SOBRE

Arendt (na imagem) considera ainda que o chauvinismo originou um nacionalismo tribal com a sua romântica glorificação do passado e o seu mórbido culto dos mortos. A consciência tribal ampliada, pelo contrário, pretende a identificação da nacionalidade do individuo com a sua alma ou a sua origem, estando na base dos movimentos de unificação étnica do pan‑eslavismo e do pangermanismo e surgiu como o nacionalismo daqueles povos que não haviam alcançado soberania de Estado‑Nação, sendo a força do imperialismo continental.

Cada uma dessas formas mentais dá origem a dois tipos ideais de nacionalismo: o nacionalismo tribal dos objetivistas e o chauvinismo dos subjetivistas. Segundo Hannah Arendt, o chauvinismo é extrovertido, interessado nas evidentes realizações espirituais e materiais da nação, enquanto o nacionalismo tribal é introvertido, concentrado na própria alma do indivíduo, que é tida como a encarnação intrínseca de qualidades nacionais.

Para a mesma autora, a mística chauvinista ainda aponta algo que de facto existiu no passado e procura elevá‑lo a um plano fora do controlo humano; o tribalismo, por outro lado, parte de elementos pseudomíticos inexistentes, que se propõe realizar inteiramente no futuro.

Bibliografia

Isaacs, Harold, Power and Identity. Tribalism in World Politics, Nova York, Foreign Policy Association, 1979.

Maffesoli, Michel, Le Temps des Tribus. Le Déclin de l’Individualisme dans les Societés de Masse, Paris, Méridien, 1988.

Idem, La Transfiguration du Politique. La Tribalisation du Monde, Paris, Éditions Bernard Grasset, 1992.

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