória do Sinn Fein no Sul. No dia 8, estabelecidas tréguas entre o IRA e o governo britânico então presidido por Lloyd George. Nesse acordo prevê-se a divisão da ilha.
Dia 4 de maio – Assume a pasta da agricultura, até então gerida interinamente por Bernardino Machado, o democrático Portugal Durão. Pouco permanecerá nessas funções, dado que em 16 de maio o seu colega das finanças, António Maria da Silva apresentava uma proposta de reorganização do ministério da agricultura, sem que o seu novo titular tivesse sido ouvido atempadamente. É renovada a autorização de 7 de agosto de 1920 para o poder executivo poder estabelecer ou suprimir qualquer liberdade de comércio ou de trânsito de géneros de primeira necessidade.
Dia 8 de maio – Lei do horário de trabalho das 8 horas. Proposta de Vasco Borges.
Dia 15 de maio – Nas eleições italianas, o partido fascista consegue 35 deputados.
Dia 17 de maio – Exonerado o major Marreiros, diretor da Polícia de Segurança do Estado.
Gomes da Costa é nomeado comandante da 4ª divisão militar, com sede em Évora.
Dia 18 de maio – Em Alenquer, a Conferência Regional Anarquista cria a União Anarquista Portuguesa.
Dia 19 de maio – Portugal Durão saía do governo e Bernardino Machado voltava à interinidade de uma pasta, onde praticou uma política de liberdade de comércio, ao contrário do modelo intervencionista do anterior gabinete. Conforme vai reconhecer Bernardino, no manifesto de 26 de março de 1922, economicamente, propusemo-nos organizar a produção pelo auxílio aos seus sindicatos, o consumo pelo desenvolvimento cooperativista e o comércio pela transformação do regime coercitivo de guerra no regime normal dos mercados entregues à ação dirigente das associações das forças vivas, sob o controle superior do Estado, e, transitoriamente, enquanto não fosse dispensável, com a sua concorrência desinteressada.
Dia 21 de maio – Houve uma sublevação da GNR de setores afetos a Liberato Pinto, mas o governo, principalmente através da ação de Júlio Martins, organizou um contragolpe vitorioso que teve o apoio da marinha. O major Marreiros, chefe da polícia política, informara o major Gilberto Mota, da GNR, que estava preparado um movimento destinado a elevar Bernardino Machado a presidente, com Álvaro de Castro a chefiar o governo. Outros chefes da revolta são o capitão-tenente Procópio de Freitas e o capitão Tribolet. O golpe terá sido apoiado por Machado Santos. Pelo menos, Gomes da Costa, demite-se da Federação Nacional Republicana em 24 de maio, invocando tal apoio.
Dia 23 de maio – O governo pede a demissão. Augusto Soares é convidado a formar governo, mas acaba por recusar. Constituído o governo liberal de Tomé de Barros Queiróz. Domina a fação liberal dos ex-unionistas.
Dia 26 de maio – Novo regime cerealífero (decreto nº 7 524).
Dia 1 de junho – Dissolução do parlamento.
Suspensos os trabalhos dos bairros sociais.
Dia 16 de junho – Nota oficiosa do comité central da CGT responde à criação do PCP.
Dia 23 de junho – Publicado o programa governativo. Promete medidas tendentes à normalização da liberdade de trânsito e de comércio de todos os géneros e produtos.
Dia 26 de junho, manifesto de Baiona de D. Maria Aldegundes de Bragança, tutora de D. Duarte Nuno. onde se defende a monarquia tradicionalista.
Dia 1 de julho – Partido legitimista anuncia ação conjunta com o Integralismo Lusitano, face ao Manifesto de Baiona.
Dia 6 de julho – Protestos da Associação Industrial Portuguesa contra o aumento da contribuição industrial.
Dia 7 de julho – Publicada a declaração de princípios do PCP que integra no seu seio as antigas Juventudes Sindicalistas da CGT, dirigidas por José de Sousa. CGT logo critica o estatismo tentacular dos bolcheviques. Fundado o jornal Imprensa da Manhã. Será subsidiado por Alfredo da Silva, que lhe chama uma amante cara, e por Fausto de Figueiredo. Liberdade de comércio para o carvão vegetal.
Dia 9 de julho – Liberdade de comércio para os azeites nacionais ou importados.
Dia 10 de julho – As eleições de 10 de julho dão cerca de 50% aos liberais (88 deputados), com 30% para os democráticos (54 deputados) e 15% para os reconstituintes. Um jovem assistente universitário de Coimbra, António de Oliveira Salazar chega a ser eleito por Guimarães, pelo Centro Católico.
Dia 18 de julho – Liberdade de comércio para a manteiga nacional.
Dia 25 de julho – Reabre o Congresso da República – Início dos trabalhos parlamentares.
Surgem os primeiros doutores em direito entre os alunos que fizeram integralmente o curso em Lisboa e que sairam licenciados em 1920. O primeiro é Armindo Rodrigues Monteiro. O segundo António Pinto de Meireles Barriga.
Dia 1 de agosto – Apresentação parlamentar do governo de B. Queirós. O antigo ministro do governo provisório da República, reitor da Universidade de Coimbra, regressando à política como deputado, declara no parlamento, nesse mesmo dia 1 que a pátria está sobre um vulcão.
Dia 3 de agosto – Apresentado pacote de medidas financeiras.
Dia 5 de agosto – Proposta de remodelação do exército.
O governo demite-se depois de falhar um empréstimo externo de 50 milhões de dólares que Afonso Costa prometera conseguir dos norte-americanos. Fora encarregado pelo anterior governo de negociar com agentes da War Finance Corporation, firmando um contrato provisório. Mas os norte-americanos não passavam de meros vigaristas.
Dia 10 de agosto – Granjo demite-se, em conflito com o ministro da guerra.
Dia 26 de agosto – A demissão coletiva do governo. Falhara o projeto financeiro de aumento das receitas sem aumento dos impostos. Barros Queirós queixa-se da intriga: em Portugal, no campo político, não se discutem ideias, discutem-se homens para os arruinar, como de dessa demolição não adviesse um grave mal para o regime e para o País.
Dia 30 de agosto – Reunião magna da ACAP considera um erro a política do pão barato. Participam Pequito Rebelo, Fernandes de Oliveira e Anselmo de Andrade. Ambiente de grande unidade dos agrários no sentido da defesa do protecionismo constante do modelo da Lei Elvino de Brito. Os vinhateiros do Ribatejo, vivendo em crise de exportações apoiam os produtores de trigo. Até os sindicalista do Alentejo são favoráveis ao protecionismo. Constituído o governo de António Granjo. Uma experiência governamental republicano-conservadora liderada por António Granjo. Domina a ala dos ex-evolucionistas que integram os liberais. Há uma forte oposição dos populares, também eles ex-evolucionistas, liderados por Júlio Martins, que conseguem federar os sindicalistas, os adeptos de Liberato Pinto e os membros da esquerda dos democráticos, dominada pelo Grupo dos 13 e pelo Centro Radical António Maria Baptista.
Dia 31 de agosto – Direitos aduaneiros pagos em ouro – Lei nº 1193 de 31 de agosto determina que os direitos aduaneiros sejam pagos integralmente em ouro, reforçando o disposto no decreto de 9 de abril de 1918. Apresentação parlamentar. Neutralidade dos católicos; ceticismo dos reconstituintes; quanto aos democráticos prometem fiscalização patriótica e republicana.
Granjo é acusado de vendido às Moagens, de reacionário e de monárquico. O escândalo dos cinquenta milhões de dólares domina as discussões parlamentares. Ataques especialmente virulentos daImprensa da Manhã, a voz de Liberato Pinto, subsidiada por Alfredo da Silva e Fausto de Figueiredo.
Dia 1 de setembro – Deputado António Luís Gomes considera que o sistema parlamentar está condenado por causa do regime de mentira, ao mesmo tempo que os ministros são uns verdadeiros crimonosos que estão a arrancar o sangue do povo português. Conclui salientando: cada vez enjoo mais a política. Nunca entrei para partido algum, porque os partidos da República têm colocado os homens acima dos partidos … Por isso é que os homens de bem se retraem, afastando-se da política. Artigo em O Século sobre a crise das subsistências considera que a classe média ficou entre o martelo e a bigorna.
Dia 4 de setembro – Confirmada a burla do empréstimo dos 50 milhões de contos através de comunicação diplomática do visconde de Alte. O gabinete de Barros Queirós já conhecia a trama desde 28 de agosto.
Dia 5 de setembro – Regresso da questão religiosa – Comício em Loures, com violentos discursos anticatólicos. Declarações de António Granjo no Senado, em 2 de setembro são desvirtudas pelo relato parlamentar do Diário de Notícias, quando se refere que Granjo reconhecia a religião católica como a única do país.
Dia 6 de setembro – Decreto de 6 de setembro cria a Inspeção do Comércio de Câmbios.
Crise cambial – A cotação da libra que se situava em 28$44,4 em novembro de 1920 passa para 38$59,2 em agosto de 1921.
Dia 8 de setembro – Cunha Leal interpela o ministro das finanças sobre a questão do empréstimo dos 50 milhões de contos. Sobre os boatos que correm, Vicente Ferreira apenas diz fumo. Na Câmara dos Deputados, intensos ataques aos banqueiros portugueses que serviram de intermediários no processo.
Dia 10 de setembro – Confimada pelo Conselho Superior de Disciplina do Exército a punição a Liberato Pinto, um ano de detenção. Surge campanha da Imprensa da Manhã em apoio de Liberato.
Dia 16 de setembro – O deputado Carvalho da Silva denuncia o facto do governo ter indemnizado com 4 500 contos indivíduos e empresas consideradas vítimas da última revolução. Jornais O Mundo e O Portugal, afetos aos democráticos, são contemplados com 260 e 330 contos, respetivamente.
Dia 17 de setembro – Os trabalhos parlamentares são suspensos até 7 de novembro.
Dia 19 de setembro – Publicada novo regime cerealífero (lei nº 1 213), criando três tipos de pão e de farinha. Regresso aos preços de 1899, atualizados pelo câmputo ouro.
Dia 30 de setembro – Aborta golpe de Estado. O chefe da conjura é o tenente-coronel Manuel Maria Coelho, com o capitão de fragata Procópio de Freitas e os oficiais da GNR Camilo de Oliveira e Cortês dos Santos. Presos alguns desses cabecilhas, eles são depois libertados por Granjo. Entre os presos, o coronel Xavier Ferreira, Orlando Marçal, Sebastião Correia e Procópio de Freitas.
Surge um esboço de movimento de salvação pública, subscrito por José de Castro, António Luís Gomes, Jaime Cortesão, João de Deus Ramos, Francisco António Correia, Ramada Curto, Cunha Leal, Leonardo Coimbra e Sá Cardoso.
Dia 5 de outubro – Fausto de Figueiredo, um dos financiadores da Imprensa da Manhã, promove encontro de António Granjo com Cunha Leal no Estoril.
Incidentes no cemitério do Alto de S. João – Nas cerimónias do cemitério do Alto de S. João, na romagem aos túmulos de Cândido dos Reis e Miguel Bombarda, há insultos a Granjo, com morras à reação e aos jesuítas.
Libertação dos implicados no 30 de setembro – Mas o presidente do ministério manda libertar os implicados no 30 de Setembro que se encontravam detidos. Considera que só pela brandura se consegue governar.
Dia 15 de outubro – Regresso ao tipo único de pão (decreto nº 7 741).
Dia 16 de outubro – Sai o primeiro número da revista Seara Nova. Entre os colaboradores António Sérgio, Raul Proença, Jaime Cortesão, Câmara Reis, Ezequiel de Campos e Raul Brandão.
Dia 19 de outubro – Golpe Outubrista – A Noite Sangrenta, onde são assassinados o presidente do ministério e o fundador da República, Machado Santos, juntamente com J. Carlos da Maia. Triunfava a revolta falhada em 30 de setembro, agora apoiada por forças da marinha. Os ministros da guerra e da marinha estavam ausentes de Lisboa. No quartel do Carmo, à s 10 horas da manhã, Granjo escereve a António José de Almeida, demitindo-se. Uma camioneta-fantasma com o cabo Abel Olímpio, chamado O Dente de Ouro, circula por Lisboa recolhendo aqueles que serão assassinados. Granjo ainda tenta refugiar-se na casa do vizinho Cunha Leal, seu adversário político, mas é daqui arrancado, vindo a morrer no Arsenal. São também assassinados o secretário do ministro da marinha, comandante Freitas da Silva e o coronel Botelho de Vasconcelos.
José Júlio Costa, o assassino de Sidónio Pais, que se encontrava detido no hospital Miguel Bombarda, é libertado, no dia 19, por 300 civis armados. Depois de passar pelo centro Republicano António Maria Baptista, onde é homenageado, segue para a clandestinidade no Norte.
Governo de Manuel Maria Coelho – Às 22 horas e 45 minutos do dia 19 de outubro, António José de Almeida investe Manuel Maria Coelho. Pouco antes, Agatão Lança informa-o dos atentados. Primeiro governo outubrista, reunindo chefes da insurreição e gente respeitável. Muitos não tomam posse para não se confundirem com os assassinos. O presidente do ministério era um antigo revoltoso do 31 de janeiro de 1891.
Dia 21 de outubro – Alfredo da Silva foge precipitadamente para Espanha e sofre atentado em Leiria. Corpo diplomático manifesta preocupação pelas ocorrências sangrentas ao novo ministro dos estrangeiros, Veiga Simões.
Atentado contra Alfredo da Silva em Leiria. Preso Tamagnini Barbosa. A única organização política que apoia o novo governo é o grupo popular de Júlio Martins, mas já sem a participação de Cunha Leal. António José de Almeida apresenta a demissão, mas manifestação de autarcas, no dia 30 de outubro, fá-lo recuar.
Dia 24 de outubro – Funerais de António Granjo. Cunha Leal discursa: a fera que todos nós e eu açulamos, que anda à solta, matando porque é preciso matar. Todos nós temos culpa! É esta maldita política.
Lopes de Oliveira diz então: foi a desordem em que caímos que vitimou agora, canibalmente, alguns dos nossos.
Jaime Cortesão: os crimes que se praticaram não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa. Por trás das espingardas que vararam António Granjo, há outras armas mais perigosas e asassinas. Chamam-se elas o egoísmos das classes, e, em especial, das mais altas; a inércia e por vezes a corrupção do poder; a esterilidade dos mais elevados organismos políticos da nação que se debatem em mesquinhas disputas.
