Fusão
1865-1876
Regimes Políticos
Entre duas bipolarizações
Entre 1865 e 1877, o sistema político português vai viver um período de transição entre a primeira bipolarização gerada em torno dos progressistas regeneradores e dos progressistas históricos e o ciclo do rotativismo entre os regeneradores e os progressistas, institucionalizados pelo Pacto da Granja de setembro de 1876.
Doze anos de pequenos partidos
Os doze anos que medeiam entre a queda do segundo governo histórico e a subida ao poder do governo regenerador de Rodrigues Sampaio/ Fontes, o primeiro governo fontista propriamente dito, assistiriam a um período curioso e contraditório, onde, depois do máximo de unidade conseguido pelo governo da fusão, entre os que hão-de ser regeneradores e os que hão-de ser progressistas, vai viver-se uma dispersão partidária.
As forças opositoras à fusão, tentam uma mudança, primeiro com a interpretação avilista da mudança, a ala direita dos reformistas, depois, com os reformistas propriamente ditos, a ala esquerda do grupo que derrubou a fusão, protagonizados por Sá da Bandeira e Alves Martins.
Da ditadura de Saldanha ao governo de Fontes
Segue-se a partir de maio de 1870, uma breve interrupção ditatorial, com Saldanha, mas recolhendo no seu seio a ideia de novos grupos políticos, desde os penicheiros aos futuros constituintes de Dias Ferreira, para, depois se tentar novo governo, onde depois de uma breve junção entre os avilistas e a ala esquerda dos reformistas, ficam apenas os primeiros em campo e acabando por falhar. Emerge, finalmente, a estabilidade de um governo fontista, apoiado por avilistas e constituintes e com a oposição de reformistas e de históricos.
Instabilidade partidária e unificação maçónica
Curiosamente, esse período de instabilidade partidária tem a acompanhá-lo um processo de unificação das várias maçonarias. Os herdeiros da Maçonaria do Sul e da Maçonaria do Norte, unificados na Confederação Maçónica Portuguesa, a base espiritual e organizacional dos chamados históricos, de cunho acentuadamente anti cabralista, logo em maio de 1866, chegam a acordo com o Grande Oriente de Portugal que, em 1849, com o visconde da Oliveira e o conde da Cunha se tinham independentizado das fações maçónicas de António Bernardo da Costa Cabral e de José Bernardo da Costa Cabral, até que em outubro de 1969 se chega ao máximo unificador do Grande Oriente Lusitano Unido, integrando-se os restos das fações maçónicas.
As ideias novas de reforma e de fomento
Entre 1865 e 1877, definido que estava o quadro constitucional pelo armistício do Ato Adicional de 1852, a mudança deixa de ser regeneração e passa a usar o nome de reforma, mas a nível das leis infraconstitucionais, enquanto outros preferem os melhoramentos materiais ou o fomento.
Novos pequenos partidos
Com efeito, em 17 de abril de 1865, com o novo governo de Sá da Bandeira, desencadeou-se um novo ciclo político pela emergência de novos pequenos partidos, principalmente a partir da cisão dos históricos e pela episódica fusão entre os primeiros. O grupo de António José de Ávila, que começara a divergir dos históricos em fevereiro de 1862, integrou o novo governo, mas, desde logo, advogou uma conciliação com os regeneradores, colocando-se ao lado de Loulé e de Silva Sanches. Já o grupo de Sá da Bandeira, com o apoio de Joaquim Tomás de Lobo d’Ávila, o novo grão-mestre da Confederação Maçónica Portuguesa, não apoiou essa aliança.
Na altura, há em Portugal continental e insular 3 829 618 habitantes, dos quais 75% se dedicam à agricultura. Apenas 425 442 portugueses vivem em cidades, com 163 763 em Lisboa, 86 751 no Porto, 19 600 em Braga, 12 000 em Coimbra, 11 000 em Setúbal e outros tantos em Évora.
Forma do Poder
- Carta Constitucional
Imagem
A procura do reformismo e do fomento e o fim das oposições produzidas pelo traumatismo cabralista. Perde-se a memória das guerras civis, dos pronunciamentos militares e das outras lutas caseiras.
Sede Formal do Poder
O vértice formal de poder passa a ser o governo e o diretório do chefe governamental. A partir de 1871, inequívoca personalização do poder.