Nos dias 24, 26 e 27 o governo levava a cabo a prisão dos principais implicados nos atentados de 19 de outubro.
Dia 28 de outubro – De 28 de outubro a 18 de novembro, três navios de guerra europeus (1 espanhol, 1 francês e 1 britânico) ficam estacionados no estuário do Tejo.
Dia 29 de outubro – Explosão de bombas na sede das Juventudes Sindicalistas na Calçada do Combro.
Dia 30 de outubro – Manifestação de homenagem ao Presidente da República António José de Almeida que havia declarado querer demitir-se.
Dia 31 de outubro – Atentado à bomba contra o consulado norte-americano em Lisboa. Protesto dos anarquistas contra a condenação à morte em Boston de Nicola Saco e Bartolomeo Vanzetti.
Dia 3 de novembro – Governo demite-se por temer intervenção estrangeira. Fala-se na chegada de navios de guerra ingleses, franceses e espanhóis.
Governo tem um cariz semi-outubrista, mobilizando militantes partidários populares e dissidentes democráticos. Maia Pinto, filiado nos democráticos, tinha sido ministro das colónias no governo de Coelho.
Dia 6 de novembro – Dissolução parlamentar, sendo marcadas eleições para 11 de dezembro, depois de consulta aos partidos.
Dia 9 de novembro – Descarrilamento criminoso do comboio Correiro do Sul provoca sete mortos.
Dia 10 de novembro – Maia Pinto reúne-se com a imprensa e pede acalmação dos espíritos.
Dia 20 de novembro – Manifestação à beira do túmulo de Machado Santos. Discurso de Gomes da Costa contra a indisciplina: a República ameaça fazer bancarrota, degenerando num falso parlamentarismo, com uma política de fação … A palavra República … se converteu em propriedade exclusiva de uma oligarquia de profissionais ambiciosos, irrequietos e insaciáveis.
Dia 23 de novembro – Decreto de 23 de novembro admite no quadro permanente do Exército os milicianos louvados, condecorados ou feridos em campanha, bem como aqueles que combateram a monarquia.
Dia 27 de novembro divulga-se um acordo estabelecido numa reunião ocorrida no dia 22, entre liberais, democráticos e alvaristas, onde se estabelece o princípio da não colaboração com os governos outubristas, defendendo-se o saneamento das finanças e a harmonia entre o capital e o trabalho.
Dia 5 de dezembro – Por decreto, as eleições eram já adiadas para 8 de janeiro.
Dia 10 de dezembro – Decreto nº 7 933 de 10 de dezembro promove o aproveitamento de terrenos incultos.
Dia 11 de dezembro – José Domingues dos Santos em entrevista diz odiar todas as ditaduras, da esquerda e da direita, sugerindo ao Presidente da República que convoque o parlamento dissolvido para Coimbra ou para o Porto.
Protesto dos reconstituintes – Imediata oposição dos reconstituintes em A Vanguarda: os partidos não podem pôr em causa a legitimidade do adiamento desde que o aceitaram antes dele ser decretado.
Dia 12 de dezembro – Decreto nº 7 899 de 12 de dezembro reforma o ministério dos estrangeiros (Veiga Simões). Reforma suspensa logo em 23 de janeiro de 1922.
Dia 13 de dezembro – Governo de Moura Pinto comunica que apresentou demissão. Nesse mesmo dia António José de Almeida convida Cunha Leal que tem o apoio do outubristas Camilo de Oliveira. Os dissidentes democráticos de Domingos Pereira regressam ao partido.
Dia 16 de dezembro – Constituído o governo de Cunha Leal. Era de concentração partidária, presidido por Cunha Leal, com um reconstituinte, um liberal, um outubrista, três democráticos e três independentes. Declara-se encerrado o período revolucionário. Visa-se manter a ordem, julgar os culpados da Noite Sangrenta e realizar eleições.
Dia 27 de dezembro – Face à pressão político-militar da GNR, o governo retira-se para Caxias. Governo concentra forças do Exército no Campo Entricheirado e chama Gomes da Costa para comandá-las. Manda depois concentrar forças em Santarém.
Dia 30 de dezembro – Partidos rejeitam a inclusão de candidatos governamentais – Cunha Leal propõe a democráticos, liberais e reconstituintes que, no acordo de entendimento eleitoral já firmado, possa haver lugar para algumas personalidades independentes que o governo tencionava favorecer. Logo em 30 de dezembro, os diretórios dos partidos declaram essa impossibilidade. Em virtude desta resposta, dois depois, já Cunha Leal apresentava a demissão.
Dia 1 de janeiro – Cunha Leal manda retirar as forças do Exército concentradas no Campo Entricheirado.
Dia 2 de janeiro – Cunha Leal já considera desnecessário que Gomes da Costa se desloque para Santarém e manda-o para Mafra. Conselho de ministros de 2 de janeiro fala em ameaças de golpe de Estado. Em 5 de janeiro são adiadas as eleições para 29 de janeiro. Em 19 de dezembro havia-se declarada nula a dissolução parlamentar de 6 de novembro.
Dia 3 de janeiro – Acordo de Cunhal Leal com os partidos, para novo adiamento do ato eleitoral, que passa de 8 para 29 de janeiro. Com o adiamento o governo trata de organizar um rol de candidatos próprios, incluindo membros das chamadas forças vivas. Esta atitude leva a que se desfaça a anterior combinação eleitoral entre democráticos, liberais e reconstituintes. Os democráticos, já reunificados com o regresso do grupo de Domingos Pereira, logo correm a constituir listas próprias. Nesse mesmo dia 3, Cunha Leal, num discurso pronunciado na Academia das Ciências, apela para a participação das forças vivas económicas.
O governo contou com o apoio dos democráticos e tentou usar o exército contra as forças da GNR. Assim, determinou que unidades do exército cercassem Lisboa e transferiu o governo para Caxias. Mas não nomeou Gomes da Costa como chefe das forças militares sitiantes de Lisboa. Este antigo protegido de Machado Santos, que se distinguia como comandante da 1ª divisão do CEP, em entrevista a A Opinião, no dia 3, diz que o presidente do governo mangou com a tropa. Mais acrescenta que não é pela redução da GNR, mas pela sua descentralização. Proclama mesmo: o Sr. Cunha Leal faliu completamente … não conseguiu manter a ordem, pois manter a ordem não é só impedir que se disparem alguns tiros, mas é, e muito mais, manter a tranquilidade nos espíritos. Todo este movimento do governo não é mais do que um movimento de eleições … os partidos hoje açambarcam a Nação e os próprios homens de valor que se encontram nos partidos não podem fazer a defesa da coletividade porque têm de obedecer a interesses partidários. Conclui, dizendo que a intervenção estrangeira é um papão que os políticos agitam sobre o país para servirem os seus interesses inconfessáveis. Foi condenado a 15 dias de prisão.
Dia 12 de janeiro – Aristide Briand demite-se da presidência do governo francês, sendo substituído por Poincaré.
Dia 21 de janeiro – Surge em Lisboa uma conjunção de liberais, reconstituintes, socialistas, reformistas, sidonistas e independentes, destinada a enfrentar os democráticos.
Dia 23 de janeiro – Morte do papa Bento XV.
Dia 29 de janeiro – Eleições. Vitória dos democráticos. – Nas eleições para deputados e senadores de 29 de janeiro de 1922 regressa-se ao modelo da vitória democrática, com 74 deputados. Nuno Simões foi o controleiro eleitoral do governo. No próprio dia das eleições, ameaça de lock out da Carris de Lisboa.
Dia 30 de janeiro – Face ao resultado das eleições, Cunha Leal apresenta a demissão do governo. Cunha Leal dá outra explicação: conflito diplomático com a Inglaterra porque os navios desta potência não reconheceram o feriado de 31 de janeiro.
Fevereiro – Democráticos voltam ao poder – Depois de Afonso Costa recusar formar governo, surge uma experiência com uma certa estabilidade, liderada por António Maria da Silva que presidirá a três governos sucessivos, entre 6 de fevereiro de 1922 e 15 de novembro de 1923.
Dia 4 de fevereiro – Afonso Costa recusa formar governo – Costa é convidado telegraficamente tanto pelo diretório do partido democrático como por António José de Almeida. Responde logo em 4 de fevereiro, recusando. Os liberais declaram então que estão disponíveis para integrarem um governo de concentração presidido por Afonso Costa. Este salienta que não organiza o governo porque ainda não estavam resolvidos certos problemas relativos à ordem pública. Polícia de Segurança do Estado passa a designar-se Polícia de Defesa Social.
Dia 6 de fevereiro – Novo Papa – Eleito Pio XI. Constituído o governo de António Maria da Silva. O novo governo manteve o esquema anterior, continuando o exército a cercar Lisboa.
Dia 18 de fevereiro – Tentativa de golpe outubrista abortada em 18 de fevereiro. Governo instala-se em Caxias e Presidente da República em Cascais. Unidades militares de Lisboa são postas de prevenção.
Dia 23 de fevereiro – Congresso da República reabre em 23 de fevereiro. Leitura da declaração ministerial.
Dia 2 de março – Pela lei nº 1 242, completada pelo decreto nº 8 064, de 13 de março, são retiradas a artilharia e as metralhadoras pesadas à GNR, ao mesmo tempo que se diminuem os seus efetivos (de 14 341 homens para 9 627) com dispersão pela província, transformando-a em guarda rural.
A GNR passara de 4 575 homens, em 1919 (quadro previsto de 5 001), para 14 341 em 1921 (quadro previsto de 18 956). O quadro agora previsto é de 12 090 homens. Tinha um grupo de três baterias de artilharia de campanha e um batalhão de metralhadoras pesadas. Muda também o corpo de marinheiros para Vila Franca. Reforma da GNR é promulgada pelo Presidente da República em 2 de março e publicada no dia 13. Deportação de Liberato Pinto, Feliciano Costa (sidonista) e Xavier Pereira (radical).
O drama agora é o do alta dos preços (em 1922 cerca de 50%).
Dia 20 de março – O governo apresenta na Câmara dos Deputados proposta para a liquidação dos Transportes Marítimos do Estado, criados em novembro de 1917.
Dia 28 de março – Agatão Lança na Câmara dos Deputados critica a política de marinha da República: tendo havido mais de 37 ministros da marinha, não há mais de 6 ou 7 que sejam da classe. Todos estes ministros paisanos têm clientelas para atender e fazem decretos transformando a legislação da marinha num caos.
Dia 30 de março – Partida de Gago Coutinho e Sacadura Cabral que chegam ao Rio de Janeiro no dia 26 de maio. O nº 13 daSeara Nova, saído em 12 de maio, é inteiramente dedicado à viagem.
Março – Portaria do ministro Vasco Borges suspende as obras dos bairros sociais. Desde 1919 que se tinham gasto 7 600 contos no empreendimento e apenas estavam meias construídas 86 casas no Arco do Cego, mas sem rede de esgotos.
Abril – Greve geral de três dias. São presos 200 operários. Era a primeira ação de envergadura dos sindicatos, depois da greve dos ferroviários de setembro a dezembro de 1920.
Dia 3 de abril – Católicos contra monárquicos – O jornal A União do CCP, de 3 de abril, diz que os deputados monárquicos devem abster-se de apresentarem projetos sobre os católicos, sem prévia consulta do CCP, a única instância partidária autorizada pelos bispos.
Dia 9 de abril – O país deeja que o governem – Numa carta dirigida a João Chagas, Augusto de Castro, em 9 de abril de 1922, considera: o pais deseja que o governem. E bem eloquentemente manifesta esse desejo. O próprio Parlamento se modificou. O que continua faltando na Administração Pública é o espírito de previsão. Combatem-se os efeitos – mas deixam-se de pé muitas causas. Fez-se, em parte, o depuramento da Guarda Republicana; equilibraram-se com acerto as forças de segurança de ordem em Lisboa. Mas os perturbadores civis continuam, ninguém os desaloja dos seus ninhos de sombra.
Dia 17 de abril – Pelo Pacto de Paris, unificavam-se os monárquicos liberais e legitimistas, através de Aires de Ornelas e D. Lourenço Vaz de Almada. D. Duarte Nuno reconhece assim D. Manuel II. Os integralistas vão discordar frontalmente do pacto. Apoio de O Dia e de O Correio da Manhã.
Dia 20 de abril – Criada a diocese de Vila Real.
Dia 28 de abril – Proposta de lei sobre novos impostos.
Surge a chamada lei garrote que cria um quadro de adidos e suspende novas entradas de pessoal na administração pública por cinco anos.
Dias 29 e 30 de abril – Realiza-se o segundo congresso do Centro Católico, onde Salazar faz um discurso de fundo criticando José Fernando de Sousa, Nemo, o representante dos católicos monárquicos. Salazar admite que os católicos aceitem cargos públicos. Foi confirmada a orientação dada por Lino Neto ao grupo. O próprio jornal O Mundo enaltece o comportamento lealdos católicos para com a República. Segue-se uma prolongada polémica de católicos monárquicos com os centristas nos jornais A Época em 4 de maio ataca o CCP. Nesta senda Nemo em junho, julho, agosto e setembro faz um ataque aos centristas, a que responde Salazar de setembro de 1922 a fevereiro de 1923. Contra o CCP, no mesmo jornal, escreve Domingos Pinto Coelho, a que responde Dinis da Fonseca em 20 de agosto de 1922. Atacando a linha de Lino Neto, surgem também artigos de Alfredo Pimenta em O Dia e de Paiva Couceiro em O Correio da Manhã.
Dia 1 de maio – Nas cerimónias do dia do trabalhador em Lisboa é feito um peditório a favor dos camaradas russos.
Dia 2 de maio – Lima Basto apresenta proposta de plano de reforma rodoviária. O primeiro plano sério da República. Só vai ter execução a partir da lei de 3 de outubro de 1924.
Dia 3 de maio – Bispo de Leiria determina a abertura de um processo de averiguações sobre as aparições de 1917.
Dia 5 de maio – Decreto nº 1 258 de 5 de maio suspende os trabalhos dos bairros sociais. Integralistas em 5 de maio discordam frontalmente do Pacto de Paris de 17 de abril. Interrompem a publicação do jornal A Monarquia, suspendem a atividade partidária e declaram que vão apenas dedicar-se ao trabalho de doutrinação, pelo que vão publicar a segunda série da revista Nação Portuguesa.
Dia 8 de maio – Decreto de 8 de maio, de Vasco Borges sobre o horário de trabalho.
Dia 29 de maio – Conflitos em Macau. 32 mortos. Decretado o estado de sítio no território.
Dia 30 de maio – Descoberto arsenal de bombas e dinamite no Porto.
Maio – Congresso da Federação das Juventudes Católicas em Coimbra. Mário de Figueiredo é eleito presidente, com Alberto Dinis da Fonseca na vice-presidência.
Dia 17 de junho – Gago Coutinho e Sacadura Cabral chegam ao Rio de Janeiro.
Dia 24 de junho – Assassinado o Ministro dos Estrangeiros alemão Rathenau.
Dia 26 de junho – CGT francesa é unificada, ficando próxima dos comunistas.
Dia 27 de junho – A Associação Industrial Portuguesa assume uma posição frontal contra a política fiscal de Portugal Durão, principalmente contra o aumento da contribuição industrial, de 7% para 10%, no que considera uma estatização da economia. Critica também as medidas tomadas em favor da agricultura alentejana.
Dia 29 de junho – Convenção entre o Estado e o Banco de Portugal assinada em 29 de junho.
Dia 7 de julho – Lavoura pede o fim do pão político – Luís Gama, em O Século, em representação da lavoura, clama pelo fim imediato do pão político, defendendo um sério controlo do preço dos adubos.
Dia 15 de julho – Governo pensa nomear Gomes da Costa para governador de Timor, mas o grupo parlamentar dos democráticos opõe-se. Gomes da Costa, em 15 de julho, escreve carta para o jornal A Capital a denunciar o facto. António Maria da Silva, para afastar o general, manda-o em inspeção extraordinária às colónias do Oriente. Parte em agosto de 1922 e só regressa a Lisboa em maio de 1924.
Dia 20 de julho – Bernardino Machado publica um manifesto intitulado A Crise.
Dia 22 de julho – Carta de Augusto de Castro a João Chagas, de 22 de julho: sobre a ordem pública, vim encontrar o País melhor. Sobre a questão política, na mesma. Se as oposições tivessem um sucessor para dar ao António Maria da Silva já o tinham deitado abaixo. Assim, é de prever que se mantenha e consiga votar algumas ou alguma das propostas de finanças. Isso é absolutamente preciso para evitar a desorientação financeira que se acentua.
Dia 22 de julho – Decreto nº 8 280 de 22 de julho (Portugal Durão) obriga os exportadores a entregar a um banco as cambiais, ficando metade delas reservadas para o Estado.
Dia 31 de julho – Pela lei nº 1294 de 31 de julho termina o regime do pão político, tomando-se medidas no sentido do regresso ao protecionismo face aos produtores nacionais de trigo.
Julho – Greves dos têxteis na Covilhã.
Dia 5 de agosto – Agitação popular contra os novos tipos de pão, com assaltos a padarias, em 5 de agosto. Mobilização dos sindicatos em Lisboa. CGT lança apelo no sentido da defesa de um tipo único de pão. Durante dez dias vai haver escaramuças, com alguns mortos. Os tumultos ocorrem em Lisboa, Barreiro, Portalegre, Santarém, Évora, Faro, Olhão, Coimbra e Porto.
Dia 15 de agosto – Reunião entre António Maria da Silva e os sindicalistas. Libertação dos 500 grevistas presos. Presidente do ministério promete rever o regime do pão, nomeadamente garantindo um novo tipo de pão de terceira. Mas as greves continuam com assaltos a padarias durante o mês de agosto e o governo vai cedendo gradualmente.
Dia 26 de agosto – António José de Almeida parte para uma viagem oficial ao Brasil (chega ao Rio de Janeiro em 17 de setembro e regressa a Lisboa no dia 11 de outubro). Segue no paquete mercante Porto, por falta de condigno navio da marinha de guerra. Mas várias avarias tornam a viagem atribulada, nomeadamente quando se descobriu que em vez de carvão havia pedras no navio por causa de uma sabotagem. A chegada estava prevista para antes da data histórica de 7 de setembro. Almeida já regressa a bordo do paquete inglês Arlanza. O resto da comitiva, com Gago Coutinho e Sacadura Cabral vêm no Porto que chega a Lisboa a 26 de outubro.
Dia 2 de setembro – Rebentam bombas no Porto.
Dia 3 de setembro – Greves da construção civil, dos metalúrgicos e dos arsenalistas.
Dia 8 de setembro – Assassinado Sérgio Príncipe, líder da Confederação Patronal Portuguesa em 8 de setembro. Era dirigente da Associação Comercial dos Lojistas de Lisboa e acusado de defender uma solução radical de direita.
Dia 9 de setembro – Lei nº 1346 sobre a liquidação dos Transportes Marítimos do Estado em 9 de setembro. Alienação dos navios autorizada por lei de 10 de abril de 1924, decorreu em 1925 e 1926. A frota começou com a 242 441 toneladas apreendidas, mas, no decorrer da guerra, alugaram-se 80% aos ingleses, através da casa Furness Witty & Cª. Esta subalugou os navios a franceses e norte-americanos. 16 regressaram em 1920. 2 em 1921. Há cerca de 4 milhões de libras de prejuízos com estas operações. Acrescem os sucessivos desfalques, a má gestão, as dívidas das agências, os maus contratos de fornecimento de carvão, os atrasos no pagamento dos salários e o não pagamento dos serviços prestados por vários ministérios.
Dia 13 de setembro – Lei nº 1 367 de 13 de setembro autoriza a conclusão das obras do bairro social do Arco do Cego em Lisboa.
Dia 17 de setembro – O centrista católico Dinis da Fonseca declara: não somos contrários ao Parlamento, mas à sua forma atual.
Dia 21 de setembro – Promulgada nova lei fiscal em 21 de setembro (lei nº 1368), criando um imposto de transações, aquilo que então se chamou um imposto de vida cara (Marques Guedes). Salazar vai qualificar este diploma como o início de uma época nova. O diploma terá regulamento pelo decreto de 27 de janeiro de 1923.
Dia 29 de setembro – Publicada pastoral coletiva do episcopado sobre as desinteligências que ameaçam dividir o campo católico, declarando-se confiança na direção do CCP.
Dia 1 de outubro – III Congresso Operário Nacional na Covilhã. Aprovada a chamada carta orgânica do sindicalismo português, documento redigido pelo Professor Adolfo Lima.
Dia 3 de outubro – Crise cambial gera boatos alarmantes – Carta de Augusto de Castro a João Chagas: as circunstâncias do país, com a vertiginosa baixa cambial, o consequente encarecimento da vida, continuam a permitir a permanente inquietação de boatos alarmantes sobre a ordem pública.
Dia 7 de outubro – Assalto a jornais monárquicos – Assaltos aos jornais A Palavra e Correio da Manhã.
Dia 21 de outubro – Criminalização dos lucros líquidos excessivos – Surge o decreto nº 8 444 sobre os lucros líquidos excessivos. Criada a Inspecção de Câmbios pelo decreto nº 8 442 de 21 de outubro.
Dia 26 de outubro – Regresso a Lisboa de Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
Dia 31 de outubro – Mussolini no poder em Roma – Começa a grande marcha fascista sobre Roma em 28 de outubro. Mussolini, primeiro ministro.
Dia 7 de novembro – Agitação em Lisboa. Mortos e feridos.
Dia 11 de novembro – Proclamação da República na Turquia.
Desordens em Ponta Delgada no final de novembro, por ocasião das eleições municipais.
Novembro – Remodelação governamental – Segunda fase do governo. Logo a seguir, na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, António Maria da Silva vê o seu candidato, João Luís Ricardo, derrotado, vencendo Sá Cardoso.
Dia 16 de dezembro – Congresso dos trabalhadores rurais em Évora.
Dia 26 de dezembro – Edital do Comissariado Geral dos Abastecimentos sobre o trânsito, aquisição e fiscalização de géneros de primeira necessidade.
Dia 30 de dezembro – Criada a URSS.
António Maria da Silva elogia António Lino Neto do CCP.
Remodelação governamental – Terceira fase do governo. Os que pouco antes haviam derrotado o candidato de António Maria da Silva não se conjugam para derrubar o governo. José Domingues dos Santos continua a ser o líder dos democráticos no parlamento.
Janeiro – Liberais e reconstituintes na oposição, dizem-se, então bloco republicano.
Prosseguem os conflitos com a Igreja. Leonardo Coimbra, Ministro da Instrução Pública, entre 30 de novembro de 1922 e 9 de janeiro de 1923, é obrigado a demitir-se por pressão da ala jacobina quando tenta nova legislação estabelecendo que o ensino será neutral em matéria religiosa, o que permitiria a reinstalação do ensino religioso. Leonardo é apoiado por Raul Brandão, Guerra Junqueiro e Teixeira de Pascoaes. Ao facto não é estranha a atitude colaboracionista do CCP com os trabalhos parlamentares.
Dia 4 de janeiro – António José de Almeida impõe o barrete cardinalício ao novo Núncio Apostólico, Monsenhor Acquille Locatelli. Choques entre revolucionários e polícias em Lisboa e no Porto.
Dia 15 de janeiro – Apresentado orçamento para 1923-1924 .
Dia 27 de janeiro – Por decreto de 27 de janeiro é regulamentada a lei fiscal de 21 de setembro.
Nos começos do ano de 1923 recrudescem os atentados bombistas.
Dia 2 de fevereiro – Os ânimos exaltam-se com o julgamento dos outubristas no Tribunal de Santa Clara (de 24 de novembro de 1922 a 1 de junho de 1923). Na sessão de 2 de fevereiro, um dos réus proclama: o meu crime foi ser revolucionário. Intervenção dos advogados de defesa Cunha e Costa, Ramada Curto e Amâncio Alpoim.
Dia 9 de fevereiro – Na sessão do dia 9, Ramada Curto considera que a nação e todos os poderes do estado vivem hoje à sombra da revolução de 19 de outubro.
Dia 5 de fevereiro – Os diretórios dos partidos liberal e reconstituinte decidem organizar novo partido conjunto.
Dia 17 de fevereiro – É publicado o manifesto do novo partido nacionalista, redigido por Júlio Dantas.
Dia 19 de fevereiro – Álvaro de Castro comunica oficialmente ao Congresso a constituição do novo partido.
Dia 27 de fevereiro – Bombas em Lisboa por causa do regime do horário de trabalho dos metalúrgicos.
Março – As moagens compram O Século, nomeando Cunha Leal com diretor.
Manifesto da Seara Nova defende uma união cívica à margem das querelas partidárias. Apelo a uma obra de reorganização nacional através de uma governação excecional indispensável, com o apoio e cooperação de todos os portugueses.
Dia 9 de março – Interrompidas negociações com a Sociedade das Nações, tendo em vista a obtenção de um avultado empréstimo. Considera-se que o mesmo poria em jogo a soberania e a independência nacionais.
Dia 27 de março – Nova pauta aduaneira.
Greves dos metalúrgicos e padeiros.
Abril – Congresso do partido democrático. Contra a linha oficial, as candidaturas de Vitorino Guimarães e José Domingues dos Santos. Chega a propor-se a criação de uma religião laica visando substituir o catolicismo.
Dia 25 de abril – Bombas em Lisboa na rua da Imprensa Nacional.
Dia 27 de abril – Bombas em barbearias na Rua Augusta e na calçada do Combro.
Greves dos corticeiros, dos trabalhadores das moagens e dos têxteis.
Dia 13 de maio – Carta de Pio XI de 13 de maio apoia a pastoral coletiva do episcopado português que apoiava o CCP.
Dia 15 de maio – Lei nº 1424 de 15 de maio estabelece o chamado empréstimo rácico. Destina-se a cobrir o défice. Condições bastante favoráveis. Juro annual de 6 ½ pagável trimestralmente, isenção de impostos. Liberado em libras esterilinas.
Dia 20 de maio – Norton de Matos cria em Angola uma missão civilizadora laica.
Dia 1 de junho – Julgamento dos outubristas – Leitura da sentença dos implicados na noite sangrenta.
Dia 7 de junho – Novo contrato entre o Estado e o Banco de Portugal. Aumento da circulação fiduciária relacionado com o empréstimo.
Dias 9 a 11 de junho – Primeiro congresso do novo Partido Radical. Aliança entre outubristas, como Procópio de Freitas, Camilo de Oliveira, Orlando Marçal, António Arez e Veiga Simões, e os restos do partido popular. O grupo começou por chamar-se Partido Republicano de Fomento Nacional.
Dia 14 de junho – Carmona pede escusa do cargo de promotor do tribunal de Santa Clara e regressa ao comando da 4ª região militar.
Dia 22 de junho – Nacionalistas regressam ao parlamento, depois de um mês de ausência.
Dia 29 de junho – A Batalha alerta para o perigo de uma conspiração fascista.
Dia 4 de julho – Cunha Leal, enquanto sublíder dos nacionalistas, critica o governo.
Ataques da Imprensa da Manhã e de A Pátria à política dos ministros das finanças, Vitorino Guimarães, e da agricultura, Abel Fontoura da Costa.
Dia 7 de julho – Morte de Guerra Junqueiro.
Dia 11 de julho – Partido democrático, por influência de Afonso Costa, apresenta a candidatura de Manuel Teixeira Gomes à presidência da república.
Dia 16 de julho – Demite-se o ministro da guerra Fernando Freiria. Conflito com o oficial avidor António Maia que também era deputado.
Dia 17 de julho – Protestos contra a censura feita à peça de António Ferro, Mar Alto. Subscrevem o protesto, entre outros, Fernando Pessoa, António Sérgio, Raul Brandão, Jaime Cortesão e Aquilino Ribeiro.
Dia 2 de agosto – Votada favoravelmente moção de confiança ao governo.
Dia 3 de agosto – Cerca de um milhar de manifestantes em Lisboa, numa movimentação das juntas de freguesia contra o inquilinato, apoiada pela CGT.
Dia 6 de agosto – Teixeira Gomes é eleito presidente da República contra a candidatura de Bernardino Machado, apoiada pelos nacionalistas. Afonso Costa que tinha prometido apoiar Bernardino, acabou por inverter a sua posição naquilo que foi considerada uma incursão afonsista, vinda de Paris.