Maçonaria
Em 1865 começam as conversações entre a Confederação Maçónica Portuguesa, o Grande Oriente Lusitano e o Grande Oriente de Portugal, para a unificação. Logo em maio de 1866, faz-se o acordo entre o Grande Oriente de Portugal (conde de Peniche) e a Confederação Maçónica Portuguesa (Mendes Leal). Só em 17 de agosto é que se chega à grande unificação, sendo eleito grão-mestre o conde de Paraty.
Em outubro de 1869, criação do Grande Oriente Lusitano Unido.
Grupos Sociais
A regeneração que atinge o auge vinte anos depois de 1851, com o primeiro governo presidido por Fontes é o nome português do capitalismo. Domina contudo uma oligarquia banco-burocrática. O aparecimento do engenheiro.
Governo
- Governo de Sá da Bandeira
- Governo de Ávila
- Primeiro governo reformista propriamente dito com Sá da Bandeira
- Terceiro governo histórico, sob a presidência de Loulé
- Governo de Saldanha
- Governo de Sá da Bandeira
- Governo de Ávila
- Governo regenerador, sob a presidência de Fontes
Fações
- A união de históricos e regeneradores, nascida para as eleições de 1865 e que vai governar o país durante três anos, intitula-se partido dos melhoramentos materiais, apresentando-se às eleições de 1868 como comissão eleitoral do centro.
- Contra a fusão ergue-se um movimento de protesto, onde tanto enfileiram os avilistas como os penicheiros.
- O governo avilista, alia António Luís Seabra e José Dias Ferreira.· Nas eleições de 1868, com os avilistas no governo, em aliança com os futuros reformistas, surge uma oposição radical, dita liberal-progressista, liderada pelo conde de Peniche.
- Em 1868 estrutura-se o movimento republicano do Pátio do Salema.
- Em 1869, com o governo de Sá da Bandeira/ Alves Martins, surge o grupo dos reformistas.
- Nessa altura, os históricos reúnem uma unha branca, com Loulé e José Luciano, e uma unha negra, com Lobo de Ávila. Juntam-se as duas fações no governo, a partir de agosto de 1869.
- Adeptos de Sá da Bandeira e de Saldanha assumem frontal oposição ao governo de Loulé em janeiro de 1870.
- Antero de Quental e Oliveira Martins começam a publicar A República em 11 de maio de 1870.
- Depois do golpe e do governo de Saldanha, em 1870, o sistema atinge o ponto máximo de fragmentação, confirmado pelas eleições de setembro de 1870 e de julho de 1871, com reformistas (Sá da Bandeira, Alves Martins, Latino Coelho, Saraiva de Carvalho), avilistas, regeneradores, históricos e o grupo de Dias Ferreira, em breve chamado de constituintes (25 de fevereiro de 1871).
- Desde 1871, com o governo de Fontes, especialmente a partir de 1874, os cinco partidos tendem a bipolarizar-se, com os regeneradores, no poder, a mobilizarem avilistas e constituintes e os históricos, na oposição, a juntarem-se aos reformistas.
Eleições
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Eleições de 9 de julho de 1865
- Eleições de março de 1868
- Eleições de 11 de abril de 1869
- Eleições de março de 1870
- Eleições de 9 de julho de 1871
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Eleições de 12 de Julho de 1874
Política Externa
- Procura do empréstimo externo. Carlos Bento da Silva em dezembro de 1868, no primeiro governo reformista, não o consegue.
- Nos começos de 1869 fala-se no perigo de uma união ibérica, com o afastamento de Isabel II.
- Questão da guerra franco-prussiana e da Comuna de Paris.
Os embaixadores
- Saldanha, embaixador em Paris até outubro de 1869.
Tumultos
- Movimento da janeirinha de janeiro de 1868, contra o regulamento de imposto de consumo do governo da fusão.
- Governo de Loulé transfere vários oficiais que visitaram Saldanha em atitude insurrecional em janeiro de 1869.
- Revoltas populares em dezembro de 1869 contra o arrolamento predial.
Golpes de Estado
- Golpe de Saldanha em 19 de maio de 1870.
Atores Principais
- Loulé
- Aguiar
- Sá da Bandeira
- Barjona de Freitas
- António José de Ávila
- Fontes Pereira de Melo
- Rodrigues Sampaio