Dia 16 de agosto – Fim definitivo do pão político – Novo regime ceralífero em 16 de agosto, pelo decreto nº 9 060. O governo põe fim, de forma definitiva, ao regime do pão político. Aumento do preço do pão de 3ª em cerca de 50%. Aumento do preço do trigo à produção. Seguem-se 30 agitados dias de protestos, promovidos pela União Sindical de Lisboa, dirigida por Manuel de Figueiredo.
Comício promovido pela CGT contra o fim do pão político. Pró-soviéticos acusam de traição a direção da central. Decretada a greve geral. Bombas em Lisboa, Beja, Alhos Vedros e Montijo. A maioria das greves cessa em 25 de agosto. No dia 28, já se retoma o trabalho na generalidade.
Dia 23 de agosto – Surge o primeiro número da revista Ideia Nova, dirigida por Raul de Carvalho, também diretor de A Ditadura.
Dia 29 de agosto – Em A Batalh já se critica o pão político que só avantajava a moagem e alguns intermediários, defendendo-se a importação livre de trigo exótico.
Dia 7 de setembro – Duplicadas as dotações para o Fundo de Fomento Agrícola.
Dia 10 de setembro – Crise de autoridade – Carta de André Brun a João Chagas, de 10 de setembro de 1923: por aqui chegámos a uma admirável situação: não há Governo. Cada um faz o que lhe apetece. A primeira coisa que se faz em face de qualquer medida de governação é declará-la inexequível e idiota. Passados dias ou se põe de parte oficialmente a medida, ou, o que é mais fácil ainda, não se cumpre. Em resumo: a nossa crise é de estupidez por parte de quem governa e de velhacaria por parte de quem lucra com governos assim.
Dia 12 de setembro – Dá-se uma explosão de uma bomba que estava a ser fabricada na sede do Partido Radical, no Porto, morrendo três militantes.
Dia 13 de setembro – Primo de Rivera toma o poder em Espanha – Pronunciamento do general Primo de Rivera em Espanha.
Dia 26 de setembro – O Congresso é extraordinariamente convocado para tratar de problemas financeiros.
Crítica ao controlo estadual das subsistências – Como dizia Ezequiel de Campos em 26 de setembro, em O Primeiro de Janeiro, o governo pôs tabelas a tudo; andou a farejar os negócios ilícitos; proibiu o jogo; e fez o pão político. Mas a vida teimou em encarecer, a libra a subir em escudos, e a gente em concorrer à s festas e romarias, como nunca.
Dia 28 de setembro – Etiópia torna-se membro da Sociedade das Nações. Tumultos na Aldeia da Ponte, com intervenção da GNR. Cinco mortos.
Pessoal disponível na função pública – António Maria da Silva propõe a criação de uma Comissão Central de Economias e de uma Repartição de Pessoal Disponível.
Dia 3 de outubro – Teixeira Gomes desembarca em Lisboa, vindo de Londres.
Dia 5 de outubro – Teixeira Gomes tomava posse como Presidente da República.
Dia 15 de outubro – Visita o Tejo um navio soviético, o primeiro desde 1917. A tripulação do mesmo visita a sede da CGT. No dia 1 de novembro, com a visita de outro navio soviético, o governo já proíbe que a tripulação se desloque a terra.
Dia 21 de outubro – Lino Neto declara que o centro não é um partido político, embora represente uma influência de natureza política. Não pretendemos instalar-nos no poder nem confundimos legislação com regime.
Dia 31 de outubro – Edital do Comissariado Geral dos Abastecimentos de 31 de outubro declara livre o trânsito dos géneros alimentícios, à exceção das zonas raianas, onde continuam sujeitos ao regime de guias.
Cunha Leal ataca o governo por este não satisfazer as reivindicações dos católicos, no que é apoiado por Moura Pinto.
Rocha Martins acusa figuras democráticas de continuarem a proteger José Júlio Costa, o assassino de Sidónio Pais.
Novembro – Votada moção de confiança ao governo por 43-42 e António Maria da Silva apresenta a demissão.
Dia 6 de novembro – Chega a Lisboa Afonso Costa: não trago ódios. É indispensável a união de todos. Apesar de convidado para formar um governo de salvação nacional, recusa a tarefa no dia 7. Os nacionalistas recusam, então, participar num governo presidido por Costa. Convidado Catanho de Meneses, acaba por desistir por não conseguir agrupar democráticos e independentes.
Dias 10 a 12 de novembro – Realiza-se o I Congresso do PCP. Eleito um comité central dominado por Carlos Rates. Foi apresentada uma tese, não discutida, sobre a venda das colónias à Inglaterra para se resolver o défice do Estado. Participa Jules Humbert Droz, delegado da Internacional Comunista.
Dia 10 de novembro – Mudança de orientação em A Batalha, com abandono das teses anarco-sindicalistas e do mito da greve geral, a partir de 10 de novembro. Em vez de forças vivas, passa a usar-se a expressão burguesia.
Dia 15 de novembro – Governo minoritário nacionalista, presidido por Ginestal Machado, com Óscar Carmona, na pasta da guerra – o único não partidário –, e Cunha Leal nas finanças. Durará pouco mais de um mês esta experiência da direita republicana. Fernando Medeiros chama-lhe intentona putchista.
Dia 19 de novembro – Apresentação parlamentar. Recepção fria segundo Cunha Leal. O líder dos nacionalistas na Câmara dos Deputados é Álvaro de Castro. Prioridade ao problema financeiro, com reforma do contrato entre o Estado e o Banco de Portugal. Anexo ao programa, um relatório alarmante sobre a situação financeira do país. Álvaro de Castro se, no seu papel de líder parlamentar expressa um inequívoco apoio institucional, logo declara em termos de opinião individual, que discorda da metodologia usada para a superação do impasse, dado que prefere um ministério de concentração.
Golpe nacional socialista de Munique. Hitler será preso.
Dia 21 de novembro – Cunha Leal tenta adotar o modelo de liberalização do comércio e propõe o estabelecimento de novas reformas financeiras. É criticado no parlamento por Velhinho Correia e Vitorino Magalhães.
Dia 23 de novembro – Tenente-coronel Ferreira do Amaral é nomeado comandante da polícia e vai destacar-se na repressão da Legião Vermelha. Emitido edital do Comissariado Geral dos Abastecimentos estabelecendo ampla liberdade de comércio.
Dia 24 de novembro – António Lino Neto, em de 24 de novembro, toma posição sobre o governo de Ginestal Machado: é necessário que a atmosfera de confiança que por toda a parte se vem desenvolvendo contra os políticos se não se acentue mais nem torne possível entre nós movimentos como os que lá for a determinaram a ascensão ao poder de Mussolini em Itália e de Primo de Rivera em Espanha.
Dia 28 de novembro – Lei nº 1 601 de 28 de novembro: possibilidade de novo alargamento da circulação fiduciária. Depois de aprovado na Câmara dos Deputados, é promulgado novo contrato com o Banco de Portugal e aprovado relatório financeiro do governo.
Dias 28 e 29 de novembro de 1923 – Léon Duguit profere conferências na Faculdade de Direito de Lisboa: Les Grandes Doctrines Juridiques et le Pragmatisme. Em 7 de dezembro, o deão de Bordéus transforma-se no primeiro doutor honoris causada escola. Sérgio há-de chamar-lhe um conferente de filosofia superficial, sem uma profunda compreensão dos problemas da filosofia, não conseguindo assentar o seu discurso numa noção suficientemente exata do conceito.
Dia 29 de novembro – Cunha Leal apresenta novas propostas financeiras: agravamento da contribuição predial, comparticipação do Estado nos lucros das sociedades anónimas, redução dos quadros do funcionalismo. Propõe também o despedimento gradual do pessoal adido.
Dias 1 a 4 de dezembro – Congresso das Associações Comerciais e Industriais. Apresentadas comunicações de António de Oliveira Salazar e Armindo Monteiro. Liderança do congresso cabe a Moses Bensabat Amzalak.
Dias 1 e 12 de dezembro – Saem os dois números únicos da revista Homens Livres. Uma revista organizada por António Sérgio e Afonso Lopes Vieira, juntando seareiros e integralistas: Livres da Finança & dos Partidos. Tenta juntar-se o novo direitista com o novo esquerdista, visando uma ditadura de salvação nacional.
Dia 8 de dezembro – Carlos Rates em O Comunista de 8 de dezembro de 1923 defende uma ditadura das esquerdas contra a ditadura das direitas. Os comunistas são então partidários de uma revolução imediata, porque o povo português, na sua maior parte, é uma massa apática e indiferente. Quem dominar em Lisboa, domina o país inteiro. Prevê a instalação de uma ditadura das direitas e que no dia seguinte à instalação desta toda a população está com os vencedores, do mesmo modo que, três meses depois todos estarão contra a ditadura, considerada uma prova pela qual teremos de passar.
Carta de Alfredo Pimenta a Aires de Ornelas em 8 de dezembro, pedindo para integrar a Causa Monárquica, tentando misturar o apoio a D. Manuel II com as doutrinas tradicionalistas. É então criada a Acção Realista Portuguesa, independente da Causa, mas subordinada ao lugar-tenente. Integram o novo grupo António Cabral, ex-ministro da monarquia, e Caetano Beirão, dissidente do Integralismo Lusitano.
Dia 10 de dezembro, novo golpe revolucionário radical liderado pelo capitão de fragata João Manuel de Carvalho, a bordo da Douro, antigo ministro da guerra nos governos de Maia Pinto e Cunha Leal. Implicados no golpe Agatão Lança e Nuno Simões. Participam vários membros do PCP. Insinua-se que Teixeira Gomes foi o inspirador do golpe, contido energicamente por Carmona, o único ministro que não estava no Porto. Almoçara com o revoltoso em 8 de dezembro. Ginestal Machado, no dia 10, pede ao Presidente da República a dissolução parlamentar. Carvalho declarará: faltou tudo! Faltaram todos! Só eu cumpri o meu dever e honrei os meus galões.
Dia 11 de dezembro – Nos dias seguintes, sucessivos ataques dos democráticos à política do governo, através de João Camoesas e António Maria da Silva. Carmona vai ao parlamento no dia 11 e perante os pedidos de esclarecimento de Agatão Lança e Nuno Simões, retira-se, porque tenho mais que fazer.
Dia 11 de dezembro – Vitória dos trabalhistas nas eleições britânicas.
Dia 13 de deembro – Já era rejeitada uma moção de confiança ao governo, proposta por Álvaro de Castro, por 53 contra 42.
Dia 14 de dezembro – Pedindo o governo a demissão ou a dissolução parlamentar, Teixeira Gomes considera que o parlamento era quem tinha de resolver o problema do país. Governo demite-se no dia 14.
Dia 15 de dezembro – Reaparece o jornal Novidades, agora como órgão da hierarquia católica, em apoio do CCP. O A União cessa a sua publicação em abril de 1924.
Álvaro de Castro afasta-se dos nacionalistas. Aprovada numa reunião da junta consultiva dos nacionalistas, por 57-18, uma moção repudiando ministérios de concentração e pseudo-ministérios nacionais. No dia 16, juntamente com três dezenas de deputados e senadores nacionalistas, funda o Grupo Parlamentar de Acção Republicana. No dia 14 aceitara formar governo de caráter não exclusivamente partidário, contra a opinião do seu diretório.
Dia 17 de dezembro – Cunha Leal faz uma conferência na Sociedade de Geografia, ladeado por Júlio Dantas e Ginestal Machado, proclamando a ditadura salvadora para Portugal há-de vir, trazida pela força das circunstâncias. Diz que o Exército é o símbolo máximo da Pátria e que só ele pode salvar Portugal.
Teixeira Gomes, numa carta datada do mesmo dia declara: sentia que a atmosfera se ia tornando, a pouco e pouco, favorável a um regime de força.
Nova experiência de governo. A liderança vai caber a Álvaro de Castro que, poucos dias antes, constituíra um Grupo Parlamentar de Acção Republicana, uma dissidência dos nacionalistas.
No dia 17, Alberto Xavier comunica na Câmara dos Deputados a constituição do grupo.
Dia 18 de dezembro – Constituído o governo com três alvaristas, três democráticos, dois seareiros, um afeto aos seareiros, um nacionalista e um independente.
Dia 21 de dezembro – O presidente logo declara que o problema financeiro era o único do governo. Na declaração ministerial de 21 de dezembro promete-se estabelecer a ordem e o equilíbrio nas finanças e no Estado.
Dia 22 de dezembro – Novo acordo com o Banco de Portugal. O banco era uma sociedade privada onde nem sequer havia supremacia do governo.
Dia 22 de dezembro
Dia 31 de dezembro – João Chagas abandona, por aposentação, o cargo de ministro de Portugal em Paris.
Explodem bombas em 7, 10, 13, 14 e 22 de janeiro.
Dia 7 de janeiro – Reabre o parlamento.
Apoios e oposições ao governo – Democráticos prometem a cooperação necessária para a execução do programa. O alvarista Carlos Olavo dá apoio firme, decidido e completo. Cunha Leal e Jorge Nunes, pelos nacionalistas, criticam o processo de queda do anterior ministério. Cunha Leal faz, a este propósito, uma contundente crítica a Teixeira Gomes. Jorge Nunes aos democráticos: aquilo que se fez ao partido nacionalista, o mesmo se fará ao partido democrático.
António Lino Neto em A União de Janeiro considera que o governo de Álvaro de Castro é um ministério de pessoas categorizadas. Acrescenta que a minoria católica condena e reprova, por fundamentalmente prejudicial ao povo, qualquer facto revolucionário, venha ele dos governantes com o nome de “golpe de Estado”, venha dos governados com o nome de “jornada gloriosa”. Condena todas as ditaduras sejam as de um regime, como a de Mouzinho da Silveira, as de um partido, como a de João Franco, ou as de um homem, como a de Sidónio Pais. Alerta contra os messias porque a solução da crise nacional está em cada um de nós, cumprindo simplesmente, mas inteiramente o nosso dever.
Dia 11 de janeiro – Votada a moção de confiança (56 votos favoráveis, 27 contra). Criadas comissões de economia em todos os ministérios.
Dia 15 de janeiro – Apresentado orçamento.
Dia 21 de janeiro – Morte de Lenine.
Dia 21 de janeiro – Barros Queirós, da oposição nacionalista, apresenta proposta para a duplicação do imposto de selo que será adotada pelo governo.
Dia 22 de janeiro – Surge o primeiro governo trabalhista britânico.
António Sérgio convida Bernardino Machado para reitor da Universidade de Coimbra. Recusa, considerado que o reitor deve ser eleito.
Explodem bombas em 14, 27 e 28 de fevereiro.
Dia 1 de fevereiro – Funerais de Teófilo Braga.
Jornal A Ditadura, dirigido por Raul de Carvalho, passa de periódico do fascismo português a jornal de ação nacionalista, ligando-se ao grupo da Acção Nacionalista, dirigido por João de Castro Osório.
Dia 11 de fevereiro – Surgem os diplomas de extinção de vários serviços públicos, visando a redução das despesas (são suprimidos cerca de seis centenas de lugares que se achavam vagos e criadas comissões de economia em todos os ministérios), o que provoca uma imediata greve de funcionários (20 de fevereiro).
Continuam as greves (em fevereiro, a dos funcionários; em abril, a dos correios) e os atentados da Legião Vermelha.
Dia 17 e 22 de fevereiro, comícios unitários em Lisboa e no Porto contra o perigo de uma ditadura de direita.
Dia 20 de fevereiro – Cunha Leal na Câmara dos Deputados faz um ataque cerrado a Norton de Matos, por causa do governo de Angola (20 e 21 de fevereiro).
Dia 21 de fevereiro – O diretor da República fala nos democráticos como o partido dos escândalos: não há dia em que não surja um escândalo. Mas ainda não vimos, na cadeia, nenhum ladrão.
Dia 22 de fevereiro – Cerca de 100 000 pessoas manifestam-se contra a vida cara.
Dia 25 de fevereiro – Demissão do ministro da guerra – Ribeiro de Carvalho demite-se por não concordar com um projeto referente à promoção de sargentos. Foi interinamente substituído por Álvaro de Castro.
Seareiros saem do governo – Por solidariedade com o ministro da guerra, Ribeiro de Carvalho, saem do governo os dois seareiros, António Sérgio e Azevedo Gomes. Mas a Seara Nova declara continuar o apoio ao governo.
Ministro do comércio, embaixador em Paris – António da Fonseca, ministro do comércio, foi nomeado ministro de Portugal em Paris. Augusto de Castro é nomeado para Londres.
Dia 28 de fevereiro – Xavier vai a Londres negociar empréstimo – Alberto Xavier parte para Londres. Aí fica até 23 de março, data em que parte para Paris. Regressa a Lisboa no dia 4 de abril. Operação concluída com a casa Baring Brothers em 20 de março.
Março – Bombas nos dias 10 e 29.
Dia 1 de março – Amnistia para os revoltosos de 10 de dezembro de 1923 que estavam presos em S. Julião da Barra.
Lei sobre o aumento do imposto de selo. A lei foi proposta pelo oposicionista Tomé de Barros Queirós e foi apoiada pelo governo.
Dia 15 de março – Numa entrevista a A Tarde, Álvaro de Castro declara que a CGT é um organismo inimigo do Estado.
Alberto Xavier em Londres, em negociações com a casa Baring Brothers. Times publica artigo elogioso sobre as reformas financeiras em Portugal (22 de março). Segue-se Le Temps de Paris. Álvaro de Castro informa o parlamento em 7 de abril.
Dia 20 de março – Abateu em Campolide um prédio de quatro andares por deficiências de construção. Doze mortos.
Dias 31 de março a 3 de abril – CADC promove a constituição de uma União Católica dos Estudantes Portugueses em reunião realizada em Coimbra. Participam, entre outros, Lopes da Fonseca, Pedro Teotónio Pereira, Marcello Caetano e Albano Pereira Dias Magalhães.
Abril – Socialistas no governo da Dinamarca – Partido Socialista forma governo na Dinamarca.
Bombas em 15, 24 e 27.
Congressos Sindicais – Congresso dos metalúrgicos em Coimbra.
Dia 2 de abril – Viagem aérea Lisboa/ Macau – Começa a viagem aérea Lisboa-Macau de Sarmento Beires e Brito Pais.
Dia 7 de abril – Oposição questiona empréstimo obtido em Londres – Álvaro de Castro comunica à Câmara dos Deputados a abertura de um crédito em libras, conforme o acordo conseguido por Alberto Xavier em 20 de março com a Baring Brothers. A oposição questiona e o debate prossegue no dia 8, quando o deputado monárquico Carvalho da Silva apresenta uma moção de deconfiança.
Dia 10 de abril – Discurso de Álvaro de Castro na Câmara dos Deputados sobre as reformas financeiras.
Dias 8 a 28 de abril – Afonso Costa apoia Álvaro de Castro – Afonso Costa vem de férias a Portugal e insiste com o partido democrático para apoiar Álvaro de Castro.
Dia 18 de abril – Retomada a greve dos empregados do Estado em 18 de março, até ao dia 22.
Dias 25 a 27 de abril – Congresso do partido democrático sem críticas ao governo. Contra a linha oficial, Vitorino Guimarães. O governo passa sem críticas. O governo convida Afonso Costa para embaixador em Londres, mas este cargo acabará por seu ocupado por Norton de Matos, depois da recusa daquele. Norton de Matos abandonara o cargo de alto-comissário em Angola, alegando razões de saúde.
Cessa a publicação de A União.
Conferência de Lino Neto no Funchal: O Estado Moderno, Sindicalismo e Congreganismo.
Bombas em 7, 11, 14, 15, 16 e 28 de maio.
Greves e censura a A Batalha – Uma greves dos transportes no Porto leva a que a cidade fique cercada por forças militarizadas. Instala-se o regime de censura prévia ao jornal A Batalha.
Dia 4 de maio – Cartel das esquerdas ganha as eleições em França. Aliança dos radicais, liderados por Herrito, com os socialistas de Léon Blum.
Dia 7 de maio – Gomes da Costa regressa a Portugal de missão de serviço à Índia e a Macau, com uma visita à China. Partira de Lisboa em agosto de 1922. De regresso, em entrevista ao Diário de Lisboa diz que o ministério das colónias é uma súcia de idiotas. A questão é discutida no parlamento no dia 8. Mariano Martins, o ministro repele a insinuação. Gomes da Costa diz que não fará nenhum relatório porque ninguém lê relatórios.
Dias 23 a 27 de maio – Afonso Costa volta a Lisboa. Governo convida-o para embaixador em Londres, mas o posto acabará por ser ocupado por Norton de Matos.
Dia 23 de maio – Decretos nº 9 718 e nº 9 719 remodelam o sistema monetário. Cria moedas de 1$, $50, $20, $10 e $5. Tiragens em 1924, 1925 e 1926.
Dia 24 de maio – Fascistas obtêm a maioria absoluta nas eleições italianas.
Dia 28 de maio – Morte de três operários e de um polícia nos Olivais. Uma cilada armada pela polícia de Ferreira do Amaral, vivamente criticada por Jaime Cortesão.
Dia 30 de maio – Conflito entre o ministro da guerra interino, e a aviação militar, por causa de um decreto de 30 de maio sobre compressão das despesas. O deputado Lelo Portela, que era oficial-aviador, levantou a questão na Câmara dos Deputados.
Junho – Bombas nos dia 1, 4, 7, 25 e 29.
Dia 3 de junho – Associações patronais pedem a profilaxia social contra a Legião Vermelha. Decreto nº 9 761 promove a nacionalização parcial da dívida pública externa. Os juros e as amortizações passam a ser pagos em escudos para os portadores não estrangeiros. Os títulos na posse de estrangeiros, para serem pagos em esterilinos, terão de ser carimbados nas delegações portuguesas de Londres e Paris.
Sublevação dos aviadores na Amadora de 3 para 4 de junho, depois da demissão do respetivo comandante. São cercados por tropas de Queluz. Só no dia 7 de junho aceitam render-se, graças à ação do general Bernardo Faria que entra no campo desarmado, acompanhado por oficiais de várias unidades militares.
Álvaro de Castro aceita entrar num duelo à espada como o aviador Ribeiro da Fonseca. A imprensa mostra fotografia do duelo em 2 de julho.
Convite a Afonso Costa para formar governo – Álvaro de Castro em correspondência telegráfica com Afonso Costa considera inevitável a queda do governo e a necessidade de outro presidido pelo próprio Afonso Costa. Dificuldades de apoio parlamentar quanto às reformas financeiras.
De 6 a 12 de junho – Debate na Câmara dos Deputados sobre o decreto de 3 de junho quanto aos juros dos títulos de empréstimos. Intervenção de vários antigos ministros das finanças, nomeadamente de Cunha Leal e Velhinho Correia.
Dia 16 de junho – Contra a hipótese de um golpe à espanhola – O Mundo prevê e combate a hipótese de um golpe à Primo de Rivera.
Dia 20 de junho – Demite-se Nuno Simões, ministro do comércio, sendo interinamente substituído por Helder Ribeiro, no dia 26. Afonso Costa volta a Portugal e pede ao Presidente da República que apoie o governo.
Dia 24 de junho – O deputado socialista italiano Giacomo Matteoti é assassinado por milícias fascistas.
Deputado monárquico fala em quadrilha de ladrões no poder – O deputado monárquico Paulo Cancela de Abreu declara na Câmara dos Deputados que o país está entregue a uma quadrilha de ladrões.
Dia 26 de junho – A pasta do comércio passa a ser acumulada por Helder Ribeiro. O assunto desceu ao parlamento e foi, então, rejeitada uma moção de confiança. O governo pediu a demissão.
Dia 27 de junho – 49 toneladas de moeda de prata partiam para Londres para pagamento de compromissos externos, conforme prévia decisão do governo, tomada no dia 11 de fevereiro. Destinavam-se a caucionar o empréstimo de 20 de março. A prata fina era constituída pelas moedas retiradas de circulação.
O Diário de Lisboa anunciava: acabaram-se as coroas. Houve uma tumultuosa sessão parlamentar. Os jornais monárquicos lançaram um furioso ataque ao governo.
Dia 28 de junho – No dia seguinte é emitida uma nota oficiosa de Álvaro de Castro sobre a matéria. Não podia ir ao parlamento por estar demissionário.
Dia 30 de junho – Depois de debate parlamentar, Álvaro de Castro telegrafava para Londres a suspender a remessa das moedas.
Vitorino Guimarães apresenta na Câmara dos Deputados uma moção de desconfiança que foi aprovada por 41-23. Moção de confiança apresentada pelo alvarista Carlos Olavo é reprovada por 33-31.
Novo convite a Álvaro de Castro – Teixeira Gomes convida de novo Álvaro Castro para este formar governo. Desiste. Os democráticos, apesar de prometerem apoio, não querem comprometer-se com as medidas financeiras.
Exército ou guarda pretoriana? – Sarmento Pimentel, num artigo publicado na Seara Nova, nº 36, de junho de 1924, proclamava: Não há Exército Nacional. Há a guarda pretoriana da República burguesa carregando o orçamento com cifras monumentais, roubando ao País os homens bons que trazem da aldeia para na cidade se indisciplinarem, para se desmoralizarem, para se sifilizarem.
Dia 30 de junho – A CGT saúda a queda do governo de Álvaro de Castro, por causa dos roubos da Finança e da Moagem, dos bárbaros crimes dos Olivais e de Sines.
Partido Socialista elogia o governo – Partido Socialista qualifica a política de Álvaro de Castro como franca tentativa de uma política financeira de esquerda que sucumbiu perante a reação das classes capitalistas. Em junho de 1924 realizou-se no Porto o XI Congresso do PS que continuou a ser dominado por Ramada Curto e Amâncio Alpoim.
Bombas nos dias 7, 13 e 20 de julho.
Conflitos entre os sindicalistas afetos à Associação Internacional dos Trabalhadores, central anarco-sindicalista fundada em Berlim em 1919, e os da Internacional Sindical Vermelha, fundada por Lenine em 1923.
Governo de Rodrigues Gaspar – Afonso Costa recusou formar governo e Álvaro de Castro, apesar de convidado, decidiu não continuar. O novo governo é um cacharolete político com vincante predominância do PRP, como lhe chamou Cunha Leal. Colaboram os membros da Acção Republicana e são mobilizados alguns republicanos independentes.
Moção de confiança passa por 45- 24. Apoio dos democráticos e dos alvaristas; os católicos assumem a neutralidade oposição de nacionalistas e monárquicos.
Dias 2 a 7 de julho – Congresso Eucarístico Nacional em Braga. Conferência de Salazar: A paz de Cristo na classe operária pela S. S. Eucaristia.
Dia 9 de julho – Programa de governo – Leitura da declaração ministerial. Põe acento tónico na reforma financeira, com o controlo das cambiais e a compressão das despesas. Em julho há uma pequena quebra positiva no índice do custo de vida, mas em outubro a inflação volta a disparar.
Dia 14 de julho – Confrontos entre as tropas do exército e a GNR – Prosseguem as tentativas de revolta. Forças do exército e da GNR chegam mesmo a entrar em refrega no Parque Eduardo VII, com cerca de uma dezena de mortos.
Dia 16 de julho – Derrotada moção de desconfiança ao governo proposta pelos nacionalistas por 45-24.
Por indicação de Rocha Saraiva, Abranches Ferrão nomeia Cunha Leal reitor da Universidade de Coimbra (desempenha funções gratuitamente, mantendo o lugar de deputado). Será demitido em abril de 1925. Raul Proença na Seara Nova comentava: estamos de certo no país dos Hotentotes.
Dia 19 de julho – Católicos criticam Mussolini – O Novidades acusa Mussolini de oportunismo e falta de preparação intelectual.
Dia 24 de julho – Bombas em Lisboa. O chefe da Legião Vermelha evade-se da cadeia do Limoeiro. O jornal Ditadura revela a formação de um novo movimento político, constituído por um grupo de portugueses que querem salvar a pátria; entre os nomes citados, Eurico Cameira, Trindade Coelho, Tamagnini Barbosa, Raul de Carvalho, diretor do jornal, Teófilo Duarte, Duarte e Sousa, Mota Oliveira e Cândido Costa.
Dia 28 de julho – João Franco publica e prefacia Cartas de El Rei D. Carlos.
Dia 8 de agosto – Decreto nº 998 cria uma comissão reguladora da compra e abastecimento de cereais.
Dia 13 de agosto – O jornal A Época anuncia o falhanço de uma tentativa golpista de assalto ao forte da Ameixoeira que teria sido preparada por um comité integrado por Martins Júnior que desejava como chefe Gomes da Costa. Insinua-se que o golpe visava pôr o partido radical no poder e que o futuro ministro do trabalho seria Carlos Rates, secretário-geral do PCP.
Dias 17 de 18 de agosto – Bombas.
Dia 19 de agosto – As soluções financeiras continuam a faltar. O ministro das finanças apoia o empréstimo obtido pelo anterior governo de Álvaro de Castro. Mas, em vez da garantia da prata das moedas, vende a garantia, na soma de um milhão e quinhentos mil libras, quantia conservada intacta nas caixas dos nossos banqueiros de Londres. Converte o valor-prata em valor-ouro.
Surgem protestos parlamentares contra a reforma do contrato entre o Estado e a companhia dos tabacos.
Dia 26 de agosto – Almoço no Louriçal com Afonso Costa – Almoço de líderes democráticos em casa de Ramos Preto. Pressionam no sentido da formação de um novo governo. Participam Afonso Costa, António Maria da Silva, Domingos Pereira, José Domingues dos Santos e Álvaro de Castro.
Dia 28 de agosto – Revolta abortada no castelo de S. Jorge. Presos 8 comunistas e 1 radical.
Setembro – Bombas nos dias 24, 25, 26 e 29.
Dia 2 de setembro – Nova lei do arrendamento.
Dia 9 de setembro – Lei do agravamento fiscal.
Dia 12 de setembro – Novo golpe frustrado: assalto ao ministério da guerra e à central telegráfica combinada na leitaria em frente ao teatro Apolo. O edifício da Alfândega chega a ser tomado pelo major Pires Falcão.
Jornais O Mundo e A Batalha alertam para o perigo de um golpe fascista.
Dia 28 de setembro – Referendo entre sindicalistas – Conforme resolução do Congresso Operário da Covilhã a CGT promove referendo sobre a adesão internacional do movimento sindical português. 104 sindicatos pela Associação Internacional dos Trabalhadores (anarco-sindicalistas) e 6 pela Internacional Sindical Vermelha (marxista-leninista).
Numa reunião de 200 delegados de associações patronais, a pretexto da organização de um boicote ao pagamento do imposto de selo nas bebidas, é criada uma União dos Interesses Económicos. Financiada pela CUF e pelos latifundiários, misturando nomes como os de Martinho Nobre de Melo, Pereira da Rosa, Pequito Rebelo, Nunes Mexia e Filomeno da Câmara. Integram a união, a Associação Comercial de Lisboa, a Associação Comercial do Porto, a Associação Industrial Portuguesa, e a Associação Central da Agricultura Portuguesa.
Dia 2 de outubro – Decreto nº 10 151 cria uma repartição do pessoal disponível.
Dia 3 de outubro – Lei de 3 de outubro de 1924 autoriza o governo a contrair junto da Caixa Geral de Depósitos um empréstimo de 15 000 contos para a reparação de estradas.
Dia 10 de outubro – A União dos Interesses Económicos promove o lock out. Responde A Batalha, com a convocação de vários comícios.
Dia 13 de outubro – Comícios de radicais e sindicalistas contra o lock out promovidos pela CGT e pelo Partido Radical.
Dia 14 de outubro – Conflito no Porto entre patrões e sindicalistas, face à intensidade do lock out. Assalto a lojas em Espinho.
Dia 24 de outubro – Edital estabelece liberdade de trânsito para trigos e farinhas. Bombas. A União dos Interesses Económicos anuncia a compra de O Século, tendo em vista a defesa dos interesses do comércio. A mobilização de fundos acaba por não permitir a compra institucional, mas ficam como principais sócios do jornal Pereira da Rosa, Carlos de Oliveira e Moses Bensabat Amzalak.
Dia 31 de outubro – Conservadores vencem as eleições britânicas.
Em outubro e novembro reacende-se o conflito entre os católicos, com o Novidades, afeto ao CCP, a polemizar com A Época, de Fernando de Sousa.
Dia 4 de novembro – Reabre o parlamento. Ministro das finanças diz que regressou a prata.
Dia 7 de novembro – Governo proíbe a realização em Lisboa de uma manifestação comemorativa da revolução bolchevista.
Dia 8 de novembro – É extinto o Comissariado Geral dos Abastecimentos, anunciando-se um processo de liberalização do comércio dos bens de primeira necessidade. O governo seguinte revoga a medida em 20 de dezembro.
Bombas nos dias 11, 16 e 20 de novembro.
Dia 15 de novembro – Desaparece no Mar do Norte, Sacadura Cabral.
Dia 18 de novembro – Mais liberdade para o trânsito dos géneros alimentícios.
Dia 19 de novembro – O governo pede a demissão na sequência da apresentação de uma proposta financeira sobre Angola. O grupo democrático de José Domingos dos Santos considerou que a proposta era da responsabilidade do governo e não do partido. Este grupo vai, depois, aliar-se com a oposição na votação de uma moção de confiança ao governo, apresentada por António Maria da Silva, onde o governo é derrotado por três votos (46-43). Governo cai por desinteligências dentro do próprio partido democrático, a que nem Afonso Costa consegue pôr termo.
Dia 21 de novembro – Reorganização do ministério da agricultura (Torres Garcia).
Dia 22 de novembro – Governo de José Domingos dos Santos – Uma experiência de governo canhoto, desde 22 de novembro de 1924. Mobilizados quatro canhotos e dois seareiros, sendo os restantes alvaristas e independentes.
Dia 27 de novembro – Declaração ministerial com apelo à justiça social.
Dia 1 de dezembro – Comício sindicalista em Lisboa contra o desemprego, a vida cara e os salários baixos. O Governo reconhece oficialmente, pela primeira vez, a Confederação Geral do Trabalho.
Dia 6 de dezembro – Aprovada uma moção de confiança apresentada por Álvaro de Castro (63-27). Na Câmara dos Deputados, lidera a bancada democrática de apoio ao governo Sá Pereira. António Maria da Silva, Rodrigues Gaspar, Vitorino Guimarães e Vasco Borges abandonam a sala sem votarem.
Dia 16 de dezembro – Comícios da União Operária Nacional em 1 de dezembro e 16 de dezembro. Contra a crise de falta de trabalho, os baixos salários, as moagens, as forças vivas.
Dia 20 de dezembro – Por decreto mantinha-se em atividade o Comissariado Geral dos Abastecimentos que havia sido extinto em 8 de novembro.
Dia 25 de dezembro – Jornal A Ditadura reclama contra a prisão de pretensos açambarcadores, entre os quais D. Manuel de Mello, sucessor de Alfredo da Silva na direcção da CUF.
Dia 26 de dezembro – Associação Comercial de Lisboa critica o governo – Associação Comercial de Lisboa critica o imposto de selo e a política cambial, insurgindo-se contra as bandeiras desbotadas do partidarismo.
Dia 2 de janeiro – Reconhecimento da URSS – O novo governo aprovou o reconhecimento do atual regime da Rússia.
Dia 5 de janeiro – Nomeado Norton de Matos embaixador em Londres, enquanto se institui um Conselho Económico e Social.
Dia 7 de janeiro – Alerta contra o golpe das forças vivas – Jornal A Internacional denuncia a iminência de um golpe das forças vivas.
Dia 10 de janeiro – Morte de António Sardinha.
Dia 12 de janeiro – Reabertura do parlamento. Cunha Leal discursa sobre Angola.
Dia 15 de janeiro – Apresentação do orçamento.
Dia 17 de janeiro – Decreto bancário – O governo vai ser agitado por um decreto em que se reformava o exercício das atividades bancárias que, entre outras medidas, afetava a independência do banco emissor.
Ezequiel de Campos e a reorganização fundiária – A novidade governamental passa pelo ministro da agricultura Ezequiel de Campos, com Sarmento Pimental como chefe de gabinete, que em 17 de janeiro chega a apresentar uma proposta de lei de organização rural. A Batalha considera-a como burguesa e comedida. Ataques de Nemo em A Época.
Previsto o parcelamento das grandes propriedades agrícolas do Centro e do Sul, visando a constituição, em regime de propriedade privada, de unidades familiares.
Dia 19 de janeiro – Associação de Retalhistas de Víveres ataca o governo pela fiscalização excessiva.
Oposição dos nacionalistas e das Associações económicas – Logo no dia 19 Cunha Leal no parlamento considerava o decreto inconstitucional e os nacionalistas desencadearam uma guerra ao governo. Associaram-se aos nacionalistas a Associação Comercial de Lisboa e a própria assembleia geral do Banco de Portugal.
Dia 20 de janeiro – Medidas contra o desemprego e a mendicidade – O ministro do trabalho, João de Deus Ramos, em entrevista ao Diário de Notícias de 20 de janeiro, considerava que os graves problemas do país eram a crise do desemprego e a mendicidade nas ruas, referindo até que os prestamistas particulares praticavam juros de 120%. Neste sentido, o governo pôs em funcionamento a fábrica Stephens da Marinha Grande e permitiu a venda direta de stocks de lanifícios da Covilhã.
Dia 23 de janeiro – O governo obtém uma vitória parlamentar quando foi rejeitada uma proposta de suspensão do decreto apresentada pelo bonzo António Maria da Silva, para este baixar para estudo a uma comissão parlamentar (56-51). Nesse dia o jornal A Ditadura critica a obra bolchevista do Ministro das Finanças.
Dia 24 de janeiro – Determinado o arrolamento de gados no continente.
Dia 25 de janeiro – Apoio ao governo de radicais e sindicalistas – Esboça-se, a criação de uma frente comum de apoio ao governo, com socialistas, comunistas, CGT e Federação Nacional das Cooperativas.
Dia 29 de janeiro – Resistência do Banco de Portugal ao Governo – Banco de Portugal decide recusar por todos os meios legais as reformas bancárias e cambiais do governo.
Dia 31 de janeiro – Alerta contra golpe das forças vivas – A CGT recomenda ao proletariado de todo o país que se prepare para repelir por todos os meios o ataque das forças vivas. Já no dia 30 A Batalha considera que se vive uma hora de perigo. As forças vivas preparam uma violenta e brutal ditadura. O mesmo jornal em 5 de fevereiro critica a União de Interesses Económicos: a guerra elevou muitos aventureiros à privilegiada situação de ricaços.
Dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro – Reúne em Coimbra o congresso Inaugural do Partido Radical.
Dia 2 de fevereiro – Sessão agitada na Câmara dos Deputados, com evacuação de galerias.
Dia 4 de fevereiro – Ezequiel de Campos defende política de irrigação – Ezequiel de Campos afirma no Senado que o problema da irrigação no Alentejo podia resolver-se com 250 000 libras quantia esta que dá para aí a meia dúzia de revolucionários civis.
Dia 6 de fevereiro – O governo dissolve a Associação Comercial de Lisboa, há uma manifestação de apoio ao governo com uma tentativa de assalto a um posto policial em Lisboa. Apoio da CGT, dos socialistas e dos comunistas, contra os manejos das forças vivas. José Domingues dos Santos assiste à manifestação das janelas do ministério do interior e chega a dirigir-se aos manifestantes num discurso onde proclama: o povo tem sido explorado pelo alto comércio e pela alta finança. O Governo da República colocou-se abertamente ao lado dos explorados contra os exploradores. O Governo vai fazer uma grandiosa obra de saneamento moral! Lamento profundamente o acontecimento que se acaba de dar. Não quero que a Força Pública seja para fuzilar o Povo.
Dia 8 de fevereiro – Comício de apoio ao governo promovido pela Federação Nacional das Cooperativas reúne cerca de 20 000 pessoas.
Dia 11 de fevereiro – É aprovada uma moção de desconfiança (45-65), apresentada por Agatão Lança, segundo a qual o governo afetou o prestígio da força pública, a disciplina militar e a ordem pública. A sessão foi agitada, com um deputado a atirar um copo à cara de outro. José Domingues dos Santos declara então: ficámos entendidos – a Câmara quer um governo que esteja ao lado dos exploradores contra os explorados, a Câmara quer um governo que espingardeie o povo.
Dia 13 de fevereiro – Surge em Lisboa uma manifestação de apoio ao governo que terá reunido cerca de 80 000 pessoas, promovida pela União dos Interesses Sociais. Há comícios em Faro, Évora, Figueira da Foz e Cascais. Entregue mensagem ao governo pela sua obra de ataque à s coletividades económicas.
Dia 14 de fevereiro – Os perigos do regresso à monarquia e do bolchevismo – Em entrevista ao Diário de Notícias, proclama Brito Camacho: é preciso republicanizar a república, sob pena de darmos um passo atrás e cairmos na monarquia, ou um salto em frente e cairmos no bolchevismo.
Bispos apoiam Centro Católico – Os bispos intervêm no confronto entre A Época e o Novidades dizendo que o CCP tem o apoio do episcopado e do próprio papa. Nemo abandona então o CCP e A Época transforma-se em jornal catolico, independente do Centro. Reações contra os bispos: O Correio da Manhã considera a declaração dos bispos como uma impertinência política. O Comércio de Viseu, dirigido pelo visconde de Banho, põe-se ao lado de Nemo. Na Covilhã, um padre centrista chega a ser sovado por membros das Juventudes Monárquicas. O papa recusa receber D. Manuel II.
Dia 15 de fevereiro – Constituído o governo de Vitorino Guimarães.
Os vitorinos que nos governam – O gabinete era constituído por sete democráticos (juntando bonzos e canhotos), dois alvaristas (Xavier da Silva e Sampaio e Maia) e dois independentes (Pereira da Silva e Pedro Martins). Os vitorinos que nos governam, como então se dizia. Um cacharolete de democráticos, alvaristas e independentes, segundo a expressão de Cunha Leal. Até porque Vitorino Guimarães se situava na ala central do partido, não alinhando nem com bonzos nem com canhotos. Ainda era um gabinete concentracionista dirigido por um centrista dentro do partido democrático.
Dia 16 de fevereiro – Decreto sobre a divisão dos baldios.
Dia 18 de fevereiro – Na votação do governo, os dezoito deputados nacionalistas abandonaram a sala, tendo o governo passado, por 63-3.
Dia 23 de fevereiro – Uma das primeiras medidas do novo governo, logo em 23 de fevereiro, foi a suspensão do decreto bancário de 17 de janeiro, numa cedência às forças vivas.
Março – Primeiro Congresso das Juventudes Sindicalistas.
Dia 2 de março – Motins em Valpaços contra o pagamento dos impostos.
Nesse mês começaram a circular as notas de Alves dos Reis.
Dia 4 de março – O tenente Teófilo Duarte elogia o fascismo italiano e critica o nosso socialismo de Estado, bem como o movimento das forças económicas que se arrogam a pretensão de substituir as forças políticas na governança do Estado.
Dia 5 de março – Tentativa de revolta – Três oficiais monárquicos (capitão Cal, tenente Mendes de Carvalho e alferes Martins Lima, todos afastados do exército por causa da revolta de Monsanto) tentam apossar-se do quartel general da guarnição militar de Lisboa.
Dias 7 e 8 de março – No Congresso do Partido Nacionalista houve uma integração dos derradeiros sidonistas que permaneciam independentes. Ataques a Teixeira Gomes e ao governo.
Dia 14 de março – O governador civil de Coimbra proíbe o jornalista Homem Cristo, filho, amigo de Mussolini, de realizar uma conferência.
Dia 20 de março – Novo decreto bancário.
Dia 10 de abril – Governo do cartel das esquerdas em França, presidido pelo radical Edouard Herriot, anuncia a intenção do lançamento de um imposto sobre os lucros das empresas e as grandes fortunas.
Dia 18 de abril – Golpe dos fifis – Nova revolta militar, liderada por Filomeno da Câmara e apoiada por Fidelino de Figueiredo (a chamada revolta dos fifis). Outros líderes militares são Raul Esteves, Freire de Andrade, Pedro José da Cunha e Jaime Baptista. 61 oficiais envolvidos. Era a primeira vez, desde 1870, que uma revolta militar era comandada por oficiais generais no ativo. Entre os conspiradores civis, Antero de Figueiredo, Carlos Malheiro Dias, José Pequito Rebelo e Martinho Nobre de Melo. O golpe teve o apoio da Cruzada Nun’Álvares. Tinha algumas semelhanças com o de Primo Rivera em Espanha.
Ocupada a Rotunda pelos revoltosos, com o batalhão de metralhadoras, o batalhão de sapadores de caminhos de ferro e a artilharia de Queluz, a partir das 17 horas do dia 18.
Dia 19 de abril – Sinel de Cordes, emissário dos revoltosos – Sinel de Cordes vai ao quartel do Carmo tentar conciliação. Preso Cunha Leal que não teria qualquer ligação com o episódio. Os jornais O Século e o Diário de Notícias são suspensos. Sinel de Cordes chegou a sugerir a Teixeira Gomes que nomeasse Filomeno chefe do governo. Para o jugular do golpe teve especial destaque o ministro da marinha (Pereira da Silva), dado que o ministro da guerra (Vieira da Rocha) defendia que se parlamentasse com os revoltosos.
Dia 21 de abril – É exonerado o ministro da guerra.
Dia 22 de abril – Os deputados nacionalistas discutem o caso dos deputados presos (Cunha Leal e Garcia Loureiro). O jornal do CCP, Novidades, critica o golpe de Estado em 22 de abril.
Neste mesmo dia era apresentado o primeiro requerimento para a fundação do Banco de Angola e da Metrópole, de Alves dos Reis (o respetivo funcionamento será autorizado em 17 de junho).
Dia 25 de abril – A lei nº 1 770 estabelecia novo regime dos fósforos, acabando com o exclusivo da Companhia Portuguesa de Fósforos e fixando um novo regime de liberdade. Encerrada a fábrica e sendo despedidos cerca de 1 200 operários, eis que o governo seguinte, através do ministro das finanças Torres Garcia, permitiu a reabertura por 90 dias, que terminavam no dia 15 de fevereiro de 1926, embora se autorizasse a importação de caixas de fósforos. O governo começava a enredar-se em fósforos e tabacos, tal como acontecera com os últimos governos monárquicos.
Dia 26 de abril – Hidenburg é eleito presidente alemão.
Dia 30 de abril – Enquanto o parlamento suspendia a sua atividade até fins de maio, continuava o estado de sítio em Lisboa. Segundo Marques Guedes, o governo de Vitorino Guimarães, apesar de ter vencido o 18 de abril, apresentou-se mais como réu do que como vencedor. Começava então a falar-se numa revolução de remorso face à demissão do Exército dos implicados no movimento de 18 de abril.
Salazar, no mês de abril, está no Funchal, onde profere duas conferências: Laicismo e Liberdade e O Bolchevismo e a Congregação.
Dia 1 de maio – CGT realiza comícios em 20 localidades.
Dia 2 de maio – Caso Alves dos Reis – Vitorino Guimarães manda ouvir a Inspecção do Comércio Bancário sobre o requerimento para a constituição do Banco Angola e Metrópole . Criada uma comissão para estudar as causas da subida do custo de vida.
Dia 13 de maio – Mais de cem mil pessoas nas cerimónias de Fátima.
Dia 15 de maio – A Legião Vermelha promove um atentado contra Ferreira do Amaral. Segue-se a prisão de cerca de uma centena de terroristas que foram deportados para África. Um deles, Bela Kun, ao ser deportado, diz aos jornais que a sua ausência seria curta, porque em breve reabriria o parlamento.
Dia 28 de maio – O jornal A Época fala em ditadura da incompetência. Criação da Bolsa Agrícola pelo decreto nº 10 805 de 28 de maio.
Dia 4 de junho – Congresso do partido democrático.
Dias 14 a 19 de junho – X Congresso da Associação Espanhola para o Progresso das Ciências em Coimbra. Salazar apresenta uma comunicação sobre o Aconfessionalismo do Estado.
Dia 17 de junho – Autorizado o funcionamento do banco de Alves dos Reis – Vitorino Guimarães autoriza o funcionamento do Banco Angola e Metrópole.
Dia 19 de junho – José Domingues dos Santos nega ligação com os extremistas da Legião Vermelha. Responde-lhe o deputado Agatão Lança que recorda a manifestação de 13 de fevereiro quando ele permitiu que à frente dela seguissem 60 homens armados.
Dia 25 de junho – Golpe militar de direita na Grécia, comandado pelo general Pangalos.
Dia 26 de junho – Governo pede a demissão – Vitorino Guimarães pede ao parlamento que lhe permita governar em regime orçamental de duodécimos. Por 52-24, a Câmara dos Deputados apenas lhe permite viver em tal regime durante o mês de julho (votação em 26 de junho). António Maria da Silva não alinha na proposta do presidente do ministério e este pede a demissão. Conforme observa Cunha Leal, esgotadas as soluções governativas democráticas de bonzos canhotes e centristas, ia cimentar-se, até mais ver o consulado de António Maria da Silva.
Dia 31 de junho – Instituído o subsídio de desemprego no Reino Unido.
Dia 1 de julho – Constituído o gabinete de António Maria da Silva. Todos bonzos, à exceção do ministro da marinha, o independente Pereira da Silva.
Termina entendimento entre alvaristas e democráticos – Depois de um governo misto, da simpatia dos canhotos, um governo exclusivamente bonzo que leva ao fim do entendimento existente entre os democráticos e os alvaristas, os chamado bloco.
Dia 6 de julho – Discussão do programa de governo na Câmara dos Deputados. Era um programa limitado, com argumento se estar à beira das férias de Verão. Rodrigues Gaspar, pelos democráticos oficiais, os bonzos, apoia. Sá Nogueira, pelos canhotos, diz que não convém um governo que vem dividir ainda mais os grupos, duma forma cada vez mais grave. José Domingues dos Santos defende a constituição de um governo presidido por um independente, para se garantir a imparcialidade nas eleições. Sá Cardoso, pelos alvaristas, considera que o atual governo não corresponde aos intereses do país.
Brito Camacho vota a favor do Governo – Governo passa na Câmara dos Deputados apenas por um voto, depois de uma moção de desconfiança apresentada pelo alvarista Sá Cardoso (52-51). Uma vitória precária, prenunciadora de uma derrota a curto prazo. O voto de desempate coube a Brito Camacho, que se independentizou do respetivo grupo, havendo uma forte oposição de alvaristas, nacionalistas, esquerdistas e monárquicos.
Dia 11 de julho – Reabertura da Associação Comercial de Lisboa. Havia sido encerrada seis meses antes pelo governo de José Domingues dos Santos.
Dia 15 de julho – O alvarista Sampaio Maia critica o governo. Votada, como urgente, uma interpelação ao governo sobre o problema da ordem pública e apresentada uma moção de desconfiança pelos alvaristas. António Maria da Silva manda convocar todos os deputados democráticos, masmo aqueles que estavam no Norte, as chamadas mulas de reforço.
Dia 16 de julho – amoesas discursa durante nove horas – Na noite de 16 para 17 de julho ocorre um facto curioso, quando o deputado João Camoesas, para garantir a presença de deputados pró-governamentais fez um discurso parlamentar que durou nove horas (das 0 à s 9 horas). Segue-se o deputado Agatão Lança, que começa à s 9 horas e termina à s 13 horas e 30 minutos já do dia 17. Esperava-se a chegada dos deputados democráticos nortenhos no rápido das 14 horas. Mas as chamadas mulas de reforço não chegaram. O governo perde a votação (49-58), sendo aprovada a moção de desconfiança. Aliás, vários deputados democráticos votaram contra o governo do respetivo partido, sendo, depois, irradiados.
Dia 18 de julho – Governo pede a dissolução parlamentar – É aprovada no Senado uma moção de confiança ao governo por 28-10. António Maria da Silva, com base na decisão do Senado, vai a Belém pedir a Manuel Teixeira Gomes a dissolução parlamentar. Consegue também que o diretório democrático irradie os deputados que votaram contra o governo. José Domigues dos Santos e um grupo de vinte deputados constituem a chamada Esquerda Democrática. Era o rancor do bonzismo contra o justicialismo social do canhotismo, com o manobrador António Maria da Silva a procurar atingir uma falsa aparência de unidade através de uma operação de alta cirurgia.
Dia 19 de julho – Dá-se a revolta de Mendes Cabeçadas e Jaime Baptista. Decretado o estado de sítio. Baptista estava detido em S. Julião da Barra, mas consegue evadir-se e assalta o forte do Bom Sucesso. Cabeçadas revolta o cruzador Vasco da Gama. Batalhão de telegrafistas instala-se no Alto da Ajuda. A revolta é dominada por forças fiéis ao governo comandadas por Agatão Lança.
Dia 20 de julho – António Maria da Silva consuma o pedido de demissão, depois de contido o golpe.
Dia 22 de julho – Não aceitam formar governo o general Bernardo Faria e, depois, o independente Pedro Martins.
Dia 25 de julho – Chegam a Lisboa os presos de Elvas implicados no 18 de abril, a fim de serem julgados. Filomeno da Câmara declara: os políticos enganaram-se julgando que o problema nacional é um problema de eleições.
Dia 26 de julho – Convite a Domingos Pereira – Domingos Pereira era então presidente da Câmara dos Deputados e encontrava-se em Paris, quando aceitou o encargo de formar governo. Segundo Cunha Leal, o Presidente da República teve de fazer sair da toca de grilos do PRP alguém que, pelos seus dons inatos de simpatia e de aprumo, merecia o respeito de todos os seus correlegionários e, pela sua relativa imparcialidade, não iria pregar a guerra santa contra o canhotismo.
Dia 1 de agosto – Constituído o governo de Domingos Pereira. Entre os membros não democráticos do gabinete, apenas o independente Pereira da Silva, transitando do governo anterior, e a novidade de Nuno Simões, um cheirinho a extrapartidarismo, conforme a expressão de Cunha Leal.
Dia 5 de agosto – O programa de governo, marcado pela sobriedade, é apresentado com a oposição dos nacionalistas e monárquicos. Apoio dos bonzos. Expetativa dos canhotos e alvaristas. Nacionalistas apresentam moção de desconfiança que não é aprovada (29-93).
Dia 15 de agosto – Discurso de Gomes da Costa nos cumprimentos ao M. Guerra – Discurso violento de Gomes da Costa na cerimónia de cumprimentos ao novo ministro da guerra. Fala no miserável estado do Exército e apela a Vieira da Rocha para este cortar a cabeça a todos os chefes das quadrilhas que, com a maior desvergonha e impunidade, andam há anos a esta parte comprometendo a honra da nação.
Dia 24 de agosto – António Sérgio na Seara Nova de 24 de agosto aceita a possibilidade da ditadura ditadura que se fizesse, não em benefício de uma classe, mas em benefício da Nação; ditadura preparadora de uma verdadeira Democracia, passagem sincera e reformatriz para um regime de maior justiça, – não passagem para mais sólida, mais estável, mais omnipotente oligarquia. Ditadura de reforma, lealíssima, que saiba o que quer e diga o que quer, que queira realmente aquilo que diz, e nos convença pela clara Ideia, antes de vencer pelo canhão.
Dia 1 de setembro – Julgamento do 18 de abril – Começa o julgamento da Revolta de abril, na Sala do Risco do Arsenal da Marinha. O tribunal era presidido pelo general Ilharco. O juiz-auditor, Almeida Ribeiro. O general Óscar Carmona, o promotor de justiça. Cunha Leal e Tamagnini Barbosa são os defensores dos réus.
Dia 15 de setembro – Seara Nova contra os bonzos – Raul Proença, num artigo publicado na Seara Nova, salienta: parece que o problema capital desta República é agora o aniquilamento absoluto dos pequenos agrupamentos partidários. É este o mot d’ordre olímpico dos bonzos eleitos no último congresso democrático.
Dias 23 a 27 de setembro – Realiza-se em Santarém o 1º Congresso da CGT, participando 135 sindicatos.
Dia 26 de setembro – Sentença do 18 de abril. Carmona declara a Pátria está doente, manda acusar e julgar neste tribunal os seus filhos mais diletos. Reações do poder. Carmona é afastado do comando da 4ª divisão militar, de Évora. O general Ilharco é destituído de chanceler da Ordem de Aviz. É demitido o auditor militar, Almeida Ribeiro. Sá Cardoso tentar fundar uma junta para a defesa da República.
O Descontentamento do exército – Segundo Marques Guedes, no julgamento da Sala do Risco, o descontentamento do Exército achou ali o seu tubo de descarga e a revolução jugulada a tiro quatro meses antes no alto da Rotunda, vencia agora sem armas no tribunal da Sala do Risco, proclamando-se a legitimidade da insurreição contra a situação política dominante.
6º Congresso dos rurais.
Dia 3 de outubro – Manifesto de Gomes da Costa contra a classe política – No jornal A Época de 3 de outubro é publicado um manifesto de Gomes da Costa: Portugal tem de reagir para que não o assassinem… um lugar no Parlamento é para estes Catões a garantia da gamela bem cheia, a fartura e o regafobe garantidos… É a isto que chegámos ao cabo de 15 anos de regimen republicanos! Os grandes homens da República – expulsos. O Povo, – miserável. A Nação – na desordem, na anarquia, – escárnio dos estrangeiros. O Exército indisciplinado, esfrangalhado.
Dia 23 de outubro – Decreto nº 11 174, liquida todos os bairros sociais, à exceção do do Arco do Cego. No preâmbulo é feito um longo historial do processo.
Dia 24 de outubro – Ditadura de Reforma – António Sérgio na Seara Nova de 24 de outubro, analisando o julgamento do 18 de abril, diz aceitar a possibilidade de uma certa ditadura preparadora de uma verdadeira Democracia e de um governo nacional extraordinário. Uma ditadura de reforma, lealíssima, que saiba o que quer e diga o que quer, que queira realmente aquilo que diz, e nos convença pela clara Ideia, antes de vencer pelo canhão.
Dia 8 de novembro – Eleições para deputados e senadores (82 democráticos, 31 nacionalistas, 9 independentes, 7 esquerdistas, 7 da União de Interesses Económicos, 7 monárquicos, 5 católicos, 2 socialistas).
Maioria curta – Comentando os resultados eleitorais, o jornal O Século, observava: com uma maioria de 12 ou 15 apenas, nenhum partido pode vangloriar-se de ter assegurada uma forte maioria parlamentar. Não pode, tem de entrar em combinações que lhe tolherão os movimentos.
Termina o julgamento dos implicados no 19 de julho. Os réus são absolvidos.
A questão das deportações – Discutida na Câmara dos Deputados a deportação de elementos da Legião Vermelha para a Guiné. José Domingues dos Santos protesta contra a decisão governamental. António Maria da Silva responde, informando ter sido descoberto que os agitadores em causa, no tempo do governo de José Domingues dos Santos projetaram atacar à bomba o parlamento se uma moção de confiança a esse governo não fosse aprovada. O deputado Amâncio Alpoim considera que o sr António Maria da Silva ainda hoje é conhecido como o melhor organizador de revolução com bombas e sem bombas.
Dia 21 de novembro – Seara Nova defende um cartel de esquerdas – A Seara Nova de 21 de novembro observa que em Lisboa e no Porto, se se tivesse formado um cartel das esquerdas (Esquerda Democrática, partido radical, partido socialista e representantes de algumas classes), este teria vencido.
Dia 23 de novembro – O Século levanta a questão Alves dos Reis – Primeiro artigo em O Século sobre o caso Angola e Metrópole: O Que Há?
Dia 25 de novembro – Extinção do Ministério do Trabalho.
Dia 5 de dezembro – Prisões no Porto no caso Alves dos Reis. Alves dos Reis é detido no dia 6.
Dia 8 de dezembro – Longas bichas em todo o país nas filiais do Banco de Portugal para a troca das notas de Alves dos Reis.
Dia 10 de dezembro – Por ocasião do recomeço dos trabalhos parlamentares, o presidente da República, Manuel Teixeira Gomes, renuncia ao mandato, sucedendo-lhe Bernardino Machado, eleito no dia 11. Chegou a falar-se na eleição de Gago Coutinho por plebiscito.
Dia 11 de dezembro – Prisão e deportação de inúmeros sindicalistas.
Dia 13 de dezembro – Governo apresenta a demissão.
Dia 17 de dezembro – Teixeira Gomes parte para o exílio voluntário – Teixeira Gomes parte num cargueiro para o exílio argelino: vou enfim libertar-me de 15 anos de cativeiro, arrastados por Londres e Lisboa.
Confessará depois a Norberto Lopes que se libertou da gaiola dourada de Belém e que os políticos eram intoleráveis. Procurei estudá-los mais como romancista do que como homem de Estado … recusei-me a continuar na presidência sem o orçamento votado, porque entendo que um país deve ter as contas em dia. Não quiseram ouvir-me. Foi esta a razão por que me vim embora.
Fica exilado em Bougie, onde acabou por falecer em 18 de outubro de 1941.
Governo de António Maria da Silva – Apesar de Bernardino Machado ainda tentar a hipótese de um governo de concentração, o governo, presidido por António Maria da Silva é democrático bonzo, com a oposição de monárquicos, nacionalistas e esquerdistas. Silva, segundo Cunha Leal, lançou-se sobre o presidente como ave de rapina sobre uma presa. Surgia assim o “de profundis” da república parlamentar no cantochão de António Maria da Silva. Aquele que tinha sido o progenitor da prevalência do Exército na vida da República, quando desarmou a GNR, não desistia da táctica que havia de transformá-lo em seu coveiro. Constituído em 17 de dezembro.
Dia 21 de dezembro – Apresentação parlamentar (63 votos favoráveis e 23 votos contra). Oposição de nacionalistas, monárquicos e esquerda democrática. Socialistas, católicos e alvaristas dizem-se na expetativa. São vivos os ataques de José Domingues dos Santos, pelos esquerdistas, e de Pedro Pitta, então líder parlamentar dos nacionalistas.
Silva dizia então: não sou da esquerda nem da direita, sou do partido republicano (10 de junho de 1925). Será o último governo da I República. Derrubado pelo golpe de 28 de maio de 1926.
Dia 22 de dezembro – Governo manda dispersar manifestção de protesto da CGT contra as deportações.
Dia 24 de dezembro – Governo italiano de Mussolini deixa de ser responsável perante o parlamento.
Dia 4 de janeiro – Críticas ao Banco de Portugal. O deputado Amâncio de Alpoim diz que a administração do Banco de Portugal é uma caverna de falsificadores e ladrões.
Dia 11 de janeiro – Um plano soviético? Reflexos parlamentares do caso Alves dos Reis. Um juiz de instrução do processo põe a hipótese do caso estar relacionado com um vasto plano soviético.
Dia 29 de janeiro – O ferrete do estrangeiro. Cunha Leal no parlamento diz que o caso Alves dos Reis é um reflexo do ferrete do estrangeiro.
Dia 1 de fevereiro – Revolução de Almada. Deu-se uma tentativa de revolta radical em Torres Novas. A chamada revolução de Almada. O governo e o presidente da república estavam no Porto a comemorar o 31 de janeiro. A revolta era chefiada pelo construtor civil José Augusto da Silva Martins Júnior, reunindo outubristas, sidonistas, ex-democráticos, formigas pretas e radicais. No comando militar da revolta, o alferes Lacerda de Almeida.
Dia 9 de fevereiro – Proposta de régie para os tabacos. Governo apresenta proposta para régie nos tabacos em 9 de fevereiro, com um exaustivo relatório historiando o processo. O prazo da concessão, estabelecido em 1906 terminava em 30 de abril. Logo se levanta um clamor pela liberdade de exploração, regiem este que, na Europa só era praticado pelos britânicos.
Março – Afonso Costa é eleito presidente da assembleia extraordinária da Sociedade das Nações.
Dia 6 de março – Congresso Nacionalista. Congresso do Partido Nacionalista no Liceu Camões em Lisboa. Cunha Leal foi vivamente criticado por ter aceite o cargo de vice-governador do Banco Nacional Ultramarino. Organiza lista, com o capitão de mar e guerra Vasconcelos e Sá, capitão de mar e guerra Mendes Cabeçadas, Vicente Ferreira, Bissaia Barreto, capitão-tenente Carlos Pereira e João Pinheiro, que enfrenta a lista oficiosa de Tamagnini Barbosa e Pedro Pitta.
Dia 8 de março – Constituída a União Liberal Republicana, no Teatro Nacional, em reunião de 8 de março. Apoio de Rocha Saraiva e de grupo importante dos evolucionistas que têm o acordo de António José de Almeida.
Dia 10 de março – Anuncia-se no parlamento a instituição da União Liberal Republicana.
Dia 27 de março – Seara Nova contra o fascismo. Comício organizado pela Seara Nova contra a hipótese de um golpe fascista. Revista Ordem Nova. Lançada a revista Ordem Nova que tem como redactores-fundadores Marcello Caetano e Albano Pereira Dias de Magalhães. Diz-se revista antimoderna, antiliberal, antidemocrática, antiburguesa e antibolchevista; contrarrevolucionária; reacionária; católica, apostólica e romana; monárquica, intolerante e intransigente insolidária com escritores, jornalistas e quaisquer profissionais das letras, da arte e da imprensa. Outros colaboradores: Pedro Teotónio Pereira, Manuel Múrias, J. A. Vaz Pinto e Nuno de Montemor.
Dia 8 de abril – Discussão parlamentar da questão dos tabacos. Começa a discutir-se na Câmara dos Deputados a questão dos tabacos. Estão contra a proposta governamental de administração direta do monopólio pelo Estado os projetos de lei dos deputados Pestana Júnior, Aboim Inglês e Cunha Leal, todos defendendo a liberdade de exploração.
Dia 14 de abril – Tumultos no parlamento. Nova sessão agitada na Câmara dos Deputados. Durante a discussão de um projeto do deputado Manuel José da Silva, uniformizando o subsídio parlamentar dos deputados que são funcionários públicos, António Maria da Silva chama epiléticos aos deputados esquerdistas. Cadeiras e cadeiras partidas pelos protestos.
Dia 28 de abril – Manifestações contra o governo. Manifestações contra o governo por causa dos tabacos nos dias 28, 29 e 30 de abril. O contrato de exclusivo terminava a 30 de abril.
Dia 30 de abril – Governo assume a posse da Companhia dos Tabacos. Despacho do governo de 30 de abril, apenas publicado em 19 de maio seguinte, determina que funcionários governamentais tomem posse da Companhia. Congresso sindical. Realiza-se o 2º congresso das Juventudes Sindicalistas.
Dia 1 de maio – Agitação na rua e no parlamento por causa dos tabacos. Incidentes sobre a questão dos tabacos prosseguem em 1, 12, 17, 20 e 22 de maio. Grita-se abaixo a ditadura democrática e morra o governo. Os apoiantes da Esquerda Democrática usam flores vermelhas na lapela. Em 4 de maio, Marques Guedes discursa na Câmara dos Deputados sobre a matéria. Apresentada moção que determinava o encerramento da fábrica.
Dia 12 de maio – Regime autoritário na Polónia. Pilsudski toma o poder na Polónia.
Dia 13 de maio – Monumento ao Marquês de Pombal. É lançada a primeira pedra do monumento ao Marquês de Pombal na Rotunda, em Lisboa.
Dia 25 de maio – Governo deixa de representar-se no parlamento. O governo decide deixar de representar-se na Câmara dos Deputados. Com a questão dos tabacos, o governo sofria mais do que os governos monárquicos em 1905 e 1906. Como observa Marques Guedes: o governo, inegavelmente, saía mal ferido da contenda, porque diminuído no seu prestígio. Mas o parlamento dir-se-ia quisera suicidar-se.
Dia 27 de maio – 22h – Gomes da Costa (tinha cabeça de galinha e era sempre da opinião da última pessoa com quem falava) chega a Braga.
Dia 28 de maio – 6h – Inicia-se o movimento em Braga. Manifesto da Junta de Salvação Pública. Em Lisboa uma Junta de Salvação Pública lança manifesto. Mendes Cabeçadas entrega manifesto a Bernardino Machado. Braga, Congresso Mariano, propaganda de Cunha Leal e Gomes da Costa. Congresso Mariano em Braga no dia 28 de maio. Cunha Leal está na cidade, almoçando com apoiantes. Discursa no Bom Jesus, criticando o partido democrático, outrora obediente à ameaça do chicote de nove rabos do Dr. Afonso Costa, mas que agora nem sequer tem um chefe. É um instituto tresmalhado…, e o restante do partido nacionalista: nem toda a mole ambição do sr. Ginestal Machado, nem todas as intrigas do sr. pedro Pita, nem todo o maquiavelismo do sr. Tamagnini Barbosa são suscetíveis de inspirar confiança à nação…é um organismo parasitário. Chega à cidade, pelas 22 horas, o general Gomes da Costa.
Dia 29 de maio – António Maria da Silva demite-se Governo de António Maria da Silva apresenta demissão. Cabeçadas em Lisboa. Guarnição de Lisboa adere a Gomes da Costa. Lidera o movimento Mendes Cabeçadas. Carmona em Elvas. Carmona que estava em Elvas assume o comando da 4ª divisão em Évora.
Dia 30 de maio – Cabeçadas forma governo. Bernardino Machado convida Cabeçadas a formar governo. Este aceita e assume as funções de M. Marinha e de presidente do Ministério acumulando interinamente todas as outras pastas. Gomes da Costa dá ordem a todas as forças militares para avançarem sobre Lisboa.
Dia 31 de maio – O dia seguinte… O major Ribeiro de Carvalho, ainda apelava a que se repetisse o modelo da Regeneração de 1851, com uma política ampla e de generosa conciliação nacional, reconhecendo que o movimento pode ser útil. Salientava que a vitória da revolução é, antes de mais nada, um triunfo da opinião pública. Os revoltosos venceram porque ninguém estava disposto a sacrificar-se por um governo que não traduzia os votos da nação. Encerramento do Congresso. Ministro da Guerra manda encerrar o Congresso da República. Demissão de Bernardino. B. Machado apresenta a demissão a Cabeçadas.
Dia 1 de junho – Gomes da Costa em Coimbra. O triunvirato Gomes da Costa em Coimbra anuncia triunvirato com Cabeçadas e Armando Ochoa. Ochoa retira-se.
Dia 3 de junho – Gomes da Costa em Sacavém Gomes da Costa em Sacavém. Novo governo de Cabeçadas Cabeçadas em Lisboa organiza novo governo, entregando a Gomes da Costa as pastas da Guerra, das Colónias e da Agricultura. Nas Finanças, Salazar; na Instrução, Mendes dos Remédios; na Agricultura, Ezequiel de Campos; na Justiça, Manuel Rodrigues.
Dia 4 de junho – Gomes da Costa na Amadora Gomes da Costa na Amadora. A Tuna de Coimbra De Coimbra vêm Remédios, Rodrigues e Salazar. Avistam-se na Amadora com Gomes da Costa. Remédios e Rodrigues tomam posse, Salazar volta para Coimbra no dia 5.
Dia 7 de junho – Gomes da Costa no Terreiro do Paço Gomes da Costa toma posse como M. da Guerra e interino das Colónias. Parada da vitória Parada da Vitória na Avenida da República, com 15 000 homens.
